Missão Refúgio
Diretor
Ric Roman Waugh
Gênero
Ação
Elenco
Jason Statham, Bodhi Rae Breathnach, Michael Shaeffer
Roteirista
Ward Parry
Estúdio
Diamond Films
Duração
107 minutos
Data de lançamento
12 de março de 2026
À essa altura de sua carreira, Jason Statham já virou seu próprio gênero de cinema. Apesar de sempre ter sido um ator de ação, salvo algumas exceções seus últimos personagens parecem variações da mesma pessoa. Quando o conjunto da obra ajuda, alguns resultados até podem ser positivos, principalmente quando ele pode mostrar seu lado mais bem-humorado e divertido. Outras vezes, a previsibilidade toma conta e o que temos é apenas mais um filme de ação com uma trama tão genérica que pode ser destrinchada desde as primeiras cenas por qualquer um que esteja minimamente em dia com a filmografia do ator. Infelizmente, “Missão Refúgio” é um desses filmes. O começo desse filme, inclusive, é um grande clichê dos filmes de ação, não reservado para Statham: um homem solitário e “na sua”, aparentemente comum, que acaba sendo algum tipo de veterano de guerra ou assassino de aluguel aposentado, mas que será forçado a voltar à ativa.
O problema de “Missão Refúgio” está presente desde o princípio. Uma sequência extremamente longa mostra como Mason (Jason Statham) leva a vida. Ele mora sozinho numa casinha numa ilha praticamente deserta, acompanhado apenas de seu cachorro. Ele joga xadrez sozinho, desenha e encara o nada – depois repete. Sua única ligação com o mundo exterior são os mantimentos entregues por um homem e sua sobrinha, eles só deixam a encomenda no pé da escada e vão embora em seu barco, sem nem ao menos trocar uma palavra com Mason. Até que isso muda, é claro. A menina, Jessie (Bodhi Rae Breathnach), bate na sua porta em vez de ir embora sem contato e questiona Mason sobre sua solidão, mas ele não dá bola. Quando a menina está indo embora, no entanto, ela e o tio são surpreendidos por uma tempestade, o tio morre afogado (no meio de ondas de CGI extremamente mal-feitas) e a única pessoa por perto para ajudar Jessie é, claro, Mason. Obrigado a dividir seu espaço com a menina, eles acabam virando amigos e, quando Jessie precisa de cuidado especial para se recuperar, ele acaba voltando à sociedade.
Como qualquer filme de Jason Statham, ele acaba sendo perseguido, dessa vez por agentes do MI6, Inteligência britânica. A surpresa é que seus antagonistas são vividos por atores de um calibre muito mais alto do que o costume, incluindo nomes como Bill Nighy e Harriet Walter. Os três estão envolvidos com um projeto vilanesco envolvendo dados pessoais da população, algo tão genérico quanto todo o resto. A parte da ação propriamente dita fica por conta de seu combate com o personagem de Laurent Buson, um agente com o mesmo nível de habilidades físicas de Mason, só que mais jovem. Esse é também o ponto alto do filme, como costuma ser. As lutas são bem coreografadas e intensas, realmente passando o senso de urgência das situações. Nesses momentos, Jason Statham brilha fazendo o que faz de melhor, ainda que seu personagem esteja aquém de seu talento no restante do tempo.
A ligação entre Mason e Jessie é interessante e, por vezes, parece genuína, mas sempre que está prestes a alcançar um nível maior de profundidade, é ofuscada pelos diálogos fracos e cheios de frases clichês que banalizam as interações e reforçam a sensação de que “Missão Refúgio” é aquilo que parecia ser desde o início: um filme raso que depende unicamente de suas cenas de ação para ser minimamente marcante.
Por Júlia Rezende