{"id":10601,"date":"2015-08-16T17:28:47","date_gmt":"2015-08-16T17:28:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pipocadepimenta.com\/?p=10601"},"modified":"2015-12-20T01:26:11","modified_gmt":"2015-12-20T01:26:11","slug":"corrente-do-mal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/corrente-do-mal\/","title":{"rendered":"Corrente do Mal"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-10818\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/SINOPSE4.png\" alt=\"SINOPSE\" width=\"800\" height=\"1814\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/SINOPSE4.png 800w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/SINOPSE4-452x1024.png 452w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Nascido em Nair\u00f3bi (Qu\u00eania) em 1941, Dawkins era um bi\u00f3logo ainda pouco conhecido quando publicou um livro que &#8211; mesmo sem ele saber \u2013 influenciaria o pensamento filos\u00f3fico contempor\u00e2neo sobre quem somos e porque somos assim. Em seu trabalho \u201cO Gene Ego\u00edsta\u201d, Dawkins defende que somos programados para sobreviver a qualquer custo atrav\u00e9s dos nossos genes, como um rob\u00f4 que obedece fielmente a sua programa\u00e7\u00e3o. Para ele, o que faz um gene prosperar em um ambiente extremamente competitivo como o que vivemos \u00e9 seu ego\u00edsmo implac\u00e1vel. Em outras palavras, Dawkins sugere que ideais como generosidade e bondade devam ser ensinados, pois s\u00f3 assim poder\u00edamos viver em sociedade, mas acredita que o ser humano s\u00f3 consegue garantir sua sobreviv\u00eancia se pensar em si mesmo.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-10841\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente1-e1439740042954.jpg\" alt=\"it follows film still\" width=\"1200\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente1-e1439740042954.jpg 1200w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente1-e1439740042954-1024x614.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Esse foi o pensamento que me ocorreu ao assistir o mais recente trabalho do diretor <strong>David Robert Mitchell<\/strong>, o terror <strong>\u201cCorrente do Mal\u201d<\/strong>, que foi sensa\u00e7\u00e3o em Cannes e colecionou diversos elogios da cr\u00edtica norte-americana. Alguns colegas mais empolgados chegaram a afirmar que \u201c\u00e9 imposs\u00edvel descrever a intensidade da assombra\u00e7\u00e3o que o filme causa\u201d ou que \u201c\u00e9 um filme que ir\u00e1 persegui-lo por semanas\u201d. Talvez toda essa empolga\u00e7\u00e3o reflita mais a car\u00eancia por filmes de terror que n\u00e3o apelem tanto para os clich\u00eas, do que propriamente ser uma obra de arte assustadora e inesquec\u00edvel \u2013 algo semelhante ao que aconteceu h\u00e1 algum tempo com o australiano &#8220;The Babadook&#8221; \u2013 mas \u00e9 ineg\u00e1vel que o estilo e a execu\u00e7\u00e3o das duas obras s\u00e3o um frescor para o g\u00eanero.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-10842\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente2.jpg\" alt=\"corrente2\" width=\"1296\" height=\"730\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente2.jpg 1296w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente2-1024x577.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1296px) 100vw, 1296px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Se voc\u00ea tivesse uma doen\u00e7a que o matasse aos poucos e a \u00fanica forma de se livrar dela fosse passando o problema para outra pessoa, voc\u00ea faria ou morreria? Colocando mais pr\u00f3ximo do assunto do filme, se voc\u00ea tivesse AIDS e a \u00fanica forma de se curar fosse tendo rela\u00e7\u00e3o sexual com outra pessoa, qualquer uma, um estranho ou conhecido, voc\u00ea o faria? Segundo o \u201cgene ego\u00edsta\u201d de Dawkins, l\u00e1 do in\u00edcio do texto, j\u00e1 podemos imaginar o que a maioria pensa n\u00e3o \u00e9 mesmo? Independente da sua resposta, talvez esta seja a pensata (princ\u00edpio moral embutido) de Corrente do Mal. Logo no in\u00edcio temos uma cena intrigante, onde uma jovem corre (de salto!) assustada pela rua, apesar do local aparentar uma noite calma e tranq\u00fcila. Ap\u00f3s fugir para uma praia isolada, a garota se desculpa pelo celular e se despede de seu pai, antes de aparecer brutalmente morta na tela. Depois disso, somos apresentados aos personagens principais, a bela (e o filme enfatiza sua beleza at\u00e9 nos di\u00e1logos) Jay (<strong>Maika Monroe<\/strong>), sua irm\u00e3 Kelly (<strong>Lili Sepe<\/strong>) e seus amigos Paul (<strong>Keir Gilchrist<\/strong>) e Yara (<strong>Olivia Luccardi<\/strong>). Depois, um aliado entra para o grupo, o vizinho Greg (<strong>Daniel Zovatto<\/strong>).<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-10843\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente3.png\" alt=\"corrente3\" width=\"1024\" height=\"427\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Ap\u00f3s sair com seu novo namorado em uma noite bastante agrad\u00e1vel, Jay e o rapaz fazem sexo no carro \u2013 que apesar de n\u00e3o ser uma id\u00e9ia muito rom\u00e2ntica, o diretor consegue criar uma atmosfera bem singela &#8211; mas o clima muda drasticamente quando o rapaz seq\u00fcestra Jay e a amarra em uma cadeira num local abandonado. N\u00e3o irei contar mais, pois \u00e9 ali que o terror come\u00e7a a ser constru\u00eddo. De qualquer forma \u00e9 uma boa seq\u00fc\u00eancia de cenas, pois como ensina o \u201cprofessor\u201d Robert McKee, esta s\u00e9rie de eventos contendo mudan\u00e7as de valores (de um come\u00e7o agrad\u00e1vel para um final assustador) cria altera\u00e7\u00f5es significativas na vida dos personagens e a execu\u00e7\u00e3o do roteirista e diretor foi perfeita. Jay sai de um momento de prazer e alegria para terminar com dor e aterrorizada, mas a mudan\u00e7a maior \u00e9 que de uma garota normal e saud\u00e1vel, ao final da seq\u00fc\u00eancia ela carrega uma maldi\u00e7\u00e3o e agora n\u00e3o pode voltar atr\u00e1s. Isso move o filme rumo a sua confronta\u00e7\u00e3o com o problema no segundo ato.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-10844\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente4-e1439740154522.jpg\" alt=\"corrente4\" width=\"1200\" height=\"541\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente4-e1439740154522.jpg 1200w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente4-e1439740154522-1024x462.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Corrente do Mal \u00e9 mais uma prova de que para colocar uma boa ideia em pr\u00e1tica, um or\u00e7amento modesto pode ser mais que o suficiente. Com um elenco sem rostos conhecidos, o espectador fica sem saber o que esperar, tornando a trama menos previs\u00edvel. Da primeira vez que assisti, fiquei t\u00e3o entretido com a hist\u00f3ria que a trilha sonora me havia passado totalmente despercebida, mas ao rever o filme reparei como ela encaixa bem no filme e remete aos cl\u00e1ssicos de terror dos anos 80, como o uso de sintetizadores, por exemplo. Outro aspecto que me ocorreu da segunda vez (embora eu ainda n\u00e3o tenha chegado a uma conclus\u00e3o a respeito), \u00e9 poss\u00edvel que haja uma \u201cmistura\u201d de \u00e9pocas durante o filme, pois a primeira v\u00edtima utiliza um celular e um carro moderno, entretanto, enquanto vemos a hist\u00f3ria de Jay, as televis\u00f5es s\u00e3o antigas e inclusive alguns carros tamb\u00e9m, embora a personagem Yara tenha uma esp\u00e9cie de leitor de \u201ce-books\u201d. Fica a dica para que voc\u00eas tentem decifrar&#8230;<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-10845\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente5-e1439740200579.png\" alt=\"corrente5\" width=\"1200\" height=\"496\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente5-e1439740200579.png 1200w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente5-e1439740200579-1024x423.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Entretanto, Corrente do Mal n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 elogios. Os esfor\u00e7os do diretor ficaram muito concentrados em contar a hist\u00f3ria e criar um universo claustrof\u00f3bico (a maldi\u00e7\u00e3o atinge direta e indiretamente o menor n\u00famero de pessoas poss\u00edvel, a m\u00e3e, por exemplo, nem desconfia que algo esteja acontecendo), deixando o desenvolvimento dos personagens um pouco de lado. Apesar de se tratar de um filme de sobreviv\u00eancia, os personagens s\u00e3o muito reativos \u00e0s situa\u00e7\u00f5es, o que os torna sem personalidade, pois um personagem revela quem ele realmente \u00e9 atrav\u00e9s de suas a\u00e7\u00f5es. Por isso \u00e9 muito mais prov\u00e1vel que o espectador simpatize, por exemplo, com Ash (de A Morte do Dem\u00f4nio) e n\u00e3o com Jay, pois a protagonista est\u00e1 sendo sempre v\u00edtima e lhe falta atitude. Um personagem sem arco dram\u00e1tico, que come\u00e7a e termina da mesma forma \u00e9 bem pouco atraente (e todos os principais deste filme s\u00e3o assim&#8230;). E o principal problema est\u00e1 na resolu\u00e7\u00e3o, do segundo para o terceiro ato. O roteiro n\u00e3o consegue se sustentar at\u00e9 o cl\u00edmax, e faz algumas escolhas no m\u00ednimo duvidosas. Alguns consideram que os 20 minutos finais de um filme s\u00e3o sua parte mais importante. \u00c9 mais f\u00e1cil algu\u00e9m gostar de um filme que comece mais lento\/tedioso e tenha um desfecho espetacular \u2013 como \u201cO Nevoeiro\u201d (2007) \u2013 do que um que comece com uma boa premissa e n\u00e3o consiga se sustentar at\u00e9 o final, como o que acontece com The Babadook e Corrente do Mal, na minha opini\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-10846\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/corrente6.png\" alt=\"corrente6\" width=\"1000\" height=\"415\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Mesmo assim, entre erros e acertos &#8220;Corrente do Mal&#8221; ainda merece ser visto, pois em um filme de terror estilo pr\u00f3prio \u00e9 muito importante, e este tem de sobra. Embora n\u00e3o seja o trabalho de estreia do diretor, foi o primeiro a atingir notoriedade atrav\u00e9s do mundo, refletindo nos elogios recebidos em Cannes. Um bom trabalho ao construir a atmosfera, sustos na medida certa e um tema interessante de ser abordado. \u00c9 uma pena ter ca\u00eddo de produ\u00e7\u00e3o na sua resolu\u00e7\u00e3o, pois poderia ter se tornado um grande candidato a cl\u00e1ssico do g\u00eanero em um futuro pr\u00f3ximo, mas certamente ajudou a iluminar o caminho para que pr\u00f3ximas produ\u00e7\u00f5es consigam chegar l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Trailer do Filme:<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s8EE554SvpI\" width=\"100%\" height=\"512\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascido em Nair\u00f3bi (Qu\u00eania) em 1941, Dawkins era um bi\u00f3logo ainda pouco conhecido quando publicou um livro que &#8211; mesmo sem ele saber \u2013 influenciaria o pensamento filos\u00f3fico contempor\u00e2neo sobre quem somos e porque somos assim. 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