{"id":17519,"date":"2016-03-10T04:38:45","date_gmt":"2016-03-10T04:38:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pipocadepimenta.com\/?post_type=review&#038;p=17519"},"modified":"2016-03-10T05:19:25","modified_gmt":"2016-03-10T05:19:25","slug":"a-serie-divergente-convergente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/a-serie-divergente-convergente\/","title":{"rendered":"A S\u00e9rie Divergente: Convergente"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-0.jpg\" alt=\"Convergente 0\" width=\"1024\" height=\"1536\" class=\"alignnone size-full wp-image-17523\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-0.jpg 1024w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-0-683x1024.jpg 683w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Filmes produzidos especificamente para o p\u00fablico infantil e adolescente n\u00e3o s\u00e3o um fen\u00f4meno novo, mas ganharam f\u00f4lego nos \u00faltimos dez ou quinze anos, com o sucesso de franquias adaptadas de livros escritos para essas mesmas faixas et\u00e1rias, como \u2018Harry Potter\u2019 e \u2018Crep\u00fasculo\u2019. Poucas delas ultrapassam um m\u00ednimo de qualidade t\u00e9cnica e sucesso de p\u00fablico e cr\u00edtica, como a finalizada recentemente \u2018Jogos Vorazes\u2019 (e por isso os produtores j\u00e1 tem pensando em formas de continu\u00e1-la), mas mesmo essa cometeu erros grotescos, como separar o \u00faltimo filme em dois, apenas para dobrar os lucros (pr\u00e1tica adotada por Hollywood desde as adapta\u00e7\u00f5es de \u2018Harry Potter e as Rel\u00edquias da Morte\u2019). E no \u201chype\u201d das j\u00e1 citadas surgiram outras como \u2018Divergente\u2019 e \u2018Maze Runner\u2019, que a cada nova continua\u00e7\u00e3o menos justificam sua necessidade de exist\u00eancia fora dos livros.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Ambientar essas narrativas em futuros dist\u00f3picos virou uma tend\u00eancia desses novos produtos cinematogr\u00e1ficos. Conceitos vindos direto de livros e filmes como &#8216;1984&#8217;, &#8216;Admir\u00e1vel Mundo Novo&#8217;, &#8216;Farenheit 451&#8217; e &#8216;Battle Royale&#8217;, nunca estiveram t\u00e3o em voga, talvez influenciados pelo impacto do atentado \u00e0s Torres G\u00eameas em 11 de Setembro de 2001 na cultura \u201cpop\u201d e os conflitos que surgiram posteriormente. Nos anos 80 tamb\u00e9m foram produzidos diversos filmes com tem\u00e1tica parecida, como \u2018Mad Max\u2019 e \u2018RoboCop\u2019, provavelmente embalados pela Guerra Fria, mas eram para um p\u00fablico mais maduro, sua viol\u00eancia era menos disfar\u00e7ada e n\u00e3o eram tecnicamente t\u00e3o desleixados e moderados como os recentes. As vers\u00f5es pr\u00e9-adolescentes atuais, mais parecem contos de fadas, onde as mortes s\u00e3o sempre \u201climpas\u201d, sem sangue e sem sofrimento, numa representa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 muito longe de retratar a \u201cverdade\u201d dos horrores de qualquer conflito b\u00e9lico e de contextos totalit\u00e1rios.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-1.png\" alt=\"Convergente 1\" width=\"1200\" height=\"661\" class=\"alignnone size-full wp-image-17532\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-1.png 1200w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-1-1024x564.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>O primeiro filme adaptado dos livros escritos por Veronica Roth &#8216;Divergente&#8217; (2014) j\u00e1 parecia desnecess\u00e1rio quando assistido com um olhar mais cr\u00edtico, talvez at\u00e9 por se parecer demais com os j\u00e1 citados &#8216;Brave New World&#8217; de Aldous Huxley e o recente &#8216;The Hunger Games&#8217; de Suzanne Collins. O segundo, &#8216;A S\u00e9rie Divergente: Insurgente&#8217; (2015) melhorou nos efeitos visuais e na parceria entre os atores, mas ainda assim passou longe de alcan\u00e7ar o mesmo sucesso da franquia protagonizada por Jennifer Lawrence, que tinha um roteiro mais coeso, interessante, que conseguiu evoluir a cada sequ\u00eancia e que apesar de parecer ter retirado muitos conceitos de &#8216;Battle Royale&#8217; (2000), soube encontrar uma \u201calma\u201d pr\u00f3pria introduzindo conceitos pol\u00edticos). Shailene Woodley \u00e9 uma atriz com um grande potencial e bastante carism\u00e1tica, o que j\u00e1 era evidente quando atuou em &#8216;Os Descendentes&#8217; (2011). Entretanto, o material base com que tem de trabalhar nesta franquia e todas as cenas de a\u00e7\u00e3o com as quais sua personagem tem de lidar, n\u00e3o favorecem sua performance e por mais que ela se esforce, n\u00e3o consegue disfar\u00e7ar toda a artificialidade visual desse universo, que tenta apresentar uma tecnologia futur\u00edstica pouco convincente e que se apoia demais nos efeitos gr\u00e1ficos.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>&#8216;A S\u00e9rie Divergente: Convergente&#8217; (2016) \u00e9 uma promessa n\u00e3o cumprida, pois desde o primeiro longa-metragem da s\u00e9rie, os espectadores querem saber quais os mist\u00e9rios que se escondem al\u00e9m dos muros da \u201cChicago p\u00f3s-apocal\u00edptica\u201d, esperando por algo surpreendente. No segundo longa-metragem j\u00e1 foi frustrante n\u00e3o descobrir nada al\u00e9m da cidade j\u00e1 vista no primeiro longa, por\u00e9m neste terceiro, quando finalmente se conhece o que h\u00e1 no mundo l\u00e1 fora, n\u00e3o \u00e9 mais satisfat\u00f3rio e n\u00e3o se tem a sensa\u00e7\u00e3o de a espera ter compensado. Ap\u00f3s tr\u00eas filmes, ainda n\u00e3o fica evidente o que realmente torna Beatrice &#8220;Tris&#8221; Prior uma \u201cdivergente\u201d especial, nem mesmo parece ocorrer alguma evolu\u00e7\u00e3o significativa  sua como personagem, como uma l\u00edder ou um s\u00edmbolo de uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-2.jpg\" alt=\"Convergente 2\" width=\"1280\" height=\"720\" class=\"alignnone size-full wp-image-17531\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-2.jpg 1280w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-2-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>As atua\u00e7\u00f5es tem seus bons momentos, principalmente dos atores coadjuvantes Ansel Elgort (Caleb Prior) e Miles Teller (Peter), mas que infelizmente aparecem muito pouco. E como o foco fica mais no casal principal, interpretado por Shailene Woodley e Theo James, mesmo que os dois se esforcem e tenham alguma qu\u00edmica \u00e9 dif\u00edcil acreditar neles como her\u00f3is de a\u00e7\u00e3o. J\u00e1 se tornou cansativo ver como Trix tem sacadas geniais em momentos dif\u00edceis, com uma intelig\u00eancia vinda sabe-se l\u00e1 de onde e como Tobias \u201cQuatro\u201d espanca sozinho diversos capangas sem nunca se cansar; habilidades essas que por serem mal desenvolvidas no enredo, acabam abalando nossa \u201csuspens\u00e3o da descren\u00e7a\u201d. Baseado no \u00faltimo livro da trilogia &#8216;Allegiant&#8217; foi dividido em duas partes &#8216;Convergente&#8217; de 2016 e &#8216;Ascendente&#8217; com lan\u00e7amento previsto para 2017, o que vai tornar ainda mais cansativo um desfecho j\u00e1 desinteressante. No livro, o foco narrativo muda em alguns cap\u00edtulos para a perspectiva do personagem Quatro, o que no filme n\u00e3o acrescenta nenhuma qualidade, j\u00e1 que o ator Theo James ainda n\u00e3o tem carisma suficiente para salvar um filme cheio de problemas, o que de qualquer forma n\u00e3o \u00e9 sua responsabilidade.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Os efeitos especiais s\u00e3o convincentes em boa parte da s\u00e9rie, no primeiro j\u00e1 n\u00e3o eram de todo ruins, com algumas melhoras significativas no segundo, mas \u00e9 um recurso que apesar de competente em v\u00e1rias partes \u00e9 demasiadamente utilizado neste terceiro. Quando os personagens t\u00eam que percorrer um mundo devastado por uma prov\u00e1vel guerra at\u00f4mica ou interagir com uma tecnologia futur\u00edstica improv\u00e1vel, as imagens em CGI causam muita estranheza. Em muitas cenas eles parecem estar interpretando com nada f\u00edsico para interagir, principalmente quando t\u00eam que lidar com esp\u00e9cies de \u201cdrones\u201d. Sem mencionar a quantidade extremamente cansativa de panor\u00e2micas criadas na maior parte por efeitos de computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica. Nem mesmo a presen\u00e7a de Naomi Watts (como a revolucion\u00e1ria Evelyn) e Jeff Daniels (como o diretor David) conseguem acrescentar um atrativo a mais para o filme, ali\u00e1s esses dois personagens, tamb\u00e9m, lembram demais outros de &#8216;Jogos Vorazes&#8217;, o Presidente Snow (Donald Sutherland) e a revolucion\u00e1ria Alma Coin (Julianne Moore).<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-3-e1457585594600.jpg\" alt=\"Convergente 3\" width=\"1200\" height=\"494\" class=\"alignnone size-full wp-image-17530\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-3-e1457585594600.jpg 1200w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Convergente-3-e1457585594600-1024x422.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Dirigido por Robert Schwentke, que j\u00e1 havia trabalhado em &#8216;A S\u00e9rie Divergente: Insurgente&#8217;, sua dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue melhorar uma hist\u00f3ria que j\u00e1 n\u00e3o tinha um potencial maior do que requentar alguns conceitos, que j\u00e1 foram melhor trabalhados em outros produtos culturais. \u2018A S\u00e9rie Divergente: Convergente\u2019 n\u00e3o passa de um filme mediano, confuso, tecnicamente desorganizado e que n\u00e3o sabe explorar o potencial de seus atores. No todo, como s\u00e9rie de livros, escrita por uma autora inexperiente que rec\u00e9m passava dos seus vinte anos quando fora publicada, j\u00e1 era uma narrativa de qualidade question\u00e1vel. Como franquia cinematogr\u00e1fica, que demanda alguns milh\u00f5es para ser produzida \u00e9 no m\u00ednimo um desperd\u00edcio de recursos, que n\u00e3o visa nada mais do que o lucro para os produtores. \u00c9 um filme que exemplifica bem o atual e severamente critic\u00e1vel padr\u00e3o de Hollywood, que se afasta cada vez mais do cinema como forma de arte e de express\u00e3o, se aproximando a cada ano que passa de uma linha de montagem de produtos juvenis rent\u00e1veis. Resta saber se o p\u00fablico alvo vai ter paci\u00eancia e corresponder nas bilheterias de 2016 e 2017, ap\u00f3s mais um ano de espera pelo encerramento de uma saga, que talvez nem devesse ter come\u00e7ado.\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\"><\/script><br \/>\n<!-- Mat\u00e9rias --><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\"\n     style=\"display:inline-block;width:728px;height:90px\"\n     data-ad-client=\"ca-pub-3751046447029112\"\n     data-ad-slot=\"5609521781\"><\/ins><br \/>\n<script>\n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2018A S\u00e9rie Divergente: Convergente\u2019 n\u00e3o passa de um filme mediano, confuso, tecnicamente desorganizado e que n\u00e3o sabe explorar o potencial de seus atores&#8230;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":17529,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415,2423],"tags":[3772,986,3771,2369,2366],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17519"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17519"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17519\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17529"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}