{"id":18908,"date":"2016-04-13T18:42:55","date_gmt":"2016-04-13T18:42:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pipocadepimenta.com\/?post_type=review&#038;p=18908"},"modified":"2016-04-13T18:43:23","modified_gmt":"2016-04-13T18:43:23","slug":"bruta-flor-do-querer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/bruta-flor-do-querer\/","title":{"rendered":"A Bruta Flor do Querer"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18442 aligncenter\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/CARTAZ-BRUTA-FLOR_Baixa2.jpg\" alt=\"CARTAZ-BRUTA-FLOR_Baixa2\" width=\"2362\" height=\"3346\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>O desejo de produzir um filme independente \u00e9 o pontap\u00e9 inicial de muitos jovens amantes e estudiosos da arte do cinema. Pode-se esperar de tudo, absolutamente tudo de uma produ\u00e7\u00e3o feita fora dos moldes dos filmes tradicionais e de alto investimento. Uma filmagem desse tipo pode ser extraordinariamente boa ou incrivelmente ruim. O cinema brasileiro, obviamente, n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Produ\u00e7\u00f5es desse tipo ganham a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico por diversos fatores como, por exemplo, o enredo direto, curto e sem delongas ou di\u00e1logos extremamente cansativos que chegam at\u00e9 mesmo a irritar ou simplesmente gerar d\u00favida entre os espectadores.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-18924\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/21028441_201308141800111.jpg\" alt=\"21028441_201308141800111\" width=\"1200\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/21028441_201308141800111.jpg 1236w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/21028441_201308141800111-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>O legal do cinema independente brasileiro \u00e9 que se pode assistir esperando tudo e, mesmo que o filme seja ruim, todo o empenho de uma determinada equipe, o trabalho, o estudo, o intuito e at\u00e9 a coragem tornam aquele determinado trabalho aceit\u00e1vel e at\u00e9 louv\u00e1vel aos olhos cr\u00edticos. \u00c9 claro que, dentro desta sistem\u00e1tica, n\u00e3o se pode dizer que nem todo filme ousado \u00e9 bom, assim como nem todo filme pobre de recursos \u00e9 ruim. \u00c9 neste meio termo em que se deve levar em considera\u00e7\u00e3o aquilo que muitos cineastas t\u00eam e outros n\u00e3o, o talento.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18926 aligncenter\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/144287.jpg\" alt=\"144287\" width=\"1600\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/144287.jpg 1600w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/144287-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>&#8216;A Bruta Flor do Querer&#8217; conta a hist\u00f3ria de Diego, um jovem de classe m\u00e9dia com vinte e poucos anos, formado em cinema e que, desprovido de recursos para trabalhar dentro da sua \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o, ganha a vida filmando casamentos e outros eventos, fun\u00e7\u00e3o esta que Diego n\u00e3o gosta de exercer, mas que lhe d\u00e1 um certo dinheiro f\u00e1cil. Em meio a uma vida solit\u00e1ria, quase sem amigos, com uma not\u00e1vel sorte de lances r\u00e1pidos com mulheres, Diego se v\u00ea repleto de ideias para tentar coisas novas, mas de certo modo, v\u00e1rios outros fatores conseguem distra\u00ed-lo e impedi-lo de concretizar suas ideias, como a depend\u00eancia qu\u00edmica de drogas il\u00edcitas e uma esp\u00e9cie de \u201cpaix\u00e3o plat\u00f4nica\u201d por uma garota que ele mal conhece, chamada Diana. Carecendo de coragem para tomar certas atitudes e correr atr\u00e1s dos seus ideais, Diego acaba se interessando em escrever sobre o seu inverso. O t\u00edtulo de sua obra \u00e9 exatamente \u201cA Bruta Flor do Querer\u201d, em aten\u00e7\u00e3o aos seus desejos mais especiais que podem lev\u00e1-lo a redescobrir a beleza da vida e do verdadeiro amor. Diego est\u00e1 sozinho, inquieto e despreparado para encarar determinados desafios.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18927 aligncenter\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/a-bruta-flor-do-querer-papo-de-cinema-21.jpg\" alt=\"a-bruta-flor-do-querer-papo-de-cinema-21\" width=\"1920\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/a-bruta-flor-do-querer-papo-de-cinema-21.jpg 1920w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/a-bruta-flor-do-querer-papo-de-cinema-21-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o tem pontos positivos, n\u00e3o necessariamente bons, mas que se superam em rela\u00e7\u00e3o ao baixo or\u00e7amento. A fotografia \u00e9 um desses pontos, por mais que contenha imagens coloridas desconectas, elas ficaram, pelo menos, n\u00edtidas. A montagem do filme tamb\u00e9m ficou interessante, apesar das imagens digitalizadas de um determinado casamento contido no filme que poderiam ter sido coladas em um plano a parte para que a edi\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficasse desproporcional. Outro ponto favor\u00e1vel \u00e9 a trilha sonora utilizada que, embora simples, corresponde aos padr\u00f5es dos filmes brasileiros tradicionais com o seu tom melanc\u00f3lico, misterioso e, \u00e0s vezes, at\u00e9 sem conex\u00e3o com a hist\u00f3ria em si, mas que se torna justific\u00e1vel por ser bem trabalhada. Por falar em m\u00fasica, a escolha de can\u00e7\u00f5es como \u201cBaby\u201d de Gal Costa e \u201c20 Anos Blues\u201d de Elis Regina conseguiu rechear esta hist\u00f3ria simples, tornando-a um tanto apaixonante em virtude da referida \u201cpaix\u00e3o plat\u00f4nica\u201d de Diego por Dianna.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18925 aligncenter\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/a-bruta-flor-do-querer-papo-de-cinema-4.jpg\" alt=\"a-bruta-flor-do-querer-papo-de-cinema-4\" width=\"1920\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/a-bruta-flor-do-querer-papo-de-cinema-4.jpg 1920w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/a-bruta-flor-do-querer-papo-de-cinema-4-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s defici\u00eancias do enredo, existem fatores imperdo\u00e1veis, como os di\u00e1logos. O personagem Diego aparece drogado praticamente em 90% do filme. At\u00e9 a\u00ed nada demais, se n\u00e3o fosse a dificuldade de dic\u00e7\u00e3o do ator Dida Andrade, o qual tamb\u00e9m \u00e9 diretor do filme. \u00c9 deveras fato de que os di\u00e1logos sintetizam as falas e express\u00f5es cotidianas como o conhecido dialogo jovem \u201cdescolado\u201d mas, mesmo vendo uma conversa entre jovens \u201cchapados\u201d, onde geralmente se tem a dificuldade de se falar razoavelmente bem, os atores que est\u00e3o encenando devem ter uma prepara\u00e7\u00e3o adequada para fazer dos di\u00e1logos algo que se possa entender. Afinal, o p\u00fablico que assiste ao filme necessita e quer entender, de fato, o que os personagens est\u00e3o dizendo.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18923 aligncenter\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/145224.jpg\" alt=\"145224\" width=\"1600\" height=\"901\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/145224.jpg 1600w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/145224-1024x577.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>As cenas de nudez desacerbadas e apelativas fazem lembrar a \u00e9poca da pornochanchada brasileira, o qu\u00ea hoje se torna um exagero em aten\u00e7\u00e3o aos filmes atuais. O excesso de palavr\u00f5es ditos pelos personagens, por mais cultural e mundano que sejam, tamb\u00e9m foi um ponto negativo do filme.<br \/>\nA cena final em que o personagem Diego apresenta a sua ideia para fazer um filme sobre sua vida, exatamente quando o mesmo j\u00e1 est\u00e1 \u201cpronto\u201d \u00e9 bastante inovadora mas, de certa forma, faz &#8216;A Bruta Flor do Querer&#8217; parecer um document\u00e1rio, o qu\u00ea n\u00e3o se tornou uma ideia legal. Contudo, em defesa da criatividade e da coragem dos jovens cineastas que ousaram em arriscar para fazer o filme em quest\u00e3o, at\u00e9 considerando a aten\u00e7\u00e3o dada ao mesmo em eventos importantes como no Festival de Gramado de 2013, esta produ\u00e7\u00e3o retrata uma realidade vivida e sentida dentro da sociedade brasileira pelos profissionais do cinema, onde lhes falta oportunidades para exercerem seus trabalhos. \u00c9 uma produ\u00e7\u00e3o ousada e \u00fanica, n\u00e3o necessariamente boa, mas com personalidade e conte\u00fado. \u00c9 prefer\u00edvel arriscar e errar a n\u00e3o fazer nada por medo ou receio. Os diretores Dida Andrade e Andradina Azevedo tem o nosso sincero respeito e admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ousadia e a transpar\u00eancia s\u00e3o os pontos marcantes que preenchem as grandes lacunas deixadas dentro desta produ\u00e7\u00e3o independente dirigida por Dida Andrade e Andradina Azevedo.<\/p>","protected":false},"author":23,"featured_media":18924,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415,2423],"tags":[3585,3584,3583,3586,3262,3582,3581,3770],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18908"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18908"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18908\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}