{"id":20432,"date":"2016-05-28T14:49:16","date_gmt":"2016-05-28T17:49:16","guid":{"rendered":"http:\/\/pipocadepimenta.com\/?p=20432"},"modified":"2017-05-05T11:51:53","modified_gmt":"2017-05-05T14:51:53","slug":"o-estupro-silencioso-das-mulheres-no-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/o-estupro-silencioso-das-mulheres-no-cinema\/","title":{"rendered":"O estupro silencioso das mulheres no cinema"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Trigger Warning: esse conte\u00fado pode desencadear emo\u00e7\u00f5es fortes<\/em><\/strong><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Eu tinha doze anos quando vi uma cena de estupro em um filme pela primeira vez. Naquela \u00e9poca, em decorr\u00eancia das ins\u00f4nias que eu sofria desde a inf\u00e2ncia e que perduraram por muito tempo, era comum acordar de madrugada e n\u00e3o conseguir mais pregar os olhos. Dessa forma, eu recorria aos filmes exibidos na televis\u00e3o e ficava ali, tendo a tela como companhia at\u00e9 conseguir pregar os olhos com a aurora por, no m\u00e1ximo, duas horas.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-20433\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/the-accused-1988.jpg\" alt=\"the-accused-1988\" width=\"1200\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/the-accused-1988.jpg 1280w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/the-accused-1988-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Quando despertei naquela noite, a cena que eu vi, infelizmente, n\u00e3o me deixou nem ter essas duas horas de sossego por dias. \u00c0 minha frente, havia uma mulher de cabelos claros que era beijada \u00e0 for\u00e7a por um indiv\u00edduo. Ele despia a parte de cima de suas roupas. Ela protestava e tentava afast\u00e1-lo, at\u00e9 conseguir interromp\u00ea-lo com um chute em suas partes \u00edntimas. Isso, no entanto, n\u00e3o impediu que ela fosse violentada in\u00fameras vezes pelos colegas daquele homem. &#8220;N\u00e3o&#8221;, ela gritava, chorando, inerte, implorando. At\u00e9 que, depois de tanta viol\u00eancia, um impulso tomou conta dela a tempo de faz\u00ea-la sair correndo, com as roupas, a mente e o cora\u00e7\u00e3o em frangalhos, aos gritos.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>A realidade daquela dor me afetou de uma forma t\u00e3o profunda que eu simplesmente n\u00e3o consegui falar com mais ningu\u00e9m a respeito do que eu tinha visto, de como aquilo tinha me impactado de uma forma negativa. A coisa que mais se passava na minha cabe\u00e7a naquela \u00e9poca era: &#8220;Por qu\u00ea ningu\u00e9m ajudou?&#8221;. Afinal de contas, era um bar p\u00fablico. Tudo o que se avistava era, ao contr\u00e1rio, homens que riam, apontavam para o corpo daquela mulher e incentivavam os outros a fazer o mesmo, como se ela fosse um peda\u00e7o de carne qualquer, e n\u00e3o uma mulher com sentimentos, um ser humano destru\u00eddo por dentro e por fora diante de tanta crueldade. Quando uma gar\u00e7onete\u00a0entrou no ambiente e presenciou aquela cena, em choque, foi amea\u00e7ada de sofrer o mesmo tipo de viol\u00eancia caso ousasse dizer qualquer coisa. O sil\u00eancio \u00e9 o que o abusador deseja de suas v\u00edtimas. \u00c9 o que uma sociedade doente pensa que \u00e9 o ideal: empurrar para debaixo do tapete, culpabilizar a v\u00edtima e arrumar desculpas para justificar esse tipo de comportamento monstruoso.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-20435\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/the-accused-19.png\" alt=\"the-accused-19\" width=\"1200\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/the-accused-19.png 1440w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/the-accused-19-1024x640.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Eu demorei pra conseguir descobrir qual era o filme exibido na ocasi\u00e3o. S\u00f3 anos depois consegui pesquisar e constatar\u00a0que era &#8216;Acusados&#8217; (1988), estrelado por\u00a0Jodie Foster, que viria a se tornar uma de minhas atrizes favoritas com seus papeis densos,\u00a0interpretados com uma intensidade impressionante. A realidade daquela atrocidade sempre bate quando leio algo a respeito de um dos piores tipos de crimes que podem ser cometidos contra uma pessoa, sobretudo uma mulher: o estupro. H\u00e1 poucos dias, essa reflex\u00e3o voltou a me atormentar quando o <a href=\"http:\/\/www.brasilpost.com.br\/2016\/05\/26\/video-estupro-coletivo_n_10144610.html\">caso horr\u00edvel<\/a> de uma menina de dezessete anos estuprada por mais de trinta homens veio \u00e0 tona. Algo que me corroeu a alma e me relembrou de como ser mulher pode ser uma coisa extremamente dolorosa.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Foi imposs\u00edvel n\u00e3o associar o quanto do caso dessa jovem tem a ver com o de Sarah Tobias, interpretada por Foster. O papel que rendeu o Oscar \u00e0 atriz foi inspirado em um caso real, de um estupro coletivo ocorrido em mar\u00e7o de 1983 em um bar chamado Big Dan, localizado em New Bedford, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. Em comum, Sarah e a jovem brasileira t\u00eam o fato de pertencerem \u00e0 classe baixa e possu\u00edrem uma m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o. Sarah estava b\u00eabada e dan\u00e7ava provocante no bar antes de ter sido estuprada. A jovem brasileira frequentava a comunidade, foi m\u00e3e adolescente e era usu\u00e1ria de drogas. Tudo isso \u00e9 usado como justificativa pelos abutres, que acham que qualquer tipo de comportamento que destoe do que \u00e9 considerado como o de uma &#8220;mo\u00e7a de fam\u00edlia&#8221; justifica uma viol\u00eancia. N\u00e3o, n\u00e3o justifica e nem nunca justificou. Vamos gritar isso quantas vezes forem necess\u00e1rias para combater e erradicar esse crime. Uma v\u00edtima \u00e9 sempre uma v\u00edtima. Ponto final.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-20436\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/8TbQN4hCDgkmGoKC4nUj4H9x9gR.jpg\" alt=\"8TbQN4hCDgkmGoKC4nUj4H9x9gR\" width=\"1200\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/8TbQN4hCDgkmGoKC4nUj4H9x9gR.jpg 1920w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/8TbQN4hCDgkmGoKC4nUj4H9x9gR-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>O caso de Sarah no filme, dirigido por Jonathan Kaiplan e roteirizado por Tom Topor, foi parar nos tribunais. Sem testemunhas, a mulher teve sua den\u00fancia posta em d\u00favida pela justi\u00e7a, colocando a promotora Kathryn Murphy, interpretada por Kelly McGillis, diante de um desafio m\u00faltiplo: defender a v\u00edtima, coloc\u00e1-la no lugar de v\u00edtima e ir contra o que toda uma sociedade pensava, botando os acusados no devido lugar ao qual pertenciam: atr\u00e1s das grades. Seu comportamento foi apontado como uma poss\u00edvel justificativa para o crime. Afinal de contas, ela teria provocado a viol\u00eancia com suas atitudes tidas como &#8220;inadequadas&#8221; &#8211; a mesma ladainha de sempre. At\u00e9 quando vamos ter que ouvir isso? \u00c9 assustador que, vinte e oito anos depois da divulga\u00e7\u00e3o do filme, esse tipo de discurso ainda persista em um caso como o da menina da comunidade no Rio de Janeiro. Pior ainda: os criminosos filmaram, fotografaram, fizeram o diabo com o corpo da menina e depois ainda divulgaram como forma de trof\u00e9u. Mais impressionante ainda \u00e9 a quantidade de pessoas que assistiram e espalharam\u00a0esse material grotesco, dando voz aos criminosos. Quem cala consente com a agress\u00e3o. Quem d\u00e1 voz ao agressor estimula a viol\u00eancia. Posicionar-se \u00e9 essencial!<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Por qu\u00ea cito &#8216;Acusados&#8217; como um filme ideal para refletir sobre essa viol\u00eancia? Bem, explico: \u00e9 um dos poucos filmes da S\u00e9tima Arte que realmente prop\u00f5em uma reflex\u00e3o e uma den\u00fancia contra esse tipo de crime. No geral, grande parte das mulheres estupradas dentro das telas passam batido. J\u00e1 divulgamos\u00a0<a href=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/cinemundo\/pesquisa-mostra-que-nudez-feminina-e-muito-mais-explorada-no-cinema\/\">aqui<\/a> no Pipoca de Pimenta uma pesquisa que aponta que o corpo feminino \u00e9 tr\u00eas vezes mais explorado do que o masculino nos filmes. Nudez feminina tem aos montes. \u00c9 comum. Muitas vezes, a cena de um estupro passa como um mero epis\u00f3dio dentro de um contexto de muita viol\u00eancia. Foi o que eu pensei quando vi uma cena de &#8216;Selvagens&#8217; na qual a personagem de Blake Lively \u00e9 obrigada a ver o estupro da pr\u00f3pria m\u00e3e em um v\u00eddeo. Fiquei impactada. Pensei: como pode parecer uma coisa t\u00e3o banal quando, na verdade, \u00e9 algo t\u00e3o chocante e s\u00e9rio? Por mais que eu ame cinema, n\u00e3o consigo deixar de pensar que ainda falta muito para dar voz \u00e0s mulheres nesse ponto e realmente mostrar o lado humano e realista do que acontece dentro da nossa sociedade. O estupro \u00e9, ainda, algo silencioso, discreto e, infelizmente, banal. Afinal de contas: quantas cenas de viol\u00eancia vemos nos filmes e o quanto os sentimentos da v\u00edtima s\u00e3o postos em destaque? \u00c9 triste constatar que ainda falta muito pra chegarmos l\u00e1.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-20442\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/jeff-branson-rodney-eastman-and-sarah-butler-in-i-spit-on-your-grave-2010-large-picture.jpg\" alt=\"jeff-branson,-rodney-eastman,-and-sarah-butler-in-i-spit-on-your-grave-(2010)-large-picture\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/jeff-branson-rodney-eastman-and-sarah-butler-in-i-spit-on-your-grave-2010-large-picture.jpg 2048w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/jeff-branson-rodney-eastman-and-sarah-butler-in-i-spit-on-your-grave-2010-large-picture-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Em 2009, a Argentina ficou em voga com o lan\u00e7amento do filme &#8216;O Segredo dos Seus Olhos&#8217;, com Ricardo Dar\u00edn, mostrando a investiga\u00e7\u00e3o em torno do estupro seguido de assassinato da personagem Liliana Colotto. A reflex\u00e3o do longa metragem, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, gira em torno da impunidade. Impunidade, esta, que passou longe de &#8216;Acusados&#8217;, mas que sabemos, com uma tristeza enorme no cora\u00e7\u00e3o, que ainda \u00e9 muito comum no mundo em que vivemos. Esse tipo de coisa nos faz lembrar de filmes como &#8216;Doce Vingan\u00e7a&#8217;, o remake de &#8216;I Spit On Your Grave&#8217;, de 1978, um sucesso de p\u00fablico que resultou em continua\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00e3o bem-sucedidas, mas que impactam o espectador por um motivo que tamb\u00e9m percorre o desenvolvimento de &#8216;O Segredo De Seus Olhos&#8217;: a vingan\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os. No longa de terror dirigido por Steven R. Monroe e estrelado por Sarah Butler, a personagem \u00e9 uma escritora que se isola no interior para conseguir concluir um livro. Seu comportamento mais recluso e pouco aberto \u00e0s investidas dos personagens machistas de uma cidade pequena a tornam alvo de um estupro coletivo de cenas impressionantes e fortes. A vingan\u00e7a planejada pela personagem, que consegue fugir de um assassinato para silenci\u00e1-la, resulta em uma s\u00e9rie de torturas f\u00edsicas dolorosas e que provocam at\u00e9 comemora\u00e7\u00e3o no espectador. Quando me falaram desse filme, de como ele era excelente, refleti e cheguei a uma conclus\u00e3o, juntamente com minha irm\u00e3 e minha m\u00e3e que viram as cenas de queimaduras com \u00e1cido, tiro no \u00e2nus e castra\u00e7\u00e3o: nada se compara com a viol\u00eancia que ela sofreu. Nela, tudo est\u00e1 enraizado no \u00e2mago, nos desdobramentos f\u00edsicos e intensamente psicol\u00f3gicos que se tornam um assombro.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-20454\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1.jpg\" alt=\"1\" width=\"1200\" height=\"504\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1.jpg 1600w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1-1024x430.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>O que quero dizer, mais uma vez, \u00e9 que sobra viol\u00eancia e falta a humanidade e a realidade que realmente acometem\u00a0a v\u00edtima na vida real. As cenas impactantes de &#8216;Irrevers\u00edvel&#8217;, filme franc\u00eas dirigido pelo pol\u00eamico Gaspar No\u00e9, deram o que falar j\u00e1 na sua exibi\u00e7\u00e3o em Cannes na \u00e9poca de seu lan\u00e7amento, em 2002, quando espectadores passaram mal dentro das salas com as cenas absolutamente violentas do longa metragem. Intenso, controverso e altamente perturbador, o filme mostra a cena da personagem de Monica Belucci sendo estuprada de uma forma t\u00e3o violenta e horripilante que, at\u00e9 hoje, \u00e9 citada como um dos piores estupros j\u00e1 vistos no cinema. Consequ\u00eancia: n\u00e3o, eu nunca consegui ver esse filme. Como mulher e como ser humano, tenho meus limites. Minha sensibilidade grita dentro de mim a ponto de me prevenir de algo que pode me impactar pro resto da vida, como a cena de &#8216;Acusados&#8217; conseguiu fazer. Como mulher, me recusei, pelo bem da minha sa\u00fade. Mas sei que esse filme, com toda a sua pol\u00eamica, tem um retrato cru e chocante da viol\u00eancia que ganha destaque. O diretor realmente quer fazer o espectador vomitar. Quer mostrar que h\u00e1 um absurdo por tr\u00e1s do que muitos filmes querem passar, chegando ao ponto de\u00a0romantizar a viol\u00eancia e mostrar que h\u00e1 um prazer oculto (OI?) da mulher com o estupro, como mostra &#8216;Bonitinha, Mas Ordin\u00e1ria&#8217;, filme nacional com Luc\u00e9lia Santos baseado na obra de Nelson Rodrigues. &#8220;Na verdade, ela pediu pra ser currada&#8221;. Gaspar No\u00e9 mostra que n\u00e3o: n\u00e3o h\u00e1 v\u00edtima que pe\u00e7a por viol\u00eancia. Parem com isso.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-20446\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/qzO1tQ2.jpg\" alt=\"qzO1tQ2\" width=\"1200\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/qzO1tQ2.jpg 1366w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/qzO1tQ2-1024x454.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>O cinema tem o poder de conscientizar as pessoas quanto aos problemas cru\u00e9is de uma sociedade. Por qu\u00ea, ent\u00e3o, n\u00e3o usar esse poder? Por qu\u00ea n\u00e3o ouvir suas v\u00edtimas? Outro exemplo desse tipo de conscientiza\u00e7\u00e3o vem de um filme pol\u00eamico, que tamb\u00e9m levantou debates e chocou os espectadores. &#8216;Preciosa&#8217; (2009), de Lee Daniels, tamb\u00e9m levou estatuetas do Oscar pra casa ao retratar o drama de uma jovem negra da periferia, pobre, analfabeta e que foi estuprada pelo pr\u00f3prio pai &#8211; fato que acabou, terrivelmente, resultando em uma gravidez.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><strong>(OBS: Esse filme j\u00e1 foi citado aqui no site como um dos longas metragens que escancaram a viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as e adolescentes. <a href=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/cinemundo\/noticias\/especial-18-de-maio-filmes-em-homenagem-ao-dia-nacional-do-combate-ao-abuso-infantil\/\">Leia aqui<\/a>). <\/strong><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>O roteiro de Geoffrey S. Fletcher levanta o debate sobre o que acontece debaixo dos panos da sociedade, desmistificando o estupro que ocorre nas ruas, quando um criminoso aborda a v\u00edtima no escuro. Em 2015, a jornalista Karin Hueck escancarou com maestria essa realidade na mat\u00e9ria &#8216;Como Silenciamos O Estupro&#8217;, publicada pela Revista Superinteressante e que pode ser lida na \u00edntegra <a href=\"http:\/\/super.abril.com.br\/comportamento\/como-silenciamos-o-estupro\">aqui<\/a>. O resultado do levantamento: a maior parte dos crimes de estupro s\u00e3o cometidos por conhecidos da v\u00edtima, dentre eles parentes, amigos e at\u00e9 namorados. &#8216;Preciosa&#8217; mostra essa realidade, tamb\u00e9m demonstrando a crueldade da impunidade e de pessoas que sabem dos crimes e acabam por acobert\u00e1-los para defender o agressor, como faz a m\u00e3e da jovem no filme. Como fazem milhares de pessoas que se recusam a ouvir a v\u00edtima, a denunciar, a prestar assist\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica e at\u00e9 a interromper a gravidez indesejada.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-20453\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/precious-gabourey-sidibe1.jpg\" alt=\"Performance by an actress in a leading role, Gabourey Sidibe in &quot;Precious: Based on the Novel 'Push' by Sapphire&quot; (Lionsgate) This image is made available here as part of the Academy of Motion Picture Arts and Sciences' 82nd Annual Academy Awards\u00a8 Nominations Announcement Press Kit. This image may only be used by legitimate members of the press.\" width=\"1200\" height=\"803\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/precious-gabourey-sidibe1.jpg 3600w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/precious-gabourey-sidibe1-1024x686.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>A jovem carioca estuprada\u00a0por mais de trinta homens foi violentada mais ainda, assim como todas as v\u00edtimas do crime s\u00e3o quando n\u00e3o s\u00e3o ouvidas ou s\u00e3o apontadas como as grandes respons\u00e1veis pela atrocidade. Assim como no ano passado, a gente volta a colocar em pauta o assunto &#8220;Chega de Sil\u00eancio&#8221;. Precisamos fazer um esc\u00e2ndalo e lutar. &#8220;N\u00e3o d\u00f3i o \u00fatero e sim a alma&#8221;, disse a menina. E como d\u00f3i! A v\u00edtima entrou para as tristes estat\u00edsticas da barbaridade cometida por conhecidos: um dos agressores era o homem com o qual ela mantinha um relacionamento.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>O crime do estupro \u00e9 o que as mulheres mais temem. Minha m\u00e3e, ao discutir o caso em pauta, me disse que sentia muito medo de\u00a0que eu fosse v\u00edtima quando sa\u00eda pra qualquer bar ou balada na minha adolesc\u00eancia. Que algu\u00e9m colocasse algo na minha bebida, fosse ela \u00e1lcool ou \u00e1gua, e usasse isso pra me ferir. Quem nunca ouviu dos pais e criadores: &#8220;N\u00e3o beba nada do copo de ningu\u00e9m&#8221;? Que m\u00e3e ou filha nunca temeu por isso? Isso est\u00e1 t\u00e3o enraizado na nossa sociedade que machuca al\u00e9m do que possamos imaginar.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Que o cinema fa\u00e7a sua parte. E n\u00f3s tamb\u00e9m.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><em>* \u00c0 jovem v\u00edtima, e a todas as outras que sofreram na pela, na alma, no corpo e no cora\u00e7\u00e3o com esse tipo de viol\u00eancia, nossos mais sinceros sentimentos e apoio. Basta! Diga n\u00e3o \u00e0 cultura do estupro!\u00a0<\/em><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><script src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\" async=\"\"><\/script><br \/>\n <!-- Mat\u00e9rias --><br \/>\n <ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: inline-block; width: 728px; height: 90px;\" data-ad-client=\"ca-pub-3751046447029112\" data-ad-slot=\"5609521781\"><\/ins><br \/>\n<script>\/\/ <![CDATA[\n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n\/\/ ]]><\/script><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><script type=\"text\/javascript\">\/\/ <![CDATA[\nbb_bid = \"1707040\"; bb_lang = \"pt-BR\"; bb_name = \"custom\"; bb_limit = \"7\"; bb_format = \"bbc\";\n\/\/ ]]><\/script><br \/>\n<script src=\"http:\/\/static.boo-box.com\/javascripts\/embed.js\" type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cinema precisa fazer sua parte contra esse crime obscuro &#8211; e n\u00f3s tamb\u00e9m. 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