{"id":25585,"date":"2016-11-03T10:51:41","date_gmt":"2016-11-03T13:51:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pipocadepimenta.com\/?p=25585"},"modified":"2017-05-09T19:33:47","modified_gmt":"2017-05-09T22:33:47","slug":"curumim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/curumim\/","title":{"rendered":"Curumim"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Curumim.jpg\" alt=\"curumim\" width=\"728\" height=\"1080\" class=\"alignnone size-full wp-image-25759\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Curumim.jpg 728w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Curumim-690x1024.jpg 690w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nCertas hist\u00f3rias precisam ser contatas. N\u00e3o importa o formato, o tempo ou como, s\u00f3 precisam ser contadas, e Marco Archer Cardoso Moreira sabia que sua hist\u00f3ria era uma dessas que deveria ser conhecida. Com um sentimento de deixar algum legado e \u201cviver para a eternidade\u201d ao inv\u00e9s de viver para a vida, Marco teve a ideia de entrar em contato com o diretor Marcos Prado e falar de um document\u00e1rio sobre seus \u00faltimos anos.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nO g\u00eanero document\u00e1rio tem um perfil muito jornal\u00edstico, que envolve pesquisas, entrevistas, montagens, e dessa vez o pr\u00f3prio personagem teve essa vis\u00e3o de que ali existia uma hist\u00f3ria importante a ser contada e que todos deveriam conhec\u00ea-la. Realmente precisava. A hist\u00f3ria de \u201cCurumim\u201d n\u00e3o serve apenas para mostrar o sofrimento e todas as dificuldades que um criminoso brasileiro passou em outro pa\u00eds, mas faz o espectador questionar sobre in\u00fameros assuntos atuais, como pena de morte, tr\u00e1fico de drogas e a realidade do mundo. Alguns podem at\u00e9 criticar por ser um filme que defende bandido, mas \u2018Curumim\u2019 faz tudo, menos defender um lado. <\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nPuxando seu lado jornal\u00edstico, o document\u00e1rio de Prado termina fazendo o p\u00fablico se questionar e tirar suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es sobre o que acabou de ver. O jornalista tem uma fun\u00e7\u00e3o parecida, apresentar a not\u00edcia e deixar o leitor em d\u00favida e faz\u00ea-lo questionar e escolher um dos dois lados apresentados. No ano de 2015, ano em que Curumim seria executado, enxergamos o lado da situa\u00e7\u00e3o, sem enxergar a pessoa em si, que ali estava. Quest\u00f5es pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas foram trazidas para discuss\u00f5es, mas pouco se falou do homem. <\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Curumim1.jpg\" alt=\"curumim1\" width=\"1086\" height=\"652\" class=\"alignnone size-full wp-image-25770\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Curumim1.jpg 1086w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Curumim1-1024x615.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1086px) 100vw, 1086px\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><em>Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/div>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Al\u00e9m do outro lado, a fant\u00e1stica dire\u00e7\u00e3o de Prado apresenta o singular e o pessoal, como \u00e9 retratado em uma das cenas onde Curumim est\u00e1 em sua cela e diz, apontando para um homem dormindo: \u201cEsse aqui \u00e9 um terrorista, encontra-se dormindo. \u00c9 extremamente perigoso\u201d. N\u00e3o enxergamos bandidos, assassinos, corruptos como pessoas, mas sim como r\u00f3tulos. As filmagens de Curumim e as entrevistas de Prado conseguem equilibrar entre sua hist\u00f3ria e a realidade ali envolvida. O espectador enxerga um lado desconhecido daquilo que ele considera mau. Com um senso de humor incr\u00edvel, Curumim n\u00e3o tirava o sorriso do rosto, nem nos 11 anos de espera na fila da morte. <\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nO questionamento proposto em rela\u00e7\u00e3o a pena de morte ou tr\u00e1fico \u00e9 acompanhado de um pensamento pol\u00edtico. \u201cSe voc\u00ea acha que o Brasil \u00e9 corrupto, perto da Indon\u00e9sia a gente \u00e9 crian\u00e7a\u201d, frase dita durante uma das entrevistas. N\u00e3o enxergamos aquilo que n\u00e3o nos mostram e nem aquilo que n\u00e3o queremos ver. \u2018Curumim\u2019 tenta abrir nossos olhos em um document\u00e1rio pessoal e extremamente bem apresentado. <\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nMarcos Prado, que tem uma fant\u00e1stica parceria com Jos\u00e9 Padilha, com quem j\u00e1 trabalhou em \u2018Tropa de Elite\u2019 (2007) e \u2018Tropa de Elite 2\u2019 (2010) como produtor, mostrou um desenvolvimento como diretor em \u2018Para\u00edsos Artificiais\u2019 (2012), com uma dire\u00e7\u00e3o delicada. A parceria com Padilha vem desde 2004 com o document\u00e1rio \u2018Estamira\u2019, no qual Prado dirigiu e Padilha produziu. O trabalho em dupla foi s\u00f3 crescendo e a qualidade foi junto. Em \u2018Curumim\u2019, ela continua presente, e muito se deve a bela dire\u00e7\u00e3o de Prado, mas a presen\u00e7a e a vis\u00e3o de Padilha servem de adicional ao belo document\u00e1rio. <\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Curumim3.jpg\" alt=\"curumim3\" width=\"1024\" height=\"739\" class=\"alignnone size-full wp-image-25771\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><em>Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/div>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel observar tamb\u00e9m o trabalho fotogr\u00e1fico de Prado, trabalho esse que ganhou destaque no World Press Photo em 1992. Apesar de ter muito mais trabalhos no cinema como produtor e diretor, \u00e9 f\u00e1cil observa\u00e7\u00e3o a qualidade no trabalho de Prado. <\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nInfelizmente, o g\u00eanero n\u00e3o tem tanta for\u00e7a com o p\u00fablico brasileiro, apesar de termos \u00f3timas produ\u00e7\u00f5es e hist\u00f3rias do g\u00eanero. Tor\u00e7o para que a produ\u00e7\u00e3o Globo Filmes e a produ\u00e7\u00e3o de Padilha, nomes fortes no meio cinematogr\u00e1fico brasileiro, possam trazer um p\u00fablico significativo. Os aplausos que \u2018Curumim\u2019 recebeu na mostra Panorama, do Festival de Berlim, s\u00e3o muito mais do que merecidos. Toda a sua montagem bem estruturada n\u00e3o cansa e deixa o espectador interessado de conhecer mais. O longa apenas peca no som, em determinados \u00e1udios de m\u00e1 qualidade que se tornam complicados de entender e n\u00e3o h\u00e1 legenda. Apesar desse defeito, a trilha, quando exigida, n\u00e3o decepciona, com um tom delicado e suave, combinando com a hist\u00f3ria. <\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nN\u00e3o estou aqui para defender nenhum lado, estou aqui para faz\u00ea-lo assistir e se questionar quanto todas as propostas apresentadas. A grandiosidade do document\u00e1rio faz jus a grandiosidade da hist\u00f3ria. \u2018Curumim\u2019 vai al\u00e9m da vida de Marco Archer. <\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Curumim2.jpg\" alt=\"curumim2\" width=\"960\" height=\"363\" class=\"alignnone size-full wp-image-25772\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><em>Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/div>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\"><\/script><br \/>\n<!-- Mat\u00e9rias --><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\"\n     style=\"display:inline-block;width:728px;height:90px\"\n     data-ad-client=\"ca-pub-3751046447029112\"\n     data-ad-slot=\"5609521781\"><\/ins><br \/>\n<script>\n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um outro lado de uma hist\u00f3ria que j\u00e1 conhecemos, ou achamos que conhec\u00edamos&#8230;<\/p>","protected":false},"author":33,"featured_media":25769,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415],"tags":[183,3459,5807,2461,3619,5808],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25585"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25585"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25585\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}