{"id":26362,"date":"2016-11-24T12:00:47","date_gmt":"2016-11-24T15:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pipocadepimenta.com\/?p=26362"},"modified":"2016-11-24T17:33:36","modified_gmt":"2016-11-24T20:33:36","slug":"elis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/elis\/","title":{"rendered":"Elis"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Elis2016.jpg\" alt=\"elis2016\" width=\"674\" height=\"1000\" class=\"alignnone size-full wp-image-26370\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Elis Regina Carvalho Costa \u00e9 uma das cantoras mais elogiadas de uma gera\u00e7\u00e3o que popularizou o termo MPB (M\u00fasica Popular Brasileira). Com uma das vozes femininas mais marcantes de sua \u00e9poca, \u201cA Pimentinha\u201d (apelido dado por Vin\u00edcius de Moraes), emocionou o Brasil com suas m\u00fasicas e causou pol\u00eamicas num pa\u00eds que esteve sob ditadura militar durante toda a sua carreira. Neste ano de 2016 sua cinebiografia chega \u00e0s telonas, dirigida pelo estreante em longas-metragens Hugo Prata e com Andreia Horta interpretando Elis Regina.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>\u2018Elis\u2019 (2016) aborda a carreira da cantora ga\u00facha, a partir de sua chegada com o pai ao Rio de Janeiro, em meio ao golpe militar de 1964. O filme n\u00e3o explora seus primeiros anos onde come\u00e7ou a cantar no Clube do Guri em Porto Alegre \/ RS e posteriormente no r\u00e1dio, de onde foi contratada por um canal de TV para cantar num programa musical no Rio. Quem quiser saber um pouco mais sobre sua trajet\u00f3ria anterior ao que aparece no longa, pode assistir no \u201cdocudrama\u201d da Rede Globo, \u2018Elis Regina &#8211; Por Toda Minha Vida\u2019, ou ler nos livros biogr\u00e1ficos, como \u2018Viva Elis\u2019 (escrito por Allen Guimar\u00e3es) dispon\u00edvel para leitura online no Portal Elis Regina, criado em homenagem aos 70 anos da cantora.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Elis2016-0-e1480019440401.jpg\" alt=\"elis2016-0\" width=\"1000\" height=\"568\" class=\"alignnone size-full wp-image-26376\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><em>Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/div>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Hugo Prata, que anteriormente s\u00f3 havia dirigido epis\u00f3dios de series da TVE, como \u2018R\u00e1-Tim-Bum\u2019 e \u2018Castelo R\u00e1-Tim-Bum\u2019, al\u00e9m de alguns videoclipes, apresenta uma dire\u00e7\u00e3o competente para seu primeiro trabalho dirigindo um longa-metragem, mesmo que n\u00e3o apresente algo notavelmente mais \u201coriginal\u201d. O ponto forte do filme certamente est\u00e1 nas pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es de Elis Regina que embalam o longa e seguram a aten\u00e7\u00e3o do espectador, sempre que o ritmo da narrativa amea\u00e7a cair. Andreia Horta convence bem imitando os trejeitos de Elis Regina, ela fez aulas de canto e dan\u00e7a, para poder interpretar as m\u00fasicas que foram inseridas posteriormente com a voz original de Elis, sendo que s\u00e3o poucos os momentos em que notamos que a atriz foi \u201cdublada\u201d, ainda que n\u00e3o passem despercebidos aos ouvidos e olhos mais atentos. <\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>O maior problema do longa est\u00e1 nos di\u00e1logos em que Horta tenta emular a fala de Elis Regina, principalmente na pron\u00fancia de algumas g\u00edrias e na sua caracter\u00edstica rizada nervosa e por vezes debochada. Ainda que a pr\u00f3pria Elis realmente tivesse uma forma de se expressar que soava um tanto exagerada, pronunciando algumas palavras de forma bem peculiar, quando a atriz tenta imitar fica um pouco artificial. Nada que atrapalhe demais o filme como um todo, mas \u00e9 o suficiente para causar alguma estranheza para o p\u00fablico mais atento. N\u00e3o \u00e9 por falta de esfor\u00e7o que Andreia Horta n\u00e3o tenha encarnado a \u201cperfeita\u201d Elis Regina, o que talvez seja praticamente imposs\u00edvel, pois nem mesmo a talentosa Hermila Guedes o fez no j\u00e1 citado epis\u00f3dio da s\u00e9rie \u2018Por Toda Minha Vida\u2019 sobre Elis Regina.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Elis2016-2.jpg\" alt=\"elis2016-2\" width=\"932\" height=\"621\" class=\"alignnone size-full wp-image-26373\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><em>Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/div>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Fora nas cenas j\u00e1 discutidas, na maior parte do filme Horta se sai muito bem, justificando sua premia\u00e7\u00e3o como Melhor Atriz, no Festival de Cinema de Gramado de 2016. Ela se sobressai principalmente quando utiliza as performances baseadas nas que Elis aprendeu com Lennie Dale, aqui interpretado por um inspirado e quase irreconhec\u00edvel J\u00falio Andrade, sem seus cabelos e com uma express\u00e3o corporal delicada. A escala\u00e7\u00e3o do elenco est\u00e1 muito \u201cafinada\u201d como um todo. L\u00facio Mauro Filho faz um canastr\u00e3o Mi\u00e9le muito convincente e carism\u00e1tico, e Gustavo Machado um Ronaldo B\u00f4scoli canalha, sedutor e elegante ao mesmo tempo, sem nunca exagerar nenhuma das caracter\u00edsticas. Caco Ciocler (C\u00e9sar Camargo Mariano), Rodrigo Pandolfo (Nelson Motta) e Zecarlos Machado (Romeu) se n\u00e3o se destacaram mais \u00e9 por que seus personagens n\u00e3o o exigiram, por causa de seu pouco tempo em tela.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Os cen\u00e1rios, principalmente dos palcos em que Elis canta, nos transportam para o Brasil dos anos 60 e 70, musicalmente efervescentes e politicamente conflituosos. Uma pena que a edi\u00e7\u00e3o teve que deixar de fora momentos importantes da carreira dela como o disco gravado com Tom Jobim, \u2018Elis &#038; Tom\u2019, hist\u00f3rico registro da MPB. Considerando que ela viveu em um tempo em que todas as suas m\u00fasicas foram submetidas a censura, impedida de cantar m\u00fasicas de compositores como Chico Buarque \u00e9 impressionante que isso n\u00e3o tenha abalado demais sua criatividade. Mesmo seus problemas com a ditadura foram pouco explorados, ainda que tenham sido retratados fatos, como ela ter sido investigada pelo DOPS (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social) e posteriormente ganhado inimigos entre os intelectuais de esquerda, ao se apresentar em um evento dos militares, para tentar se desvencilhar da persegui\u00e7\u00e3o, foi tudo abordado de forma rasa.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Elis2016-3.jpg\" alt=\"elis2016-3\" width=\"853\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-26374\" \/><\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><em>Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/div>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Em 2013 Elis Regina foi eleita a melhor voz feminina da m\u00fasica brasileira pela Revista Rolling Stone e foi citada tamb\u00e9m na lista dos maiores artistas da m\u00fasica brasileira, ficando na 14\u00aa posi\u00e7\u00e3o, sendo a mulher mais bem colocada. Embalado pelas m\u00fasicas da cantora, o filme \u00e9 efetivo em cativar o espectador, por\u00e9m o que mais faz falta para a cinebiografia \u2018Elis\u2019 alcan\u00e7ar a excel\u00eancia \u00e9 que ela tivesse um pouco mais da ousadia que Elis Regina tinha. Faltou mergulhar nos pensamentos da cantora, talvez explorar mais as circunst\u00e2ncias e o estado psicol\u00f3gico que a fizeram morrer precocemente aos 36 anos de idade, por uma overdose de coca\u00edna e bebidas alco\u00f3licas. <\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Mesmo que tenha ficado um pouco raso quanto a representa\u00e7\u00e3o da psique de Elis, o roteiro escrito a tr\u00eas m\u00e3os por Hugo Prata, Vera Egito e Luiz Bolognesi consegue amarrar as diferentes fases da vida da cantora de forma coesa. Aliado com uma edi\u00e7\u00e3o que rima com cada m\u00fasica escolhida e uma fotografia que soube utilizar as sombras para valorizar a performance da atriz principal, \u2018Elis\u2019 \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o audiovisual com uma \u00f3tima qualidade t\u00e9cnica. Se o longa n\u00e3o conseguiu estar \u00e0 altura da artista biografada n\u00e3o foi por falta de esfor\u00e7o de sua equipe de produ\u00e7\u00e3o, talvez seja simplesmente por que era uma tarefa imposs\u00edvel para um \u00fanico filme.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Em visita a Porto Alegre para divulga\u00e7\u00e3o do longa-metragem e para uma entrevista coletiva, ap\u00f3s uma cabine de imprensa, Andreia Horta visitou a casa de Elis Regina no bairro IAPI, como voc\u00ea pode conferir no v\u00eddeo abaixo. Uma reportagem no m\u00ednimo inusitada, mas n\u00e3o menos interessante. Vale a pena conferir no link abaixo.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><iframe width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AeAvuEX_G8g\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\"><\/script><br \/>\n<!-- Mat\u00e9rias --><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\"\n     style=\"display:inline-block;width:728px;height:90px\"\n     data-ad-client=\"ca-pub-3751046447029112\"\n     data-ad-slot=\"5609521781\"><\/ins><br \/>\n<script>\n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falta ao filme &#8216;Elis&#8217; a ousadia que Elis Regina tinha&#8230;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":26380,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415,2423],"tags":[5293,3779,6005],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26362"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26362\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}