{"id":29076,"date":"2017-02-23T03:22:38","date_gmt":"2017-02-23T06:22:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pipocadepimenta.com\/?p=29076"},"modified":"2017-05-31T10:10:34","modified_gmt":"2017-05-31T13:10:34","slug":"moonlight-sob-a-luz-do-luar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/moonlight-sob-a-luz-do-luar\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o primorosa de Barry Jenkins, o elenco \u00e9 chave no sucesso de &#8220;Moonlight&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-29078\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/download.jpg\" alt=\"\" width=\"829\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/download.jpg 829w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/download-707x1024.jpg 707w\" sizes=\"(max-width: 829px) 100vw, 829px\" \/><br \/>\n&#8220;A hist\u00f3ria de uma vida&#8221;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Alguma vez voc\u00ea j\u00e1 se sentiu deslocado, como se o ambiente a sua volta te fizesse se sentir um total estranho? Bom, acho que todos nos sentimos assim algumas vezes e sabemos bem o qu\u00e3o desconfort\u00e1vel isso pode ser. Mas, e se essa sensa\u00e7\u00e3o horr\u00edvel te acompanhasse durante toda a sua vida? Essa \u00e9 a hist\u00f3ria do protagonista de <a href=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/cinemundo\/noticias\/moonlight-e-a-serie-atlanta-foram-os-destaques-do-wga-awards-confira-a-lista-de-ganhadores\/\"><strong>&#8220;Moonlight: Sob a Luz do Luar&#8221;<\/strong><\/a>.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>O filme \u00e9 dividido em tr\u00eas momentos \u2013 inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia e vida adulta &#8211; da exist\u00eancia\u00a0de Chiron, um jovem negro e homossexual criado na dura periferia de Miami, nos anos 1980. Um rapaz t\u00edmido e incompreendido que vive com a m\u00e3e viciada em crack (<strong>Naomi Harris<\/strong>), sem uma figura paterna como refer\u00eancia, e que sofre constantes abusos psicol\u00f3gicos por ser diferente dos outros garotos de sua idade.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Al\u00e9m de tratar de temas extremamente relevantes para a sociedade atual, sem sombras de d\u00favidas &#8220;Moonlight&#8221; \u00e9 um dos melhores estudos de personagem que assisti no cinema em toda a minha vida. As tr\u00eas fases que o filme brilhantemente representa na vida de Chiron &#8211; provavelmente inspiradas no filme \u2018Tr\u00eas Tempos\u2019, de Hsiao-Hsien Hou &#8211; correspondem exatamente aos momentos decisivos na vida de uma pessoa, que moldam seu car\u00e1ter e as tornam quem s\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>A princ\u00edpio, os destinos de Chiron (<strong>Alex Hibbert<\/strong>) e Juan (<strong>Mahershala Ali<\/strong>) acabam se cruzando. O garoto franzino, que foge de agressores do col\u00e9gio, encontra no traficante do bairro a figura paterna que lhe faltava. Uma frase dita por Juan no primeiro encontro entre os dois, enquanto o garotinho se escondia, chama a aten\u00e7\u00e3o: &#8220;Vamos [comigo], n\u00e3o tem como ser pior do que j\u00e1 est\u00e1 sendo&#8221;. Infelizmente, a vida mostraria o quanto ele estava errado.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre os dois rende ao filme n\u00e3o apenas di\u00e1logos inspirad\u00edssimos sobre como assumir sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, por exemplo, como tamb\u00e9m primorosos momentos cinematogr\u00e1ficos. Um deles \u00e9 a bela cena no mar &#8211; que lembra um batismo ou renascimento -, em que Juan mostra ao Chiron que ele tamb\u00e9m faz parte do mundo. O fato de Mahershala estar literalmente ensinando o jovem ator a nadar naquela cena, traz ainda mais veracidade e emo\u00e7\u00e3o ao momento.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Na segunda parte o drama aumenta significativamente. O conflito de Chiron ser algu\u00e9m sens\u00edvel em meio \u00e0s press\u00f5es que a sociedade violenta e preconceituosa coloca sobre ele gera cada vez mais aquela sensa\u00e7\u00e3o de indigna\u00e7\u00e3o e pena no espectador. O <em>bullying<\/em> aumenta, o v\u00edcio da m\u00e3e piora e Chiron s\u00f3 tem um amigo a quem pode suprir sua car\u00eancia por aten\u00e7\u00e3o, Kevin (<strong>Jharrel Jerome<\/strong>).<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Nesta parte, o praticamente estreante diretor <strong>Barry Jenkins<\/strong>,<strong>\u00a0<\/strong>que tamb\u00e9m assina o roteiro, explora muito da sua conturbada experi\u00eancia pessoal, j\u00e1 que cresceu naquele mesmo bairro e sua m\u00e3e tamb\u00e9m teve problemas com drogas. O mais incr\u00edvel \u00e9 que devido a problemas de visto de trabalho, j\u00e1 que \u00e9 brit\u00e2nica, <strong>Naomi Harris<\/strong> teve apenas tr\u00eas dias para gravar todas as suas cenas. Considerando seu pouco tempo de prepara\u00e7\u00e3o, o sentimento e o descontrole que sua atua\u00e7\u00e3o consegue expressar acabam justificando com m\u00e9ritos sua primeira indica\u00e7\u00e3o ao Oscar.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/cinemundo\/noticias\/oscar-2017-produtora-adele-romanski-fala-sobre-os-bastidores-de-moonlight\/\">Falando no elenco<\/a>, certamente as atua\u00e7\u00f5es s\u00e3o um elemento chave para o sucesso de &#8220;Moonlight&#8221;. Al\u00e9m do garotinho Hibbert, <strong>Ashton Sanders<\/strong> e <strong>Trevant Rhodes,\u00a0<\/strong>que interpretam Chiron na adolesc\u00eancia e fase adulta, respectivamente, conseguem manter a mesma ess\u00eancia doce que o personagem tenta reprimir. \u00c9 incr\u00edvel como nunca deixamos de acreditar que Chiron \u00e9 uma pessoa real no filme.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Isso \u00e9 um trabalho extremamente dif\u00edcil por parte da dire\u00e7\u00e3o: manter o equil\u00edbrio de tr\u00eas atores em momentos completamente diferentes da vida de um personagem, mas com a mesma sensa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Outro destaque vai para Mahershala Ali que, mesmo com pouqu\u00edssimo tempo de tela, fez o suficiente para justificar sua poss\u00edvel (prov\u00e1vel) vit\u00f3ria no Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. <strong>Janelle Mon\u00e1e<\/strong> tamb\u00e9m entrega uma atua\u00e7\u00e3o bastante s\u00f3lida.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>&#8220;Moonlight&#8221; foi indicado a 8 Oscars, incluindo Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Fotografia, Edi\u00e7\u00e3o e Trilha Sonora. Um feito incr\u00edvel para uma produ\u00e7\u00e3o independente de baix\u00edssimo custo. E, al\u00e9m de atua\u00e7\u00f5es e hist\u00f3ria, tecnicamente o filme tamb\u00e9m \u00e9 um primor: desde a trilha melanc\u00f3lica de <strong>Nicholas Britell<\/strong>, passando pela bela, mas ao mesmo tempo tr\u00e1gica fotografia de <strong>James Laxton<\/strong>, e com uma montagem flu\u00edda, que conecta bem os eventos, priorizando a emo\u00e7\u00e3o e delicadeza que os di\u00e1logos e cenas querem expressar.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o de Jenkins \u00e9 espl\u00eandida e criativa desde uma das cenas de abertura, em que\u00a0utiliza um giro em 360\u00b0 para apresentar\u00a0tanto os personagens quanto\u00a0a vizinhan\u00e7a. H\u00e1 tamb\u00e9m um belo enquadramento de Chiron de ponta cabe\u00e7a, refor\u00e7ando como seu mundo &#8220;virou&#8221; ap\u00f3s uma revela\u00e7\u00e3o inesperada. Ou, ainda, a c\u00e2mera tr\u00eamula, muito pr\u00f3xima do rosto de Naomi que olha\u00a0diretamente para n\u00f3s, ressaltando sua abstin\u00eancia e descontrole e causando desconforto no espectador. Vale destacar ainda a cena do Jukebox: ao mesmo tempo que \u00e9 impactante, vai tocar no fundo da alma de muitas pessoas com <strong>uma das sequ\u00eancias mais rom\u00e2nticas e delicadas de 2016\/17.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Concluindo, &#8220;Moonlight&#8221; \u00e9 uma hist\u00f3ria extremamente relevante e n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o empatizar\u00a0com as pessoas que sofrem press\u00f5es sociais, raciais ou de qualquer outra origem, simplesmente por n\u00e3o poderem ser quem realmente s\u00e3o. Para saber quem voc\u00ea \u00e9, \u00e0s vezes, voc\u00ea s\u00f3 precisa de algu\u00e9m que te entenda e te aceite como \u00e9. Algo aparentemente simples, mas muito dif\u00edcil de encontrar. Talvez essa seja a grande trag\u00e9dia do filme. <strong>Barry Jenkins \u00e9 definitivamente um diretor para se acompanhar muito de perto daqui para a frente<\/strong>.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>E voc\u00ea, j\u00e1 assistiu ou est\u00e1 ansioso para ver? Concorda ou discorda da an\u00e1lise? Deixe seu coment\u00e1rio ou cr\u00edtica (educadamente) e at\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\"><\/script><br \/>\n<!-- Mat\u00e9rias --><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: inline-block; width: 728px; height: 90px;\" data-ad-client=\"ca-pub-3751046447029112\" data-ad-slot=\"5609521781\"><\/ins><br \/>\n<script>\n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2018Moonlight\u2019 \u00e9 um dos melhores estudos de personagem que assisti no cinema em toda a minha vida.<\/p>","protected":false},"author":22,"featured_media":29077,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415,2423],"tags":[7211,6780,6775,7208,7209,7215,2200,7214,6528,6521,5121,4977,6035,6774,7117,5242,7210,7212,7213],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29076"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29076"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29076\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61540,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29076\/revisions\/61540"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29077"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}