{"id":68613,"date":"2017-10-13T00:16:21","date_gmt":"2017-10-13T03:16:21","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=68613"},"modified":"2017-10-13T18:42:00","modified_gmt":"2017-10-13T21:42:00","slug":"tenso-e-incomodo-detroit-em-rebeliao-poe-o-dedo-na-ferida-e-retrata-o-abuso-policial-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/tenso-e-incomodo-detroit-em-rebeliao-poe-o-dedo-na-ferida-e-retrata-o-abuso-policial-nos-eua\/","title":{"rendered":"Tenso e inc\u00f4modo, &#8220;Detroit em Rebeli\u00e3o&#8221; p\u00f5e o dedo na ferida e retrata o abuso policial nos EUA"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section admin_label=&#8221;section&#8221;][et_pb_row admin_label=&#8221;row&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p><strong>Madrugada do domingo, dia 23 de Julho de 1967<\/strong>. Esse foi o limite para toda a popula\u00e7\u00e3o de um bairro negro nos sub\u00farbios de Detroit. Policiais invadem um clube noturno durante uma festa que celebrava o retorno de dois veteranos da Guerra do Vietn\u00e3. A pol\u00edcia esperava poucos clientes no local, entretanto, quase 100 pessoas estavam l\u00e1. Enquanto v\u00e1rios eram retirados do local e detidos \u2013 muitos sem motivo aparente &#8211; um grupo de moradores cerca as viaturas. A coisa esquenta e acaba em pancadaria dos dois lados, com v\u00e1rias pedras e garrafas sendo arremessadas nos policiais.<\/p>\n<p>Esse era apenas o in\u00edcio da rebeli\u00e3o, que se arrastaria at\u00e9 a quinta-feira daquela semana. Mas, tudo o que est\u00e1 ruim pode piorar, e muito. Na quarta-feira, alguns adolescentes negros s\u00e3o mortos e outros torturados psicologicamente quando a pol\u00edcia invade o <strong>Motel Algiers<\/strong> em busca de um atirador. O filme <strong>\u201cDetroit em Rebeli\u00e3o\u201d<\/strong>, que estreia essa semana, aborda bem de perto o tr\u00e1gico evento ocorrido.<\/p>\n<p>Respectivamente escrito e dirigido pela dupla din\u00e2mica <strong>Mark Boal<\/strong> e <strong>Kathryn Bigelow<\/strong> (ambos vencedores do Oscar por <strong>\u201cGuerra ao Terror\u201d<\/strong>, al\u00e9m da contribui\u00e7\u00e3o em <strong>\u201cA Hora Mais Escura\u201d<\/strong>), o filme usa o evento no motel como microcosmo para analisar toda a quest\u00e3o da tens\u00e3o racial entre brancos e negros nos EUA dos anos 60, principalmente denunciando os problemas hist\u00f3ricos da comunidade: desemprego, segrega\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es ruins de escola e moradia, falta de oportunidade, brutalidade policial e, \u00e9 claro, racismo. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de repress\u00e3o, era quest\u00e3o de tempo para a panela de press\u00e3o explodir.<\/p>\n<p>2017 completa 50 anos desde que a rebeli\u00e3o aconteceu e curiosamente \u2013 pelo menos l\u00e1 nos EUA \u2013 a discuss\u00e3o ainda \u00e9 um assunto delicado e aparentemente longe de acabar. No entanto, senti que a abordagem de Bigelow \u00e9 ser a mais \u201cneutra\u201d poss\u00edvel, expondo os dois lados do confronto para deixar o espectador na condi\u00e7\u00e3o de juiz. Ao mesmo tempo em que as a\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia s\u00e3o exageradas e mostram despreparo para lidar com a situa\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem sua parcela, destruindo seu pr\u00f3prio bairro e saqueando lojas de trabalhadores da vizinhan\u00e7a. Se eu tivesse que definir <strong>\u201cDetroit\u201d<\/strong> em uma senten\u00e7a, provavelmente seria \u201co perigo da falta de comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cDetroit\u201d<\/strong> \u00e9 um filme longo, um drama pesado de quase duas horas e meia de dura\u00e7\u00e3o. Apesar de poder parecer um tanto arrastado &#8211; com algumas sequ\u00eancias longas demais &#8211; acho compreens\u00edvel a estrutura narrativa escolhida por Bigelow para o filme. Ao inv\u00e9s de abordar todo o conflito como uma esp\u00e9cie de document\u00e1rio, a diretora escolhe a trag\u00e9dia do motel para simbolizar todo o contexto por tr\u00e1s da rebeli\u00e3o. Desta forma mais concisa, ela consegue apresentar melhor seus protagonistas e trabalhar um dos seus pontos mais fortes como cineasta: fazer o espectador vivenciar o conflito junto com os personagens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image admin_label=&#8221;Imagem&#8221; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/03still-processing-Detroit-2-master768.jpg&#8221; show_in_lightbox=&#8221;off&#8221; url_new_window=&#8221;off&#8221; use_overlay=&#8221;off&#8221; animation=&#8221;off&#8221; sticky=&#8221;off&#8221; align=&#8221;center&#8221; force_fullwidth=&#8221;off&#8221; always_center_on_mobile=&#8221;on&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;] [\/et_pb_image][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os tr\u00eas atos s\u00e3o muito bem definidos. Primeiro, somos apresentados a Dismukes (<strong>John Boyega<\/strong>), um seguran\u00e7a de uma loja da vizinhan\u00e7a; Krauss (<strong>Will Poulter<\/strong>), um jovem e esquentadinho policial e ao <strong>The Dramatics<\/strong>, um grupo de aspirantes a novas estrelas do famos\u00edssimo selo Motown Records, que no dia da sua apresenta\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico foram impedidos gra\u00e7as a um quebra-quebra na regi\u00e3o. Quis o destino que alguns deles esperassem uns dias no motel Algiers, at\u00e9 a situa\u00e7\u00e3o normalizar e eles voltarem para casa em seguran\u00e7a. O desenrolar no motel ocupa grande parte do filme. E da mesma maneira como fez nos seus dois filmes anteriores, Bigelow escolheu filmar a a\u00e7\u00e3o dentro do motel com v\u00e1rias c\u00e2meras ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Desta forma, ela consegue captar v\u00e1rios \u00e2ngulos dos atores e ainda dar mais liberdade para eles usarem o espa\u00e7o em cena. Depois de um tempo, o espectador se acostuma a \u201cpassear\u201d pelo ambiente junto com os personagens, aumentando a sensa\u00e7\u00e3o de imers\u00e3o. Assim, ela consegue construir uma das sequ\u00eancias mais tensas e longas deste ano, quando Krauss e os outros policiais pressionam os clientes do motel a entregar quem atirou pela janela de um dos quartos na dire\u00e7\u00e3o dos soldados que protegiam a rua \u2013 dentre os suspeitos estavam duas garotas brancas e tr\u00eas integrantes do <em>The Dramatics<\/em>. Ap\u00f3s muitas falhas de comunica\u00e7\u00e3o, intoler\u00e2ncia e abuso policial, \u00e9 claro que as coisas saem totalmente do controle.<\/p>\n<p>Por fim, o filme ainda reserva um bom tempo para mostrar as consequ\u00eancias da trag\u00e9dia. Esses tr\u00eas atos mais longos do que o normal, podem incomodar algumas pessoas &#8211; a grande quantidade de &#8220;c\u00e2mera de m\u00e3o&#8221; utilizada tamb\u00e9m n\u00e3o agrada a todos. Mas, compreendo a escolha, at\u00e9 porque o efeito da rebeli\u00e3o na vida das pessoas \u00e9 t\u00e3o importante quanto o pr\u00f3prio conflito em si. Afinal, esse foi legado que ficou depois de tudo, e que dura at\u00e9 hoje. Quantos sonhos foram (e ainda s\u00e3o) frustrados? Direitos civis ignorados? O sistema de justi\u00e7a \u00e9 realmente justo? A meritocracia \u00e9 capaz de resistir a um abuso psicol\u00f3gico e traum\u00e1tico? Eu n\u00e3o vou tomar parte da discuss\u00e3o, at\u00e9 porque considero esse um dos grandes m\u00e9ritos do filme, colocar o dedo na ferida e deixar o espectador decidir se as a\u00e7\u00f5es tomadas foram as mais corretas, do ponto de vista humano, legal, o que quer que seja.<\/p>\n<p><strong>\u201cDetroit em Rebeli\u00e3o\u201d<\/strong> poderia ter tomado o caminho mais f\u00e1cil e contado uma hist\u00f3ria de mocinhos contra bandidos, mas h\u00e1 certa ambiguidade. Al\u00e9m da superf\u00edcie, n\u00e3o me parece um confronto de pol\u00edcia contra civis, h\u00e1 mais camadas de interpreta\u00e7\u00e3o dentro do conflito. O medo, a incompreens\u00e3o, sentimentos pessoais que se misturam (causando m\u00e1s interpreta\u00e7\u00f5es), tudo contribui para a zona de guerra que \u00e9 criada. Em meio a pessoas que realmente queriam brigar pelos seus direitos estavam v\u00e2ndalos e arruaceiros. Mas o despreparo dos respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o do povo \u00e9 que chama a aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso fazer distin\u00e7\u00e3o entre quem saqueia comida e atira bombas.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a dire\u00e7\u00e3o muito segura de Bigelow, os di\u00e1logos afiados de Boal e uma contribui\u00e7\u00e3o de primeira linha do elenco \u2013 dos principais at\u00e9 os coadjuvantes \u2013 <strong>\u201cDetroit\u201d<\/strong> surge certamente como um dos melhores filmes sobre abuso policial dos \u00faltimos anos. N\u00e3o chega a ter a \u201ccrueza\u201d de um <strong>\u201cFa\u00e7a a Coisa Certa\u201d<\/strong>, por exemplo, mas convence com uma trama inc\u00f4moda, tensa e desgastante emocionalmente. Al\u00e9m de explorar o aspecto humano dos confrontos de maneira eficiente, mostrando como os detentores do poder sempre v\u00e3o proteger seus interesses. John Boyega e principalmente Will Poulter est\u00e3o realmente impec\u00e1veis e n\u00e3o me surpreenderia com algumas indica\u00e7\u00f5es para o filme na temporada de pr\u00eamios.<\/p>\n<p>E voc\u00ea, j\u00e1 assistiu ou est\u00e1 ansioso para ver? Concorda ou discorda da an\u00e1lise? Deixe seu coment\u00e1rio ou cr\u00edtica (educadamente) e at\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/p>\n<p>Para mais coment\u00e1rios sobre filmes, sigam-me nas redes sociais:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilo_calazans\/\">https:\/\/www.instagram.com\/danilo_calazans\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/calazansdanilo\">https:\/\/www.facebook.com\/calazansdanilo<\/a><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da diretora de &#8220;Guerra ao Terror&#8221;, um dos filmes mais tensos do ano.<\/p>","protected":false},"author":22,"featured_media":68614,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415,2423],"tags":[12427,12424,2200,6097,12425,12426,3899,8703],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68613"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68613"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68613\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":68616,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68613\/revisions\/68616"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/68614"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}