{"id":70484,"date":"2017-12-21T22:07:41","date_gmt":"2017-12-22T01:07:41","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=70484"},"modified":"2017-12-25T23:51:57","modified_gmt":"2017-12-26T02:51:57","slug":"bright-nao-consegue-mesclar-fantasia-e-realidade-e-acaba-decepcionando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/bright-nao-consegue-mesclar-fantasia-e-realidade-e-acaba-decepcionando\/","title":{"rendered":"&#8220;Bright&#8221; n\u00e3o consegue mesclar fantasia e realidade e acaba decepcionando"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section admin_label=&#8221;section&#8221;][et_pb_row admin_label=&#8221;row&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>J\u00e1 pensou um universo onde as criaturas e elementos de <strong>\u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d<\/strong> e <strong>\u201cHarry Potter\u201d<\/strong> v\u00e3o parar em uma trama policial dram\u00e1tica e tensa? Pois \u00e9, a <strong>Netflix<\/strong> investiu $90 milh\u00f5es de d\u00f3lares apostando nessa ideia, para fazer o seu filme mais caro at\u00e9 o momento, intitulado <strong>\u201cBright\u201d<\/strong>. Escrito pelo jovem roteirista <strong>Max Landis<\/strong> (de filmes como <strong>\u201cPoder Sem Limites\u201d<\/strong> e <strong>\u201cAmerican Ultra\u201d<\/strong>), que \u00e9 filho do respeitado diretor <strong>John Landis<\/strong> (de <strong>\u201cUm Lobisomen Americano em Londres\u201d<\/strong> e <strong>\u201cTrocando as Bolas\u201d<\/strong>), o filme foi comprado com a &#8220;exig\u00eancia&#8221; de que a dire\u00e7\u00e3o ca\u00edsse nas m\u00e3os de <strong>David Ayer<\/strong>, que muitos devem se lembrar por causa da decep\u00e7\u00e3o de <strong>\u201cEsquadr\u00e3o Suicida\u201d<\/strong> no ano passado.<\/p>\n<p><strong>Uma nova chance para David Ayer<\/strong><\/p>\n<p>A predile\u00e7\u00e3o de Max Landis por Ayer na dire\u00e7\u00e3o deve-se \u00e0 alguns fatores. Primeiramente, Ayer \u00e9 super f\u00e3 de quadrinhos e tem enorme facilidade em trabalhar com temas policiais, levando em conta que foi roteirista de filmes como <strong>\u201cVelozes e Furiosos\u201d<\/strong> e <strong>\u201cDia de Treinamento\u201d<\/strong>, al\u00e9m de ter escrito e dirigido <strong>\u201cMarcados Para Morrer\u201d<\/strong>, filme policial com Jake Gyllenhaal e Michael Pena. E tamb\u00e9m pelo fato de ser um diretor com personalidade, que \u201cconhece as ruas\u201d como poucos e talvez conseguisse equilibrar fantasia e realidade com uma pegada consistente e identific\u00e1vel com nossa sociedade atual.<\/p>\n<p>Assim, o filme conta a hist\u00f3ria de Daryl Ward (<strong>Will Smith<\/strong>), um policial humano que tem como parceiro Nick Jakoby (<strong>Joel Edgerton<\/strong>) o \u00fanico <em>Orc<\/em> na corpora\u00e7\u00e3o. Gra\u00e7as a um confronto entre esp\u00e9cies no passado, h\u00e1 muito preconceito e desconfian\u00e7a entre todos, mas ambos precisam deixar suas diferen\u00e7as pessoais de lado para fazer suas patrulhas di\u00e1rias e proteger uma jovem <em>Elfa<\/em>, que fugiu com um poderoso artefato m\u00e1gico que n\u00e3o pode cair em m\u00e3os erradas.<\/p>\n<p>Completam o elenco rostos conhecidos como <strong>Noomi Rapace<\/strong> e <strong>Jay Hernandez<\/strong>, entre outros. Ayer declarou que um dos motivos para seu filme anterior \u201cEsquadr\u00e3o Suicida\u201d ter sido t\u00e3o mal aceito foram as in\u00fameras interfer\u00eancias do est\u00fadio no projeto. Aqui, entretanto, a Netflix deu carta branca para que o diretor pudesse explorar perfeitamente sua vis\u00e3o. Com essa nova chance em m\u00e3os, como ser\u00e1 que ele e o filme se sa\u00edram?<\/p>\n<p><strong>Muitas tretas, pouca coer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cBright\u201d<\/strong> \u00e9 um filme bastante indeciso. A ideia de criar uma realidade alternativa onde humanos, <em>orcs<\/em>, <em>elfos<\/em>, <em>fadas<\/em>, <em>centauros<\/em> e etc vivem juntos em Los Angeles \u00e9 ao mesmo tempo bizarra e intrigante. O longa tem uma abordagem levemente parecida com <strong>\u201cDistrito 9\u201d<\/strong>, retratando a quest\u00e3o das diferen\u00e7as (sociais e raciais) entre as esp\u00e9cies. Em uma comunidade aparentemente abandonada e sem esperan\u00e7a de dias melhores, onde a maioria tem dificuldade em criar seus filhos, aliment\u00e1-los e manter um teto sobre suas cabe\u00e7as, as ruas se tornam cada vez mais zonas de guerra, aumentando a criminalidade e dificultando o trabalho da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Portanto, o filme tenta levantar algumas discuss\u00f5es nesse sentido, como por exemplo, se a \u201cra\u00e7a\u201d de algu\u00e9m deve determinar permanentemente o lugar dela na sociedade \u2013 j\u00e1 que os <em>Orcs<\/em> se voltaram contra os homens h\u00e1 muitas gera\u00e7\u00f5es, ser\u00e1 que seus descendentes deveriam ser punidos pelos erros do passado? Ayer conhece as rotinas de patrulha e a rela\u00e7\u00e3o \u201cpol\u00edcia x comunidade\u201d como poucos e &#8211; do ponto de vista de roteiro &#8211; at\u00e9 consegue criar um submundo plaus\u00edvel, que se divide entre gangues e policiais corruptos, fazendo com os que realmente se importam com a lei e a justi\u00e7a sejam colocados frente \u00e0 decis\u00f5es morais dif\u00edceis, no conflito entre fazer o que \u00e9 certo mesmo quando tudo parece perdido.<\/p>\n<p>No entanto, o longa peca por n\u00e3o conseguir aprofundar esses temas e recorre a solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis e previs\u00edveis, o tornando muito superficial para ser levado a s\u00e9rio. A combina\u00e7\u00e3o entre tantas figuras m\u00edticas e elementos m\u00e1gicos tamb\u00e9m n\u00e3o casa organicamente, h\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o e pouca coer\u00eancia, tornando dif\u00edcil de acreditar e entender algumas motiva\u00e7\u00f5es. Aquele cl\u00e1ssico exemplo onde a regrinha do \u201cmenos \u00e9 mais\u201d deveria ter sido respeitada mais vezes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image admin_label=&#8221;Imagem&#8221; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_3307.png&#8221; show_in_lightbox=&#8221;off&#8221; url_new_window=&#8221;off&#8221; use_overlay=&#8221;off&#8221; animation=&#8221;off&#8221; sticky=&#8221;off&#8221; align=&#8221;center&#8221; force_fullwidth=&#8221;off&#8221; always_center_on_mobile=&#8221;on&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;] [\/et_pb_image][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Esquadr\u00e3o Suicida 2.0?<\/strong><\/p>\n<p>Com tanta liberdade neste novo projeto (e por conta dos bons trabalhos anteriores), surpreende que <strong>\u201cBright\u201d<\/strong> tamb\u00e9m sofra dos mesmos problemas estruturais e narrativos de <strong>\u201cEsquadr\u00e3o Suicida\u201d<\/strong>. Apesar de aqui a maior aten\u00e7\u00e3o estar voltada para o drama de Will Smith, os primeiros atos exploram muitos n\u00facleos diferentes (como a gangue dos <em>Orcs<\/em>, a elite <em>Elfa<\/em>, a import\u00e2ncia da varinha m\u00e1gica, entre outros) que s\u00e3o desprezados ao longo do filme, dando lugar a um terceiro ato com reviravoltas bem for\u00e7adas e gen\u00e9ricas.<\/p>\n<p>O longa desperdi\u00e7a alguns elementos que funcionaram nos primeiros minutos, como a utiliza\u00e7\u00e3o do carro de patrulha como uma esp\u00e9cie de &#8220;sess\u00e3o de terapia&#8221; para refor\u00e7ar a rela\u00e7\u00e3o entre Ward e Jakoby, criando conex\u00e3o entre a dupla. Mesmo sendo um filme de a\u00e7\u00e3o, o ritmo \u00e9 um tanto arrastado, podendo cansar o espectador. Os di\u00e1logos muito expl\u00edcitos e a utiliza\u00e7\u00e3o de alguns <em>deus ex-machinas<\/em> tamb\u00e9m contribuem para o desinteresse e a previsibilidade da trama.<\/p>\n<p><strong>Poss\u00edvel indicado ao Oscar?<\/strong><\/p>\n<p>Contudo, \u201cBright\u201d tamb\u00e9m tem suas qualidades. Toda a inconsist\u00eancia que prejudica sua narrativa passa longe quando reparamos na est\u00e9tica do filme, pois em aspectos t\u00e9cnicos ele \u00e9 extremamente caprichado. Os cen\u00e1rios s\u00e3o incr\u00edveis, combinando lugares abandonados, paredes pichadas e pouca luz, refor\u00e7ando um sentimento em \u201cru\u00ednas\u201d que representa aquele universo. Belo trabalho do pouco conhecido diretor de arte <strong>Andrew Menzies<\/strong>, que trabalhou na equipe de arte de filmes como <strong>\u201cAvatar\u201d<\/strong>, por exemplo.<\/p>\n<p>Um dos visuais mais not\u00e1veis do ano, lembra a atmosfera fant\u00e1stica de obras como o recente <strong>\u201cGhost in the Shell\u201d<\/strong> \u2013 que por sua vez foi inspirado em <strong>\u201cBlade Runner\u201d<\/strong> \u2013 e at\u00e9 <strong>\u201cAt\u00f4mica\u201d<\/strong>, combinando o uso de ilumina\u00e7\u00f5es neon com uma escurid\u00e3o misteriosa e intrigante. O trabalho de capta\u00e7\u00e3o de movimentos, maquiagem (que est\u00e1 entre os semifinalistas que ir\u00e3o concorrer ao Oscar) e efeitos visuais tamb\u00e9m impressiona, beirando o impec\u00e1vel. Sem me esquecer da trilha sonora pop e din\u00e2mica, que conta com artistas como <strong>Bastille, Camila Cabello e Steve Aoki<\/strong>, entre outros <em>rappers<\/em> americanos.<\/p>\n<p>Eu diria que <strong>\u201cBright\u201d<\/strong> \u00e9 um filme de seres renegados contra sua pr\u00f3pria esp\u00e9cie, sendo julgados por n\u00e3o desejarem seguir as conven\u00e7\u00f5es que a sociedade imp\u00f5e (os tr\u00eas personagens principais representam isso em tr\u00eas esp\u00e9cies diferentes). De certa forma, ele tenta refletir as tens\u00f5es dos protestos nos EUA entre popula\u00e7\u00e3o e pol\u00edcia ou fazer algum coment\u00e1rio social, mas \u00e9 bastante confuso para que possamos dar cr\u00e9dito \u00e0s discuss\u00f5es levantadas. Por mais que tenha algumas sequ\u00eancias de a\u00e7\u00e3o empolgantes e o carisma de atores como Will Smith, mais uma vez David Ayer falha ao tentar mesclar fantasia com uma pegada realista, pecando novamente pela falta de coes\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>E voc\u00ea, j\u00e1 assistiu ou est\u00e1 ansioso para ver? Concorda ou discorda da an\u00e1lise? Deixe seu coment\u00e1rio ou cr\u00edtica (educadamente) e at\u00e9 a pr\u00f3xima! <\/strong><\/p>\n<p><strong>Para mais coment\u00e1rios sobre filmes, sigam-me nas redes sociais:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilo_calazans\/\"><strong>https:\/\/www.instagram.com\/danilo_calazans\/<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/calazansdanilo\"><strong>https:\/\/www.facebook.com\/calazansdanilo<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/twitter.com\/danilo2calazans\"><strong>https:\/\/twitter.com\/danilo2calazans<\/strong><\/a><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O filme mais caro j\u00e1 feito pela Netflix estreia essa semana. Confira o que achamos!<\/p>","protected":false},"author":22,"featured_media":70486,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415,2423],"tags":[10785,2443,1200,1648,2552],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70484"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70484"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70484\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":70512,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70484\/revisions\/70512"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70486"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}