{"id":71062,"date":"2018-01-16T21:32:01","date_gmt":"2018-01-17T00:32:01","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=71062"},"modified":"2018-01-17T23:03:06","modified_gmt":"2018-01-18T02:03:06","slug":"critica-2-me-chame-pelo-seu-nome-se-sobressai-pela-naturalidade-e-sutileza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/critica-2-me-chame-pelo-seu-nome-se-sobressai-pela-naturalidade-e-sutileza\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica #2: &#8220;Me Chame Pelo Seu Nome&#8221; se sobressai pela naturalidade e sutileza"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section admin_label=&#8221;section&#8221;][et_pb_row admin_label=&#8221;row&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>Alguns filmes t\u00eam a capacidade de nos transportar para um pequeno lugar e espa\u00e7o no tempo de maneira t\u00e3o simples, mas ao mesmo tempo, fascinante e genu\u00edna. <strong>\u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d<\/strong>, com produ\u00e7\u00e3o brasileira e dirigido pelo italiano <strong>Luca Guadagnino<\/strong>, \u00e9 certamente um desses exemplos. Se passando durante o ver\u00e3o de 1983 em uma bela prov\u00edncia no norte da It\u00e1lia, o filme conta a hist\u00f3ria do jovem Elio (<strong>Timoth\u00e9e Chalamet<\/strong>), que conhece o doutorando norte-americano Oliver (<strong>Armie Hammer<\/strong>), enquanto este chega ao local para fazer um est\u00e1gio com seu pai, o professor de cultura Greco-Romana Sr. Perlman (<strong>Michael Stuhlbarg<\/strong>).<\/p>\n<p><strong>Naturalidade, sensualidade e sutileza<\/strong><\/p>\n<p>Elio \u00e9 um aspirante a m\u00fasico e Oliver um homem inteligente, bonito e confiante, que conquista a todos com sua personalidade marcante. A sofistica\u00e7\u00e3o e intelecto de ambos \u2013 representadas pelo interesse em m\u00fasica cl\u00e1ssica, livros e esculturas &#8211; s\u00e3o refletidas pela pr\u00f3pria abordagem da dire\u00e7\u00e3o de Guadagnino \u2013 elegante e paciente, construindo com naturalidade sua conex\u00e3o por meio de passeios e toques sutis, explorando as estonteantes e encantadoras paisagens da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, embora o vasto conhecimento intelectual de Elio sugira uma aparente maturidade, nos assuntos do cora\u00e7\u00e3o ele ainda \u00e9 inocente e inexperiente \u2013 os flertes com a bela Marzia (<strong>Esther Garrel<\/strong>) soam desajeitados a princ\u00edpio. Por\u00e9m, estimulados pelas altas temperaturas da esta\u00e7\u00e3o, a sensualidade das obras de arte que os acercam e a do\u00e7ura das frutas que crescem no belo pomar da propriedade, os tr\u00eas s\u00e3o atra\u00eddos para a descoberta de um sentimento que os transforma de maneira inesperada. Ser\u00e1 apenas uma paix\u00e3o passageira, um \u201camor de ver\u00e3o\u201d? \u00c9 melhor se envolver e sofrer a dor da partida ou nem arriscar para n\u00e3o se machucar e apenas pensar no que poderia ter sido?<\/p>\n<p>Alguns espectadores podem se incomodar com o ritmo tranquilo que os fatos ocorrem, mas foi uma escolha intencional da dire\u00e7\u00e3o, que propositalmente evitou recorrer a momentos mais \u201cimpactantes\u201d &#8211; muitas vezes, os planos s\u00e3o mais longos e abertos que o de costume, priorizando a continuidade da cena. Alguns romances se destacam pelas reviravoltas e o turbilh\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es que os casais enfrentam, mas <strong>\u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d<\/strong> se sobressai justamente pela sutileza e delicadeza, ao melhor estilo <strong>\u201cAntes do Amanhecer\u201d<\/strong>, por exemplo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que o filme reprima reflex\u00f5es ou cenas mais pol\u00eamicas \u2013 pelo contr\u00e1rio, nos faz pensar em temas como a diferen\u00e7a de idade numa rela\u00e7\u00e3o ou assumir sua orienta\u00e7\u00e3o sexual em uma \u00e9poca muito mais conservadora, por exemplo -, mas acontece que Guadagnino sabe que n\u00e3o precisa \u201cgritar\u201d para chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, ent\u00e3o entrega uma obra intimista, particular, que conquista pela maneira singela e honesta como aborda a descoberta do primeiro amor. Se me permitem um pequeno exagero, o longa soa como um \u201capaixonado filme de arte\u201d sobre paix\u00e3o e arte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image admin_label=&#8221;Imagem&#8221; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/sese.png&#8221; show_in_lightbox=&#8221;off&#8221; url_new_window=&#8221;off&#8221; use_overlay=&#8221;off&#8221; animation=&#8221;off&#8221; sticky=&#8221;off&#8221; align=&#8221;center&#8221; force_fullwidth=&#8221;off&#8221; always_center_on_mobile=&#8221;on&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;] [\/et_pb_image][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os Fragmentos C\u00f3smicos de Guadagnino<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da sua bela constru\u00e7\u00e3o narrativa, <strong>\u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d<\/strong> \u00e9 uma obra extremamente relevante para nosso momento atual. \u00c9 uma voz que inspira as pessoas a resistirem contra o medo da express\u00e3o sexual, mostrando como \u00e9 natural um sentimento crescer entre duas pessoas, independentemente de sua orienta\u00e7\u00e3o. Isso deve-se \u00e0 maravilhosa contribui\u00e7\u00e3o do elenco, onde se destacam a qu\u00edmica entre dupla principal, o ent\u00e3o desconhecido Timoth\u00e9e Chalamet, fr\u00e1gil, mas ao mesmo tempo determinado e Armie Hammer, se aplicando a uma forte entrega dram\u00e1tica ainda n\u00e3o vista em sua carreira. E por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, Michael Stuhlbarg, como um pai compreensivo e pr\u00f3ximo do seu filho, cujo discurso final \u00e9 um dos mon\u00f3logos mais bonitos dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>O roteiro, adaptado por <strong>James Ivory<\/strong> da obra hom\u00f4nima de <strong>Andr\u00e9 Aciman<\/strong>, casa perfeitamente com a delicada reg\u00eancia de Luca Guadagnino. Acostumado a pequenos e modestos dramas, como <strong>\u201cUm Sonho de Amor\u201d (2009)<\/strong> e <strong>\u201cUm Mergulho no Passado\u201d (2015)<\/strong>, o diretor capricha nos detalhes e nas sutilezas que potencializam o subtexto deixado pela magistral escrita de Ivory \u2013 fort\u00edssimo candidato ao Oscar. <em><strong>\u201cUma cena n\u00e3o \u00e9 sobre o que parece ser\u201d<\/strong><\/em>, j\u00e1 dizia o professor de roteiro <strong>Robert McKee<\/strong>. E em v\u00e1rias cenas, Ivory e Guadagnino v\u00e3o construindo uma sensualidade latente, em uma combina\u00e7\u00e3o perfeita entre texto, som e visual.<\/p>\n<p>Em determinado momento, um personagem est\u00e1 lendo o livro <strong>\u201cOs Fragmentos C\u00f3smicos de Her\u00e1clito\u201d<\/strong> \u2013 frases provocantes deixadas pelo fil\u00f3sofo para despertar discuss\u00e3o sobre uma s\u00e9rie de assuntos. Essas frases s\u00e3o chamadas de aforismos, ou seja, pequenas senten\u00e7as com um poder de s\u00edntese enorme para verbalizar pensamentos e sentimentos. Em <strong>\u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d<\/strong>, Guadagnino comprova mais uma vez ser um excelente \u201caforista\u201d do cinema, algu\u00e9m com habilidade e sutileza t\u00e3o grandes em representar por meio de imagens e poucas cenas aquilo que a maioria dos diretores levaria um filme inteiro para descrever.<\/p>\n<p>Passando por belas sequ\u00eancias musicais, onde os personagens se revelam, conversas sobre esculturas helen\u00edsticas (que se comparam aos corpos semi-nus do ver\u00e3o na regi\u00e3o) e a degusta\u00e7\u00e3o de frutas afrodis\u00edacas, como o p\u00eassego \u2013 que na cultura do Taoismo, por exemplo, representa a virgindade e sexualidade \u2013 a obra nos atinge n\u00e3o apenas a um n\u00edvel visual, mas tamb\u00e9m emocional. Esse \u00e9 o poder do subtexto t\u00e3o bem empregado aqui. No entanto, minha cena favorita \u00e9 o encontro dos dois na pra\u00e7a, onde em uma esp\u00e9cie de bal\u00e9 no jogo da sedu\u00e7\u00e3o, ambos se distanciam, sutilmente se provocam, para enfim se aproximarem intimamente, bem devagar.<\/p>\n<p><strong>(Passe as imagens para o lado para ver a cena)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_gallery admin_label=&#8221;Galeria&#8221; gallery_ids=&#8221;71063,71064,71065,71066&#8243; fullwidth=&#8221;on&#8221; show_title_and_caption=&#8221;off&#8221; show_pagination=&#8221;on&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; auto=&#8221;off&#8221; hover_overlay_color=&#8221;rgba(255,255,255,0.9)&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;] [\/et_pb_gallery][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de todos os elogios j\u00e1 citados, tecnicamente o filme faz um trabalho primoroso. A come\u00e7ar pela beleza da paisagem natural, que permite uma composi\u00e7\u00e3o de imagens bel\u00edssimas sob as lentes do diretor de fotografia <strong>Sayombhu Mukdeeprom<\/strong> (de <strong>\u201cAs Mil e Uma Noites\u201d<\/strong>) \u2013 explorando silhuetas e caprichando no uso de luz natural. A dire\u00e7\u00e3o de arte de <strong>Samuel Deshors<\/strong> tamb\u00e9m merece destaque, onde a aten\u00e7\u00e3o aos detalhes permite descrever e expandir caracter\u00edsticas sobre os personagens \u2013 como a exposi\u00e7\u00e3o do fot\u00f3grafo <strong>Robert Mapplethorpe<\/strong> (homossexual e pol\u00eamico, que tinha fascina\u00e7\u00e3o por corpos nus, an\u00e1logas \u00e0s esculturas t\u00e3o mostradas ao longo do filme) na parede do quarto de Elio.<\/p>\n<p>E por fim, a trilha sonora, que mescla algumas composi\u00e7\u00f5es e conta com duas can\u00e7\u00f5es originais incr\u00edveis compostas por <strong>Sufjan Stevens<\/strong>, <strong>\u201cVisions of Gideon\u201d<\/strong> e <strong>\u201cMystery of Love\u201d<\/strong> \u2013 uma delas potencialmente dever\u00e1 figurar no Oscar. Sendo assim, <strong>\u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d<\/strong> merece todos os elogios que t\u00eam recebido. Assim como o atual vencedor do Oscar <strong>\u201cMoonlight\u201d<\/strong>, \u00e9 uma hist\u00f3ria de amor delicada e brilhantemente expressada, com relev\u00e2ncia social (embora v\u00e1 muito al\u00e9m disso) e expressando a beleza e a ang\u00fastia de se apaixonar verdadeiramente pela primeira vez.<\/p>\n<p>Bibliografia: <a href=\"http:\/\/www.culturabrasil.org\/heraclito_de_efeso_logos.htm\">http:\/\/www.culturabrasil.org\/heraclito_de_efeso_logos.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.elledecor.com\/celebrity-style\/celebrity-homes\/a13120998\/call-me-by-your-name-movie-set\/\">http:\/\/www.elledecor.com\/celebrity-style\/celebrity-homes\/a13120998\/call-me-by-your-name-movie-set\/<\/a><\/p>\n<p><strong>E voc\u00ea, j\u00e1 assistiu ou est\u00e1 ansioso para ver? Concorda ou discorda da an\u00e1lise? Deixe seu coment\u00e1rio ou cr\u00edtica (educadamente) e at\u00e9 a pr\u00f3xima! <\/strong><\/p>\n<p><strong>Para mais coment\u00e1rios sobre filmes, sigam-me nas redes sociais:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilo_calazans\/\"><strong>https:\/\/www.instagram.com\/danilo_calazans\/<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/calazansdanilo\"><strong>https:\/\/www.facebook.com\/calazansdanilo<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/twitter.com\/danilo2calazans\"><strong>https:\/\/twitter.com\/danilo2calazans<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos potenciais indicados ao Oscar chega aos nossos cinemas essa semana. Confira nossa segunda cr\u00edtica sobre o filme!<\/p>","protected":false},"author":22,"featured_media":71072,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415,2423],"tags":[1977,2200,12921,11999,13462,149,2281,13301],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71062"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71062"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71062\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71105,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71062\/revisions\/71105"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71072"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71062"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71062"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71062"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}