{"id":71400,"date":"2018-01-25T17:09:35","date_gmt":"2018-01-25T20:09:35","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=71400"},"modified":"2018-01-28T06:14:31","modified_gmt":"2018-01-28T09:14:31","slug":"o-artista-do-desastre-os-bastidores-do-pior-filme-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/o-artista-do-desastre-os-bastidores-do-pior-filme-da-historia\/","title":{"rendered":"&#8220;O Artista do Desastre&#8221;: Os bastidores do pior filme da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section admin_label=&#8221;section&#8221;][et_pb_row admin_label=&#8221;row&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>Imagino aqui comigo que todo cin\u00e9filo gostaria de ter tido a chance de presenciar de perto os bastidores daquela obra-prima que tanto adora. J\u00e1 pensou estar no set de filmagem de <strong>\u201cO Poderoso Chef\u00e3o\u201d<\/strong> com Coppola e Marlon Brando? Ou junto de Steven Spielberg na cria\u00e7\u00e3o de <strong>&#8220;Jurassic Park&#8221;<\/strong>? Pois \u00e9, n\u00e3o foi dessa vez que um desses cl\u00e1ssicos incr\u00edveis recebeu tal homenagem. Em contrapartida, um outro filme que acabou se tornando bem popular \u2013 por motivos completamente diferentes \u2013 conseguiu esse feito e chega aos nossos cinemas essa semana.<\/p>\n<p>Considerado o \u201cpior filme de todos os tempos\u201d, <strong>\u201cThe Room\u201d (2003)<\/strong> \u2013 a hist\u00f3ria de um banqueiro cujo amor da sua vida o traiu com seu melhor amigo &#8211; ganhou aos poucos uma legi\u00e3o de f\u00e3s e v\u00e1rias exibi\u00e7\u00f5es em cinemas pelas madrugadas nos EUA, alcan\u00e7ando o chamado status <em>\u201ccult\u201d<\/em> anos depois do seu lan\u00e7amento. N\u00e3o d\u00e1 para descrever com palavras o que \u00e9 \u201cThe Room\u201d (apenas vejam com os pr\u00f3prios olhos), e um dos f\u00e3s mais famosos do longa &#8211; o ator e cineasta <strong>James Franco<\/strong> &#8211; decidiu explorar o mist\u00e9rio por tr\u00e1s \u201cda obra-prima dos filmes ruins\u201d.<\/p>\n<p>Em <strong>\u201cO Artista do Desastre\u201d<\/strong>, Franco conta como o misterioso <strong>Tommy Wiseau<\/strong> e seu amigo <strong>Greg<\/strong> se mudaram de San Francisco para Los Angeles buscando realizar seu maior sonho: participarem de um filme em Hollywood. Antes de mais nada, \u00e9 importante deixar claro que\u00a0<strong>\u201cThe Room\u201d<\/strong>\u00a0realmente \u00e9 um filme ruim, que n\u00e3o consegue construir um universo plaus\u00edvel e nem contar uma hist\u00f3ria coerente, mas isso n\u00e3o quer dizer que as pessoas n\u00e3o possam gostar dele &#8211; tentarei explicar um pouco melhor como isso funciona em um par\u00e1grafo mais abaixo. Wiseau se considerava um vision\u00e1rio, n\u00e3o respeitando as regras convencionais da ind\u00fastria (produ\u00e7\u00e3o, filmagem, o pr\u00f3prio tratamento com a equipe que trabalhou no filme, etc). Usando como guia a ess\u00eancia mais b\u00e1sica do cinema &#8211; pegar uma c\u00e2mera e filmar da forma que der na telha &#8211; ele pode n\u00e3o ter feito a obra-prima que pretendia, mas \u00e9 ineg\u00e1vel que seu filme tem um charme bastante peculiar.<\/p>\n<p>Nesse sentido, <strong>\u201cO Artista do Desastre\u201d<\/strong> \u00e9 muito diferente. Nota-se que o filme de James Franco \u00e9 bem mais \u201cconvencional\u201d \u2013 uma assumida com\u00e9dia que n\u00e3o tenta emular a estrutura ca\u00f3tica do filme original e ainda adiciona novos conflitos que n\u00e3o faziam parte do livro cujo filme foi adaptado, para refor\u00e7ar a dramaticidade da trama. Ou seja, enquanto um \u00e9 cinema puramente espont\u00e2neo e sensitivo (e sem no\u00e7\u00e3o, alguns diriam), o outro \u00e9 meticulosamente pensado, com cada pe\u00e7a no devido lugar &#8211; uma forma de &#8220;ser&#8221; totalmente oposta ao que o projeto homenageado defendia -, se arriscando muito pouco (ou quase nada).<\/p>\n<p>No entanto, gra\u00e7as ao foco na amizade entre Tommy e Greg funcionar e a \u00f3tima entrega do elenco, essa abordagem d\u00e1 muito certo e consegue tornar o longa ao mesmo tempo uma homenagem cativante e merecida ao enigm\u00e1tico Wiseau, mas tamb\u00e9m um filme competente, forte concorrente a pr\u00eamios \u2013 contou com boa participa\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios festivais, foi vencedor de um Globo de Ouro e indicado a um Oscar. Al\u00e9m da \u00f3bvia fun\u00e7\u00e3o de documentar os bastidores de &#8220;The Room&#8221;, o longa tamb\u00e9m\u00a0 serve como um pequeno retrato de como funciona a pr\u00f3pria ind\u00fastria Hollywoodiana, onde todos os dias centenas de novos atores e cineastas surgem empolgados com seus sonhos e projetos.<\/p>\n<p><strong>Quem \u00e9 o misterioso Tommy Wiseau?<\/strong><\/p>\n<p>Em San Francisco, Tommy (Franco) e Greg (seu irm\u00e3o, <strong>Dave Franco<\/strong>) acabam se conhecendo em uma noite ap\u00f3s uma aula de atua\u00e7\u00e3o. Os dois eram bem opostos: Greg, apesar de bonito, era t\u00edmido e introspectivo \u2013 personalidade n\u00e3o muito indicada para um aspirante a ator. J\u00e1 Tommy, era feio, mas completamente espont\u00e2neo, sem medo de expressar seus sentimentos \u2013 o que n\u00e3o quer dizer que saiba o que est\u00e1 fazendo. Apesar da diferen\u00e7a de idade, ambos se juntam e estabelecem uma estranha amizade quase imediatamente, onde um realmente parece que completa o outro. Entretanto, a excentricidade de Tommy e a car\u00eancia pela aten\u00e7\u00e3o de Greg causariam v\u00e1rios problemas aos dois futuramente.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabe ao certo quem \u00e9 Wiseau. Seu nome verdadeiro, idade, de onde veio \u2013 pois tem um sotaque quase indecifr\u00e1vel &#8211; e a origem de toda a sua riqueza (era um milion\u00e1rio que n\u00e3o se preocupava em gastar dinheiro). Inclusive, um dos grandes m\u00e9ritos do filme \u00e9 n\u00e3o tentar explicar seu passado, pois o que o torna especial \u00e9 justamente esse mist\u00e9rio. O fato de n\u00e3o gostar de ningu\u00e9m falando sobre sua vida e a pr\u00f3pria maneira sobrecarregada que se veste, com v\u00e1rias camadas de roupas e \u00f3culos escuros (parecendo camuflar quem ele realmente \u00e9), refor\u00e7am essa \u201caura\u201d enigm\u00e1tica.<\/p>\n<p>Eu adoro a abertura do filme. Em uma das melhores apresenta\u00e7\u00f5es de personagem principal que vi entre este e o ano passado, Tommy \u00e9 filmado de costas e lentamente caminha para o palco, at\u00e9 seu rosto ser revelado para a plateia (e n\u00f3s, espectadores) &#8211; o mist\u00e9rio sobre ele ir\u00e1 pontuar todo o filme e sua hist\u00f3ria. Um homem cujas emo\u00e7\u00f5es falam mais alto que tudo. Extravagante, temperamental e quase \u201cniilista\u201d, que acredita que coisas estranhas acontecem simplesmente porque \u201cassim \u00e9 a vida\u201d.<\/p>\n<p>Sua inabilidade em fazer filmes corresponde a pr\u00f3pria incapacidade de jogar futebol &#8211; um grande s\u00edmbolo americano, que ele insiste em colocar no seu filme. Ele sabe o que representa, mas provavelmente nunca assistiu a uma partida, da mesma forma quando perguntado por Greg qual o filme que o havia inspirado a ser ator, n\u00e3o sabia responder \u2013 sequer tinha ouvido falar no popular \u201cEsqueceram de Mim\u201d, filme que despertou a voca\u00e7\u00e3o no melhor amigo. Tanto ele quanto Greg representam que talento n\u00e3o \u00e9 tudo, a coisa mais importante na vida \u00e9 coragem \u2013 parafraseando Woody Allen -, a busca por alcan\u00e7ar seus objetivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image admin_label=&#8221;Imagem&#8221; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Artista-do-Desastre-02.jpg&#8221; show_in_lightbox=&#8221;off&#8221; url_new_window=&#8221;off&#8221; use_overlay=&#8221;off&#8221; animation=&#8221;off&#8221; sticky=&#8221;off&#8221; align=&#8221;left&#8221; force_fullwidth=&#8221;off&#8221; always_center_on_mobile=&#8221;on&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;] [\/et_pb_image][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Paracinema: Afinal, o que as pessoas veem em The Room?<\/strong><\/p>\n<p>Fa\u00e7amos uma pequena pausa para tentar entender o que as pessoas tanto gostam em <strong>\u201cThe Room\u201d<\/strong>. \u00c9 bem dif\u00edcil explicar por que um filme sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a como esse \u00e9 t\u00e3o \u201cassist\u00edvel\u201d. Mas certamente voc\u00eas v\u00e3o se lembrar de algum filme ruim, mas t\u00e3o ruim, que mesmo assim voc\u00ea acabou gostando. H\u00e1 um termo usado para se referir a filmes que fogem dos aspectos \u201cconvencionais\u201d da ind\u00fastria: o <strong>paracinema<\/strong>. Acredita-se que filmes que se encaixam nessa categoria surgiram devido a restri\u00e7\u00f5es que os cineastas encontravam para realizar seus projetos (como falta de or\u00e7amento, por exemplo), ou a pr\u00f3pria busca intencional por um novo tipo de experi\u00eancia cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Segundo o pr\u00f3prio autor do livro que originou <strong>\u201cO Artista do Desastre\u201d<\/strong>, \u201cThe Room\u201d se encaixaria no que chamamos de filme <em>trash<\/em>, gra\u00e7as ao or\u00e7amento reduzido (neste caso, mau utilizado, eu diria), produ\u00e7\u00e3o completamente amadora e, como mencionei, a fuga dos padr\u00f5es <em>blockbusters<\/em> convencionais (sem efeitos especiais de ponta e grandes loca\u00e7\u00f5es). Al\u00e9m, \u00e9 claro, da sua natureza transgressora, onde as atitudes dos personagens e os di\u00e1logos n\u00e3o parecem ter sentido algum, mas segundo Wiseau, carregam altas doses de simbolismo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, al\u00e9m de ser um filme <em>trash<\/em>, a natureza artificial e exagerada de <strong>\u201cThe Room\u201d<\/strong> o encaixa em outro estilo cinematogr\u00e1fico: o <strong>Cinema Camp<\/strong>. Os espectadores que conseguem se identificar e gostar desse tipo de filme s\u00e3o atra\u00eddos pelo ponto de vista ir\u00f4nico dessas obras, ou seja, s\u00e3o literalmente seduzidos por conta do \u201cmau gosto\u201d. O objetivo do <strong><em>cinema<\/em><\/strong> <em><strong>camp<\/strong><\/em> \u00e9 justamente subverter atributos como beleza e bom gosto, com o prop\u00f3sito de desafiar os padr\u00f5es est\u00e9ticos e narrativos, neste caso, do cinema (embora o termo se aplique em v\u00e1rias outras artes). Alguns dos maiores expoentes do estilo (que eu enxergo) s\u00e3o <strong>John Waters<\/strong>, (de <strong>\u201cPink Flamingos\u201d<\/strong>), <strong>Harmony Korine<\/strong> (de <strong>&#8220;Gummo&#8221;<\/strong>) e o \u00edcone do cinema &#8220;B&#8221;, <strong>Ed Wood<\/strong> &#8211; o qual <strong>Tim Burton<\/strong> fez um filme muito bom sobre em 1994.<\/p>\n<p><strong>A triste realidade superando a doce ilus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 CNN, Wiseau declarou que ap\u00f3s ter sido rejeitado por um produtor em Hollywood, originalmente havia escrito uma pe\u00e7a de teatro, mas devido a problemas de log\u00edstica, adaptou o roteiro de <strong>\u201cThe Room\u201d<\/strong> para o cinema. Ele era f\u00e3 de escritores americanos consagrados como <strong>Tennessee Williams<\/strong> e <strong>Arthur Miller<\/strong>, ambos vencedores do <em><strong>Pulitzer<\/strong><\/em>, e queria que seu filme fosse uma hist\u00f3ria sobre um verdadeiro \u201cher\u00f3i americano\u201d, algu\u00e9m querido por todos e que vivia em um mundo onde o amor prevaleceria sobre tudo. Na minha opini\u00e3o, Wiseau queria se sentir amado, algo que na vida real talvez nunca houvesse experimentado.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, havia sido rejeitado a vida toda e possivelmente (por n\u00e3o saber lidar com pessoas) era algu\u00e9m solit\u00e1rio e vazio por dentro. Sua excentricidade e excessos (de bens materiais e figurinos) poderiam estar compensando o medo de se abrir e sofrer uma decep\u00e7\u00e3o \u2013 tinha um ci\u00fame desproporcional por Greg, a \u00fanica pessoa que se aproximou dele e o medo da trai\u00e7\u00e3o acabou se tornando o tema central do seu filme. Por que algu\u00e9m o magoaria depois de ter sido t\u00e3o bom para todos?<\/p>\n<p>E infelizmente, Wiseau foi parar em Hollywood, o lugar que mais julga as pessoas pela apar\u00eancia e status, como ele e Greg logo descobririam. Odiava ser comparado a vil\u00f5es, como Dr\u00e1cula ou Frankenstein \u2013 recomenda\u00e7\u00f5es do professor de atua\u00e7\u00e3o, que o enxergava como um \u2018monstro\u2019 devido a sua apar\u00eancia e sotaque esquisito. Wiseau queria simplesmente ser um her\u00f3i, com uma amizade verdadeira e uma \u201cfutura esposa\u201d que retribu\u00edsse seu amor acima de tudo. Nas suas palavras, queria seu \u201cpr\u00f3prio planeta\u201d, ou seja, uma fuga da realidade.<\/p>\n<p>Curiosamente, duas obras muito famosas dos dois grandes escritores citados anteriormente s\u00e3o recorrentes no filme: <strong>\u201cUm Bonde Chamado Desejo\u201d<\/strong>, de Tennessee Williams e <strong>\u201cA Morte do Caixeiro Viajante\u201d<\/strong>, de Arthur Miller \u2013 esta \u00faltima, que Greg passou a atuar no teatro ap\u00f3s o t\u00e9rmino das grava\u00e7\u00f5es de \u201cThe Room\u201d. E o que essas duas obras t\u00eam em comum com o filme de Wiseau (se \u00e9 que me permitem uma breve analogia sem for\u00e7ar a amizade)? A incapacidade da ilus\u00e3o superar a realidade.<\/p>\n<p>Em \u201cUm Bonde Chamado Desejo\u201d, a protagonista <strong>Blanche<\/strong> mente para si mesma e para os outros porque se recusa a aceitar a vida dif\u00edcil que levava \u2013 havia acabado de ter sido despejada e foi morar com a irm\u00e3 e o cunhado. Essas mentiras permitiam que ela vivesse sua vida <strong>\u201ccomo deveria ser\u201d<\/strong> e n\u00e3o <strong>\u201ccomo realmente era\u201d<\/strong>. O cunhado <strong>Stanley<\/strong>, um homem duro e fisicamente agressivo, desprezava tais mentiras e fazia de tudo para desvend\u00e1-las. O antagonismo entre os dois durante toda a hist\u00f3ria representava a luta entre a apar\u00eancia e a realidade. E a realidade vence, pois as tentativas de Blanche em refazer sua vida com um novo amor e salvar a irm\u00e3\u00a0<strong>Stella<\/strong> de viver com o abusador Stanley falham, culminando em um tr\u00e1gico final.<\/p>\n<p>J\u00e1 em \u201cA Morte do Caixeiro Viajante\u201d, o protagonista <strong>Willy<\/strong> sonhava a vida inteira em ser um vendedor de sucesso, algu\u00e9m com riquezas e liberdade. Para ele, a sociedade havia ensinado que se as pessoas s\u00e3o ricas e com bens, consequentemente ser\u00e3o felizes. Assim, ele achava que s\u00f3 o dinheiro o traria alegria e nunca se preocupou em <strong>encontrar a felicidade naquilo que j\u00e1 possu\u00eda<\/strong>. E quanto mais se entregava \u00e0 essa ilus\u00e3o, invejando conhecidos bem-sucedidos, menos encarava a dura realidade que a fam\u00edlia enfrentava.<\/p>\n<p>Certo dia, seu filho <strong>Biff<\/strong> descobre as mentiras que o pai contava e o confronta, resultando em uma grande discuss\u00e3o. Ap\u00f3s ter seus sonhos frustrados por v\u00e1rias vezes, o final de Willy tamb\u00e9m \u00e9 duro e cruel. E assim como os dois protagonistas citados, <strong>Johnny<\/strong>, o cidad\u00e3o modelo de <strong>\u201cThe Room\u201d<\/strong> &#8211; considerado por toda cidade o melhor funcion\u00e1rio, melhor cliente, melhor namorado, melhor amigo e etc &#8211; tamb\u00e9m descobre que vive uma ilus\u00e3o, e quando finalmente precisa confrontar a realidade, acaba sofrendo o pior final poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cO Artista do Desastre\u201d<\/strong> \u00e9 inspirador, mas ao mesmo tempo uma hist\u00f3ria triste, deixando uma sensa\u00e7\u00e3o bastante agridoce quando feita uma reflex\u00e3o mais profunda sobre tudo. Como saber se as pessoas est\u00e3o rindo com voc\u00ea ou de voc\u00ea? Esse talvez seja o grande dilema da vida do misterioso <strong>Tommy Wiseau<\/strong> e provavelmente jamais saberemos o que se passa naquela cabe\u00e7a que mais parece ter vindo de outro planeta.<\/p>\n<p>Para algu\u00e9m que odiava com\u00e9dias, involuntariamente ele pode ter feito a mais espont\u00e2nea de todas. S\u00f3 as v\u00e1rias participa\u00e7\u00f5es hil\u00e1rias, onde al\u00e9m dos irm\u00e3os Franco, <strong>Seth Rogen, Ari Graynor, Jacki Weaver, Zac Efron e Josh Hutcherson<\/strong> revivem momentos inesquec\u00edveis do filme original \u2013 como a cena do telhado ou o famoso <strong>\u201cYou are tearing me apart, Lisa!\u201d<\/strong> &#8211; e as confus\u00f5es entre a produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 valem o ingresso. E Franco merece todos os aplausos por uma dire\u00e7\u00e3o segura e interpreta\u00e7\u00e3o f\u00edsica e psicol\u00f3gica impec\u00e1vel, com todos os maneirismos e nuances do homenageado.<\/p>\n<p>Se <strong>\u201cThe Room\u201d<\/strong> consegue nos fazer questionar a barreira entre filmes bons e ruins \u2013 ou pelo menos ter prazer em reassisti-lo mesmo sabendo da baixa qualidade da obra -, <strong>\u201cO Artista do Desastre\u201d<\/strong> documenta de maneira divertida e eficiente uma das hist\u00f3rias mais inusitadas da s\u00e9tima arte. Entre as perguntas que ficam, como Wiseau conseguiu fazer um filme t\u00e3o ruim, teria sido proposital ou involuntariamente? E por que o filme continua arrastando plateias todas as semanas para os cinemas, mesmo 15 anos ap\u00f3s seu lan\u00e7amento? Isso talvez nunca saberemos, mas confesso que foi muito divertido acompanhar essa jornada bem de pertinho. Um dos grandes filmes do ano.<\/p>\n<p>Bibliografia:<\/p>\n<p>https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Paracinema<\/p>\n<p>https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Camp<\/p>\n<p>https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Death_of_a_Salesman#Themes<\/p>\n<p>http:\/\/www.sparknotes.com\/lit\/streetcar\/themes\/<\/p>\n<p>Entrevista CNN:<\/p>\n<p><iframe title=\"CNN Interview: &#039;The Room&#039; - Tommy Wiseau and Greg Sestero pt1\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kEfJ4jEH69A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>E voc\u00ea, j\u00e1 assistiu ou est\u00e1 ansioso para ver? Concorda ou discorda da an\u00e1lise? Deixe seu coment\u00e1rio ou cr\u00edtica (educadamente) e at\u00e9 a pr\u00f3xima! <\/strong><\/p>\n<p><strong>Para mais coment\u00e1rios sobre filmes, sigam-me nas redes sociais:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilo_calazans\/\"><strong>https:\/\/www.instagram.com\/danilo_calazans\/<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/calazansdanilo\"><strong>https:\/\/www.facebook.com\/calazansdanilo<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/twitter.com\/danilo2calazans\"><strong>https:\/\/twitter.com\/danilo2calazans<\/strong><\/a><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filme que conta os bastidores de um dos piores filmes j\u00e1 feitos estreia essa semana. 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