{"id":72606,"date":"2018-05-12T03:48:54","date_gmt":"2018-05-12T06:48:54","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=72606"},"modified":"2018-05-12T03:51:20","modified_gmt":"2018-05-12T06:51:20","slug":"a-sensibilidade-e-delicadeza-de-esplendor-convidam-o-espectador-para-uma-linda-jornada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/a-sensibilidade-e-delicadeza-de-esplendor-convidam-o-espectador-para-uma-linda-jornada\/","title":{"rendered":"A sensibilidade e delicadeza de \u2018Esplendor\u2019 convidam o espectador para uma linda jornada"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section admin_label=&#8221;section&#8221;][et_pb_row admin_label=&#8221;row&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>Ao procurar o significado de \u201cesplendor\u201d no dicion\u00e1rio, \u00e9 poss\u00edvel encontrar \u201cgrande brilho\u201d, \u201cmagnific\u00eancia\u201d e \u201cgrandeza\u201d. O nome do filme \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o da palavra japonesa \u201chikari\u201d, tendo \u201cbrilhante\u201d como seu principal significado. Palavras e defini\u00e7\u00f5es nunca fizeram t\u00e3o jus a uma obra cinematogr\u00e1fica. Repetir palavras como \u201cgrandioso\u201d e \u201cbrilhante\u201d nesse texto ser\u00e1 banal para uma produ\u00e7\u00e3o t\u00e3o delicada, sens\u00edvel e encantadora como \u2018Esplendor\u2019.<br \/>\nGraduada em fotografia, a diretora japonesa <strong>Naomi<\/strong> <strong>Kawase<\/strong> surpreendeu o mundo do cinema em 1997 ao se tornar a mais jovem vencedora de melhor diretora do Cam\u00e9ra d\u2019Or, no Festival de Cannes, por \u2018Suzaku\u2019. Dentro de sua filmografia, est\u00e1 sempre fortemente preocupada com a distor\u00e7\u00e3o entre o real e irreal, mas principalmente entre fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o, movimento importante no cinema japon\u00eas que abordava a fic\u00e7\u00e3o com olhar documentalista. Esse realismo documental explorado por Kawase \u00e9 um uso para se concentrar em personagens com um menor status cultural, al\u00e9m de explorar as representa\u00e7\u00f5es das mulheres dentro da ind\u00fastria do cinema. Dentro disso, a diretora invocou pr\u00e1ticas autobiogr\u00e1ficas em suas obras e reflete muito do pessoal, do \u00edntimo e dom\u00e9stico.<br \/>\nAqui, Kawase trouxe todas essas caracter\u00edsticas, principalmente na mistura entre a fic\u00e7\u00e3o e a n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o dentro da pr\u00f3pria hist\u00f3ria e em trazer um drama pessoal para representar a personagem de <strong>Ayame<\/strong> <strong>Misaki<\/strong> &#8211; a morte do pai incrementada para a personagem foi retirado do real sofrimento de Kawase. Ali\u00e1s, o trabalho \u00edntimo da diretora \u00e9 primoroso para o filme caminhar com a sensibilidade que a hist\u00f3ria clama. A dire\u00e7\u00e3o entrega planos mais fechados, justamente para fortalecer ainda mais a intimidade entre espectador e personagem, e de trabalhar metaforicamente a cegueira, n\u00e3o s\u00f3 total, mas aquela mais fechada para um mundo s\u00f3 nosso. Visualmente, \u2018Esplendor\u2019 \u00e9 magn\u00edfico em querer trabalhar a falta de vis\u00e3o. O texto conversa bem com todo o visual do filme, que traz constantemente uma fotografia mais clara e mais luminosa, brincando que a presen\u00e7a de muita luz provoca a cegueira, algo parecido com que <strong>Fernando<\/strong> <strong>Meirelles<\/strong> fez em \u2018Ensaio Sobre a Cegueira\u2019 (2008).<br \/>\nTornar-se Sele\u00e7\u00e3o Oficial de Cannes n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 um trabalho t\u00e3o f\u00e1cil. Afinal, o considerado um dos mais prestigiosos festivais de todos e um dos mais importantes do cinema, \u00e9 preciso algo a mais. Marcado por obras com um ritmo mais lento e cansativo, filmes de Cannes n\u00e3o s\u00f3 chamam aten\u00e7\u00e3o pela presen\u00e7a no Festival, como tamb\u00e9m acabam formando um p\u00fablico s\u00f3 dele.<\/p>\n<p><strong><\/strong><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image admin_label=&#8221;Imagem&#8221; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/01.jpg&#8221; show_in_lightbox=&#8221;off&#8221; url_new_window=&#8221;off&#8221; use_overlay=&#8221;off&#8221; animation=&#8221;off&#8221; sticky=&#8221;off&#8221; align=&#8221;center&#8221; force_fullwidth=&#8221;off&#8221; always_center_on_mobile=&#8221;on&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>[\/et_pb_image][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>\u2018Esplendor\u2019 \u00e9 um filme bem cara de Cannes, se \u00e9 que podemos classificar um filme assim. O ritmo mais cadenciado e devagar est\u00e1 presente no trabalho de Kawase. N\u00e3o que isso atrapalhe, pelo o contr\u00e1rio, o ritmo pr\u00f3prio \u00e9 necess\u00e1rio para a narrativa n\u00e3o se perder e trabalhar ainda mais os personagens.<br \/>\nO equil\u00edbrio entre os pap\u00e9is de Ayame e <strong>Masatoshi<\/strong> <strong>Nagase<\/strong> \u00e9 primordial para Kawase contar essa hist\u00f3ria. O trabalho de repetir certas situa\u00e7\u00f5es podem parecer gratuitas e desnecess\u00e1rias, mas todo detalhe narrativo serve para nos aproximarmos e nos encantarmos cada vez mais com esses personagens. A evolu\u00e7\u00e3o de Misako (personagem de Ayame) \u00e9 paralelamente bem trabalhada com a de Masaya (personagem de Nagase), e as duas narrativas conseguem ser muito bem paralelas com o filme no qual Misako \u201cdubla\u201d. A metalinguagem existe de forma funcional e mais indireta, usada como o fio condutor da hist\u00f3ria dos dois, que no final, ao subir dos cr\u00e9ditos, entrega uma delicadeza sem descri\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMuito dessa delicadeza existe na fotografia, mas nada seria sem a trilha de <strong>Ibrahim<\/strong> <strong>Maalouf<\/strong>. T\u00e3o delicada quanto as imagens, a trilha balanceia e se ofusca do texto, mas ainda \u00e9 t\u00e3o fundamental quanto as imagens. Por breves momentos, ela some, mas quando volta a ser protagonista, n\u00e3o decepciona e entrega toda a beleza que o momento pedia.<br \/>\nEm met\u00e1fora, Kawase trabalha principalmente sobre vis\u00f5es, certas vezes, literalmente. Ao utilizar um plot envolvendo pessoas cegas, a discuss\u00e3o sobre o \u201cenxergar\u201d existe desde o primeiro minuto, mas Kawase vai al\u00e9m e consegue destrinchar o que parece ser simples, para algo mais complexo, como interpreta\u00e7\u00f5es, vis\u00f5es de mundo, controle sobre o outro, imagina\u00e7\u00e3o. Do mesmo modo que o texto balanceia muito entre a fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, existe tamb\u00e9m um balan\u00e7o entre o real e irreal e de forma liter\u00e1ria. Pare por um minuto e se imagine cego. O mundo ao seu redor passa a ser algo da sua cabe\u00e7a, mas, \u00e9 a\u00ed que existem pessoas que chegam e come\u00e7am a dizer o que \u00e9 real. Toda a interpreta\u00e7\u00e3o e a imagina\u00e7\u00e3o se transformam, mas, at\u00e9 que ponto ela \u00e9 sua e n\u00e3o do outro? Quest\u00f5es como essa s\u00e3o indiferentes para a central trama de amor, mas se esse tipo de discuss\u00e3o existe, mesmo que bem indireta, \u00e9 um sinal de riqueza no roteiro que deve ganhar uma aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAquilo que aparenta ser um erro, torna-se grandioso ao parar para refletir sobre. Estou falando de pontos espec\u00edficos em que o longa aparenta correr em meio a uma narrativa mais lenta, mas dentro da proposta da personagem, funciona e faz todo o sentido. \u2018Esplendor\u2019 \u00e9 de um brilhantismo encantador que joga uma luz forte naquilo que normalmente \u00e9 coberto de uma escurid\u00e3o sem volta.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dire\u00e7\u00e3o de Naomi Kawase conquista o p\u00fablico em novo filme, selecionado no Festival de Cannes 2017.<\/p>","protected":false},"author":33,"featured_media":72609,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415,2423],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72606"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72606"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72606\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72615,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72606\/revisions\/72615"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72609"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}