{"id":72663,"date":"2018-06-04T12:00:02","date_gmt":"2018-06-04T15:00:02","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=72663"},"modified":"2018-06-04T12:02:26","modified_gmt":"2018-06-04T15:02:26","slug":"cinepe-cassia-kis-recebe-homenagem-no-festival","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/cinepe-cassia-kis-recebe-homenagem-no-festival\/","title":{"rendered":"CinePE | C\u00e1ssia Kis recebe homenagem no festival"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section admin_label=&#8221;section&#8221;][et_pb_row admin_label=&#8221;row&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>O segundo dia de CinePE teve a presen\u00e7a ilustre de <strong>C\u00e1ssia Kis<\/strong>, mais um homenageada dentro do festival que acontece no Recife. A veterana atriz recebeu um pr\u00eamio pelo conjunto de sua obra e participa\u00e7\u00e3o no audiovisual brasileiro pelas m\u00e3os de <strong>Gabriel Leone<\/strong>, que contracenou com C\u00e1ssia Kis em &#8220;Os Dias Eram Assim&#8221;, super-s\u00e9rie da TV Globo. Num momento emocionante, a atriz desceu do palco para abra\u00e7ar Leone e ressaltou as import\u00e2ncias do encontro, uma busca pela verdade onde o trabalho de atua\u00e7\u00e3o se d\u00e1 pela vibra\u00e7\u00e3o dessa troca com outras pessoas.<\/p>\n<p>Com certeza, as falas de C\u00e1ssia Kis foram os momentos mais marcantes desta segunda noite, di\u00e1logos que se prolongaram na coletiva feita pela atriz na manh\u00e3 de s\u00e1bado em Recife. C\u00e1ssia Kis diz estar num momento muito marcante de sua vida, aos sessenta ela encara esse per\u00edodo de sua trajet\u00f3ria como uma segunda chance, menos preocupada com os n\u00fameros da carreira, a atriz diz estar atenta ao presente, a aproveitar ao m\u00e1ximo suas viv\u00eancias. Numa homenagem que se tornou uma grande oportunidade para o p\u00fablico do festival, C\u00e1ssia Kis deu uma aula de como transformar suas pr\u00f3prias viv\u00eancias em um material para sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o. Com certeza ser\u00e1 levada por todos que puderam ouvir estas palavras.<\/p>\n<p><strong>Regionalismos Apaziguados<\/strong><\/p>\n<p>Como de praxe a noite seguiu com as mostras de curtas e de longas, na noite de sexta dois longas-metragens foram apresentados ao p\u00fablico, &#8220;Os Pr\u00edncipes e &#8220;Christabel&#8221;, al\u00e9m da sele\u00e7\u00e3o pernambucana e nacional de curtas-metragens.<\/p>\n<p>Algo que j\u00e1 fica bem claro nessa edi\u00e7\u00e3o do CinePE \u00e9 uma busca por dar voz e visibilidade para produ\u00e7\u00f5es das mais variadas regi\u00f5es do Brasil. Num pa\u00eds com dimens\u00f5es continentais, muitas vezes a produ\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o fica focado no eixo sul-sudeste com \u00f3bvias facilidades de produ\u00e7\u00e3o, dessa forma todo meio de equiparar essa diferen\u00e7a econ\u00f4mica \u00e9 v\u00e1lida, de forma que a presen\u00e7a dessa filmografias estimulem uma maior produ\u00e7\u00e3o desses outros polos. Mesmo que para isso alguns bons projetos tenham que ficar de fora, sabendo que esses filmes pela sua qualidade encontrar\u00e3o espa\u00e7o em outros festivais.<\/p>\n<p>Na sele\u00e7\u00e3o nacional de curtas foram apresentados tr\u00eas filmes, todos eles longe de um eixo hegem\u00f4nico, foram vistos filmes do Mato Grosso, Rond\u00f4nia e Pernambuco. Se a quest\u00e3o da visibilidade regional \u00e9 totalmente importante \u00e9 curioso ver como esses filmes trabalham isso em sua narrativa e constru\u00e7\u00e3o. Se em &#8220;Teodora quer Dan\u00e7ar&#8221; (Mato Grosso), &#8220;Balanceia&#8221; (Rond\u00f4nia) e &#8220;Banco Brecht&#8221; (PE), as ruas da cidade e tra\u00e7os desses lugares s\u00e3o mostrados, a forma optada por seus diretores mostra um cinema que decide muito menos entender o audiovisual a partir de sua cultura local, apenas incorporam seus locais em formas e formatos bem armados em outras filmografias, muitas vezes apoiado em cacoetes do audiovisual estrangeiro, o que acaba retirando a for\u00e7a regional dessas obras.<\/p>\n<p>Se &#8220;Teodora Quer Dan\u00e7ar&#8221;, de <strong>Samantha Col Debella<\/strong>, parte de uma lenda urbana, uma jovem misteriosa que seduz os homens levando-os para um caminho sem volta, o curta acaba constantemente reproduzindo clich\u00eas audiovisuais, a condu\u00e7\u00e3o do filme muitas vez parece ter sa\u00eddo de uma s\u00e9rie televisiva. As falas r\u00edgidas, o roteiro que beira alguma artificialidade buscando apenas esclarecer sua narrativa foge de uma possibilidade de imers\u00e3o do espectador. O tom quase novelesco ainda \u00e9 amarrado por m\u00fasicas que coincidentemente n\u00e3o v\u00eam da regi\u00e3o retratada, a principal \u201cLight My Fire\u201d do Doors, nem brasileira \u00e9, as amarras do filme prov\u00e9m de materiais culturais externos. No fim a trama da garota cuiabana que seduz o advogado carioca, demonstra-se apenas um enlatado que se prop\u00f5e a buscar uma c\u00f3pia do que se encontra facilmente na televis\u00e3o, com alguma dificuldade na encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Algo parecido acontece com &#8220;Banco Brecht&#8221;, se a c\u00e2mera de <strong>Tiago Aguiar<\/strong> e <strong>Marcio Souza<\/strong> s\u00e3o um pouco mais inventiva e algumas piadas funcionam na narrativa do filme (como o atendente do banco que literalmente assalta seus clientes), o curta de assalto no nordeste passa a buscar uma c\u00f3pia daquilo que j\u00e1 virou refer\u00eancia f\u00e1cil. As homenagens colocadas de forma escancarada v\u00e3o de uma reprodu\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo inicial de &#8220;C\u00e3es de Aluguel&#8221;, substituindo Madona por Ang\u00e9lica, e a famosa cena de &#8220;T\u00e1xi Driver&#8221;, onde De Niro se amea\u00e7a no espelho, todas estas sem uma amarra\u00e7\u00e3o que justificam tais refer\u00eancias. Assim, &#8220;Banco Brecht&#8221; acaba tornando-se menos uma forma imaginativa de pensar um filme de assalto num sistema banc\u00e1rio brasileiro, do que apenas uma repeti\u00e7\u00e3o de c\u00f3digos j\u00e1 vistos por cineastas renomados.<\/p>\n<p>Se a produ\u00e7\u00e3o pernambucana tem grande repercuss\u00e3o no cen\u00e1rio audiovisual, principalmente em termos autorais, Rond\u00f4nia ainda \u00e9 um local que passa num consider\u00e1vel n\u00edvel de invisibilidade no quesito cinematogr\u00e1fico. &#8220;Balanceia&#8221;, dirigido por <strong>Juraci Junior<\/strong> e <strong>Thiago Oliveira<\/strong>, talvez seja o curta que tivesse em seu conceito a maior possibilidade de se contaminar com a cultura local. O curta de sete minutos retrata um homem revisitando uma viagem ao Festival de Parintins, mas em seu fluxo de imagens nost\u00e1lgicas sobre a Amaz\u00f4nia e sua festa, o que se v\u00ea \u00e9 uma colagem de lugares tur\u00edsticos, de pontos que j\u00e1 habitam o imagin\u00e1rio brasileiro sobre aquela regi\u00e3o. O curta torna-se, ent\u00e3o, uma colagem de uma beleza programada daquele local, trazendo em sua est\u00e9tica uma luz e uma forma publicit\u00e1ria que no final apenas espera-se o comunicado de alguma secretaria do turismo vendendo passagens para aquele local, agregando pouco a uma ideia de cultura local.<\/p>\n<p><strong>Cinema e Met\u00e1fora<\/strong><\/p>\n<p>Numa noite com dois longas bem diferente entre si, em quest\u00e3o de ritmo, din\u00e2mica e temas, &#8220;Christabel&#8221; (<strong>Alex Levy-Heller<\/strong>) e &#8220;Os Pr\u00edncipes&#8221; (<strong>Luiz Rosemberg Filho<\/strong>) conectam-se pela forma metaf\u00f3rica como amarram suas narrativas, trazendo s\u00edmbolos para mais do que ilustrar, constru\u00edrem seus significados, em suas particularidades ambos s\u00e3o filmes que surgem e cont\u00e9m suas for\u00e7as atrav\u00e9s da busca por signos que traduzem suas ideias e tem\u00e1ticas.<\/p>\n<p>&#8220;Christabel&#8221;, por exemplo, num mundo bem particular tenta abordar de forma quase fantasiosa a rela\u00e7\u00e3o da liberdade de desejo feminino. Uma jovem, que vive num casebre que parece perdido no tempo, encontra uma mulher na mata, levando-a para casa, essa invasora come\u00e7a a modificar todos os modos da casa. O diretor e roteirista Alex Levy-Heller vai tentando tecer a rela\u00e7\u00e3o entre essas duas mulheres atrav\u00e9s de imagens que traduzem os sentimentos da personagem. Dono de um ritmo cadenciado, os tempos vazios d\u00e3o a t\u00f4nica daquela rela\u00e7\u00e3o, imagens simb\u00f3licas surgem na tela e ocupam longos minutos. O espectador mais do que ser apresentado a signos \u00e9 colocado de frentes a eles, como se o cineasta expusesse seus pr\u00f3prios significados em cena, deixando claro aquilo quer ser dito. &#8220;Christabel&#8221; utiliza-se quase de falsas met\u00e1foras, onde suas imagens parecem conter certa bula.<\/p>\n<p>\u00c9 significativo como isso fica claro num filme que parece desejar conter um alto grau de erudi\u00e7\u00e3o. Explicar as met\u00e1foras visuais \u00e9 desejar que o espectador sinta logo de cara como aquilo que se v\u00ea \u00e9 inteligente. Essa busca por certo cultismo faz com que os planos longos e os quadros abertos pare\u00e7am apenas um capricho e n\u00e3o algo que comp\u00f5em fluidamente as escolhas da mise-en-sc\u00e8ne. Tudo isso aliado a uma trama que tenta construir uma grande mitologia, s\u00e3o diversos momentos que o filme tira o foco das duas mulheres para fazer excurs\u00f5es num mundo quase fant\u00e1stico, &#8220;Christabel&#8221; acaba sofrendo por ser um filme que todas as escolhas e a essencial narrativa n\u00e3o soam naturais, mas sim uma for\u00e7a\u00e7\u00e3o de estilos muito bem aceitos no meio de um certo tipo de cinema autoral, algo que diminui e muito uma premissa t\u00e3o universal quanto a de &#8220;Christabel&#8221;.<\/p>\n<p>Por outro lado, o novo filme de Luiz Rosemberg Filho, que ao lado de <strong>Rog\u00e9rio Sganzerla<\/strong> e <strong>J\u00falio Bressane<\/strong> \u00e9 um dos grandes nomes do cinema de inven\u00e7\u00e3o brasileiro, traz uma esp\u00e9cie de explos\u00e3o com aquilo que se espera de um filme de autor, onde a erudi\u00e7\u00e3o est\u00e1 aliada a uma contraven\u00e7\u00e3o extremamente transgressora. &#8220;Os Pr\u00edncipes&#8221; \u00e9 violento, escrachado, revoltado, ir\u00f4nico e por muitas vezes exagerado, a viol\u00eancia e o sexo s\u00e3o formas de comentar com raiva as esferas do poder que o cidad\u00e3o se submete.<\/p>\n<p>O longa acompanha dois homens que saem com duas garotas de programa numa noite de sexo, viol\u00eancia e uma constante perturba\u00e7\u00e3o dos c\u00f3digos sociais. Esses dois homens, interpretados pro <strong>Igor Cotrim<\/strong> e <strong>Alexandre Dacosta<\/strong>, representam as mais variadas esferas do poder, homens que est\u00e3o acima da lei, da moral e da pol\u00edtica, uma esp\u00e9cie de donos do pa\u00eds, que podem perturbar a ordem, pois todas as formas sociais servem a esse tipo de ser. Figuras claramente aleg\u00f3ricas, as falas dos dois homens fazem refer\u00eancias ao presidente Temer, \u00e0 fam\u00edlia real brasileira, ao industrial e at\u00e9 mesmos aos esquadr\u00f5es da morte da ditadura militar, enquanto as duas prostituas que apenas servem aos caprichos dos homens s\u00e3o os oprimidos por essas classes acima de todos.<\/p>\n<p>Todo esse fluxo visceral de conte\u00fado embrulhado em puls\u00e3o de morte \u00e9 espirrado na tela, sem muito embrulho, sem muitas concess\u00f5es. O filme \u00e9 muito mais um desafio para o espectador do que realmente uma forma de passar uma mensagem clara e definitiva ao p\u00fablico. Se toda essa vontade, traduzida num estilo despojado e nada cl\u00e1ssico, &#8220;Os Pr\u00edncipes&#8221; parece se perder na pr\u00f3pria loucura, muitas vezes chegando a novos cen\u00e1rios metaf\u00f3ricos que apenas refor\u00e7am alguma ideia j\u00e1 passada. Loucura tamb\u00e9m \u00e9 algo a ser tomado com cautela.<\/p>\n<p>Talvez nessa perambula\u00e7\u00e3o a for\u00e7a metaf\u00f3rica de &#8220;Os Pr\u00edncipes&#8221; aos poucas se perca, mas \u00e9 ineg\u00e1vel o contraste e o choque que esse tipo de filme possa causar, al\u00e9m de buscar alternativas para falar daquilo que acontece no agora.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo dia do festival recebe produ\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios estados<\/p>","protected":false},"author":50,"featured_media":72664,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1,9067,9066],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72663"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72663"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72663\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72670,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72663\/revisions\/72670"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72664"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}