{"id":72707,"date":"2018-06-07T21:34:09","date_gmt":"2018-06-08T00:34:09","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=72707"},"modified":"2018-06-07T21:57:47","modified_gmt":"2018-06-08T00:57:47","slug":"meu-tio-e-o-joelho-de-porco-e-destaque-em-ultimo-dia-de-exibicoes-do-cinepe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/meu-tio-e-o-joelho-de-porco-e-destaque-em-ultimo-dia-de-exibicoes-do-cinepe\/","title":{"rendered":"&#8220;Meu Tio e o Joelho de Porco&#8221; \u00e9 destaque em \u00faltimo dia de exibi\u00e7\u00f5es do CinePE"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section admin_label=&#8221;section&#8221;][et_pb_row admin_label=&#8221;row&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>O Cine PE vai chegando ao seu final, em uma noite mais tranquila, com apenas cinco filmes exibidos, entre curtas e o \u00faltimo longa-metragem da competi\u00e7\u00e3o, \u201cMeu Tio e o Joelho de Porco\u201d, dirigido por <strong>Rafael Terpins<\/strong>. O festival mostrou ao que veio numa sele\u00e7\u00e3o que refletiu uma busca por tem\u00e1ticas sociais emergenciais, uma pluralidade regional e tamb\u00e9m um di\u00e1logo entre os mais variados tipos de cinema, daqueles que desejam uma aproxima\u00e7\u00e3o com o cinema cl\u00e1ssico e tamb\u00e9m dos mais autorais, panorama visto nas mostras de curtas.<\/p>\n<p>Assim como uma competi\u00e7\u00e3o bem nivelada entre os longas, algo que satisfez a plateia do cinema S\u00e3o Luiz, sempre bastante interativa. Faltando apenas a noite de premia\u00e7\u00e3o para o encerramento do Cine PE, a \u00faltima noite de filmes fechou bem o festival.<\/p>\n<p><strong>Maturidades<\/strong><\/p>\n<p>Um curta-metragem que realmente chamou aten\u00e7\u00e3o nessa \u00faltima exibi\u00e7\u00e3o de filmes foi a fic\u00e7\u00e3o paulista \u201cSweet Heart\u201d, de <strong>Amina Jorge<\/strong>, um filme que conta a hist\u00f3ria de uma jovem imigrante chinesa descobrindo-se no meio das ruas da Liberdade, bairro oriental da cidade S\u00e3o Paulo. Num di\u00e1logo sutil entre uma garota que afirma e reafirmar suas convic\u00e7\u00f5es na cidade, enquanto ainda reflete resqu\u00edcios de uma tradi\u00e7\u00e3o familiar. A maturidade \u00e9 o centro dessa narrativa de 21 minutos, mas tamb\u00e9m passa pela forma como a diretora aborda essa tem\u00e1tica e sua vis\u00e3o ao retratar aquele mundo particular da garota protagonista.<\/p>\n<p>A c\u00e2mera que parece ser uma amiga da personagem acompanha aquele dia com naturalidade, afastando-se de qualquer tipo de artificialidade nos registros dos dramas presentes ali. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma imposi\u00e7\u00e3o sobre for\u00e7ar um debate acalorado entre esse tradicionalismo oriental com o crescimento da garota, as coisas apenas acontecem no ritmo do mundo normal. Se isso pode sugerir alguma monotonia ao filme, deve ser dito que esse interesse nas pequenas a\u00e7\u00f5es da protagonista faz com que seja criada uma aproxima\u00e7\u00e3o entre p\u00fablico e personagem, por mais banal que as coisas possam parecer, \u201cSweet Heart\u201d cria um desejo por saber ainda mais daquela trajet\u00f3ria, algo que se conecta de forma f\u00e1cil \u00e0 viv\u00eancia do p\u00fablico.<\/p>\n<p>Assim, esse retrato quase epis\u00f3dico, de pequenos fragmentos cotidianos na Liberdade \u00e9 comum e o melhor, espont\u00e2neo. O espectador v\u00ea a garota ajudando seus pais num restaurante asi\u00e1tico, conversando com sua amiga sobre manifesta\u00e7\u00f5es e o que pensam disso, v\u00ea tamb\u00e9m a garota assistindo a um filme porn\u00f4 no quarto dividido com um irm\u00e3o \u2013 escondida e com medo de ser pega. Tudo bastante naturalizado, apenas fragmentos dessa passagem t\u00e3o comum, nem romantizada, nem problematizada.<\/p>\n<p>Com um rigor fotogr\u00e1fico interessante, com um visual sem muita satura\u00e7\u00e3o, encontrando paisagens urbanas visualmente interessantes, \u201cSweet Heart\u201d vai ganhando uma atmosfera convidativa.<\/p>\n<p>A protagonista come\u00e7a a manter um interesse pelos garotos que trabalham no restaurante, claramente de outra classe social. Em qualquer filme nasceria um conflito dram\u00e1tico, uma cis\u00e3o por completa entre aquele ambiente oriental e a puls\u00e3o sexual em rela\u00e7\u00e3o a algu\u00e9m completamente diferente. No entanto, mais uma vez Amina Jorge ameniza o drama para gerar empatia naquela rea\u00e7\u00e3o, as coisas s\u00e3o o que s\u00e3o e os conflitos, na verdade, podem ser incorporados nesse processo de amadurecimento. Se os jovens empregados demonstram certo preconceito provindo de uma ignor\u00e2ncia, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o lugar da problematiza\u00e7\u00e3o, mas mostrar de forma bastante afetiva como essa configura\u00e7\u00e3o pode ser mudada pela rela\u00e7\u00e3o humana. Amina Jorge traz interesse ao lugar cotidiano, aos sentimentos comuns, inebria-se com aquilo que \u00e9 normal, mas carrega uma intensidade justamente por isso, por trazer sentimentos t\u00e3o comuns e t\u00e3o presentes. \u201cSweet Heart\u201d demonstra em suas escolhas, e principalmente em seu olhar, uma maturidade muito grande, uma mente autoral pensante que sabe muito bem os caminhos que escolhe.<\/p>\n<p><strong>A mem\u00f3ria afetiva e o resgate de um passado recente<\/strong><\/p>\n<p>O longa da noite, \u201cMeu Tio e o Joelho de Porco\u201d foi o terceiro document\u00e1rio da competi\u00e7\u00e3o e trouxe algumas lembran\u00e7as do filme do dia anterior do festival. \u201cHenfil\u201d buscava trazer aos jovens a mem\u00f3ria de uma figura importante em ve\u00edculos de grande destaque, algu\u00e9m que apesar do resgate ser necess\u00e1rio ainda tem sua hist\u00f3ria recontada. Por outro lado, \u201cMeu Tio e o Joelho de Porco\u201d, de Rafael Terpins, tenta resgatar aquelas hist\u00f3rias que parecem serem apagadas nas constru\u00e7\u00f5es da cidade de S\u00e3o Paulo, onde o sempre fren\u00e9tico cen\u00e1rio de efervesc\u00eancia cultural, tamb\u00e9m sofre com uma pulveriza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. Terpins resgata a mem\u00f3ria familiar da banda Joelho de Porco, grupo que dialogou com as experimenta\u00e7\u00f5es do rock psicod\u00e9lico at\u00e9 o movimento punk paulistano, gerando influ\u00eancias para uma s\u00e9rie de grupos, ao mesmo tempo em que sofre com certo esquecimento cultural que muitos grupos dessa \u00e9poca tiveram.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o do filme, e justamente aquilo que o torna diferente \u00e9 a pr\u00f3pria participa\u00e7\u00e3o do cineasta, que tamb\u00e9m est\u00e1 em cena, mas como o retrato do Joelho de Porco passa pela mem\u00f3ria afetiva de Terpins, um document\u00e1rio contado atrav\u00e9s justamente de um agridoce nost\u00e1lgico. \u00c9 como se numa esp\u00e9cie de conto salingeriana houvesse ali um narrador n\u00e3o confi\u00e1vel, uma narra\u00e7\u00e3o que leva o p\u00fablico para um passado rom\u00e2ntico de S\u00e3o Paulo, mas sobretudo numa narrativa de interesse por aquele homem, o tio exc\u00eantrico na fam\u00edlia, o parente que aparecia na televis\u00e3o de maquiagem no rosto e baixo na m\u00e3o.<\/p>\n<p>O longa inicia-se com Terpins j\u00e1 comentando que ap\u00f3s a morte de seu pai tornou aquele tio a sua principal refer\u00eancia, provavelmente parte dessa aus\u00eancia foi preenchida com as aventuras de Tico, o tio, e sua banda, o Joelho de Porco. Assim, mais do que retratar, ou informar, o longa est\u00e1 trabalhando nesse resgate que deixa ser contaminado pela nostalgia, que \u00e9 embalado por um romantismo de outros tempos. O processo de apagamento da mem\u00f3ria cultural \u00e9 incapaz de fazer com que suma os bons sentimentos de quem estava presente ali. \u00c9 curioso que o filme realmente materializa essa ideia de uma lembran\u00e7a do retratado. Quem ajuda a narrar o filme \u00e9 justamente um boneco desse tio, o Tico em miniatura \u00e9 muito mais do que um simples meio de conduzir o document\u00e1rio, mas traduz justamente essa lembran\u00e7a envolta de uma \u201cficcionaliza\u00e7\u00e3o\u201d nost\u00e1lgica. Aquele Tico \u00e9 uma ideia de quem foi aquele homem, de como ele agiria se soubesse que est\u00e3o fazendo um filme sobre ele. Talvez esse seja um ponto que at\u00e9 faz o filme habitar um local mais c\u00f4modo, sem expor algum conflito da pr\u00f3pria banda, por exemplo.<\/p>\n<p>Todavia, existe tamb\u00e9m uma quest\u00e3o que faz o filme ganhar em seu artif\u00edcio, ganha em demonstrar e transparecer essa fic\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, um resgate que torna de fato aquelas hist\u00f3ria extremamente interessantes. \u00c9 por isso que \u201cMeu Tio e o Joelho de Porco\u201d \u00e9 t\u00e3o divertido, t\u00e3o marcante, por conseguir compartilhar uma mem\u00f3ria afetiva particular com um p\u00fablico geral, transformar as hist\u00f3rias de sua vida numa narrativa ampla e acess\u00edvel, talvez nem seja necess\u00e1rio perguntar se tudo era daquele jeito, o que mais importa \u00e9 o que fica, e o Joelho de Porco foi resgatado com bastante sentimento.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/<em>et_pb_section<\/em>]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E tamb\u00e9m, curta &#8220;Sweet Heart&#8221; retrata o amadurecimento jovem de forma espont\u00e2nea.<\/p>","protected":false},"author":50,"featured_media":72709,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1,2421,2422,9067,2423,9066],"tags":[14222],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72707"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72707"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72707\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72712,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72707\/revisions\/72712"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72709"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}