{"id":72798,"date":"2018-06-21T09:02:49","date_gmt":"2018-06-21T12:02:49","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=72798"},"modified":"2018-06-21T09:09:03","modified_gmt":"2018-06-21T12:09:03","slug":"de-forma-primorosa-hereditario-entrega-um-dos-melhores-filmes-de-terror-da-decada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/de-forma-primorosa-hereditario-entrega-um-dos-melhores-filmes-de-terror-da-decada\/","title":{"rendered":"De forma primorosa, \u2018Heredit\u00e1rio\u2019 entrega um dos melhores filmes de terror da d\u00e9cada"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section admin_label=&#8221;section&#8221;][et_pb_row admin_label=&#8221;row&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>Para um f\u00e3 de terror, \u00e9 gratificante assistir uma obra bem feita. Por mais que o g\u00eanero sempre se desgaste com clich\u00eas e hist\u00f3rias esquem\u00e1ticas, \u00e9 de se merecer aqueles que conseguem fugir do esperado e entregam uma obra-prima. Sustos s\u00e3o f\u00e1ceis de retratar no cinema, ainda mais em um filme que tende a entregar o medo tempor\u00e1rio. Mas s\u00e3o poucos os diretores que fazem o p\u00fablico levar para frente toda a tens\u00e3o e o horror vividos dentro de poucas horas, e que, em meio a mundo aterrorizante, ainda conseguir chocar. Enquanto cl\u00e1ssicos antigos marcaram a hist\u00f3ria do cinema com seus filmes, diferenciando de um cen\u00e1rio mon\u00f3tono, h\u00e1 alguns anos, o g\u00eanero vem trazendo alguns longas diferentes, e que ganham destaque em meio uma ind\u00fastria j\u00e1 pronta. Em 2014, com \u2018A Corrente do Mal\u2019, 2015 com \u2018A Bruxa\u2019, 2016 com \u2018O Homem nas Trevas\u2019 e ano passado com \u2018Corra\u2019. Apesar de alguns n\u00e3o terem o terror como ess\u00eancia, a tens\u00e3o, o medo e o nervosismo est\u00e3o ali. E em 2018, a vez \u00e9 de \u2018Heredit\u00e1rio\u2019. Muito se ouviu ap\u00f3s sua exibi\u00e7\u00e3o em Sundance, sobre este ser o novo \u2018O Exorcista\u2019 (1973) ou \u2018O Iluminado\u2019 (1980). Em quest\u00f5es cinematogr\u00e1ficas, os tr\u00eas est\u00e3o distantes, sendo diferentes um do outro. A quest\u00e3o aqui est\u00e1 no choque. Filmes de terror s\u00e3o filmes de \u00e9poca, cada um feito com os espec\u00edficos horrores vividos, e para seus devidos anos, os dois cl\u00e1ssicos fizeram hist\u00f3ria, e ainda fazem. A mesma coisa acontecer\u00e1 com \u2018Heredit\u00e1rio\u2019. Pelo menos \u00e9 o que, particularmente, espero. Da mesma maneira que \u2018A Bruxa\u2019 trouxe esse sentimento de volta \u00e0s telas, este trabalho do americano <strong>Ari Aster<\/strong> choca e faz ser lembrado por horas, dias e semanas ap\u00f3s ser assistido. Provavelmente, ainda ser\u00e1 lembrado depois de anos como refer\u00eancia ou exemplo de uma grande obra do g\u00eanero. Marcando a estreia de Aster como cineasta, o filme \u00e9 primoroso em todos os sentidos. Do mesmo modo que \u2018A Bruxa\u2019 surpreendeu h\u00e1 tr\u00eas anos, \u2018Heredit\u00e1rio\u2019 \u00e9 no mesmo n\u00edvel, e talvez, superior. Os elementos que fazem um bom filme de horror ser aterrorizante est\u00e3o presentes, e utilizados de forma impec\u00e1vel. Aster, por n\u00e3o ter nenhum trabalho anterior, consegue construir o seu pr\u00f3prio olhar sem qualquer manejo e brinca com o espectador a todo momento, construindo magistralmente o clima. Como um bom formato de roteiro cl\u00e1ssico, o primeiro ato introduz ao espectador tudo o que ele ver\u00e1 na outra hora e meia, n\u00e3o s\u00f3 os personagens e a trama, mas principalmente o clima. E do fim do primeiro ato at\u00e9 o final, ele o eleva ao m\u00e1ximo e atropela os despreparados e at\u00e9 o mais preparado dos espectadores. Bem parecido com o filme de 2015 em muitos aspectos, o ritmo \u00e9 o principal dele. Fugindo de montagens simpl\u00f3rias, a trama caminha da forma que ela precisa. N\u00e3o h\u00e1 jump scares, n\u00e3o h\u00e1 m\u00fasica crescendo para dar susto e n\u00e3o h\u00e1 um vil\u00e3o propriamente dito. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 recheada de planos longos, o ritmo \u00e9 lento e exige aten\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de quem assiste. A trama vai sendo constru\u00edda nos detalhes e entrega aquilo que todo bom roteiro deve, no m\u00ednimo, ser: bem escrito. Ali\u00e1s, o texto de Aster \u00e9 de uma qualidade impressionante para um primeiro trabalho. Com di\u00e1logos bem elaborados e encaixados, toda a hist\u00f3ria \u00e9 apresentada da forma correta, \u00e9 caminhada devagar e vai deixando o espectador se acostumar com aquilo, para depois dar o golpe. Essa estrutura e a maneira de contar a hist\u00f3ria recorda muito o cl\u00e1ssico de <strong>Roman Polanski<\/strong>, \u2018O Beb\u00ea de Rosemary\u2019 (1968), que aparentou ser uma das grandes inspira\u00e7\u00f5es ao longa. O pr\u00f3prio n\u00facleo de personagens, a trama em si, a evolu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e a resolu\u00e7\u00e3o trazem muito do filme, o que, obviamente, torna-se um grande elogio ao trabalho de Aster.<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image admin_label=&#8221;Imagem&#8221; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/H02.jpg&#8221; show_in_lightbox=&#8221;off&#8221; url_new_window=&#8221;off&#8221; use_overlay=&#8221;off&#8221; animation=&#8221;off&#8221; sticky=&#8221;off&#8221; align=&#8221;left&#8221; force_fullwidth=&#8221;off&#8221; always_center_on_mobile=&#8221;on&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221; custom_margin=&#8221;30px||30px|&#8221;]<\/p>\n<p>[\/et_pb_image][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>O americano tamb\u00e9m nos brindou com uma imensur\u00e1vel dire\u00e7\u00e3o, misturada com seu texto virtuoso. Seus movimentos de c\u00e2mera e seus momentos de longos planos fazem de \u2018Heredit\u00e1rio\u2019 algo diferenciado. Enquanto o filme de <strong>Robert Eggers<\/strong> consegue proporcionar muito com a ambienta\u00e7\u00e3o, aqui, o aterrorizante est\u00e1 nas c\u00e2meras de Aster. Com sua delicadeza, mas ao mesmo tempo, peso na hora de dirigir, ele explora o ambiente que tem e at\u00e9 brinca com propor\u00e7\u00f5es de tamanho, retratando assim, as maquetes, que, no filme, criam seu sentido de controle da personagem de <strong>Toni Collette<\/strong>, mas tamb\u00e9m serve para mostrar o quanto o pr\u00f3prio diretor tamb\u00e9m est\u00e1 nos manipulando, como se fossemos meros bonecos dentro de um ambiente fundado por ele. E por mais que o medo domine, embarcamos nessa \u201caventura\u201d, deixando n\u00e3o s\u00f3 o cora\u00e7\u00e3o acelerado, mas m\u00e3os suando e pernas tr\u00eamulas ao decorrer da conclus\u00e3o. O visual tamb\u00e9m fica em evid\u00eancia quanto a fotografia horrenda &#8211; no bom sentido &#8211; que desbrava muito bem o ambiente, mas tamb\u00e9m explora rimas visuais e imagens muito controladas, com c\u00e2mera parada e movimentos secos, tudo dentro da inten\u00e7\u00e3o de Aster para com aquela hist\u00f3ria. Hist\u00f3ria essa distante de momentos espor\u00e1dicos, mas que brinca com coisas cl\u00e1ssicas, como o sobrenatural e a loucura, transformando os dois em uma coisa s\u00f3, fazendo tamb\u00e9m o p\u00fablico se questionar sobre aquilo, encaminhando-nos ainda mais para dentro do universo.<\/p>\n<p>E em meio ao tema sobrenatural, j\u00e1 muito explorado dentro do cinema, \u2018Heredit\u00e1rio\u2019 consegue, bebendo de outras refer\u00eancias, entregar algo original. A mistura entre o sobrenatural, a loucura e o ceticismo traz um ponto de vista novo ao assunto, e o melhor, introduz todo tipo de espectador \u00e0quele mundo. Acreditando ou n\u00e3o no incomum, \u00e9 f\u00e1cil se relacionar com algum personagem. Dentro dessa rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 a grandeza no trabalho do elenco.<\/p>\n<p>Fugindo do naturalismo de outros longas, recheado de atua\u00e7\u00f5es mais realistas, \u2018Heredit\u00e1rio\u2019 entrega o inesperado. Por mais que pare\u00e7a estranho ler algo assim, \u00e9 admir\u00e1vel ver um longa do g\u00eanero com atua\u00e7\u00f5es brilhantes e livres. Livres no sentido de Aster deixar o terror falar por si s\u00f3, como permitir Toni Collette explorar fei\u00e7\u00f5es de horror e tenebrosidade, sem qualquer \u201capoio\u201d, seja sonoro ou visual. Inclusive, Collette, bem presente em obras c\u00f4micas e dram\u00e1ticas na carreira, o terror apareceu pouco, sendo \u2018O Sexto Sentido\u2019 (1999) seu \u00faltimo grande destaque do g\u00eanero. Aqui, Collette atua menos confort\u00e1vel no drama e vive o terror de verdade. Suas caras aterrorizantes crescem n\u00e3o s\u00f3 seu trabalho, mas sua personagem e, consequentemente, a trama. A australiana entrega algo genial e o seu m\u00e1ximo, variando bem entre o dram\u00e1tico e o medo, e consegue, s\u00f3 com fei\u00e7\u00f5es, trocar sentimentos e fazer suas ideologias caminharem entre o sobrenatural e a loucura, como a pr\u00f3pria proposta pede. Os coadjuvantes, felizmente, conversam com a qualidade de Collette e entregam a mais do esperado. A tamb\u00e9m iniciante <strong>Milly Shapiro<\/strong> atua de forma grandiosa em meio a uma personagem mais contida, mas ainda assim, precisa. O peso da maquiagem n\u00e3o atrapalha a atriz mirim de mostrar seu trabalho. Inclusive, vive uma personagem que n\u00e3o recebe a aten\u00e7\u00e3o pelo visual, sem receber explora\u00e7\u00f5es de monstruosidade ou defeituosidade, mas no foco do seu mist\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>Gabriel Byrne<\/strong> \u00e9 outro que realiza um bom trabalho. Diferente de Collette, seu personagem \u00e9 mais controlado por carregar seu ceticismo e cientificismo. E <strong>Alex Wolff<\/strong> \u00e9 outro destaque da produ\u00e7\u00e3o. Com um segmento diferente do irm\u00e3o Natt &#8211; que seguiu um caminho com produ\u00e7\u00f5es medianas como \u2018Cidades de Papel\u2019 (2015) e at\u00e9 o p\u00e9ssimo \u2018Death Note\u2019 (2017). Alex se mostrou maduro como ator e trabalha na medida que seu personagem pede. Traumatizado, seus momentos mais internos e contidos s\u00e3o constantemente pedidos e o jovem de 20 anos faz bem. Suas caras e bocas s\u00e3o aparentemente exageradas, mas acompanham a trama de seu personagem. Al\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o e do texto, a trilha sonora tamb\u00e9m \u00e9 um fator importante para \u2018Heredit\u00e1rio\u2019 ser o que \u00e9. Aparecendo nos momentos certos e no tempo exato, a trilha \u00e9 quase um personagem a mais. Constru\u00eddo para ser ouvida em diferentes pontos da sala de cinema, deixa tudo ainda mais tenebroso. Baixos sons vindos da direita e da esquerda s\u00e3o comuns e leva o espectador para dentro do filme, elevando a tens\u00e3o.<\/p>\n<p>Por mais que elogios n\u00e3o faltam para o terror de Aster, ainda existe uma certo populariza\u00e7\u00e3o em seu texto. Apesar de em determinadas situa\u00e7\u00f5es, o americano explorar momentos clich\u00eas do cinema &#8211; como a luz estar apagada e ter algu\u00e9m, e ao acender, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m &#8211; tudo \u00e9 meramente feito com muito esmero. O problema est\u00e1 em sua solu\u00e7\u00e3o. Os \u00faltimos minutos passam a ser explicativos e o que estava para ser um final ainda mais aberto, \u00e9 levemente fechado. O \u00faltimo ato, ainda assim, conclui de forma grandiosa, mas peca em pegar uma boa parte para justificar os acontecimentos, e muitos deles, bem parecido com \u2018O Beb\u00ea de Rosemary\u2019.<\/p>\n<p>Mas isso diminui bem pouco a genialidade do longa. Por mais que continue sendo cheio de artefatos cl\u00e1ssicos, a originalidade ainda \u00e9 o principal destaque. Particularmente, h\u00e1 tempos n\u00e3o me surpreendia nos cinemas com um filme de terror, e em 2015, fui quebrado, com um enorme peso em meus ombros no final da sess\u00e3o. Enquanto acreditava que \u2018A Bruxa\u2019 havia me preparado para tudo, mas \u2018Heredit\u00e1rio\u2019 quebrou com maestria e segue sendo o melhor filme de terror do ano, e um dos melhores da d\u00e9cada. Mesmo que cr\u00edticos n\u00e3o sejam conhecidos por previs\u00f5es precisas, posso dizer que um lan\u00e7amento de 20 anos no futuro ser\u00e1 chamado de \u201co novo \u2018Heredit\u00e1rio\u2019\u201d.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova produ\u00e7\u00e3o com Toni Collette foi aclamada no Festival de Sundance este ano.<\/p>","protected":false},"author":33,"featured_media":72791,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415],"tags":[14238,14209,11,14237,14235,14236],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72798"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72798"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72798\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72809,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72798\/revisions\/72809"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72791"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}