{"id":72916,"date":"2018-07-19T00:04:40","date_gmt":"2018-07-19T03:04:40","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=72916"},"modified":"2018-07-19T09:49:35","modified_gmt":"2018-07-19T12:49:35","slug":"wes-anderson-prova-mais-uma-vez-sua-genialidade-como-cineasta-em-ilha-dos-cachorros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wes-anderson-prova-mais-uma-vez-sua-genialidade-como-cineasta-em-ilha-dos-cachorros\/","title":{"rendered":"Wes Anderson prova mais uma vez sua genialidade como cineasta em &#8220;Ilha Dos Cachorros&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section admin_label=&#8221;section&#8221;][et_pb_row admin_label=&#8221;row&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>No cinema moderno, s\u00e3o muitos os diretores que se destacam com obras primorosas e que merecem milhares de elogios. Mas uma pequena parcela consegue chamar tanta aten\u00e7\u00e3o quanto <strong>Wes Anderson<\/strong>. Com sua filmografia formid\u00e1vel e seu estilo cinematogr\u00e1fico \u00fanico, o americano se destaca de forma radiante em uma Hollywood superficial. E ele volta a demonstrar seu encanto em uma das formas mais belas de arte: a anima\u00e7\u00e3o. Sempre conquistando todos os p\u00fablicos, esse estilo cinematogr\u00e1fico j\u00e1 nos proporcionou momentos marcante, como \u2018O Rei Le\u00e3o\u2019 (1994) da Disney, \u2018T\u00famulo dos Vagalumes\u2019 (1988) do Studio Ghibli. E agora \u2018Ilha de Cachorros\u2019 tamb\u00e9m entra no patamar.<\/p>\n<p>Longe de querer comparar a nova anima\u00e7\u00e3o de Wes com os cl\u00e1ssicos citados, mas \u00e9 gratificante assistir uma anima\u00e7\u00e3o com seus recursos. Wes trabalha o visual de forma perfeita e mistura com uma bel\u00edssima narrativa metaf\u00f3rica, enchendo os olhos dos espectadores, que ficam petrificados com toda a din\u00e2mica, delicadeza e for\u00e7a que ele trabalha. N\u00e3o s\u00f3 isso, mas como ele trata cada um dos personagens. Tamb\u00e9m roteirista, ele constr\u00f3i cada um com sua ess\u00eancia, seu passado e ideologias, sendo todos diferentes, mas ao mesmo tempo iguais. E n\u00e3o s\u00f3 no texto, o design de cada personagem e a anima\u00e7\u00e3o em si repete o encanto de \u2018O Fant\u00e1stico Sr. Raposo\u2019 (2009) com seus personagens carism\u00e1ticos em uma hist\u00f3ria infantil, mas ao mesmo tempo madura reflexivamente. Apesar da anima\u00e7\u00e3o de 2009 ser superior na narrativa (algo que falaremos logo menos), Wes toca no cora\u00e7\u00e3o de cada espectador ao utilizar cachorros. Mas como apresentei no texto de \u2018Todo Dia\u2019 (2018), tudo tem uma camada mais profunda.<\/p>\n<p>A escolha de se utilizar o \u201cmelhor amigo do homem\u201d vem pela mensagem que Wes quis passar. Com um discurso sobre abandono, autoritarismo e xenofobia, a escolha de cachorros foi uma cutucada para conseguir, quem sabe, tocar os seres humanos e fazerem eles pararem de agir assim com quem quer que seja. At\u00e9 a forma como ele trabalha o humor tem suas camadas profundas. Um tanto \u00fanico, o humor de Wes n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Algumas piadas s\u00e3o colocadas de forma s\u00fatil, mas s\u00e3o feitas no mesmo n\u00edvel de um soco na cara. Ele \u00e9 provocativo, mesmo quando n\u00e3o tem inten\u00e7\u00e3o. Ao desenvolver os personagens japoneses daquela forma, ele quer passar uma mensagem. Um l\u00edder com um corpo maior que cabe\u00e7a traz muito de grandes l\u00edderes atuais, fortes e poderosos, mas com pouco racioc\u00ednio. Ou com o pr\u00f3prio idioma, quando mesmo fazendo uma produ\u00e7\u00e3o americana, ele traz muito da linguagem japonesa e adaptando a situa\u00e7\u00e3o para conseguir trazer a l\u00edngua inglesa. Por mais bobo que pare\u00e7a ser, Wes age de um forma que milhares de outros diretores n\u00e3o agem, e isso merece ser destacado.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image admin_label=&#8221;Imagem&#8221; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/isle-2.jpg&#8221; show_in_lightbox=&#8221;off&#8221; url_new_window=&#8221;off&#8221; use_overlay=&#8221;off&#8221; animation=&#8221;off&#8221; sticky=&#8221;off&#8221; align=&#8221;left&#8221; force_fullwidth=&#8221;off&#8221; always_center_on_mobile=&#8221;on&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221; custom_margin=&#8221;30px||30px|&#8221;]<\/p>\n<p>[\/et_pb_image][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; use_border_color=&#8221;off&#8221; border_color=&#8221;#ffffff&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p>A narrativa dessa vez n\u00e3o traz a adapta\u00e7\u00e3o de um livro e em sua ess\u00eancia parece boba. Mas como a m\u00e3o que constr\u00f3i \u00e9 a de Wes, nada \u00e9 bobo gratuitamente. Com seus pesos metaf\u00f3ricos, a montagem do roteiro \u00e9 bem elaborada, mas peca mais que \u2018O Fant\u00e1stico Sr. Raposo\u2019. Por mais perfeito que o longa pare\u00e7a, a narrativa traz alguns elementos problem\u00e1ticos. As idas e vindas com as tramas da cidade e da ilha ganham um peso desnecess\u00e1rio, e por mais importantes que sejam as cenas para o desenvolvimento da hist\u00f3ria, tornam-se cansativas e n\u00e3o parece haver o dinamismo da anima\u00e7\u00e3o de 2009. Aqui, o segundo ato \u00e9 o que mais sofre com isso. Enquanto a introdu\u00e7\u00e3o e a conclus\u00e3o s\u00e3o perfeitas, o desenvolvimento caminha devagar e serve mais para crescer uma rela\u00e7\u00e3o previs\u00edvel do que explorar mais mensagens provocativas. As duas anima\u00e7\u00f5es pecam, mas cada uma em pontos diferentes, portanto, em uma o x est\u00e1 certo e o y errado, e na outra, o x est\u00e1 errado e o y est\u00e1 certo. Como uma segunda tentativa com a arte do stopmotion, Wes tem um aproveitamento maravilhoso.<\/p>\n<p>Ainda em julho, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel se pensar em Oscar. E a cada ano que passa, \u00e9 lindo ver que a premia\u00e7\u00e3o traz uma anima\u00e7\u00e3o fora do 3D entre os indicados. Isso n\u00e3o s\u00f3 prova um olhar art\u00edstico para o estilo, mas prova como a anima\u00e7\u00e3o \u00e9 male\u00e1vel, e o stopmotion, por mais que pare\u00e7a banal, vem cada vez mostrando que ainda tem espa\u00e7o. Nisso, \u00e9 gratificante olhar um diretor com o peso de Wes explorando esse procedimento de anima\u00e7\u00e3o mais uma vez e trazendo um elenco ainda mais poderoso que sua dire\u00e7\u00e3o. No meio de Hollywood, s\u00e3o poucos os diretores que passam essa paix\u00e3o aos atores, que chegam ao ponto de baixarem os sal\u00e1rios s\u00f3 para trabalhar com ele. Esse poder \u00e9 um tanto parecido com o de <strong>David Lynch<\/strong> &#8211; outro g\u00eanio, diga-se passagem &#8211; que consegue transmitir de forma calorosa o que ele espera do elenco dentro daquilo que ele quer para a obra. Tornou-se n\u00edtido o quanto Wes pensou em seus personagens j\u00e1 com os atores em mente. Tudo \u00e9 complementar e tudo combina dentro de tela, \u00e9 imposs\u00edvel existir outras vozes para aqueles cachorros sen\u00e3o essas definidas. Esse \u00e9 o poder de um cineasta respeit\u00e1vel. At\u00e9 em suas escolhas de cena, como retratar \u2018Cidad\u00e3o Kane\u2019 (1941) em pleno 2018, e mostrar o qu\u00e3o atual \u00e9.<\/p>\n<p>E em meio a uma d\u00e9cada complicada, s\u00e3o pontos delicados para discuss\u00f5es fortes que d\u00e3o o prazer de amar essa arte chamada cinema. O brilho que Wes deixa nos olhos de cada espectador \u00e9 de um esplendor \u00fanico, que merece admira\u00e7\u00e3o. Tudo \u00e9 cuidadoso. A ambienta\u00e7\u00e3o, as frases, as a\u00e7\u00f5es e at\u00e9 o posicionamento da tela &#8211; para separar a legenda do filme e n\u00e3o desfocar a vis\u00e3o do espectador de todo aquele universo. Mesmo com 24 anos de carreira, Wes prova que ainda tem como surpreender e deixa, a cada filme, uma pequena marca na hist\u00f3ria do cinema.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Longa traz elenco de peso para dublagem da nova anima\u00e7\u00e3o do diretor americano.<\/p>","protected":false},"author":33,"featured_media":72902,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415,2423],"tags":[14258,9344,610],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72916"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72916"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72936,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72916\/revisions\/72936"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72902"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}