{"id":73527,"date":"2018-10-17T18:23:27","date_gmt":"2018-10-17T21:23:27","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73527"},"modified":"2018-10-17T18:23:27","modified_gmt":"2018-10-17T21:23:27","slug":"a-casa-do-medo-incidente-em-ghostland-trata-o-espectador-como-uma-boneca-e-brinca-com-seu-psicologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/a-casa-do-medo-incidente-em-ghostland-trata-o-espectador-como-uma-boneca-e-brinca-com-seu-psicologico\/","title":{"rendered":"\u201cA Casa do Medo &#8211; Incidente em Ghostland\u201d trata o espectador como uma boneca e brinca com seu psicol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Algo que adoro refor\u00e7ar em meus textos de terror \u00e9 como ele tem suas fases e seus subg\u00eaneros. Temos obras com monstros, fantasmas, dem\u00f4nios, serial killers, mas todos se tornam filmes significados quando exploram o psicol\u00f3gico. N\u00e3o basta um monstro ou um fantasma se a obra n\u00e3o mexer com a mente do espectador por tr\u00e1s de uma trama principal. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Terror n\u00e3o \u00e9 apenas o medo r\u00e1pido, mas sim, constante e perturbador. <strong>A Casa do Medo &#8211; Incidente em Ghostland<\/strong>, por mais que n\u00e3o tenha monstros ou fantasmas, trabalha com o mundano, com situa\u00e7\u00f5es que podem acontecer comigo, com voc\u00ea ou com algu\u00e9m pr\u00f3ximo. E isso \u00e9 t\u00e3o perturbador quanto um dem\u00f4nio. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com produ\u00e7\u00e3o francesa e canadense, o novo filme do franc\u00eas <strong>Pascal Laugier<\/strong> \u00e9 poderoso em criar situa\u00e7\u00f5es desconfort\u00e1veis. Suas cenas fortes de viol\u00eancia deixam um inc\u00f4modo durante o caminhar da trama, ainda mais quando o mesmo conta uma hist\u00f3ria com duas meninas jovens. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por ser um terror humano, com pessoas mentalmente perturbadas sendo os monstros da hist\u00f3ria, ele graceja em trabalhar o bloqueio psicol\u00f3gico, algo que os espectadores buscam ao assistir \u00e0s cenas. Justamente por isso, o pr\u00f3prio cineasta brinca com este segmento na trama, dando essa realidade \u00e0 personagem de <strong>Emilia Jones<\/strong>, que se esconde da realidade aterrorizante para viver uma vida perfeita. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Do mesmo modo que o roteiro trata de colocar as meninas como brinquedos de dois assassinos, Laugier provoca em chocar com o abuso e o feminic\u00eddio, enquanto tamb\u00e9m brinca com a mente do espectador em tratar tudo como mera loucura das personagens. A resolu\u00e7\u00e3o, no entanto, refor\u00e7a a ideia de que n\u00e3o podemos nos cegar para situa\u00e7\u00f5es s\u00e9rias e que devemos enfrentar a realidade, n\u00e3o importa o qu\u00e3o dura ela seja. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vivemos em uma sociedade onde essa fuga da realidade \u00e9 constante. N\u00e3o queremos ver o sofrimento do pr\u00f3ximo porque nossa bolha \u00e9 confort\u00e1vel. Por mais que este n\u00e3o seja o tema central, Laugier passa uma mensagem forte sobre isto. Mas uma ainda mais forte para a viol\u00eancia doentia e o abuso. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Usar bonecas como met\u00e1fora \u00e9 algo doloroso e forte. Jovens meninas sendo tratadas como objetos e simples brinquedos de dois homens &#8211; mesmo que doentes &#8211; refor\u00e7a ainda mais nossa realidade violenta e abusiva. Apesar de explorar elementos cl\u00e1ssicos do g\u00eanero, como o pr\u00f3prio visual dos assassinos e a ambienta\u00e7\u00e3o &#8211; uma casa velha e abandonada no meio do vazio &#8211; o filme discute os assuntos de formas interessantes. At\u00e9 pela forma que ele apresenta tudo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As personagens conseguem ter um tratamento bem trabalhado no roteiro, com suas realidades, sonhos e ideologias apresentadas logo no primeiro di\u00e1logo. E com uma inicial cita\u00e7\u00e3o ao escritor <strong>H.P. Lovecraft<\/strong>, o longa explora fundamentos das hist\u00f3rias do americano na trama &#8211; inclusive com uma participa\u00e7\u00e3o surpresa do mesmo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, o terror cl\u00e1ssico de Lovecraft n\u00e3o recebe o cuidado que s\u00f3 ele sabe fazer, dando margem para o terror mais sujo e bruto de Laugier. N\u00e3o h\u00e1 decapita\u00e7\u00f5es ou desmembramentos, mas h\u00e1 uma viol\u00eancia f\u00edsica que mexe at\u00e9 com o est\u00f4mago do mais forte do cinema. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contudo, o roteiro ganha um rumo um tanto aventureiro que perde a ess\u00eancia tenebrosa presente desde o in\u00edcio, eliminando um pouco do peso que o segundo ato explora mais. Inclusive, neste ato, Laugier exige muito das duas atrizes mirins com as cenas e tanto Emilia quanto <strong>Taylor Hickson<\/strong> trabalham de forma madura e convencem com suas personagens nas situa\u00e7\u00f5es no longa. Apesar de ser a primeira vez que trabalham juntas, conseguiram construir muito bem a rela\u00e7\u00e3o de amor e \u00f3dio. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por mais que a personagem de Emilia seja o ponto de vista principal do filme, Taylor consegue demonstrar um dom\u00ednio significativo e se torna t\u00e3o importante quanto. Entretanto, como j\u00e1 citado, no terceiro ato, as duas personagens retornam \u00e0 ess\u00eancia do in\u00edcio, sendo uma \u201csuperior\u201d a outra, sem qualquer transforma\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fim, <strong>A Casa do Medo &#8211; Incidente em Ghostland<\/strong>\u00a0se mostrou uma surpresa agrad\u00e1vel ao g\u00eanero. O filme fecha sua hist\u00f3ria de forma honesta e mesmo com um terceiro ato um tanto problem\u00e1tico, n\u00e3o h\u00e1 uma tentativa de ser algo a mais do que \u00e9. H\u00e1 uma explora\u00e7\u00e3o interessante da mente e da loucura humana, com viol\u00eancia brutal devidamente bem filmada e de forma perturbadora ao espectador, sem esquecer de refletir a realidade atual da nossa sociedade. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Algo que adoro refor\u00e7ar em meus textos de terror \u00e9 como ele tem suas fases e seus subg\u00eaneros. Temos obras com monstros, fantasmas, dem\u00f4nios, serial killers, mas todos se tornam filmes significados quando exploram o psicol\u00f3gico. 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