{"id":73540,"date":"2018-10-24T21:28:47","date_gmt":"2018-10-25T00:28:47","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73540"},"modified":"2018-10-24T21:28:47","modified_gmt":"2018-10-25T00:28:47","slug":"nova-sequencia-de-halloween-so-prova-o-quao-errado-e-mexer-em-classicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/nova-sequencia-de-halloween-so-prova-o-quao-errado-e-mexer-em-classicos\/","title":{"rendered":"Nova sequ\u00eancia de \u201cHalloween\u201d s\u00f3 prova o qu\u00e3o errado \u00e9 mexer em cl\u00e1ssicos"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hollywood tem que saber a hora de parar. \u00c9 compreens\u00edvel todo o cen\u00e1rio de ind\u00fastria e o quanto de dinheiro \u00e9 envolvido em cada projeto, mas h\u00e1 momentos em que \u00e9 preciso parar. Em 1978, <strong>John Carpenter<\/strong> levou aos cinemas uma marco no g\u00eanero terror. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Halloween<\/strong> n\u00e3o s\u00f3 trouxe um \u00f3timo t\u00edtulo para a hist\u00f3ria do cinema, como ditou muita coisa que vemos hoje em tela. Mas como um bom professor em uma sala lotada e bagunceira, os alunos n\u00e3o conseguiram aprender nada. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com um filmografia marcada pela com\u00e9dia, <strong>David Gordon Green<\/strong> foi o respons\u00e1vel por reviver a hist\u00f3ria de <strong>Michael Myers<\/strong> e <strong>Laurie Strode<\/strong> quatro d\u00e9cadas anos depois dos acontecimentos do filme de Carpenter, excluindo todas as outras sequ\u00eancias da linha temporal. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O motivo principal dessa exclus\u00e3o est\u00e1 na baixa qualidade dos filmes e da dist\u00e2ncia do original, tanto que <strong>Halloween III &#8211; A Noite das Bruxas (1982)<\/strong> nem trata de Myers. E por incr\u00edvel que pare\u00e7a, \u00e9 a mesma coisa que acontece aqui. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Chega a ser compreens\u00edvel a escolha em fazer um filme mais din\u00e2mico e r\u00e1pido, afinal, o p\u00fablico muda devido ao tempo, junto com o cinema. Por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 justificativa quanto a mudan\u00e7a a n\u00e3o ser mercadol\u00f3gica. No longa de 78, Carpenter e <strong>Debra Hill<\/strong> criaram um roteiro primorosamente bem montado, dando justificativa e sentindo \u00e0 hist\u00f3ria. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Obviamente, muito da qualidade do roteiro vem do baixo or\u00e7amento que o limita. Mas h\u00e1 uma adapta\u00e7\u00e3o sobre isso, inclusive com a ess\u00eancia de Myers. Meticuloso e frio, o assassino se diferencia de outros slashers como <strong>Jason Voorhees<\/strong> e <strong>Freddy Krueger<\/strong> por seu trabalho mais cadenciado. H\u00e1 um controle, porque Myers demonstra poder sobre a v\u00edtima e seu ataque vai acontecer no momento desejado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 nesta nova vers\u00e3o, Myers se transformou em um assassino desesperado, tendo o dobro &#8211; at\u00e9 quem sabe o triplo &#8211; de mortes do primeiro filme, sem qualquer controle narrativo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A trama explora uma montagem com cortes r\u00e1pidos, escolha que, consequentemente, foge da proposta estabelecida em ser uma sequ\u00eancia direta do cl\u00e1ssico, filme no qual Carpenter explora tudo com calma, deixando Myers como um monstro calculista, que brinca com o p\u00fablico enquanto cria tens\u00e3o at\u00e9 a morte das personagens. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui, essa narrativa \u00e9 inexistente. Myers se torna um assassino compulsivo, atacando qualquer um que v\u00ea pela frente com uma varia\u00e7\u00e3o maior de mortes descontroladas e em maior quantidade, como dito anteriormente. A fuga da qualidade do primeiro filme est\u00e1 tamb\u00e9m na constru\u00e7\u00e3o do roteiro. No texto de Carpenter e Debra tudo \u00e9 bem constru\u00eddo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os personagens s\u00e3o bem trabalhados, a trama tem seu tempo de constru\u00e7\u00e3o e os acontecimentos ocorrem naturalmente. Nessa sequ\u00eancia &#8211; com mais caracter\u00edsticas de releitura &#8211; tudo \u00e9 muito jogado. H\u00e1 mais personagens que o primeiro longa, o que impede de uma constru\u00e7\u00e3o mais natural, em raz\u00e3o do filme exigir mais tramas, mas ainda na mesma dura\u00e7\u00e3o de 01h40. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso atrapalha no desenvolvimento da hist\u00f3ria e deixa muitos furos inc\u00f4modos durante a trajet\u00f3ria da trama. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o com os personagens e toda a constru\u00e7\u00e3o da ambienta\u00e7\u00e3o \u00e9 pobre e incoerente. Um exemplo est\u00e1 na presen\u00e7a de Myers na cidade. Aparentemente, o assassino se tornou famoso na regi\u00e3o, mas, ao mesmo tempo, parece que ningu\u00e9m o conhece, principalmente a pol\u00edcia, que constantemente traz um discurso de medo e nervosismo sobre a sua presen\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contudo, aos poucos, demonstra ignorar a presen\u00e7a do mesmo. Nesse segmento, o roteiro, que conta com a contribui\u00e7\u00e3o de <strong>Danny McBride<\/strong>, entrega uma cena de quase dois minutos com dois policiais conversando sobre a comida que levaram ao turno da noite, refor\u00e7ando n\u00e3o s\u00f3 a tentativa frustrada de humor, como tamb\u00e9m a de deixar a hist\u00f3ria mais mundana. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_image _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Halloween-02.jpg&#8221; \/][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na quest\u00e3o do c\u00f4mico, o texto beira ao rid\u00edculo. Como todo o resto da narrativa, tanto Green quanto McBride trabalham um humor desconexo e mal encaixado. Nada flui e \u00e9 n\u00edtida a tentativa de deixar algo hil\u00e1rio, mas que n\u00e3o condiz com a cena em quest\u00e3o, o que refor\u00e7a ainda mais a fuga dos dois em tentar algo pr\u00f3ximo da obra prima de Carpenter. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inclusive, o maior erro do filme est\u00e1 em sua venda. <strong>Halloween (2018)<\/strong> realmente funciona como entretenimento, mas est\u00e1 longe de estar pr\u00f3ximo de um filme de terror, quanto mais pr\u00f3ximo de ser uma sequ\u00eancia do filme de 40 anos atr\u00e1s. O discurso de \u201cvamos apagar todas as sequ\u00eancias ruins do filme\u201d n\u00e3o conversam nem um pouco com o resultado apresentado. A tens\u00e3o, o roteiro bem escrito e a trama em si n\u00e3o est\u00e3o presentes em tela, tornando-se uma ofensa aos f\u00e3s do cl\u00e1ssico, mas ainda assim, uma divers\u00e3o ao p\u00fablico atual. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por mais que os elementos negativos se sobressaem, a dire\u00e7\u00e3o de Green traz elementos interessantes, sendo essa uma das melhores fotografias da franquia. Seus movimentos de c\u00e2mera fazem um diferencial no p\u00e9ssimo texto, incluindo um bel\u00edssimo plano sequ\u00eancia, mas diferente do primeiro filme &#8211; citando-o mais uma vez &#8211; \u00e9 constru\u00edda sem justificativa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A qualidade tamb\u00e9m est\u00e1 presente na rela\u00e7\u00e3o entre Myers e Laura, muita pr\u00f3xima de um <strong>Batman<\/strong> e <strong>Coringa<\/strong> sobre a falta de um ser o motivo da inexist\u00eancia do outro. Contudo, esse embate entre os dois demora para acontecer, mas \u00e9 entregue com esmero nos minutos finais do longa. Laura, por sua vez, n\u00e3o \u00e9 balanceada em rela\u00e7\u00e3o a sua sanidade e objetivo. Referindo-me a <strong>Sarah Connor<\/strong> em <strong>O Exterminador do Futuro 2 &#8211; O Julgamento Final (1991)<\/strong>, a personagem de <strong>Linda Hamilton<\/strong> \u00e9 classificada como louca pelo exterior, enquanto ela se demonstra objetiva. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui, <strong>Jamie Lee Curtis<\/strong> muda de um para outro sem cuidado algum, n\u00e3o dando uma ess\u00eancia \u00fanica para gerar uma rela\u00e7\u00e3o intimista com a personagem. Entretanto, seu embate contra o <strong>Bicho-Pap\u00e3o<\/strong> \u00e9 a melhor sequ\u00eancia do filme. A dire\u00e7\u00e3o finalmente consegue trabalhar tecnicamente o exigido no longa inteiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nitidamente, o tempo tamb\u00e9m ajudou no amadurecimento de Jamie como atriz, que convence com a personagem, apesar dos erros significativos citados acima. Quanto ao resto do elenco, o filme finalmente se iguala ao de 78, com p\u00e9ssimas atua\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um exemplo est\u00e1 no retorno de <strong>Will Patton<\/strong> na pele do policial Hawkins. Sua participa\u00e7\u00e3o \u00e9 da maneira mais descart\u00e1vel poss\u00edvel, servindo apenas como uma refer\u00eancia e para refor\u00e7ar o discurso &#8211; constantemente repetitivo &#8211; dos acontecimentos do primeiro filme. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Judy Greer<\/strong>, na pele da filha traumatizada de Laurie, entrega uma atua\u00e7\u00e3o banal com uma personagem com potencial, mas mal trabalhada. Para finalizar, <strong>Andi Matichak<\/strong> se revela a mais descart\u00e1vel, tendo a pior trama envolta todas as outras. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sendo relativa, a divers\u00e3o aparentemente existe ao p\u00fablico atual. A trama n\u00e3o exige muita concentra\u00e7\u00e3o e o ritmo \u00e9 constante e \u00edntimo dos espectadores modernos. Nisso, <strong>Halloween<\/strong>, ao inv\u00e9s de se mostrar uma sequ\u00eancia direta do cl\u00e1ssico, mostrou-se uma releitura do personagem, desenvolvida ao p\u00fablico jovem, que clama por filmes de terror para serem aproveitados em turma e divertidos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Infelizmente, essa narrativa escolhida \u00e9 a principal culpada do preconceito em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero, n\u00e3o dando a credibilidade que ele merece. Obras de terror, desde sua origem, trouxeram questionamentos, seja sobre nossa sociedade, religi\u00e3o ou sobre n\u00f3s mesmos. Portanto, junto com o medo e a tens\u00e3o, faziam o espectador refletir sobre algo. O pr\u00f3prio <strong>Halloween (1978)\u00a0<\/strong>\u00e9 assim. A cria\u00e7\u00e3o de um personagem frio, sem pudor e sem explica\u00e7\u00e3o mental faz o espectador temer o desconhecido. Afinal, quem \u00e9 Michael Myers? <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui, nada disso \u00e9 presente. Como j\u00e1 dito, o longa passa a credibilidade de ser s\u00e9rio e ser uma continua\u00e7\u00e3o da mesma obra que criou os questionamentos citados acima. A falta disso gera um inc\u00f4modo em quem espera n\u00e3o s\u00f3 um bom filme de terror, mas pelo menos um bom filme. N\u00e3o h\u00e1 a exig\u00eancia de todo terror ser algo s\u00e9rio e tenebroso. <strong>A Morte Te D\u00e1 Parab\u00e9ns (2017)<\/strong>, por exemplo, funciona como um terror leve para adolescentes e est\u00e1 tudo bem. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A falta de coragem em montar uma narrativa mais lenta para uma boa constru\u00e7\u00e3o, faz de <strong>Halloween<\/strong>, at\u00e9 ent\u00e3o, a maior decep\u00e7\u00e3o do ano. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Hollywood tem que saber a hora de parar. \u00c9 compreens\u00edvel todo o cen\u00e1rio de ind\u00fastria e o quanto de dinheiro \u00e9 envolvido em cada projeto, mas h\u00e1 momentos em que \u00e9 preciso parar. 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