{"id":73556,"date":"2018-11-01T10:43:01","date_gmt":"2018-11-01T13:43:01","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73556"},"modified":"2018-11-01T10:43:01","modified_gmt":"2018-11-01T13:43:01","slug":"lars-von-trier-encanta-e-afronta-o-publico-com-seu-poderoso-discurso-metaforico-em-a-casa-que-jack-construiu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/lars-von-trier-encanta-e-afronta-o-publico-com-seu-poderoso-discurso-metaforico-em-a-casa-que-jack-construiu\/","title":{"rendered":"Lars Von Trier encanta e afronta o p\u00fablico com seu poderoso discurso metaf\u00f3rico em \u201cA Casa que Jack Construiu\u201d"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inevitavelmente,<strong> Lars Von Trier<\/strong> \u00e9 um dos nomes mais chamativos do cinema atualmente. Estatelando tanto para o negativismo de sua obra exagerada e insens\u00edvel, quanto para o positivismo, com olhares encantados \u00e0 \u201cobra prima\u201d do dinamarqu\u00eas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por mais que voc\u00ea escolha um dos dois, Von Trier \u00e9 um diretor a se reconhecer. Mesmo com seu discurso ignorante sobre a qualidade de suas pr\u00f3prias obras. Por outro lado, h\u00e1 tamb\u00e9m uma ignor\u00e2ncia da cr\u00edtica sobre seus filmes e suas mensagens. E em <strong>A Casa que Jack Construiu<\/strong> isso n\u00e3o \u00e9 diferente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sem medo de chocar com sua dire\u00e7\u00e3o forte, Von Trier segue a mesma narrativa de <strong>Ninfoman\u00edaca (2013)<\/strong>. H\u00e1 divis\u00f5es em cap\u00edtulos &#8211; como o cineasta gosta de contar suas hist\u00f3rias &#8211; a personagem \u00e9 fora do padr\u00e3o comum e a mesma se comunica com um personagem misterioso e inicialmente comum, mas que no final se mostra t\u00e3o desajustado quanto. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">D\u00e1 pra ver como Von Trier se manteve em uma mesma linha dram\u00e1tica, caracter\u00edstica que pode desagradar aqueles que j\u00e1 o acompanham h\u00e1 tempos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contudo, <strong>A Casa que Jack Construiu<\/strong> discute diferentes assuntos de diferentes maneiras. Por um lado, a nova obra do cineasta dinamarqu\u00eas discute a pr\u00f3pria ess\u00eancia do ser humano com um discurso de poder, trazendo conceitos de atuais l\u00edderes mundiais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O personagem de <strong>Matt Dillon<\/strong> no in\u00edcio se mostra um \u201climpador\u201d, trazendo discurso de varrer o mundo de pessoas ruins, por isso suas v\u00edtimas trazem caracter\u00edsticas negativas, como arrog\u00e2ncia, individualismo, importuna\u00e7\u00e3o e gan\u00e2ncia. Isso faz com que o espectador se sinta conectado com <strong>Jack<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, suas caracter\u00edsticas como assassino v\u00e3o exagerando, e seu perfeccionismo vai s\u00f3 aumento. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui, Von Trier demonstra a mensagem de que, no come\u00e7o, acreditamos ser a mudan\u00e7a, a limpeza do mal do mundo, mas, com o tempo, esse \u00f3dio se torna exagerado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O discurso \u00e9 ainda mais refor\u00e7ado pelas v\u00edtimas de <strong>Jack<\/strong>. Na maioria mulheres, o pr\u00f3prio texto deixa expl\u00edcito o olhar de superioridade dele ao personagem do sexo oposto. H\u00e1 tamb\u00e9m crian\u00e7as &#8211; que, por ess\u00eancia s\u00e3o pessoas inocentes, sem qualquer capacidade de defesa. E por fim, um negro e um japon\u00eas, presos em uma trincheira da Segunda Guerra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"> Von Trier deixa tudo isso limpo em tela, e refor\u00e7a ainda mais no texto. Cinematograficamente, sua escolha \u00e9 conden\u00e1vel, transformando tudo em pleonasmo, j\u00e1 que h\u00e1 uma repeti\u00e7\u00e3o daquilo que est\u00e1 em tela, nas falas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, seguindo a linha metaf\u00f3rica citada acima, esse pleonasmo, na realidade, \u00e9 um refor\u00e7o e um alerta, j\u00e1 que, mesmo sabendo o que est\u00e1 acontecendo, ainda precisamos de algu\u00e9m nos refor\u00e7ando para enxergarmos a realidade estampada na nossa frente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em tempos atuais, essa mensagem pode ser facilmente interpretada dessa maneira, dando margem para os detalhes finais, muito ligados a religi\u00e3o, principalmente com a ida de <strong>Jack<\/strong> ao inferno.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pelo outro lado, o cineasta pode estar realizando uma autocr\u00edtica de toda sua filmografia e de sua carreira como cineasta. O pr\u00f3prio <strong>Jack<\/strong>, ent<\/span>\u00e3o, seria ele. No in\u00edcio, seus filmes eram vistos por ele como obras de arte e perfeitas, enquanto a cr\u00edtica e o p\u00fablico enxerga aquilo como algo desagrad\u00e1vel e s\u00f3rdido, como em <strong>Elementos de um Crime (1984)<\/strong> e <strong>Ondas do Destino (1996)<\/strong>, suas duas primeiras obras.<\/p>\n<p>O discurso ganha ainda mais for\u00e7a quando Lars decide colocar r\u00e1pidos flashes de seus filmes, como <strong>Anticristo (2009)<\/strong> e o j\u00e1 citado <strong>Ninfoman\u00edaca<\/strong>.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00f3 o fato do longa trazer duas de diversas poss\u00edveis an\u00e1lises j\u00e1 fazem de <strong>A Casa que Jack Construiu<\/strong> uma obra por si s\u00f3. Tecnicamente, a dire\u00e7\u00e3o \u00e9 impec\u00e1vel. O trabalho traz elementos caracter\u00edsticos de sua filmografia, com uma c\u00e2mera mais solta e recheada de planos fechados, deixando tudo com uma cara documental e o espectador ainda mais pr\u00f3ximo daquele personagem e de seu universo sujo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos assassinatos, o cineasta trabalha com uma realidade fora do comum. A sujeira e o gore das cenas s\u00e3o cr\u00edveis, justificando\u00a0 a pol\u00eamica em Cannes, com a sa\u00edda de diversos cr\u00edticos no meio da sess\u00e3o por uma espec\u00edfica cena. Contudo, a cena em quest\u00e3o, muito debatida pelo caso em Cannes, \u00e9 discut\u00edvel. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Realmente as imagens retratadas machucam pela frieza, mas ao mesmo tempo e de forma controversa, a cena pol\u00eamica em quest\u00e3o, envolvendo uma crian\u00e7a, \u00e9 deveras falsa pelo uso de um n\u00edtido boneco para sua realiza\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O arco final \u00e9 a verdadeira demonstra\u00e7\u00e3o da genialidade de Von Trier como cineasta. A sequ\u00eancia pode ser vista como distante da narrativa mais p\u00e9 no ch\u00e3o que toma conta de praticamente todo o longa. Por\u00e9m, as caracter\u00edsticas do final foram dadas aos poucos, principalmente por termos um personagem chamado <strong>Virg\u00edlio<\/strong> &#8211; interpretado maravilhosamente por <strong>Bruno Ganz<\/strong> &#8211; poeta romano cl\u00e1ssico que serviu de grande influ\u00eancia para <strong>A Divina Com\u00e9dia<\/strong>, que, por sua vez, \u00e9 lindamente referenciada na sequ\u00eancia final. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho primoroso da dire\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 na atua\u00e7\u00e3o de <strong>Matt Dillon<\/strong>, que, de longe, apresenta seu melhor trabalho em anos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fim, <strong>Lars Von Trier<\/strong> entrega mais um trabalho pol\u00eamico em sua carreira. Pol\u00eamico pelas cenas, pelas met\u00e1foras e at\u00e9 por sua estabilidade narrativa. Entretanto, sua qualidade como cineasta n\u00e3o diminui a obra que \u00e9 <strong>A Casa que Jack Construiu<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com um discurso forte, dado com uma dire\u00e7\u00e3o ainda mais, faz de seu novo filme uma experi\u00eancia \u00fanica no cinema, mas apenas para aqueles que n\u00e3o consumiram muito do diretor. Caso o contr\u00e1rio, as duas horas e meia de dura\u00e7\u00e3o ser\u00e3o ainda mais dolorosas. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Inevitavelmente, Lars Von Trier \u00e9 um dos nomes mais chamativos do cinema atualmente. 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