{"id":73632,"date":"2018-11-21T17:29:28","date_gmt":"2018-11-21T20:29:28","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73632"},"modified":"2018-11-21T21:25:39","modified_gmt":"2018-11-22T00:25:39","slug":"spike-lee-se-utiliza-de-um-poderoso-discurso-contra-o-preconceito-em-infiltrado-na-klan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/spike-lee-se-utiliza-de-um-poderoso-discurso-contra-o-preconceito-em-infiltrado-na-klan\/","title":{"rendered":"Spike Lee se utiliza de um poderoso discurso contra o preconceito em &#8220;Infiltrado na Klan&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nunca na hist\u00f3ria da s\u00e9tima arte estadunidense existiu um diretor afro-americano que pudesse superar <strong>Spike Lee<\/strong>. Diga-se de passagem, o diretor\u00a0tem uma enorme e imprescind\u00edvel import\u00e2ncia no cinema \u00e9tnico racial e social. Em sua filmografia, Lee possui obras de sensos cr\u00edticos que v\u00e3o desde com\u00e9dia, drama, g\u00eaneros biogr\u00e1ficos, document\u00e1rios at\u00e9 s\u00e9ries.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Este ano, ele surpreendeu a todos com seu novo longa-metragem no <strong>Festival de Cannes<\/strong>: <strong>BlacKkKlansman<\/strong> (\u2018Klan Negro\u2019, ao p\u00e9 da letra e intitulado como <strong>Infiltrado na Klan<\/strong>) e que estreia nesta quinta aqui no Brasil, em que v\u00e1rias cidades comemoram a semana afro-brasileira. O filme \u00e9 baseado nas mem\u00f3rias do livro Black Klansman do ex-detetive <strong>Ron Stallworth<\/strong>, que, em 1979, tornou-se o primeiro oficial negro da cidade de <strong>Colorado Springs<\/strong> e participou de uma importante opera\u00e7\u00e3o secreta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Apesar de sua excelente filmografia houver filmes de peso como <strong>Malcolm X <\/strong>(1992), <strong>Febre da Selva <\/strong>(1991) e <strong>Fa\u00e7a a Coisa Certa<\/strong> (1989), <strong>Infiltrado na Klan<\/strong> \u00e9 o seu projeto mais \u00e1vido e tamb\u00e9m o mais sensorial, tratando-se de cr\u00edticas com inclus\u00f5es de conte\u00fado do bom humor negro.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Lee deita e rola sobre o racismo, assunto que ele domina muito bem, sem perder a pegada j\u00e1 conhecida pelo p\u00fablico. Aqui, ele faz quest\u00e3o que saibamos da real hist\u00f3ria de um policial negro que se infiltra na <strong>Ku Klux Klan<\/strong>, organiza\u00e7\u00e3o racista secreta criada pela extrema-direita estadunidense no final do s\u00e9culo XIX, logo ap\u00f3s a <strong>Guerra Civil Americana<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que a <strong>Ku Klux Klan<\/strong> \u00e9 o principal foco de uma produ\u00e7\u00e3o realizada na terra do tio Sam. Filmes como <strong>O Nascimento de uma Na\u00e7\u00e3o<\/strong> (1915) &#8211; que particularmente cont\u00e9m um alto teor racista &#8211; <strong>Ku Klux Klan \u2013 Chamas da Viol\u00eancia <\/strong>(1979) \u2013 baseado na hist\u00f3ria real de <strong>Gary Thomas Rowe Jr.<\/strong>, que tamb\u00e9m se infiltrou na seita e serviu de testemunha-chave para levar aos tribunais diversos membros da Klan &#8211; e at\u00e9 um de mesmo t\u00edtulo: <strong>The Black Klansman<\/strong>, de 1966, que relata de forma nua e crua a falta de empatia dos brancos com a comunidade negra.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Infiltrado na Klan<\/strong> trata-se de um filme que aparenta se passar nos dias atuais, bem como a hist\u00f3ria que, por mais absurda que possa parecer, \u00e9 ver\u00eddica e nos faz testemunhar cenas de ofensas do grupo extremista, coisa que hoje em dia est\u00e1 explicitamente presente, principalmente por meios de redes sociais (onde a coisa se intensifica cada vez mais). Por mais que a gente n\u00e3o perceba, <strong>Infiltrado na Klan<\/strong> \u00e9 um filme sobre resist\u00eancia \u00e0 supremacia branca dos Estados Unidos da Am\u00e9rica e um ato de protesto que Lee nos convida a gritarmos juntos \u2013 j\u00e1 que aqui no Brasil, a coisa n\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ambientado no final da d\u00e9cada de 1970, <strong>Ron Stallworth<\/strong>\u00a0&#8211; interpretado excelentemente por <strong>John David Washington<\/strong> &#8211; \u00e9 um jovem aspirante a detetive. Ele come\u00e7a disfar\u00e7ado em uma das manifesta\u00e7\u00f5es que est\u00e3o come\u00e7ando a se espalhar para alertar os negros sobre a viol\u00eancia que est\u00e3o prestes a sofrer \u2013 principalmente por parte das autoridades policiais. Ron, ent\u00e3o, faz amizade com <strong>Patrice Dumas (Laura Harrier)<\/strong>, uma l\u00edder ativista dos Panteras Negra.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 ent\u00e3o que Ron casualmente v\u00ea em um jornal local o n\u00famero do telefone da <strong>Ku Klux Klan<\/strong> \u00e0 procura de novos membros. Ele se atreve a responder ao an\u00fancio se fazendo passar por homem branco e decide fazer parte da equipe de investiga\u00e7\u00e3o sob a supervis\u00e3o de seu chefe. Enquanto Ron conquista a confian\u00e7a deles, ele ter\u00e1 o aux\u00edlio de <strong>Flip Zimmerman (Adam Driver)<\/strong> para se passar por ele quando fosse preciso estar presente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O problema \u00e9 que Flip \u00e9 um judeu que nunca deu a m\u00ednima de pertencer ao grupo odiado pela Klan ou pelo fato de seus ancestrais terem sofrido na \u00e9poca do <strong>Holocausto<\/strong>, chegando a negar suas origens e passando a disfar\u00e7ar uma repugn\u00e2ncia por negros e judeus com o objetivo de despistar os olhares desconfiados dos membros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Repleto de discursos de \u00f3dio, tanto em cenas quanto na pr\u00f3pria narrativa \u2013 tanto que o filme se inicia com uma simb\u00f3lica cena de <strong>&#8230;E o Vento Levou<\/strong> (1939) em que mostra Scarlett em meio a soldados feridos, finalizando com a bandeira da confedera\u00e7\u00e3o americana, principal emblema da supremacia branca dos Estados Unidos. O in\u00edcio segue ent\u00e3o com um discurso nada cordial interpretado por <strong>Alec Baldwin<\/strong>, servindo como uma clara provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 <strong>Donald Trump.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Infiltrado na Klan<\/strong>, neste caso, demonstra-se uma alegoria de debates e resist\u00eancia \u00e0 minorias americanas. Al\u00e9m de mexer na ferida e bater de frente com o atual governo do seu pa\u00eds, <strong>Spike Lee<\/strong> deu a cara a bater e d\u00e1 nome aos bois, como o do ex-diretor nacional da Klan, <strong>David Duke<\/strong> (com quem Ron conversa por telefone), o desconfiado e impiedoso racista\u00a0<strong>Felix Kendrickson<\/strong>\u00a0e sua esposa <strong>Connie Kendrickson<\/strong>.<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos que protagonizam cenas pol\u00eamicas. O m\u00fasico e ator <strong>Harry Belafonte<\/strong> faz uma ponta magistral. Num papel de ativista anci\u00e3o, ele narra uma assustadora linchagem do jovem de 17 anos, <strong>Jesse Washington<\/strong>, em maio de 1916. Jesse foi\u00a0acusado injustamente de ter estuprado e matado uma mulher branca, <strong>Lucy Fryer<\/strong>. Jesse foi julgado e condenado por um j\u00fari formado apenas por pessoas brancas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Enquanto ele fala da barb\u00e1rie que o jovem sofreu, membros da Klan ovacionam a exibi\u00e7\u00e3o do filme <strong>O Nascimento de uma Na\u00e7\u00e3o<\/strong>, com um palavreado pesado aos negros ao mesmo tempo que delatam seu \u00f3dio regado a aplausos. \u00c9 claramente n\u00edtido que entre a montagem das duas cenas, h\u00e1 o embate entre resist\u00eancia e a ignor\u00e2ncia, bem como a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que o diretor faz quest\u00e3o de mostrar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De in\u00edcio, o ritmo de <strong>Infiltrado na Klan<\/strong> n\u00e3o \u00e9 de um suspense policial. Ele passa de com\u00e9dia dram\u00e1tica, vai ganhando cada vez mais f\u00f4lego at\u00e9 seus momentos finais. \u00c9 interessante acompanhar esta crescente espiral de for\u00e7a, garra e persist\u00eancia de uma conquista pessoal de um diretor, que tem em seus trabalhos, narrativas din\u00e2micas que falam diretamente com o p\u00fablico a sua inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em sua nova obra, n\u00e3o foi diferente. Aqui, ele traz abordagens mais pesadas e intimistas com um final de cenas reais chocantes, como o pr\u00f3prio Lee j\u00e1 fez, tal como o israelense\u00a0<strong>Ari Folman<\/strong> em <strong>A Valsa Com Bashir<\/strong> (2008).\u00a0\u00c9 necess\u00e1rio que as mostrem, por ser um filme que promove discuss\u00f5es l\u00facidas na sa\u00edda dos cinemas por conta de seu forte impacto emocional que ele nos causa. Imperd\u00edvel!<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Nunca na hist\u00f3ria da s\u00e9tima arte estadunidense existiu um diretor afro-americano que pudesse superar Spike Lee. Diga-se de passagem, o diretor\u00a0tem uma enorme e imprescind\u00edvel import\u00e2ncia no cinema \u00e9tnico racial e social. Em sua filmografia, Lee possui obras de sensos cr\u00edticos que v\u00e3o desde com\u00e9dia, drama, g\u00eaneros biogr\u00e1ficos, document\u00e1rios at\u00e9 s\u00e9ries. 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