{"id":73665,"date":"2018-12-04T20:39:28","date_gmt":"2018-12-04T23:39:28","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73665"},"modified":"2018-12-04T20:39:28","modified_gmt":"2018-12-04T23:39:28","slug":"a-vida-em-si-se-enrola-em-sua-propria-bagunca-e-esquece-de-contar-uma-historia-consistente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/a-vida-em-si-se-enrola-em-sua-propria-bagunca-e-esquece-de-contar-uma-historia-consistente\/","title":{"rendered":"&#8220;A Vida em Si&#8221; se enrola em sua pr\u00f3pria bagun\u00e7a e esquece de contar uma hist\u00f3ria consistente"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para quem j\u00e1 assistiu alguns minutos de <strong>This Is Us<\/strong> (2016 -), j\u00e1 sabe como Dan Fogelman controla sua narrativa. Diferentes hist\u00f3rias, com um tema dram\u00e1tico, envolvendo amor e o que mais temos de humano, al\u00e9m do leve toque de humor. Sendo diretor e roteirista, <strong>A Vida em Si<\/strong> n\u00e3o poderia ter um tratamento diferente. Contudo, para provar que o amor \u00e9 a resposta fundamental para todos os nossos traumas e conflitos, Fogelman extrapola em seu tom dram\u00e1tico, para refor\u00e7ar constantemente uma ideia previs\u00edvel narrativamente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Igual a s\u00e9rie, a est\u00e9tica do longa traz uma qualidade tremenda. A dire\u00e7\u00e3o de Fogelman, apesar de exagerada, consegue trazer, esteticamente, bons momentos, incluindo as atua\u00e7\u00f5es. Da mesma maneira que <strong>This Is Us<\/strong> traz alguns nomes conhecidos, <strong>A Vida em Si<\/strong> acerta no elenco, com destaques exclusivos para <strong>Antonio Banderas<\/strong> e <strong>Oscar Isaac<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, sua escolha narrativa n\u00e3o se segura e n\u00e3o mant\u00e9m um equil\u00edbrio com seu decorrer. Dividido em quatro cap\u00edtulos, Fogelman n\u00e3o encontrou um equil\u00edbrio saud\u00e1vel para cada um e que, mesmo se tornando um s\u00f3 na conclus\u00e3o, seu estilo de dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o conversa entre eles, resultando em diversas e diferentes hist\u00f3rias, mas que ao todo n\u00e3o entrega nenhuma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro cap\u00edtulo foca no personagem de Isaac, que apresenta uma atua\u00e7\u00e3o segura em seu personagem psicologicamente afetado, trazendo distintas nuances em diferentes tons. Sua narrativa ganha destaque pela participa\u00e7\u00e3o curta, mas marcante de <strong>Samuel L. Jackson<\/strong>, sendo ele mesmo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com isso, o roteiro nos apresenta uma narrativa cinematogr\u00e1fica, trabalhando realmente com metalinguagem. Tanto que as pr\u00f3prias divis\u00f5es s\u00e3o inspiradas puramente em <strong>Tarantino<\/strong>, diretor que o personagem de Isaac e <strong>Olivia Wilde<\/strong> tem como \u00eddolo. Dentro da brincadeira de metalinguagem, somos apresentados tamb\u00e9m ao conceito do <strong>narrador n\u00e3o confi\u00e1vel<\/strong>, termo cunhado pelo cr\u00edtico liter\u00e1rio <strong>Wayne C. Booth<\/strong>, em 1961. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ali, Fogelman nos apresenta a linha narrativa de sua trama, por\u00e9m a mesma se torna previs\u00edvel pelo uso de uma narra\u00e7\u00e3o em sua obra. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre isso, Fogelman montou um roteiro\u00a0 bagun\u00e7ado, com termos e estilos apenas jogados, sendo poucos utilizados no decorrer da hist\u00f3ria. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O conceito dos cap\u00edtulos \u00e9 bem apresentado, no entanto, seu conceito perde for\u00e7as ao passar para outra trama, que n\u00e3o conversa com esse estilo narrativo. A mesma coisa sobre o narrador. O filme nos apresenta uma narra\u00e7\u00e3o em off, mas aos poucos, ela perde for\u00e7a, voltando apenas perto da conclus\u00e3o, servindo, assim, como um apoiador para explicar toda\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a costura feita. Isso faz com que haja diferentes filmes dentro de um s\u00f3. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E nesta divis\u00e3o, quem mais sofreu foi <strong>Olivia Cooke<\/strong>, que por mais que ainda n\u00e3o tenha demonstrado seu potencial, consegue estabelecer uma boa personagem. Mas, sem um tempo de tela o bastante para trabalhar da maneira correta. Neste ponto, Fogelman n\u00e3o soube dividir da maneira que est\u00e1 acostumado em <strong>This Is Us.<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda mais quando a trama passa para a Espanha, com Banderas, <strong>Laia Costa<\/strong>, <strong>\u00c0lex Monner<\/strong> e <strong>Sergio Peris-Mencheta<\/strong>. A partir do terceiro cap\u00edtulo, o longa ganha um outro rumo. E, ainda que continue trazendo o amor como pauta, ganha diferentes caracter\u00edsticas de dire\u00e7\u00e3o e controle narrativo. O que faz sentido, por\u00e9m, torna a costura final artificial. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, Fogelman se destaca nas terras espanholas. Principalmente ao trabalhar com Banderas, que apresenta um mon\u00f3logo poderoso em uma atua\u00e7\u00e3o no mesmo n\u00edvel. Sua explora\u00e7\u00e3o do ambiente e dos personagens agradam o espectador, que tamb\u00e9m se encanta com a montagem, outra forte caracter\u00edstica do diretor na s\u00e9rie dram\u00e1tica. Mas toda beleza \u00e9 ofuscada pela for\u00e7a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica da mensagem. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o s\u00f3 a do amor, mas como nossas vidas possuem nossos pr\u00f3prios narradores n\u00e3o confi\u00e1veis e sobre como nossas escolhas nos levam para um caminho pr\u00f3prio, conhecendo pessoas espec\u00edficas e vivendo experi\u00eancias \u00fanicas. O roteiro at\u00e9 brinca com isso. H\u00e1 momentos de \u201crealidades alternativas\u201d, de situa\u00e7\u00f5es nas quais agimos, mas adorar\u00edamos voltar e falar de outra forma. Isso \u00e9 bem montado, dando humanidade na situa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 dando um tom mais leve na trama. Entretanto, como todo o filme, essa mesma caracter\u00edstica some a partir de um ponto narrativo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Toda essa bagun\u00e7a estrutural de Fogelman faz <strong>A Vida em Si<\/strong> perder for\u00e7a na hist\u00f3ria. Seus personagens s\u00e3o interessantes e a pr\u00f3pria trama em si convida o espectador a se interessar, por\u00e9m, a dire\u00e7\u00e3o for\u00e7a o drama sem dar a m\u00ednima chance para a hist\u00f3ria funcionar sozinha. Isso resulta em uma constru\u00e7\u00e3o previs\u00edvel e excessiva para trazer uma mensagem repetitiva de que o amor \u00e9 o ciclo de nossas hist\u00f3rias. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Para quem j\u00e1 assistiu alguns minutos de This Is Us (2016 -), j\u00e1 sabe como Dan Fogelman controla sua narrativa. Diferentes hist\u00f3rias, com um tema dram\u00e1tico, envolvendo amor e o que mais temos de humano, al\u00e9m do leve toque de humor. 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