{"id":73777,"date":"2019-01-09T21:18:33","date_gmt":"2019-01-10T00:18:33","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73777"},"modified":"2019-06-05T11:12:49","modified_gmt":"2019-06-05T14:12:49","slug":"nem-com-belo-visual-maquinas-mortais-salva-espectador-do-longo-tedio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/nem-com-belo-visual-maquinas-mortais-salva-espectador-do-longo-tedio\/","title":{"rendered":"Nem com belo visual \u201cM\u00e1quinas Mortais\u201d salva espectador do longo t\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo depois de 16 anos passados, <strong>O Senhor dos An\u00e9is<\/strong>\u00a0(2001-2003) \u00e9 uma das franquias mais adoradas e importantes do cinema. Consequentemente, o nome de <strong>Peter Jackson<\/strong> sempre chama a aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o importa a obra. Mesmo depois do estrondoso sucesso da trilogia fant\u00e1stica &#8211; que lhe rendeu 17 estatuetas do Oscar &#8211; Jackson conseguiu trazer obras curiosas \u00e0s telonas, como a nova vers\u00e3o de <strong>King Kong<\/strong>\u00a0(2005) e o drama\u00a0<strong>Um Olhar do Para\u00edso<\/strong> (2009). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que fosse criticado com a trilogia <strong>O Hobbit<\/strong> (2012-2014), Jackson \u00e9 um nome chamativo, at\u00e9 pela esperan\u00e7a de uma repeti\u00e7\u00e3o do sucesso. E n\u00e3o s\u00f3 como diretor, at\u00e9 porque, como produtor, esteve envolvido em filmes como <strong>Distrito 9<\/strong> (2009) e <strong>As Aventuras de Tintim<\/strong> (2011), ambos elogiadas pela cr\u00edtica. Por\u00e9m, todo grande astro erra alguma vez. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo que\u00a0o neozeland\u00eas j\u00e1 tenha sido criticado pelo retorno \u00e0 Terra M\u00e9dia, tanto p\u00fablico quanto cr\u00edticos n\u00e3o esperavam que o curioso projeto da adapta\u00e7\u00e3o da tetralogia <strong>M\u00e1quinas Mortais<\/strong> sairia t\u00e3o errada assim. Por mais que seu nome n\u00e3o esteja na cadeira de diretor, o mesmo esteve a par do projeto, sendo n\u00e3o s\u00f3 produtor, como tamb\u00e9m um dos roteiristas, o que deixa ainda mais duvidoso de como tr\u00eas cabe\u00e7as conseguiram fazer algo t\u00e3o massante e ruim como este filme. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao lermos o nome de Jackson em qualquer cartaz, j\u00e1 imaginamos algo grande e fantasioso. De fato, o longa entrega as duas caracter\u00edsticas. Inclusive, a trama traz um conceito extremamente interessante, que realmente convida o espectador a fazer parte daquele universo e consumi-lo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tudo isso, <strong>Christian Rivers<\/strong> consegue fazer nos primeiros 15 minutos de longa, que traz uma bel\u00edssima persegui\u00e7\u00e3o entre as <strong>Cidades Tra\u00e7\u00e3o <\/strong>&#8211; termo designado para as cidades, que depois da <strong>Guerra dos Sessenta Segundos<\/strong>, movem-se como m\u00e1quinas &#8211; al\u00e9m de apresentar caracter\u00edsticas curiosas e chamativas sobre aquele universo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, o espectador j\u00e1 se sente impacto com tudo aquilo e encara a aventura que os espera. Entretanto, tudo fica apenas dentro desses 15 minutos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao mesmo tempo em que se espera o tom mais fantasioso e grandioso de Jackson em tela, uma fundamental caracter\u00edstica que sempre chamou e chama a aten\u00e7\u00e3o de seus filmes \u00e9 o visual. Caracter\u00edstica essa que aqui tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 decepcionante. N\u00e3o s\u00f3 as <strong>Cidades Tra\u00e7\u00e3o<\/strong> encantam os olhos, como tamb\u00e9m toda a ambienta\u00e7\u00e3o e figurino criado \u00e0quele universo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, diante tanta beleza visual, Jackson, <strong>Philippa Boyens<\/strong> e <strong>Fran Walsh<\/strong> n\u00e3o conseguiram focar em uma narrativa plaus\u00edvel, coerente e convidativa o suficiente para o p\u00fablico se manter atento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como dito anteriormente, at\u00e9 h\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o inicial interessante, com uma representa\u00e7\u00e3o f\u00edsica do que seria um conflito pol\u00edtico entre cidades, no qual o mais forte sempre procura sobressair o mais fraco em busca de poder. No entanto, toda essa qualidade fica em \u00faltimo plano e \u00e9 ofuscada por uma narrativa que envolve romance adolescente, personagens mal desenvolvidos e a clich\u00ea jornada de vingan\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro erro do longa j\u00e1 est\u00e1 na apresenta\u00e7\u00e3o de personagens. N\u00e3o que h\u00e1 uma falha na apresenta\u00e7\u00e3o em si, mas sim no ato de apresentar personagens. Dentro das duas horas de dura\u00e7\u00e3o, o longa apresenta mais de 20 personagens, sendo muitos gratuitos e com pouca import\u00e2ncia em tela, o que, n\u00e3o s\u00f3 torna inexistente o desenvolvimento deles, como tamb\u00e9m gera uma confus\u00e3o na narrativa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 porque, apesar de adaptar o primeiro volume de uma tetralogia, o filme se fecha em sua proposta &#8211; isso porque, caso retorne a bilheteria esperada, pensam em uma franquia, mas caso ocorra o contr\u00e1rio, n\u00e3o desperdi\u00e7aram hist\u00f3ria. Com isso, muitas coisas s\u00e3o apresentadas, deixadas de lado e resolvidas de forma r\u00e1pida na conclus\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_image _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/M\u00e1quinas-Mortais2.jpg&#8221; \/][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Momentos como esse, n\u00e3o s\u00f3 deixam todo o decorrer confuso, como desnecess\u00e1rio para o verdadeiro centro da trama. Mesmo que o longa acompanhe a personagem de <strong>Hera Hilmar<\/strong>, todo o interesse do espectador n\u00e3o consegue focar nela, mas sim no universo, justamente o ponto que n\u00e3o \u00e9 desenvolvido. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A proposta da aventura de Hester \u00e9 p\u00edfia, sem qualquer novidade ou diferencial de outras aventuras p\u00f3s-apocal\u00edpticas como <strong>Maze Runner<\/strong> (2014-2018) ou <strong>Divergente<\/strong> (2014-2016). O desenvolvimento \u00e9 o mesmo, as revela\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mesmas e a resolu\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 ser chamada de c\u00f3pia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nisso, vemos que <strong>M\u00e1quinas Mortais<\/strong>, de modo geral, traz uma constru\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, com discuss\u00f5es modernas recheadas de reflex\u00f5es importantes sobre humanidade e pol\u00edtica, al\u00e9m de uma interessante analogia com mitologia e suas met\u00e1foras. Entretanto, o foco foi em fazer uma hist\u00f3ria b\u00e1sica adolescente, recheada de frases prontas e um humor desgastante que qualquer roteirista iniciante escreveria melhor. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A produ\u00e7\u00e3o procurou n\u00e3o arriscar os milh\u00f5es de d\u00f3lares investidos ao entregar uma narrativa j\u00e1 muito comum. O resultado entregue, ent\u00e3o, foi uma vers\u00e3o de <strong>Transformers<\/strong> com uma participa\u00e7\u00e3o de <strong>Peter Jackson<\/strong>. O cansa\u00e7o, a chatice e m\u00e1 qualidade da hist\u00f3ria s\u00e3o bem parecidos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E junto com a hist\u00f3ria, nada mais se salva. Mesmo com suas fei\u00e7\u00f5es caricatas, Hera \u00e9 a que menos incomoda em tela, diferente do parceiro <strong>Robert Sheehan<\/strong>, um verdadeiro ru\u00eddo desde o primeiro minuto. <strong>Hugo Weaving<\/strong> \u00e9 outro que n\u00e3o consegue entregar um bom trabalho, mantendo-se com um personagem caricato em busca do poder supremo do mundo, tornando-se um t\u00edpico vil\u00e3o vazio, sem qualquer prop\u00f3sito interessante e sequer desenvolvido. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso sem falar dos outros milhares de personagens apresentados de forma gratuita. Mas um que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o Shrike (sim, nome clich\u00ea tamb\u00e9m), interpretado via capta\u00e7\u00e3o de movimento por <strong>Stephen Lang<\/strong>. O suposto vil\u00e3o entra na caracter\u00edstica de bom visual do filme, por\u00e9m sua participa\u00e7\u00e3o funciona para apenas tr\u00eas coisas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A primeira \u00e9 para provar um conceito que foi jogado pelo roteiro, entregar a solu\u00e7\u00e3o da trama na m\u00e3o da protagonista (literalmente) e criar uma carga dram\u00e1tica horrorosa encaixada ap\u00f3s cenas de a\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando ainda mais a raiva do espectador,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">que desde os primeiros 30 minutos j\u00e1 espera a resolu\u00e7\u00e3o previs\u00edvel do filme. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inicialmente, o antagonista chama a aten\u00e7\u00e3o quanto a sua proposta, mas ela foi resultada de uma barriga e uma justificativa para criar dificuldades a protagonista em sua jornada. O mesmo acontece com a personagem da sul-coreana <strong>Jihae<\/strong>. Tamb\u00e9m apresentada de forma jogada, ela \u00e9 vendida como algo extraordin\u00e1rio, mas \u00e9 representada apenas como mais uma guerreira forte, falhando em trazer qualquer empoderamento que estava proposto. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para ajudar, a dire\u00e7\u00e3o de Rivers \u00e9 desgostosa. O neozeland\u00eas sempre esteve mais envolvido na parte de efeitos especiais &#8211; tanto que recebeu o Oscar por seu trabalho em <strong>King Kong<\/strong> &#8211; e isso n\u00e3o demonstrou ser uma qualidade crucial para arriscar na dire\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A c\u00e2mera de Rivers n\u00e3o traz nada de novo. Diante um cen\u00e1rio visualmente encantador, o diretor n\u00e3o explora isso a seu favor, com planos padr\u00f5es e movimentos de c\u00e2mera que tinham a inten\u00e7\u00e3o de exaltar o personagem, mas devido ao exagero, resultou algo amador. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda a dire\u00e7\u00e3o de Rivers \u00e9 a montagem do longa.\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A edi\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente apenas para refor\u00e7ar o qu\u00e3o ruim tudo foi constru\u00eddo e faz tudo piorar, principalmente em cenas de grandes acontecimentos. Ela funciona apenas na cena inicial, depois passa a ter s\u00e9rios problemas de organiza\u00e7\u00e3o, exagerando com cortes secos em momentos que n\u00e3o exigem a t\u00e9cnica, o que resulta em erros de continuidade grav\u00edssimos e perda de ritmo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao todo, <strong>M\u00e1quinas Mortais<\/strong> se provou um desperd\u00edcio. Sem qualquer desenvolvimento bem feito e foco nos temas realmente chamativos, sua trama \u00e9 cansativa e enjoativa, sem gerar qualquer prazer no espectador, que luta para se manter acordado durante sua longa dura\u00e7\u00e3o. Por sua vez, o longa est\u00e1 longe de manchar a filmografia de Jackson. A obra s\u00f3 mostra que muitas vezes um rosto bonito n\u00e3o vale nada sem conte\u00fado. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Mesmo depois de 16 anos passados, O Senhor dos An\u00e9is\u00a0(2001-2003) \u00e9 uma das franquias mais adoradas e importantes do cinema. Consequentemente, o nome de Peter Jackson sempre chama a aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o importa a obra. 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