{"id":73786,"date":"2019-01-12T10:21:05","date_gmt":"2019-01-12T13:21:05","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73786"},"modified":"2019-06-05T11:12:37","modified_gmt":"2019-06-05T14:12:37","slug":"com-vidro-shyamalan-conclui-trilogia-heroica-de-maneira-madura-e-extraordinaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/com-vidro-shyamalan-conclui-trilogia-heroica-de-maneira-madura-e-extraordinaria\/","title":{"rendered":"Com \u201cVidro\u201d, Shyamalan conclui trilogia heroica de maneira madura e extraordin\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 19 anos, <strong>M. Night Shyamalan<\/strong> escutou de est\u00fadio e cr\u00edticas sobre o qu\u00e3o <strong>Corpo Fechado<\/strong> era um filme errado, principalmente por tratar sobre quadrinhos e super her\u00f3is em uma \u00e9poca em que o tema n\u00e3o era pop. O passar do tempo provou o quanto a obra merecia sim seu espa\u00e7o entre os personagens da <strong>Marvel<\/strong> e da <strong>DC<\/strong>, tanto que Shyamalan enxergou a oportunidade de lan\u00e7ar sua sequ\u00eancia 16 anos depois ap\u00f3s o primeiro filme. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E ent\u00e3o, chegamos na conclus\u00e3o extraordin\u00e1ria de uma trilogia corajosa o suficiente para mostrar uma vis\u00e3o madura e honesta sobre um universo pautado na infantilidade e, muitas vezes, futilidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo depois de 19 anos passados, ainda \u00e9 incompreens\u00edvel a desaprova\u00e7\u00e3o em cima de <strong>Corpo Fechado<\/strong>. A constru\u00e7\u00e3o narrativa de Shyamalan est\u00e1 no mesmo n\u00edvel &#8211; ou at\u00e9 superior &#8211; ao filme antecessor, que colocou o diretor nos holofotes: <strong>O Sexto Sentido\u00a0<\/strong>(1999). A superioridade do longa de 2000 sobre o queridinho do p\u00fablico est\u00e1 justamente na arma que o indiano criou para seu estilo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>O Sexto Sentido<\/strong>\u00a0\u00e9 um filme que funciona uma vez s\u00f3, j\u00e1 que, ap\u00f3s a revela\u00e7\u00e3o, ele perde \u201csua for\u00e7a\u201d principal, enquanto a virada do filme de 2000 ainda se mant\u00e9m intacta atualmente, provocando discuss\u00f5es sobre v\u00e1rias varia\u00e7\u00f5es de temas. Al\u00e9m do controle narrativo espl\u00eandido do diretor ao trabalhar tens\u00e3o, suspense e a\u00e7\u00e3o como o cinema n\u00e3o estava acostumado, adotando um perfil mais mundano daquilo que seria extraordin\u00e1rio. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mesmo ocorre com <strong>Fragmentado<\/strong> (2016), com um pouco mais de avan\u00e7o devido a primorosa atua\u00e7\u00e3o de <strong>James McAvoy<\/strong> &#8211; esnobado nas premia\u00e7\u00f5es passadas, desmerecidamente. Shyamalan manteve seu potencial ao adotar mais um super-humano ao seu universo, desenvolvendo n\u00e3o s\u00f3 um, mas 24 personagens que comp\u00f5em um \u00fanico ser. E em <strong>Vidro<\/strong>, o diretor uniu suas aptid\u00f5es para um conclus\u00e3o no mesmo n\u00edvel dos dois anteriores, qui\u00e7\u00e1, superior. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A continuidade da hist\u00f3ria de Shyamalan eleva sua paix\u00e3o por quadrinhos, como tamb\u00e9m sua maturidade na dire\u00e7\u00e3o. Mesmo ap\u00f3s os dez anos da <strong>Marvel<\/strong> estabelecerem uma linguagem \u00fanica para filmes de super her\u00f3is, o indiano manteve-se maduro em sua proposta e na sua ess\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o. <strong>Vidro<\/strong> representa o modo como Shyamalan enxerga o universo dos quadrinhos e de uma maneira muito original, focada diretamente ao audiovisual, realizando tudo com muito esmero na constru\u00e7\u00e3o de um final &#8211; ou quase isso &#8211; de uma hist\u00f3ria heroica como \u00e9 a trilogia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As qualidades do diretor v\u00e3o desde sua constru\u00e7\u00e3o narrativa da trama e dos personagens at\u00e9 a dire\u00e7\u00e3o de arte. Ali\u00e1s, muito bem trabalhada pelo indiano ao estabelecer as cores dos personagens &#8211; trazendo mais uma ess\u00eancia importante dos quadrinhos &#8211; como tamb\u00e9m construir narrativamente atrav\u00e9s dessas cores. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m de vivas, as tr\u00eas &#8211; sendo verde para Dunn, amarelo para Kevin e roxo para Elijah &#8211; \u00a0conversam com cada personagem em suas pr\u00f3prias constru\u00e7\u00f5es, principalmente com a situa\u00e7\u00e3o do personagem de <strong>Samuel L Jackson<\/strong>, que \u00e9 o principal foco da conclus\u00e3o. Diretamente ligada ao misticismo, magia e mist\u00e9rio, o roxo \u00e9 predominantemente presente no longa, refor\u00e7ando a presen\u00e7a misteriosa e poderosa do personagem dentro da narrativa. Esse estabelecimento de Shyamalan \u00e0 hist\u00f3ria mant\u00e9m a comprova\u00e7\u00e3o do cuidado do diretor em fazer aquilo que ele acredita ser o certo para a conclus\u00e3o do seu universo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Indo al\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o de arte, o cuidado do diretor em construir tens\u00e3o e fazer a hist\u00f3ria caminhar por si s\u00f3 \u00e9 primorosa. Seus movimentos de c\u00e2mera cuidadosos fazem tudo ser visualmente lindo. O cuidado em trabalhar longos planos para explorar a evolu\u00e7\u00e3o do roteiro e dos personagens \u00e9 claro em tela, colocando ainda mais primor em cada um dos cortes e dos sutis movimentos para fazer tudo aquilo ter algum sentido. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa explora\u00e7\u00e3o acontece ainda mais com McAvoy, que repete o brilhantismo de <strong>Fragmentado<\/strong>, com suas sutilezas mudan\u00e7as de personalidade, sem qualquer pausa. A falta de n\u00edtidas diferen\u00e7as entre as personalidade faz da atua\u00e7\u00e3o do brit\u00e2nico ainda mais impressionante, j\u00e1 que cada mudan\u00e7a de personagem funciona atrav\u00e9s da sutileza, tanto de voz quanto de trejeitos e ideologias &#8211; caracter\u00edstica essa muito marcada por <strong>Christopher Reeve<\/strong>, em <strong>Superman<\/strong> (1978). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A escolha de Shyamalan em abusar de McAvoy como <strong>Hedwig<\/strong> &#8211; sua personalidade mais infantil &#8211; \u00e9 cansativa, at\u00e9 pelo fato do espectador querer ver mais dos outros personagens. Por\u00e9m, o fato de <strong>Hedwig<\/strong> ser inocente em rela\u00e7\u00e3o ao mundo \u00e9 um fator importante para manter a <strong>Horda<\/strong> viva sobre a realidade que a personagem de <strong>Sarah Paulson<\/strong> tenta impor aos personagens her\u00f3is. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nisso, vemos que mesmo \u201cerrando\u201d, Shyamalan consegue impor uma justificativa plaus\u00edvel para sua escolha, algo que acontece tamb\u00e9m na conclus\u00e3o do longa. No entanto, falaremos disso daqui a pouco. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o foco em Elijah e um destaque significativo para Kevin, Dunn \u00e9 o personagem menos explorado na trama. Por\u00e9m, o mesmo j\u00e1 teve essa explora\u00e7\u00e3o feita em <strong>Corpo Fechado<\/strong> e aqui, \u00e9 s\u00f3 um avan\u00e7o do que j\u00e1 foi aproveitado anteriormente, o que aqui \u00e9 bem feito por Shyamalan, que consegue dar um equil\u00edbrio para Dunn e Kevin antes do filme passar totalmente para Elijah, que \u00e9 belissimamente interpretado por Jackson, em um terceiro ato de encher os olhos daqueles que ingressaram na narrativa e entenderam a proposta de Shyamalan. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa que ele discute de forma bela e poderosa a nossa vontade de sermos super-humanos. <strong>Sarah Paulson<\/strong>, interpretando uma psiqui\u00e1trica, funciona justamente para elevar sua mensagem. A personagem de Sarah entra como uma divisora em discutir sobre a exist\u00eancia de super-humanos ser real ou se sempre h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s, ou seja, uma diminui\u00e7\u00e3o significativa daqueles que fazem o extraordin\u00e1rio, tratando-os como \u201cerros\u201d ou \u201cdoentes\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trazendo isso para uma an\u00e1lise externa, a tem\u00e1tica de Shyamalan n\u00e3o s\u00f3 conversa com o mundo real, fazendo uma representa\u00e7\u00e3o com a realidade de muitas pessoas que s\u00e3o julgadas como fracas por serem diferentes. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 uma discuss\u00e3o com os pr\u00f3prios quadrinhos, que usavam super her\u00f3is para discutir os mesmos assuntos, como foi o caso, principalmente, dos <strong>X-Men<\/strong>, durante os anos 60\/70. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_image _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Vidro2.jpg&#8221; \/][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Explorar isso de forma s\u00e9ria em uma tem\u00e1tica de super her\u00f3i, faz de\u00a0<strong>Vidro<\/strong>\u00a0um filme ainda mais maduro do que s\u00f3 tecnicamente. Al\u00e9m de explorar a tem\u00e1tica de f\u00e9 &#8211; algo que Shyamalan ama tratar em seus filmes. Mas n\u00e3o s\u00f3 religiosa, Shyamalan explora a f\u00e9 em n\u00f3s mesmos e na capacidade dos outros poderem realizar o que desejam ou o que acreditam que possam fazer. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A forma como o roteiro trabalha isso, al\u00e9m de conversar muito com a linguagem explorada nos quadrinhos &#8211; incluindo as performances de <strong>Anna Taylor-Joy<\/strong>, <strong>Spencer Treat Clark<\/strong> e <strong>Charlayne Woodard<\/strong> como os <em>sidekicks<\/em> perfeitos para os personagens &#8211; e tamb\u00e9m com uma sutileza e humanidade que deixa toda a conclus\u00e3o da trilogia ainda melhor do que o esperado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que faz de <strong>Vidro<\/strong> n\u00e3o s\u00f3 uma obra extraordin\u00e1ria, como tamb\u00e9m reflexiva, \u00e9 sua compaix\u00e3o em discutir temas que os quadrinhos sempre exploraram, mas que no cinema, foram ofuscados com a f\u00f3rmula pronta do entretenimento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, por mais que <strong>Vidro<\/strong> seja primoroso em sua tem\u00e1tica e dire\u00e7\u00e3o, o roteiro acaba n\u00e3o sendo perfeito em pontos espec\u00edficos da trama. A fama de Shyamalan, al\u00e9m de direcionada para seus <em>plot twists<\/em>, tamb\u00e9m est\u00e1 em sua escrita, sempre com um roteiro bem apresentado e perfeitamente montado. Entretanto, <strong>Vidro<\/strong> peca em n\u00e3o trazer, em partes, essas qualidades do cineasta. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso ocorre principalmente durante as viradas do longa. No decorrer das revela\u00e7\u00f5es, \u00e9 n\u00edtida a leve for\u00e7ada que Shyamalan d\u00e1 para os seus pontos trazerem sentido para a trama. A partir da primeira virada, \u00e9 at\u00e9 interessante como os pontos trazidos pelo diretor. No entanto, ao refletir sobre as escolhas, h\u00e1 um leve sentimento de que aqueles acontecimentos foram colocados depois, ou seja, n\u00e3o necessariamente tudo foi pensando. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E isso, certas vezes diminui algumas discuss\u00f5es que Shyamalan apresentou em primeiro plano. Inclusive, s\u00e3o essas as principais justificativas que analiso para a m\u00e1 classifica\u00e7\u00e3o do longa internacionalmente. Os pontos novos n\u00e3o s\u00e3o essencialmente ruins e totalmente desconexos com sua proposta, inclusive, h\u00e1 viradas que foram bem constru\u00eddas, no entanto, outras passam o sensa\u00e7\u00e3o de serem for\u00e7adas e excluem uma discuss\u00e3o mais madura sobre o cen\u00e1rio. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas s\u00e3o detalhes que est\u00e3o longe de apagar o amadurecimento do cen\u00e1rio de super her\u00f3is que <strong>Vidro<\/strong> apresenta, com um discurso lindo sobre acreditar no pr\u00f3prio potencial, mas tamb\u00e9m o dos outros. Isso faz da conclus\u00e3o de Shyamalan uma obra \u00fanica e original, provando que o tema super her\u00f3i pode ultrapassar o entretenimento ao explorar temas s\u00f3brios sobre nossa humanidade e sobre ser humano. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso s\u00f3 d\u00e1 m\u00e9ritos na explora\u00e7\u00e3o do g\u00eanero dos quadrinhos, inclusive em seus tons gen\u00e9ricos, o que serve como justificativa para alguns \u201cerros\u201d da narrativa &#8211; lembra quando disse l\u00e1 atr\u00e1s que, mesmo errando, ele entrega justificativas plaus\u00edveis? Ent\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Vidro<\/strong>, portanto, \u00e9 uma obra que, mesmo dividindo espectadores e cr\u00edticas atualmente, servir\u00e1 como um exemplo ao g\u00eanero no futuro. Principalmente devido sua intelig\u00eancia ao conversar com os espectadores sobre o necess\u00e1rio, sem se utilizar de f\u00f3rmulas padr\u00f5es e prontas de entretenimento, fazendo um cinema maduro que ainda \u00e9 ofuscado pelas narrativas simples e infantis. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] H\u00e1 19 anos, M. Night Shyamalan escutou de est\u00fadio e cr\u00edticas sobre o qu\u00e3o Corpo Fechado era um filme errado, principalmente por tratar sobre quadrinhos e super her\u00f3is em uma \u00e9poca em que o tema n\u00e3o era pop. 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