{"id":73835,"date":"2019-01-29T20:51:48","date_gmt":"2019-01-29T23:51:48","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73835"},"modified":"2019-06-05T11:10:03","modified_gmt":"2019-06-05T14:10:03","slug":"mesmo-com-empolgante-discurso-revolucionario-o-menino-que-queria-ser-rei-peca-pela-longa-duracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/mesmo-com-empolgante-discurso-revolucionario-o-menino-que-queria-ser-rei-peca-pela-longa-duracao\/","title":{"rendered":"Mesmo com empolgante discurso revolucion\u00e1rio, \u201cO Menino Que Queria Ser Rei\u201d peca pela longa dura\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 n\u00edtido que vivemos em tempos sombrios. Diferente das obras de fic\u00e7\u00e3o, nossos vil\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o monstros com dentes afiados ou bruxas com seu caldeir\u00e3o m\u00e1gico, mas sim medos tr\u00e1gicos que n\u00e3o acabam com uma flecha m\u00e1gica ou um feiti\u00e7o encantado. Os monstros do mundo real s\u00e3o mais sujos e impregnados em ideias em ideologias ao inv\u00e9s de um corpo f\u00edsico. E s\u00e3o monstros que a cada dia se mostram mais fortes, mesmo que os j\u00e1 tenhamos tirado sua for\u00e7a anos e anos atr\u00e1s. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso faz deles ainda mais fortes. E por mais que sua \u201cmorte\u201d seja mais dif\u00edcil de acontecer com armas f\u00edsicas, \u00e9 necess\u00e1rio ideias e coragem que os combatem, e esse poder est\u00e1 nas m\u00e3os das crian\u00e7as. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por mais que <strong>O Menino Que Queria Ser Rei<\/strong> adote uma narrativa infantil, suas ideias revolucion\u00e1rias e de luta diante os maus do nosso mundo enchem os olhos infantis de vontade de mudar o mundo e combater aquilo que os impedem de crescer sem ignor\u00e2ncia e maldade. Nisso, <strong>Joe Cornish<\/strong> escolheu a atemporal hist\u00f3ria de <strong>Rei Arthur e os Cavaleiros da T\u00e1vola Redonda<\/strong> para tratar de coragem, lealdade e um boa lideran\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, por mais que na teoria e nas entrelinhas Cornish tenha feito um bom trabalho, seu todo \u00e9 cansativo e decepcionante &#8211; claro, para n\u00f3s, adultos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O cineasta brit\u00e2nico n\u00e3o teve vergonha de assumir uma narrativa direcionada claramente \u00e0 crian\u00e7ada. O roteiro f\u00e1cil e expositivo, junto com seu humor mais bobo, faz de <strong>O Menino Que Queria Ser Rei<\/strong> certeiro com seu p\u00fablico. Distante de conseguir dividir entre os mais novos e os mais velhos, como as obras da <strong>Pixar<\/strong>, o filme de Cornish abra\u00e7a seu tema e segue at\u00e9 o fim, mesmo que desagradando um p\u00fablico mais velho. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que, em partes, faz da obra um produto negativo e at\u00e9 insignificante. Sim, h\u00e1 seus discursos \u201cfortes\u201d, mas tudo feito de forma leve e muitas vezes, vergonhosas, devido \u00e0s m\u00e1s atua\u00e7\u00f5es e das desnecess\u00e1rias mais de duas horas de dura\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 preciso novamente frisar o quanto a obra de Cornish n\u00e3o \u00e9 de toda ruim, por\u00e9m mesmo com pontos espec\u00edficos que funcionam \u00e9 ainda um filme recheado de fraquezas e com um desenvolvimento cansativo. H\u00e1 incompreens\u00edveis extens\u00f5es de cenas para um aumento de hist\u00f3ria que n\u00e3o existia, resultando em uma clara for\u00e7a\u00e7\u00e3o do texto. Por mais que a trajet\u00f3ria de Alex e seus amigos &#8211; digo, cavaleiros &#8211; siga na linha do <strong>Rei Arthur<\/strong>, h\u00e1 um acr\u00e9scimo de pontos mal desenvolvidos e extensos de forma exagerada, provando o quanto Cornish quis colocar tudo dentro de nada. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tudo poderia ser mais limpo e r\u00e1pido, por\u00e9m, o brit\u00e2nico escolheu mais. Ainda que esta caracter\u00edstica seja importante para outras obras, n\u00e3o encaixou bem na proposta de <strong>O Menino Que Queria Ser Rei<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A longa dura\u00e7\u00e3o pesa ainda mais com o fraco elenco. Por mais que <strong>Louis Serkis<\/strong> consiga sustentar seu personagem, ficou n\u00edtida a necessidade do jovem ter mais aulas de express\u00f5es com o pai. Em rela\u00e7\u00e3o ao resto da turma, s\u00f3 tristeza. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Patrick Stewart<\/strong> faz uma participa\u00e7\u00e3o vazia como <strong>Merlin<\/strong>, enquanto <strong>Rebecca Ferguson<\/strong> passa vergonha com uma <strong>Morgana<\/strong> moldada no exagero e com movimentos de corpo t\u00e3o embara\u00e7osos quanto de <strong>Cara Delevingne<\/strong>, em <strong>Esquadr\u00e3o Suicida<\/strong> (2016). <strong>Dean Chaumoo<\/strong> e <strong>Angus Imrie<\/strong> s\u00e3o os que mais chamam aten\u00e7\u00e3o pelo fraco trabalho. Mesmo que a m\u00e1 atua\u00e7\u00e3o seja justificada por ser o primeiro longa de Chaumoo e o segundo do Imrie, ainda \u00e9 dif\u00edcil defender a inconsist\u00eancia dos dois diante seus personagens, principalmente de Imrie como o jovem <strong>Merlin<\/strong>, que s\u00f3 chama aten\u00e7\u00e3o pelo vergonhoso <em>show off<\/em> de m\u00e3os e bra\u00e7os, que aparece a cada cinco minutos de longa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O roteiro tamb\u00e9m insiste na sua inconsist\u00eancia, principalmente com personagens secund\u00e1rios. No caso, a rela\u00e7\u00e3o entre Alex e sua m\u00e3e (<strong>Desine Gough<\/strong>) \u00e9 o que mais incomoda, at\u00e9 pela tentativa de Cornish em trazer um drama familiar, mas sem qualquer for\u00e7a e que no fim das contas n\u00e3o entrega o que prometia. A inconsist\u00eancia insiste tamb\u00e9m na personagem da jovem <strong>Rhianna Dorris<\/strong>, que, apesar de trazer uma evolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o possui qualquer motiva\u00e7\u00e3o coerente para estar presente na trama, diferente do parceiro <strong>Tom Taylor<\/strong>, que possui uma estrutura narrativa bem mais definida. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por mais que a trama n\u00e3o encante tanto, h\u00e1 uma satisfa\u00e7\u00e3o pelo visual, que contribui com efeitos especiais de qualidade, provando que na presen\u00e7a de um Serkis esse quesito t\u00e9cnico sempre ser\u00e1 bom. S\u00e3o pontos negativos como esses citados que fazem de <strong>O Menino Que Queria Ser Rei<\/strong> uma decep\u00e7\u00e3o diante um potencial enorme, pelo exagero de ingenuidade. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] \u00c9 n\u00edtido que vivemos em tempos sombrios. Diferente das obras de fic\u00e7\u00e3o, nossos vil\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o monstros com dentes afiados ou bruxas com seu caldeir\u00e3o m\u00e1gico, mas sim medos tr\u00e1gicos que n\u00e3o acabam com uma flecha m\u00e1gica ou um feiti\u00e7o encantado. 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