{"id":73845,"date":"2019-02-04T22:04:48","date_gmt":"2019-02-05T01:04:48","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73845"},"modified":"2019-06-05T11:09:38","modified_gmt":"2019-06-05T14:09:38","slug":"se-a-rua-beale-falasse-barry-jenkis-evolui-filmografia-com-emocionante-narrativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/se-a-rua-beale-falasse-barry-jenkis-evolui-filmografia-com-emocionante-narrativa\/","title":{"rendered":"\u201cSe a Rua Beale Falasse\u201d | Barry Jenkis evolui filmografia com emocionante narrativa"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 dois anos, era dif\u00edcil de se imaginar que o favorito <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/la-la-land-cantando-estacoes\/\"><strong>La La Land &#8211; Cantando Esta\u00e7\u00f5es<\/strong><\/a> (2016) perderia o Oscar para <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/moonlight-sob-a-luz-do-luar\/\"><strong>Moonlight: Sob a Luz do Luar<\/strong><\/a> (2016), ainda mais depois do primeiro an\u00fancio realizado pela dupla <strong>Warren Beatty<\/strong> e <strong>Faye Dunaway<\/strong>. Dois anos depois, o novato diretor &#8211; 39 anos de idade e dois longas na carreira &#8211; retorna com uma obra bem mais pr\u00f3xima de La La Land, mas nem t\u00e3o distante da sua obra anterior. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Barry Jenkins<\/strong> n\u00e3o escolhe a narrativa acelerada e ritmada do longa de <strong>Damien Chazelle<\/strong>, por\u00e9m explora o mesmo lado rom\u00e2ntico do musical, mas mantendo a mesma realidade espelhada de Moonlight. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de Chazelle n\u00e3o manter um final feliz para sua hist\u00f3ria de amor, Jenkins tamb\u00e9m segue a mesma linha. No entanto, o americano passa uma realidade mais crua, do mesmo modo que fez na adapta\u00e7\u00e3o da obra de <strong>Tarell Alvin McCraney<\/strong>, anteriormente. Aqui, \u00e9 a vez de ser a adapta\u00e7\u00e3o da c\u00e9lebre obra do romancista <strong>James Baldwin<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Suas obras &#8211; que come\u00e7aram a ser lan\u00e7adas nos anos 50 &#8211; sempre exploraram complexidades n\u00e3o tratadas sobre sexualidade e distin\u00e7\u00f5es de classes sociais durante a metade do s\u00e9culo 20. Em romances e pe\u00e7as, o dramaturgo colocava em discuss\u00e3o dilemas que tratavam de press\u00f5es sociais e psicol\u00f3gicas envolvendo a realidade negra. Em 1974, no mesmo ano do lan\u00e7amento do livro, a escritora <strong>Joyce Carol Oates<\/strong> definiu <strong>Se a Rua Beale Falasse<\/strong> como uma comovente e dolorosa hist\u00f3ria, mas conclusiva de forma otimista. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Barry Jenkins<\/strong>, por sua vez, seguiu uma linha t\u00eanue entre o otimismo e a realidade. O otimismo, no entanto, n\u00e3o se apresenta t\u00e3o n\u00edtido quanto aparentemente \u00e9 na obra liter\u00e1ria. Jenkins explora um tratamento mais doloroso da realidade, mas ainda assim sendo sutil e rom\u00e2ntico. A voz doce de <strong>Kiki Layne<\/strong> como narradora traz esse sentimentalismo que Jenkins escolheu para a narrativa. No entanto, o diretor faz a mesma coisa brilhantemente com sua c\u00e2mera, transformando a ent\u00e3o doce narra\u00e7\u00e3o em um roteiro expositivo, mas ainda distante de estragar a linda hist\u00f3ria de romance do dramaturgo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O controle de Jenkins para com a obra beira a perfei\u00e7\u00e3o. Sua dire\u00e7\u00e3o mais controlada e lenta trabalha a hist\u00f3ria com louvor, com equil\u00edbrio entre o tempo presente e passado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A dolorosa realidade que Baldwin apresenta d\u00f3i pelo injusti\u00e7a presente no mundo. A leveza do filme ao trabalhar isso \u00e9 linda, mas n\u00e3o esquece de fazer o seu trabalho de chocar e provocar sentimentos de raiva e reflex\u00e3o sobre nossa realidade. O mesmo que <strong>Spike Lee<\/strong> faz em <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/spike-lee-se-utiliza-de-um-poderoso-discurso-contra-o-preconceito-em-infiltrado-na-klan\/\"><strong>Infiltrado na Klan<\/strong><\/a> (2018), mas de uma forma mais dura e dolorosa. Aqui, a obra \u00e9 mais limpa nesse quesito e trata o racismo de uma forma certas vezes indireta. A pr\u00f3pria hist\u00f3ria explora conflitos internos, provocados pelo excesso, tanto religioso quanto machista &#8211; em duas situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas dentro disso e em conversa com a hist\u00f3ria de luta e amor entre Tish e Fonny (lindamente interpretado por <strong>Stephan James<\/strong>) h\u00e1 um trabalho em conjunto para tratar dos assuntos sociais propostos por Baldwin. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso traz uma magia encantadora para a narrativa e deixa tudo lindo. A fotografia \u00e9 outro ponto magn\u00edfico da filmografia de Jenkins. Trabalhando pela terceira com <strong>James Laxton<\/strong>, o visual de <strong>Se a Rua Beale Falasse<\/strong> \u00e9 t\u00e3o belo quanto o azulado filtro de Moonlight. Aqui, as cores de Laxton s\u00e3o mais vivas que da obra de 2016, por\u00e9m, t\u00e3o tristes quanto. O que n\u00e3o \u00e9 para menos. Apesar da trajet\u00f3ria romantizada, a realidade \u00e9 triste, na qual negros s\u00e3o injustamente acusados por crimes n\u00e3o cometidos ou por crimes que brancos seriam acusados de maneira mais leve. Diferente de <strong><a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/green-book-o-guia-apresenta-grande-potencial-mas-decepciona-na-entrega\/\">Green Book &#8211; O Guia<\/a><\/strong> (2019), Jenkins te d\u00e1 um final no qual, infelizmente, somos obrigados a conviver. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo com seus pontos certeiros, <strong>Se a Rua Beale Falasse<\/strong> n\u00e3o \u00e9 de todo perfeito. Infelizmente, o roteiro de Jenkins falha em esquecer de certos personagens, n\u00e3o trazendo uma conclus\u00e3o para os mesmos, sendo que a maioria ganha uma. Isso acaba enfraquecendo a trajet\u00f3ria, j\u00e1 que alguns personagens n\u00e3o cruciais, tanto para o casal principal quanto para a constru\u00e7\u00e3o narrativa da ambienta\u00e7\u00e3o. Nesse caso, os personagens espec\u00edficos que acabam ganhando esse tratamento mal conclusivo s\u00e3o importantes para o tom de conflito interno que a obra traz. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro conflito do roteiro est\u00e1 no ponto de vista do longa. Desde o in\u00edcio, o filme \u00e9 apresentado pela personagem de <strong>Kiki Layne<\/strong>, por\u00e9m, h\u00e1 um momento espec\u00edfico que Jenkins escolhe colocar o ponto de vista da personagem de <strong>Regina King<\/strong>. Por mais que fa\u00e7a sentido na narrativa, h\u00e1 uma quebra do fio condutor apresentado pelo americano e que, por mais que funcione dramaticamente, poderia ter sido facilmente retirado, j\u00e1 que a personagem revela o acontecimento minutos depois atrav\u00e9s de um di\u00e1logo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, s\u00e3o pequenas as falhas de <strong>Se a Rua Beale Falasse<\/strong>, e s\u00e3o falhas que n\u00e3o tiram o m\u00e9rito do avan\u00e7o cinematogr\u00e1fico de Jenkins. Por mais que Moonlight ainda deixe uma chama mais forte, a nova obra do diretor americano esbanja beleza, delicadeza, mas com uma realidade t\u00e3o forte quanto sua obra anterior. A adapta\u00e7\u00e3o do livro de Baldwin \u00e9 lindo o suficiente para emocionar o p\u00fablico com sua hist\u00f3ria encantadora, ainda mais com o amadurecimento de Jenkins, que transporta toda a emo\u00e7\u00e3o da forma mais sens\u00edvel poss\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] H\u00e1 dois anos, era dif\u00edcil de se imaginar que o favorito La La Land &#8211; Cantando Esta\u00e7\u00f5es (2016) perderia o Oscar para Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016), ainda mais depois do primeiro an\u00fancio realizado pela dupla Warren Beatty e Faye Dunaway. 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