{"id":73867,"date":"2019-02-14T20:51:09","date_gmt":"2019-02-14T23:51:09","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73867"},"modified":"2019-06-05T11:07:38","modified_gmt":"2019-06-05T14:07:38","slug":"mesmo-longe-do-auge-a-mula-e-um-resultado-honesto-de-clint-eastwood","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/mesmo-longe-do-auge-a-mula-e-um-resultado-honesto-de-clint-eastwood\/","title":{"rendered":"Mesmo longe do auge, \u201cA Mula\u201d \u00e9 um resultado honesto de Clint Eastwood"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em agosto do ano passado, o cinema recebia uma adapta\u00e7\u00e3o um tanto estranha de um artigo publicado no <strong>Wall Street Journal<\/strong>: o filme <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/comedia-te-peguei-e-uma-divertida-licao-sobre-amizade-e-companheirismo\/\"><strong>Te Peguei<\/strong><\/a>. Agora, em fevereiro de 2019, a vez foi de um artigo do <strong>The New York Times<\/strong>, por\u00e9m com uma hist\u00f3ria t\u00e3o interessante quanto a do longa anteriormente citado. <strong>A Mula<\/strong>, no caso, n\u00e3o transporta divers\u00e3o ou esp\u00edrito de amizade. O novo filme do renomado e experiente <strong>Clint Eastwood<\/strong> retrata a vida de <strong>Earl Stone<\/strong> &#8211; interpretado pelo pr\u00f3prio Eastwood &#8211; que de honrado veterano de guerra e floriculturista, torna-se, aos 90 anos, o transportador de drogas de um poderoso cartel mexicano. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nessa premissa, Eastwood j\u00e1 nos mostra claramente a m\u00e1 \u00edndole de seu personagem, por\u00e9m, mesmo com todas suas atitudes intolerantes e mal\u00e9ficas, o longa finaliza com um tom positivo. No entanto, o veterano cineasta transporta isso dentro de uma narrativa honesta. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diferente de <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/de-forma-amadora-clint-eastwood-desencanta-com-direcao-de-15h17-trem-para-paris\/\"><strong>15h17 &#8211; Trem Para Paris<\/strong><\/a> (2018), a inten\u00e7\u00e3o em <strong>A Mula<\/strong> \u00e9 muito mais simples: tratar do per\u00edodo de trabalho do velho senhor Stone at\u00e9 o dia no qual foi preso por portar pr\u00f3ximo de tr\u00eas milh\u00f5es de d\u00f3lares em coca\u00edna no seu carro. Nada a mais. N\u00e3o h\u00e1 complexidade na proposta narrativa adaptada por <strong>Nick Schenk<\/strong> &#8211; retornando ao lado do cineasta depois de <strong>Gran Torino<\/strong> (2008). E Eastwood transporta isso muito bem em tela, por isso sua defini\u00e7\u00e3o como honesto. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sua dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenta tomar rumos extravagantes ou propostas fora do normal. O que realmente chama a aten\u00e7\u00e3o no resultado final \u00e9 o tratamento feito pelo cineasta com seu personagem, algo parecido com o que ocorreu em <strong>Sniper Americano<\/strong> (2014). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui. Earl Stone \u00e9, do come\u00e7o ao fim, tratado como um imprest\u00e1vel. Al\u00e9m de ter abandonado a fam\u00edlia por prevalecer o trabalho, \u00e9 a estereotipa representa\u00e7\u00e3o do velho americano sulista, recheado de coment\u00e1rios racistas, homof\u00f3bicos e xenof\u00f3bicos. N\u00e3o s\u00f3 isso, como sua atitude em se tornar um mula e transportar centenas de quilos de coca\u00edna pelos Estados Unidos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em obras assim,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">como <strong>Breaking Bad<\/strong> (2008-2013), por exemplo, h\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o de compreens\u00e3o das atitudes do personagem e com isso, faz o espectador se relacionar com o mesmo e at\u00e9 defend\u00ea-lo. Na obra de <strong>Vince Gilligan<\/strong>, o personagem conclui sua trajet\u00f3ria tomando consci\u00eancia de suas atitudes e se assumindo errado. Na pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie, o ambiente em volta do personagem de <strong>Bryan Cranston<\/strong> toma atitudes que fazem jus as suas escolhas. Todavia, isso n\u00e3o ocorre claramente em <strong>A Mula<\/strong>, o que deixa d\u00favidas sobre a proposta de Eastwood e Schenk. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o h\u00e1 claridade nas ideias do roteiro sobre o filme ser uma romantiza\u00e7\u00e3o do personagem ou uma s\u00e1tira de atitudes preconceituosas de um Estados Unidos ainda existente. Isso porque em momentos em que o personagem de Eastwood solta frases racistas ou xenof\u00f3bicas, tudo \u00e9 tratado com humor e com certa leveza. At\u00e9 a\u00ed poderia haver a s\u00e1tira, por\u00e9m, a conclus\u00e3o do longa o redime, de certa forma. O diretor trabalha momentos de emo\u00e7\u00e3o com o personagem, colocando o espectador em momentos de d\u00f3 para com um ser humano que at\u00e9 ent\u00e3o tomava atitudes vergonhas e mal\u00e9ficas. A &#8220;passada de pano&#8221; coloca em conflito a narrativa de Eastwood, ainda que a hist\u00f3ria conclua honestamente com seu come\u00e7o, meio e fim claramente estabelecidos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o s\u00f3 h\u00e1 esse conflito, como tamb\u00e9m Schenk insiste em fazer cr\u00edticas sobre o v\u00edcio da nova gera\u00e7\u00e3o com a tecnologia. O que novamente gera d\u00favidas sobre sua proposta. N\u00e3o fica claro se h\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de usar o personagem de Eastwood como um velho que n\u00e3o aceita as mudan\u00e7as da modernidade ou se Schenk quer realmente criticar o uso do celular para tudo. Essa d\u00favida acontece principalmente quando o personagem de <strong>Bradley Cooper<\/strong> toma a mesma atitude durante a narrativa. E o roteirista faz essa cr\u00edtica da pior forma poss\u00edvel, que al\u00e9m de realiza-la a cada dez minutos, elas s\u00e3o expostas de forma fraca, a partir de frases prontas e cl\u00e1ssicas interpretadas das formas mais debilitadas poss\u00edveis. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que haja o conflito sobre as propostas do longa, tudo \u00e9 apresentado dentro de uma estrutura coesa e crua.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">As justificativas para as atitudes do personagem, tanto de Stone, quanto do lado dos policiais e dos traficantes, s\u00e3o bem constru\u00eddas. Inclusive, os pr\u00f3prios n\u00facleos s\u00e3o bem trabalhados. Eastwood foi feliz em conseguir um bom equil\u00edbrio entre cada um dos cen\u00e1rios, deixando o tempo necess\u00e1rio para um desenvolvimento natural das situa\u00e7\u00f5es e consegue manter seu controle narrativo muito bem estabelecido durante todo o longa, mesmo com a hist\u00f3ria ganhando um tom mais c\u00f4mico durante uma sequ\u00eancia de eventos. Outra vantagem da hist\u00f3ria de <strong>A Mula<\/strong> caminhar bem est\u00e1 em seu elenco. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m de Eastwood &#8211; que mesmo com 88 anos de idade consegue dirigir e atuar muito melhor que muito ator jovem &#8211; o longa conta com outros grandes nomes que est\u00e3o t\u00e3o bem quanto o veterano ator. Cooper retorna a trabalhar com Eastwood depois do longa de 2014 e entrega seu papel com honestidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na verdade, todo o elenco entrega um resultado honesto diante seus personagens. <strong>Laurence Fishburne<\/strong> e <strong>Michael Pe\u00f1a<\/strong>, ao estarem no mesmo n\u00facleo de Cooper, oferecem uma din\u00e2mica positiva e funcional com a narrativa, conseguindo realizar bem o trabalho nos momentos de humor e das cr\u00edticas propostas pelo roteiro. <strong>Andy Garcia<\/strong>, como l\u00edder do cartel tamb\u00e9m \u00e9 outro que se esfor\u00e7a com seu personagem e constr\u00f3i uma rela\u00e7\u00e3o moderada com o elenco dentro do n\u00facleo mexicano. O ponto negativo da atua\u00e7\u00e3o est\u00e1 principalmente no n\u00facleo familiar do personagem de Eastwood. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Taissa Farmiga<\/strong>, <strong>Alison Eastwood<\/strong> &#8211; sim, filha de Clint &#8211; e <strong>Dianne Wiest<\/strong> n\u00e3o chamam a aten\u00e7\u00e3o com suas personagens e entregam interpreta\u00e7\u00f5es medianas, principalmente Dianne. Marcada por <strong>Footloose &#8211; Ritmo Louco<\/strong> (1984) e <strong>Edward M\u00e3os de Tesoura<\/strong> (1990), a veterana atriz n\u00e3o consegue trazer a emo\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 personagem e fica em uma mesmice de rea\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de for\u00e7ar uma estridente voz que incomoda o espectador a cada fala. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nisso, <strong>Clint Eastwood<\/strong> volta a chamar a aten\u00e7\u00e3o nos cinemas. Infelizmente, o cineasta ficou longe de trazer o mesmo resultado de <strong>Menina de Ouro<\/strong> (2004) ou <strong>Gran Torino<\/strong>, mas ainda assim, entrega uma obra consistente dentro da proposta. Mesmo com seus conflitos, <strong>A Mula<\/strong> \u00e9 mais um filme honesto de um diretor, que, com 88 anos, mostra o quanto podemos aprender a amadurecer cinematograficamente e aprender com os erros. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Em agosto do ano passado, o cinema recebia uma adapta\u00e7\u00e3o um tanto estranha de um artigo publicado no Wall Street Journal: o filme Te Peguei. 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