{"id":73870,"date":"2019-02-19T09:00:48","date_gmt":"2019-02-19T12:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73870"},"modified":"2019-06-05T11:07:31","modified_gmt":"2019-06-05T14:07:31","slug":"emocionante-historia-real-de-querido-menino-encanta-com-narrativa-controlada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/emocionante-historia-real-de-querido-menino-encanta-com-narrativa-controlada\/","title":{"rendered":"Emocionante hist\u00f3ria real de \u201cQuerido Menino\u201d encanta com narrativa controlada"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMal posso esperar para ver voc\u00ea crescer. Mas acho que precisamos ser pacientes, porque ainda temos um longo caminho \u00e0 frente, muito o que remar. O caminho \u00e9 longo, mas por enquanto, para atravessar a rua, segure minha m\u00e3o. A vida \u00e9 o que acontece, enquanto voc\u00ea est\u00e1 ocupado fazendo outros planos. Lindo, lindo, lindo, menino lindo\u201d. O trecho, escrito em 1980 por <strong>John Lennon<\/strong> (em tradu\u00e7\u00e3o livre) para a can\u00e7\u00e3o <strong>Beautiful Boy<\/strong> \u00e9 uma importante reflex\u00e3o do que \u00e9 a hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o entre <strong>David Sheff<\/strong> e o seu filho <strong>Nic<\/strong>, retratada em <strong>Querido Menino<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pela primeira vez em produ\u00e7\u00e3o americana, o belga <strong>Felix Van Groeningen<\/strong> &#8211; indicado ao Oscar em 2014 na categoria de <strong>Melhor Filme Estrangeiro<\/strong> pelo <strong>Alabama Monroe<\/strong> &#8211; chama a aten\u00e7\u00e3o com uma dire\u00e7\u00e3o mais comedida em compara\u00e7\u00e3o ao longa de 2014, provando seu amadurecimento cinematogr\u00e1fico, ainda mais dentro de um mercado diferente do europeu. A principal felicidade de Groeningen, al\u00e9m de conseguir trabalhar com um elenco poderoso, est\u00e1 na escolha de sua adapta\u00e7\u00e3o ao lado de <strong>Luke Davies<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os dois escolheram adaptar n\u00e3o s\u00f3 um, como dois livros. No caso, <strong>Beautiful Boy<\/strong>, escrito por David e <strong>Tweak<\/strong>, escrito por Nic. A felicidade existe pelo longa conseguir trabalhar de maneira equilibrada dois pontos de vista de uma mesma hist\u00f3ria, e dubiamente emocionantes. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inicialmente parecendo um filme de drama pessoal pela vis\u00e3o de um pai preocupado com um filho rebelde e viciado em metanfetamina, logo se transforma em uma discuss\u00e3o sobre controle, e como o exagero dele leva ao descontrole. Al\u00e9m do tema ser muito trabalhado no roteiro &#8211; ganhando at\u00e9 momentos expositivos &#8211; Groeningen explora isso de maneira inteligente com sua dire\u00e7\u00e3o. H\u00e1 momentos em que o diretor coloca <strong>Steve Carell<\/strong> em posi\u00e7\u00f5es dominantes e em outros <strong>Timoth\u00e9e Chalament<\/strong>, dando novamente o equil\u00edbrio dos dois, mas tamb\u00e9m mostrando que n\u00e3o h\u00e1 um controle \u00fanico na hist\u00f3ria. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O cineasta belga trabalha isso durante todo o longa. Nos momentos de ponto de vista de Carell, h\u00e1 um in\u00edcio controlado, mas tudo \u00e9 quest\u00e3o de tempo para perd\u00ea-lo. Por mais que, aparentemente, o estilo direcional escolhido por Groeningen seja repetitivo, ele conversa diretamente com a narrativa dos dois personagens. Principalmente do lado de Nic, que busca a melhora e a volta do autocontrole, mas da mesma forma que acontece com seu pai, \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo para voltar ao descontrole. E a conclus\u00e3o de uma hist\u00f3ria assim acontece quando os dois percebem a necessidade um do outro, refor\u00e7ando o trecho citado no in\u00edcio do texto, o que faz do final de <strong>Querido Menino<\/strong> algo muito cru e real para uma realidade dolorida de milh\u00f5es de jovens americanos e do resto do mundo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda assim, \u00e9 inevit\u00e1vel dizer que a narrativa do belga segue a f\u00f3rmula pronta do Oscar, com seus momentos de \u00e1pice dos personagens prontos para chamar a aten\u00e7\u00e3o da Academia. No entanto, o filme acabou sendo &#8211; injustamente &#8211; esnobado na premia\u00e7\u00e3o que acontece no pr\u00f3ximo domingo (24). <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_image _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Querido-Menino2.jpg&#8221; \/][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao todo,<strong> Querido Menino<\/strong> n\u00e3o se revela uma obra prima, por\u00e9m \u00e9 muito maduro diante sua escolha narrativa e entrega uma hist\u00f3ria honesta com atua\u00e7\u00f5es poderosas, principalmente da dupla principal. A cada drama, Carell se demonstra cada vez mais um ator que merece respeito, no ponto de vista dram\u00e1tico. Principalmente depois de sua indica\u00e7\u00e3o ao Oscar por\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Foxcatcher &#8211; Uma Hist\u00f3ria Que Chocou o Mundo<\/strong> (2014). Da mesma maneira que no filme de cinco atr\u00e1s, Carell oferece uma atua\u00e7\u00e3o mais comedida e muito interna. No entanto, aqui, seu personagem exige momentos de estouro, o que entrega um conflito poderoso da hist\u00f3ria de David, principalmente no momento exato de uma dif\u00edcil escolha. O americano apresenta um controle forte diante da dif\u00edcil realidade do filho, lindamente interpretado por Chalamet. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto Carell h\u00e1 anos vem demonstrando atua\u00e7\u00f5es maduras em com\u00e9dias e lutando para demonstrar o mesmo potencial em dramas, o jovem franc\u00eas j\u00e1 conseguiu esse t\u00edtulo. Principalmente pela tamb\u00e9m indica\u00e7\u00e3o ao Oscar por <strong>Me Chame Pelo Seu Nome<\/strong> (2017). Mas desde a curta participa\u00e7\u00e3o em <strong>Interestelar<\/strong> (2014), Chalamet vem chamando a aten\u00e7\u00e3o e chegando cada vez mais aos holofotes, mostrando-se o queridinho da vez. Mas n\u00e3o de forma desmerecida. Al\u00e9m das belas atua\u00e7\u00f5es em outras obras, Chalamet atua com um amadurecimento t\u00e3o poderoso quanto o de Carell e t\u00e3o comedida quanto. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A vantagem disso est\u00e1 principalmente no fato da obra fugir das f\u00f3rmulas de filmes com jovens usu\u00e1rios, como <strong>Di\u00e1rio de um Adolescente<\/strong> (1995) e <strong>Trainspoitting<\/strong> (1996), por exemplo, que exigem muito do exagero e de um momentos psicod\u00e9licos. O controle da dire\u00e7\u00e3o de Groeningen \u00e9 muito bem representado exatamente nesses momentos. Ele exige de Chalamet um controle. O jovem n\u00e3o precisa de um visual f\u00edsico \u201cestragado\u201d ou exagerado diante o uso das drogas. Isso acontece justamente pelo controle em grande parte do longa, chegando at\u00e9 o momento do descontrole. Nisso, Groeningen, traz um resultado mais limpo para sua obra em compara\u00e7\u00e3o aos dois citados anteriormente, o que pode parecer uma romantiza\u00e7\u00e3o do uso da droga. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, o roteiro n\u00e3o escolheu tratar exclusivamente dos resultados f\u00edsicos do uso, mas como ele afeta as rela\u00e7\u00f5es sociais e te faz, justamente, n\u00e3o ter mais controle sobre aquilo que voc\u00ea achava que tinha. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E do mesmo modo que a montagem equilibra muito bem o ponto de vista dos dois, h\u00e1, consequentemente, um equil\u00edbrio sobre os personagens. Ou seja, s\u00f3 porque Nic usa drogas, n\u00e3o faz dele o \u00fanico a n\u00e3o ter o controle sobre sua vida, j\u00e1 que David e as personagens de <strong>Amy Ryan<\/strong> e <strong>Maura Tierney<\/strong> tamb\u00e9m n\u00e3o possuem a mesma habilidade. Esse \u00e9 o amadurecimento do roteiro de Groeningen e Davies, diante daquilo que j\u00e1 foi v\u00e1rias vezes adaptado aos cinemas. N\u00e3o h\u00e1 o discurso simples de \u201cn\u00e3o use drogas, isso \u00e9 errado\u201d, mas h\u00e1 uma an\u00e1lise mais aprofundada diante o que o uso dela pode afetar no social e n\u00e3o s\u00f3 no individual, passando a li\u00e7\u00e3o da necessidade de uni\u00e3o e confronto com a realidade, mesmo que ela seja a desist\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inclusive, mesmo que seja uma hist\u00f3ria real, o roteiro foi corajoso em trazer essa pauta em discuss\u00e3o, fortalecendo o argumento de ser uma demonstra\u00e7\u00e3o mais crua e realista de uma dolorosa realidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que provoca sentimentos negativos diante o longa \u00e9 a trilha sonora. N\u00e3o pelas m\u00fasicas escolhidas, mas pela maneira como foram encaixadas. Por mais que a montagem de <strong>Nico Leunen<\/strong> funcione de maneira positiva, algumas das m\u00fasicas n\u00e3o oferecem o mesmo resultado das demais t\u00e9cnicas, e ainda que sejam momentos que n\u00e3o provocam tanta emo\u00e7\u00e3o, os erros conseguem tirar o espectador de todo o clima. No entanto, ele \u00e9 compensado com o restante da obra e com as bel\u00edssimas atua\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de uma emocionante leitura do poema <strong>Let It Enfold You<\/strong> (Deixe-me Envolver Voc\u00ea, em tradu\u00e7\u00e3o livre), do poeta, contista e romancista <strong>Charles Bukowski<\/strong>, realizada pelo pr\u00f3prio <strong>Nic Sheff<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste ponto, <strong>Querido Menino<\/strong>, por mais que siga uma estrutura que procurou muito pelas premia\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma obra honesta consigo mesma e que entrega uma maturidade ao tratar de um tema delicado. Nisso, o cineasta belga n\u00e3o carrega o espectador pela m\u00e3o para dar a solu\u00e7\u00e3o do problema, mas sim reflete sobre como o controle absoluto leva a falta dele caso n\u00e3o haja compaix\u00e3o e uni\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] \u201cMal posso esperar para ver voc\u00ea crescer. Mas acho que precisamos ser pacientes, porque ainda temos um longo caminho \u00e0 frente, muito o que remar. O caminho \u00e9 longo, mas por enquanto, para atravessar a rua, segure minha m\u00e3o. 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