{"id":73890,"date":"2019-02-25T19:44:09","date_gmt":"2019-02-25T22:44:09","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73890"},"modified":"2019-06-05T11:06:37","modified_gmt":"2019-06-05T14:06:37","slug":"cinderela-pop-cumpre-o-papel-de-adaptacao-porem-fica-longe-de-encantar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/cinderela-pop-cumpre-o-papel-de-adaptacao-porem-fica-longe-de-encantar\/","title":{"rendered":"\u201cCinderela Pop\u201d cumpre o papel de adapta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m fica longe de encantar"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Paula Pimenta<\/strong>, indiscutivelmente, \u00e9 um dos nomes mais aclamados da literatura infantojuvenil brasileira atualmente. Junto com <strong>Thalita Rebou\u00e7as<\/strong>, ela conquistou um mar de f\u00e3s apaixonados por suas obras e personagens. E depois do sucesso do filme <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/apesar-dos-cliches-fala-serio-mae-e-um-excelente-programa-familiar\/\"><strong>Fala S\u00e9rio, M\u00e3e<\/strong><\/a> (2017) e o recente lan\u00e7amento de <strong>Tudo Por um Pop Star<\/strong> (2018) &#8211; ambos adapta\u00e7\u00f5es de livros de Thalita &#8211; , foi a vez de Paula ter um livro seu transportado \u00e0s telas do cinema. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A escolha por <strong>Cinderela Pop<\/strong> foi feliz, principalmente pelo cen\u00e1rio cinematogr\u00e1fico dispon\u00edvel. O cinema sempre se mostrou aberto para interpreta\u00e7\u00f5es ou atualiza\u00e7\u00f5es de obras cl\u00e1ssicas, como no recente <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/mesmo-com-empolgante-discurso-revolucionario-o-menino-que-queria-ser-rei-peca-pela-longa-duracao\/\"><strong>O Menino Que Queria Ser Rei<\/strong><\/a> (2019) ou at\u00e9 em obras como <strong>Enrolados<\/strong> (2010) e <strong>Mal\u00e9vola<\/strong> (2014). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A busca por novas interpreta\u00e7\u00f5es n\u00e3o existe s\u00f3 para dar um olhar atualizado para personagens que seguiam uma linha muito antiga para os olhares atuais, mas tamb\u00e9m para criar um v\u00ednculo com o p\u00fablico infantil de hoje. A felicidade em adaptar <strong>Cinderela Pop<\/strong> aos cinemas conversa justamente com isso. A obra de <strong>Paula Pimenta<\/strong> n\u00e3o s\u00f3 consegue trazer uma bel\u00edssima adapta\u00e7\u00e3o da cl\u00e1ssica hist\u00f3ria da princesa, como atualiza de forma certeira. No entanto, por mais que a autora tenha sido feliz com sua obra, o filme ficou longe de encantar ou at\u00e9 mesmo trazer o esp\u00edrito do conto infantil. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por mais que <strong>Bruno Garotti<\/strong> tenha abra\u00e7ado e entendido o seu p\u00fablico, realizando um adapta\u00e7\u00e3o honesta para a crian\u00e7ada, seu roteiro \u00e9 t\u00e3o infantil quanto. Cinema e literatura, por mais pr\u00f3ximos que estejam no conceito de arte, trazem linguagens completamente diferentes. H\u00e1 sim espa\u00e7o para todo o tipo de texto, no entanto, o cinema exige muito da interpreta\u00e7\u00e3o, algo que n\u00e3o possui na arte escrita. E isso \u00e9 aparentemente inc\u00f4modo no longa. As falas adaptadas por Garotti beiram o amadorismo e n\u00e3o trazem a naturalidade precisa &#8211; muito disso caminha junto com o estilo de atua\u00e7\u00e3o no Brasil. Pelo dom\u00ednio da televis\u00e3o em conte\u00fados audiovisuais, tudo \u00e9 muito engessado, como nas novelas. S\u00e3o poucos os momentos que o filme consegue trazer naturalidade nas falas e na a\u00e7\u00e3o dos personagens. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em sua ess\u00eancia, <strong>Cinderela Pop<\/strong> traz um conceito divertido e interessante quando trata da moderniza\u00e7\u00e3o das princesas cl\u00e1ssicas, mas a atualiza\u00e7\u00e3o acabou ultrapassando um pouco do que seria o ideal. O constante uso de termos modernos por todos os personagens cansa rapidamente o espectador. Garotti n\u00e3o consegue se equilibrar em sua estrutura narrativa e escolhe a repeti\u00e7\u00e3o de frases j\u00e1 compreendidas em primeira inst\u00e2ncia. S\u00e3o esses pontos que cansam a hist\u00f3ria boba do longa, incluindo o pr\u00f3prio p\u00fablico alvo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O roteiro debilitado de Garotti dificilmente prende a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e fica longe de conseguir marcar de forma certeira com a nova vers\u00e3o. Por mais que o remake live action de 2015 n\u00e3o tenha feito o barulho que a Disney esperava, <strong>Cinderela Pop<\/strong> consegue estar t\u00e3o longe de chamar a aten\u00e7\u00e3o quanto. O sucesso, ent\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 na adapta\u00e7\u00e3o ou, muito menos, na hist\u00f3ria, mas sim no elenco. N\u00e3o que as atua\u00e7\u00f5es sejam brilhantes, mas sim os nomes envolvidos na produ\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O p\u00fablico conquistado por <strong>Ma\u00edsa<\/strong> \u00e9 o principal espectador do longa. A jovem artista chama aten\u00e7\u00e3o com suas constantes participa\u00e7\u00f5es nas redes sociais e consegue conquistar todos com seu carisma &#8211; muito bem apresentado durante a coletiva de imprensa. No entanto, a jovem est\u00e1 longe de se provar como atriz. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Ma\u00edsa<\/strong>, por mais que seja a protagonista, \u00e9 a que menos chama aten\u00e7\u00e3o em tela, com uma interpreta\u00e7\u00e3o limitada, cheia de banalidades e express\u00f5es exageradas para situa\u00e7\u00f5es simples. A principal for\u00e7a do filme consegue ser exatamente a sua vil\u00e3. Por mais que <strong>Fernanda Paes Leme<\/strong> mantenha sua linha t\u00eanue no mesmo patamar dos outros atores, sua personagem \u00e9 a primordial for\u00e7a para a hist\u00f3ria caminhar. A maldade da ent\u00e3o madrasta \u00e9 o principal chamariz para o longa e consegue crescer a personagem principal, j\u00e1 que a jovem n\u00e3o consegue realizar isso sozinha. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o do grande p\u00fablico \u00e9 <strong>Filipe Bragan\u00e7a<\/strong>, que trabalhou com Garotti em <strong>Eu Fico Loko<\/strong> (2017). A aten\u00e7\u00e3o, por sua vez, n\u00e3o est\u00e1 em sua fraca performance como um cantor de sucesso de uma m\u00fasica s\u00f3, mas principalmente na sua representa\u00e7\u00e3o como o pr\u00edncipe encantado que <strong>Paula Pimenta<\/strong> criou &#8211; tanto que a mesma confirmou na coletiva que Filipe foi a escolha perfeita para o papel. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A participa\u00e7\u00e3o do jovem, no entanto, \u00e9 o que causa o principal problema do longa. O roteiro altamente expositivo e banal refor\u00e7a uma ideia sobre o amor e insiste nesse \u201cconflito\u201d entre seu personagem e o de <strong>Ma\u00edsa<\/strong>. Todavia, o mesmo roteiro que tenta quebrar a ideia do romance cl\u00e1ssico, trabalha justamente com isso. Ao inv\u00e9s de quebrar um recurso antigo e seguir a linha que o roteiro apresenta com os personagens, a jornada de todos em volta segue a linha cl\u00e1ssica do romance, n\u00e3o fazendo jus ao que a pr\u00f3pria hist\u00f3ria apresenta. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nisso, temos um uso da modernidade de forma tamb\u00e9m vazia. N\u00e3o s\u00f3 na quest\u00e3o de coadjuvantes buscarem a fama atrav\u00e9s da internet e constante falas modernas, mas tamb\u00e9m nas li\u00e7\u00f5es que ele passa. O \u00fanico n\u00facleo que realmente funciona dentro da proposta de Garotti \u00e9 o da personagem de <strong>B\u00e1rbara Maia<\/strong>, que conversa diretamente com a personagem de <strong>Giovanna Grigio<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste ponto, temos uma menina ing\u00eanua e inocente sobre o que \u00e9 o amor. A evolu\u00e7\u00e3o da personagem faz com que ela passe a se amar e entender que n\u00e3o h\u00e1 a verdadeira necessidade de um pr\u00edncipe idealizado para ser feliz &#8211; algo que deveria acontecer com a personagem principal ao inv\u00e9s da coadjuvante. Entretanto, por mais que o roteiro tenha se sa\u00eddo bem no conceito da narrativa, Garotti insiste em trazer di\u00e1logos recheados de pleonasmo, com falas sobre situa\u00e7\u00f5es que acabaram de ser mostradas. O que s\u00f3 refor\u00e7a a falta de coragem em trabalhar uma hist\u00f3ria mais madura com um p\u00fablico infantil. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Cinderela Pop<\/strong>, no fim, tenta fugir do cl\u00e1ssico romance bobo, por\u00e9m, em sua ess\u00eancia, apresenta os mesmos conceitos, fugindo da sua pr\u00f3pria proposta de moderniza\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o vai parar por a\u00ed. Durante a coletiva com o elenco e a autora, o produtor <strong>Rodrigo Montenegro<\/strong> confirmou mais sete filmes das princesas modernas de <strong>Paula Pimenta<\/strong>. Not\u00edcia ruim para quem clama por um cinema brasileiro mais maduro e melhor reconhecido. A verdade d\u00f3i, mas fortalece.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Paula Pimenta, indiscutivelmente, \u00e9 um dos nomes mais aclamados da literatura infantojuvenil brasileira atualmente. Junto com Thalita Rebou\u00e7as, ela conquistou um mar de f\u00e3s apaixonados por suas obras e personagens. 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