{"id":73925,"date":"2019-03-18T20:32:32","date_gmt":"2019-03-18T23:32:32","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73925"},"modified":"2019-06-05T11:03:33","modified_gmt":"2019-06-05T14:03:33","slug":"julia-roberts-sustenta-com-honraria-a-popular-narrativa-de-o-retorno-de-ben","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/julia-roberts-sustenta-com-honraria-a-popular-narrativa-de-o-retorno-de-ben\/","title":{"rendered":"Julia Roberts sustenta com honraria a popular narrativa de \u201cO Retorno de Ben\u201d"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O cinema se apoiou diversas vezes em narrativas envolvendo drogas e adolescentes. Isso devido a uma forte realidade n\u00e3o s\u00f3 americana. No entanto, as hist\u00f3rias costumam trazer o retrato do per\u00edodo do uso ou at\u00e9 mesmo do in\u00edcio, mostrando o porque tais personagens passaram a usar. <strong>O Retorno de Ben<\/strong>, por sua vez, explora uma narrativa interessante, retratando o p\u00f3s, fazendo uma an\u00e1lise sobre as consequ\u00eancias deixadas por quem j\u00e1 passou do per\u00edodo de uso e est\u00e1 em tratamento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O roteiro de <strong>Peter Hedges<\/strong> trabalha a tem\u00e1tica da melhor maneira poss\u00edvel no sentido de n\u00e3o encher a narrativa com <em>flashbacks<\/em> coloquiais. Ao inv\u00e9s disso, seu texto \u00e9 mais natural ao deixar as situa\u00e7\u00f5es flu\u00edrem e falarem por si s\u00f3. A partir disso, Peter n\u00e3o se utiliza de um personagem como base para usar como justificativa para determinadas revela\u00e7\u00f5es. O espectador, ent\u00e3o, passa a descobrir sobre o passado do Ben &#8211; interpretado por <strong>Lucas Hedges<\/strong> &#8211; aos poucos, enquanto as coisas acontecem, chegando at\u00e9 deixar algumas coisas impl\u00edcitas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O melhor disso \u00e9 que Peter realiza o trabalho com base em um roteiro mais popular. Comparando com o recente <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/emocionante-historia-real-de-querido-menino-encanta-com-narrativa-controlada\/\"><strong>Querido Menino<\/strong><\/a>, pela tem\u00e1tica, a obra de Van Groeningen possui um filtro mais art\u00edstico, por toda a narrativa mais cadenciada, explorando a dramaticidade com mais delicadeza. Aqui, Peter se aproveita de um texto mais comum, por assim dizer. Os di\u00e1logos, por mais que n\u00e3o sejam expositivos (a n\u00e3o ser quando precisa) s\u00e3o muito b\u00e1sicos e fazem o que precisam fazer de forma direta, conseguindo ser t\u00e3o brutal quanto o longa de Van Groeningen, mas que n\u00e3o exige tanto de seu elenco. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pr\u00f3pria escolha de Peter criar uma hist\u00f3ria mais fechada e controlada, que se passa dentro de 24 horas, consegue conquistar e prender mais o espectador, esse que \u00e9 conquistado logo no in\u00edcio. N\u00e3o s\u00f3 pela presen\u00e7a de <strong>Julia Roberts<\/strong>, mas tamb\u00e9m por compreender tudo o que se passa. Afinal, somos humanos e entendemos o sentimento de cada um dos personagens. Sobre isso, Peter foi feliz em construir seres com diferentes pensamentos sobre o assunto, justamente para atingir um n\u00famero maior de pessoas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pode ser que concordemos mais com a ideologia dos personagens de <strong>Kathryn Newton<\/strong> e <strong>Courtney B. Vance<\/strong>, por\u00e9m, entendemos completamente a forma como a personagem de Julia age, porque conseguimos imaginar como uma m\u00e3e sente. Neste ponto que o longa conquista. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo que Ben seja o centro da narrativa, <strong>Lucas Hedges<\/strong> est\u00e1 longe de interpretar o personagem principal. A constru\u00e7\u00e3o em volta dele funciona para todo o universo ao seu redor caminhar e revelar o verdadeiro objetivo do filme: <strong>mostrar o poder de uma m\u00e3e<\/strong>. A caracter\u00edstica em quest\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m o cerne do roteiro de <strong>O Quarto de Jack<\/strong> (2015). Nos dois, somos capazes de compreender os limites de uma m\u00e3e e a capacidade da mesma em fazer tudo aquilo que ela n\u00e3o quer, mas que, de alguma maneira, salvar\u00e1 seu filho(a). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Este ponto faz de <strong>O Retorno de Ben<\/strong> uma obra forte, e que n\u00e3o se aproveita de um visual mais sujo e realista como em <strong>Trainspotting &#8211; Sem Limites<\/strong> (1996) e <strong>Di\u00e1rio de um Adolescentes<\/strong> (1995) &#8211; ambos tamb\u00e9m citados na cr\u00edtica de <strong>Querido Menino<\/strong>. Como comentado, a narrativa busca atingir um p\u00fablico mais amplo e sem procurar servir como um manual do que fazer ou refletir. <strong>O Retorno de Ben<\/strong> funciona como um retrato de uma mulher forte e a capacidade de uma m\u00e3e agir em prol do filho, mesmo que ela o enxergue como algo perdido. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa f\u00f3rmula narrativa poderia ter sido muito bem desprezada. Contudo, <strong>Julia Roberts<\/strong> carrega o longa de forma poderosa. Seu tom dram\u00e1tico encaixa perfeitamente com a narrativa proposta por Peter, que se aproveita ao m\u00e1ximo de sua interpreta\u00e7\u00e3o. Suas nuances e transforma\u00e7\u00f5es constantes de uma m\u00e3e ing\u00eanua e amorosa para uma m\u00e3e forte e bruta, encantam os olhos de qualquer espectador. A americana consegue muito bem realizar essa transi\u00e7\u00e3o de maneira natural sem qualquer for\u00e7a\u00e7\u00e3o narrativa e entrega o peso necess\u00e1rio nas horas que precisa tomar dif\u00edceis decis\u00f5es, algo muito remetente a interpreta\u00e7\u00e3o de <strong>Meryl Streep<\/strong> em <strong>A Escolha de Sofia<\/strong> (1982). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O encanto de Julia vem tamb\u00e9m muito do trabalho textual de Peter. Por mais que haja a simplicidade nas trocas de palavras, seu texto constr\u00f3i uma narrativa muito simples e bem costurada, muito disso pela limita\u00e7\u00e3o de tempo e espa\u00e7o. Mesmo com Julia ganhando seu merecido destaque em tela, <strong>Lucas Hedges<\/strong>, aos poucos vem se mostrando mais capaz de chamar a verdadeira aten\u00e7\u00e3o em Hollywood. Apesar da indica\u00e7\u00e3o ao <strong>Oscar<\/strong> na categoria de <strong>Melhor Ator Coadjuvante<\/strong> em 2017, ele continua distante de atingir a maturidade interpretativa de <strong>Timoth\u00e9e Chalamet<\/strong> &#8211; puxando novamente <strong>Querido Menino<\/strong>. Entretanto, o ator se apresenta de maneira mais leve &#8211; provavelmente pela presen\u00e7a no pai na dire\u00e7\u00e3o &#8211; ainda que seu texto n\u00e3o exija tanta entrega. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o s\u00f3 o elenco ajuda a narrativa andar, como a dire\u00e7\u00e3o conversa bastante com toda a ambienta\u00e7\u00e3o proposta. Peter estabelece esse tom de forma muito clara logo no in\u00edcio quando apresenta a fam\u00edlia com uma fotografia est\u00e1tica e no momento de introdu\u00e7\u00e3o de Ben, Peter passa a utilizar uma <em>steadcam<\/em>, dando um visual mais bagun\u00e7ado, sem a firmeza em sua realidade. A dire\u00e7\u00e3o se aproveita dessa t\u00e9cnica at\u00e9 sua conclus\u00e3o, refor\u00e7ando a simplicidade que o diretor\/roteirista escolheu para sua hist\u00f3ria. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A falta de um controle mais art\u00edstico para a narrativa n\u00e3o diminui a hist\u00f3ria proposta por <strong>Peter Hedges<\/strong>, dando mais espa\u00e7o para um brilhantismo de <strong>Julia Roberts<\/strong> para um retrato poderoso de uma m\u00e3e.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] O cinema se apoiou diversas vezes em narrativas envolvendo drogas e adolescentes. Isso devido a uma forte realidade n\u00e3o s\u00f3 americana. 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