{"id":73977,"date":"2019-04-04T20:26:53","date_gmt":"2019-04-04T23:26:53","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73977"},"modified":"2019-06-05T11:01:29","modified_gmt":"2019-06-05T14:01:29","slug":"3-faces-jafar-panahi-abrilhanta-mais-uma-vez-nao-so-sua-filmografia-mas-tambem-o-cinema-iraniano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/3-faces-jafar-panahi-abrilhanta-mais-uma-vez-nao-so-sua-filmografia-mas-tambem-o-cinema-iraniano\/","title":{"rendered":"&#8220;3 Faces&#8221; | Jafar Panahi abrilhanta mais uma vez n\u00e3o s\u00f3 sua filmografia, mas tamb\u00e9m o cinema iraniano"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com gosto pela cr\u00edtica social em suas obras, <strong>Jafar Panahi<\/strong> se provou um cineasta especial. N\u00e3o s\u00f3 pelo seu gosto em estar presente como um personagem em suas hist\u00f3rias, mas pela forma como transmite sua vis\u00e3o sobre a realidade na qual ele convive &#8211; o que lhe rendeu motivos para ser perseguido em seu pa\u00eds. \u00c9 inevit\u00e1vel que o olhar ocidental para o cinema iraniano \u00e9 m\u00ednimo, com um fraco holofote apenas para Panahi, <strong>Asghar Farhadi<\/strong> e <strong>Leila Hatami<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, qualquer obra desses nomes acabam chamando devida aten\u00e7\u00e3o, mas longe de maneira gratuita. Al\u00e9m de diretor, Panahi tamb\u00e9m atua e roteiriza <strong>Tr\u00eas Faces<\/strong>, caracter\u00edstica presente em seus outros quatro filmes &#8211; menos em <strong>Bal\u00e3o Branco <\/strong>(1995), no qual n\u00e3o atuou. Mas outro fator do cineasta que chama a aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 em sua maneira de conduzir sua narrativa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cuidadoso, Panahi \u00e9 maduro ao dirigir seu elenco e tratar a hist\u00f3ria da sua maneira. Como em <strong>Taxi Teer\u00e3<\/strong> (2015), o iriniano apresenta ao espectador um ponto de vista, por\u00e9m, querendo que o mesmo olhe para outra coisa. Em <strong>Tr\u00eas Faces<\/strong>, sua narrativa chama aten\u00e7\u00e3o nos primeiro minutos, com um misterioso v\u00eddeo de um suposto suic\u00eddio. Com o caminhar, a quest\u00e3o ganha cada vez mais for\u00e7a, principalmente com os pontos apresentados pelos personagens &#8211; incluindo o pr\u00f3prio Panahi. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A mudan\u00e7a do olhar se prova devidamente ao fato de Panahi n\u00e3o se aproveitar do mist\u00e9rio por toda a narrativa, j\u00e1 que a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma desculpa para seu olhar cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o a ignor\u00e2ncia sobre a arte em seu pa\u00eds. Panahi realiza o mesmo feito em <strong>T\u00e1xi Teer\u00e3<\/strong>, apresentando seu olhar sobre determinados assuntos sociais em acontecimentos \u00fanicos, mas que fazem parte de um todo fechado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em <strong>Tr\u00eas Faces<\/strong>, ele foca em um ponto \u00fanico. Aproveitando-se de uma cidadezinha do interior, o iraniano mostra, a partir de vis\u00f5es de moradores reais, a realidade fora das grandes cidades, um contraponto com o longa de 2015. Diante uma realidade mais carente, a discuss\u00e3o sobre a arte abrange principalmente o financeiro, estendo-se para outros meios, como o fato da arte ser vista como uma fuga, j\u00e1 que a mesma n\u00e3o coloca comida na mesa ou n\u00e3o traz a assist\u00eancia que aqueles cidad\u00e3os precisam. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao mesmo tempo, Panahi escolhe uma personagem feminina com o centro dos acontecimentos, trazendo mais um ponto importante sobre todo aquele pequeno universo do pa\u00eds, j\u00e1 que mulheres s\u00e3o vistas com a fun\u00e7\u00e3o \u00fanica do casamento, sendo proibidas, inclusive, de estudar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A delicadeza do longa est\u00e1 em como Panahi introduz essa narrativa. O cineasta n\u00e3o tem medo de trabalhar com longos &#8211; e quando digo longos, s\u00e3o longos mesmo &#8211; planos para introduzir personagens ou situa\u00e7\u00f5es. O melhor \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 um inc\u00f4modo, j\u00e1 que Panahi transforma a situa\u00e7\u00e3o em algo natural, sem cortes para poss\u00edveis rea\u00e7\u00f5es, at\u00e9 porque a import\u00e2ncia da hist\u00f3ria est\u00e1 \u00fanica e exclusivamente na personagem de <strong>Behnaz Jafari<\/strong> &#8211; interpretando ela mesmo. Nisso, o cineasta d\u00e1 um olhar \u00fanico para a realidade das mulheres artistas no Ir\u00e3, mesmo com o mist\u00e9rio sendo o &#8211; suposto &#8211; centro narrativo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para esta apresenta\u00e7\u00e3o, o cineasta entrega uma dire\u00e7\u00e3o segura, sabendo exatamente o que tirar de seu elenco e tamb\u00e9m dos cidad\u00e3os da pequena cidade. Apesar de explorar menos planos longos com os n\u00e3o-atores, Panahi consegue extrair o melhor daquele cen\u00e1rio e ao mesmo tempo fazer a hist\u00f3ria caminhar de maneira natural. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O pr\u00f3prio texto tamb\u00e9m entrega isso perfeitamente. O longa n\u00e3o possui exposi\u00e7\u00f5es gratuitas ou pleon\u00e1sticas, fazendo tudo caminhar de maneira precisa. Muito do destaque do texto se d\u00e1 pelas bel\u00edssimas interpreta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 de Behnaz e Panahi, mas tamb\u00e9m da jovem <strong>Marziyeh Rezaei<\/strong> &#8211; tamb\u00e9m como ela mesma. Apesar de nova, a iraniana provou-se uma profissional madura, ainda mais pela proposta mais humana de Panahi. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A escolha de trazer \u201cpersonagens\u201d a partir da pr\u00f3pria figura, transforma seu olhar em algo mais cr\u00edvel. Nesse caso, o cineasta se aproveitou de uma desculpa fict\u00edcia para mostrar uma realidade. E n\u00e3o atrav\u00e9s de artefatos t\u00e9cnicos de document\u00e1rio, mas sim de uma \u201cfic\u00e7\u00e3o\u201d realizada com imagens reais, de pessoas reais com ideologias reais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de surgir diante uma semana com produ\u00e7\u00f5es mais comerciais, como <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/73969-2\/\"><strong>Shazam<\/strong><\/a> e at\u00e9 mesmo <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/duas-rainhas-prendem-a-atencao-mas-nao-passam-veracidade-dos-fatos\/\"><strong>Duas Rainhas<\/strong><\/a>, <strong>Tr\u00eas Faces<\/strong> \u00e9 uma joia que embeleza n\u00e3o s\u00f3 a curta, mas precisa, filmografia \u00a0de Panahi, como o cinema iraniano em si. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Com gosto pela cr\u00edtica social em suas obras, Jafar Panahi se provou um cineasta especial. 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