{"id":73997,"date":"2019-04-16T19:00:24","date_gmt":"2019-04-16T22:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=73997"},"modified":"2019-06-05T11:00:34","modified_gmt":"2019-06-05T14:00:34","slug":"como-um-dicionario-o-genio-e-o-louco-mistura-tudo-em-uma-unica-coisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/como-um-dicionario-o-genio-e-o-louco-mistura-tudo-em-uma-unica-coisa\/","title":{"rendered":"Como um dicion\u00e1rio, \u201cO G\u00eanio e o Louco\u201d mistura tudo em uma \u00fanica coisa"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Originado da Fran\u00e7a, o cinema \u00e9 uma arte apaixonante que funciona como uma das muitas maneiras de se contar uma hist\u00f3ria. Curiosamente, a palavra tamb\u00e9m \u00e9 de origem francesa, especificamente do termo <em>cin\u00e9ma<\/em>, encurtamento de <em>cin\u00e9matographe<\/em>, que, por sua vez, vem do grego <em>kinema<\/em> (\u201cmovimento\u201d), origin\u00e1ria de <em>kinein<\/em> (\u201cmexer, deslocar, movimentar\u201d). Apesar de <strong>O G\u00eanio e o Louco<\/strong> n\u00e3o tratar da hist\u00f3ria do cinema, ele trata justamente dessa pequena hist\u00f3ria contada: a origem das palavras. Ou, pelo menos, essa parecia ser a inten\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O pr\u00f3prio t\u00edtulo do filme nem combina com a suposta proposta, por\u00e9m, combina perfeitamente com a sua narrativa, consequentemente com seus personagens. E que, por alguma a\u00e7\u00e3o do destino &#8211; ou de algum produtor &#8211; o elenco tamb\u00e9m combina perfeitamente. Isso porque, tanto <strong>Sean Penn<\/strong> quanto <strong>Mel Gibson<\/strong>, devido suas hist\u00f3rias passadas, trazem justificativas para termos como esses serem utilizados como refer\u00eancia quando se fala dos dois cineastas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o s\u00f3 isso, a trama tamb\u00e9m faz um balan\u00e7o interessante entre a genialidade e a loucura do <strong>Professor James Murray<\/strong> e do <strong>Doutor W.C. Minor<\/strong>. Isso porque o roteiro escrito por <strong>Farhad Safinia<\/strong>, <strong>John Boorman<\/strong> e <strong>Todd Komarnicki<\/strong> constr\u00f3i ambos com as duas caracter\u00edsticas, uma bem mais presente em cada um. No caso, Gibson com a genialidade e Penn com a loucura &#8211; algo poss\u00edvel de se observar no trailer. Essa ambiguidade gerada torna os dois ainda mais interessantes, por\u00e9m todo o roteiro e a pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o de Farhad n\u00e3o aproveitaram esses pontos da melhor maneira. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tratar de fatos hist\u00f3ricos n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil. Ainda mais quando o feito ocorre em um espa\u00e7o de tempo muito grande, o que exige um achatamento da trama, tornando o texto n\u00e3o s\u00f3 corrido, como tamb\u00e9m recheado de informa\u00e7\u00f5es jogadas e com pouco desenvolvimento. E \u00e9 exatamente isso o que acontece com <strong>O G\u00eanio e o Louco<\/strong>. A pr\u00f3pria montagem do dicion\u00e1rio da l\u00edngua inglesa j\u00e1 valeria um filme por si s\u00f3, no entanto, a escolha foi em trabalhar as duas hist\u00f3ria, tanto de Murray, quanto de Minor, e como a vida dos dois se juntaram e fizeram a diferen\u00e7a para a conclus\u00e3o do livro. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, toda essa jornada n\u00e3o \u00e9 trabalhada com delicadeza, at\u00e9 porque, por precisar envolver muitas camadas, muita coisa fica em segundo plano, inclusive a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do dicion\u00e1rio. Por mais que essa trama realmente seja o fio condutor para a verdadeira hist\u00f3ria dos dois, ela \u00e9 mal trabalhada. Inclusive, a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o entre Murray e Minor \u00e9 fraqu\u00edssima, chegando a ser mais relevante a trajet\u00f3ria do doutor com <strong>Eliza Merrett<\/strong> (<strong>Natalie Dormer<\/strong>), ao inv\u00e9s com o pr\u00f3prio professor. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 percept\u00edvel que se mostrou complicado abandonar determinadas narrativas, j\u00e1 que todas se conversam. Por\u00e9m, faltou um foco. Com isso, acaba n\u00e3o acontecendo nenhum desenvolvimento interessante ou conclusivo. A pr\u00f3pria jornada pela busca da origem das palavras \u00e9 feita \u00e0s pressas, n\u00e3o dando a verdadeira import\u00e2ncia para o feito que est\u00e1 sendo mostrado. O pior \u00e9 que a dire\u00e7\u00e3o de Farhad auxilia nos defeitos, principalmente por n\u00e3o ter um ritmo bem estabelecido, j\u00e1 que o filme tem seus momentos mais cadenciados, onde \u00e9 poss\u00edvel enxergar um desenvolvimento melhor, enquanto em outros, tudo \u00e9 passado ou simplesmente citado, sem o visual em si. O que enfraquece exponencialmente toda a trajet\u00f3ria dos personagens reais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O elenco \u00e9 outro ponto crucial que n\u00e3o convence. Penn entrega uma interpreta\u00e7\u00e3o extremamente caricata, que em primeiro momento, at\u00e9 aparenta ser um bom trabalho, mas que aos poucos vai se provando desgastante, situa\u00e7\u00e3o semelhante ao papel de Natalie, que ainda consegue ter a interpreta\u00e7\u00e3o mais madura. Gibson, por sua vez, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o exigido, &#8211; por incr\u00edvel que pare\u00e7a &#8211; mas principalmente pelo seu personagem trazer as caracter\u00edsticas do g\u00eanio, enquanto o seu louco \u00e9 em momentos mais figurativos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por esses pontos, fica dif\u00edcil n\u00e3o comparar o longa com outras obras que tratam de momentos hist\u00f3ricos, como <strong>O Jogo da Imita\u00e7\u00e3o<\/strong> (2014) ou <strong>O Discurso do Rei<\/strong> (2010), por exemplo. A principal diferen\u00e7a \u00e9 que os dois exemplos conseguem trabalhar perfeitamente o primeiro plano da trama, enquanto o que est\u00e1 como coadjuvante consegue ser bem desenvolvido, algo dif\u00edcil de entender de como o contr\u00e1rio aconteceu aqui, j\u00e1 que eram tr\u00eas cabe\u00e7as trabalhando como montadores da hist\u00f3ria, sendo uma delas indicada ao Oscar, \u00a0incluindo <strong>Melhor Roteiro Original<\/strong> &#8211; <strong>John Boorman<\/strong>, por <strong>Esperan\u00e7a e Gl\u00f3ria<\/strong> (1987). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>O G\u00eanio e o Louco<\/strong>, por fim, demonstrou-se um futuro filme de distra\u00e7\u00e3o para alunos na aula de hist\u00f3ria, que, ao todo, n\u00e3o ensina, e apenas demonstra um potencial desperdi\u00e7ado. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Originado da Fran\u00e7a, o cinema \u00e9 uma arte apaixonante que funciona como uma das muitas maneiras de se contar uma hist\u00f3ria. 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