{"id":74001,"date":"2019-04-18T19:21:58","date_gmt":"2019-04-18T22:21:58","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74001"},"modified":"2019-06-05T11:00:14","modified_gmt":"2019-06-05T14:00:14","slug":"com-o-anjo-luis-ortega-ensina-como-realizar-uma-cinebiografia-impecavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/com-o-anjo-luis-ortega-ensina-como-realizar-uma-cinebiografia-impecavel\/","title":{"rendered":"Com \u201cO Anjo\u201d, Luis Ortega ensina como realizar uma cinebiografia impec\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Futuramente, \u00e9 bem poss\u00edvel que <strong>O Anjo<\/strong> sirva como um material de estudo para futuros cineastas. N\u00e3o s\u00f3 pela forma perfeita em trabalhar a hist\u00f3ria do assassino argentino <strong>Carlos Robledo Puch<\/strong>, mas principalmente sobre a produ\u00e7\u00e3o. A nova obra de <strong>Luis Ortega<\/strong> \u00e9 uma verdadeira aula de cinema desde a concep\u00e7\u00e3o do roteiro at\u00e9 a dire\u00e7\u00e3o de arte. O cineasta n\u00e3o s\u00f3 transporta o espectador para o bel\u00edssimo cen\u00e1rio setentista da Argentina &#8211; atrav\u00e9s de planos abertos &#8211; como tamb\u00e9m desenvolve di\u00e1logos bem estruturados e personagens cativantes, mesmo sendo todos controversos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao tratar de uma biografia, Ortega se deleita de estruturas comuns, por\u00e9m, sua dire\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bem controlada que <strong>O Anjo<\/strong> aparenta ser fora do comum na t\u00e9cnica. Os elementos esperados de um filme cuja a hist\u00f3ria foca em um personagem hist\u00f3rico est\u00e3o l\u00e1, mas todos s\u00e3o entregues de uma maneira nova e com um esp\u00edrito in\u00e9dito que encanta o espectador. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pr\u00f3pria presen\u00e7a de <strong>Pedro Almod\u00f3var<\/strong> \u00e9 clara diante a proposta estabelecida por pelo diretor e roteirista, principalmente em elementos art\u00edsticos. Diante uma hist\u00f3ria em uma Argentina acinzentada pela ditadura ainda fortalecida, todos os elementos entregam cores saturadas e fortes para o retrato do ambiente. Das roupas aos edif\u00edcios, houve um cuidado t\u00e9cnico impressionante para estabelecer uma verdadeira participa\u00e7\u00e3o do espectador para com a hist\u00f3ria. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sua c\u00e2mera tamb\u00e9m ajuda muito nessa presen\u00e7a. A dire\u00e7\u00e3o deixa respiros em muitos momentos, trabalhando planos longos e aproveitando o melhor do ambiente em quest\u00e3o, mas tamb\u00e9m de seu elenco. Ortega se aproveitou perfeitamente da juventude de <strong>Lorenzo Ferro<\/strong> e <strong>Chino Dar\u00edn<\/strong>. Enquanto Chino j\u00e1 demonstra h\u00e1 tempos a qualidade do pai, este foi o primeiro trabalho de Lorenzo, e mesmo com sua imaturidade profissional, o jovem ator surpreende com uma interpreta\u00e7\u00e3o digna, recheada de resqu\u00edcios do cl\u00e1ssico personagem Alex, de <strong>Stanley Kubrick<\/strong>, em <strong>Laranja Mec\u00e2nica<\/strong> (1971) &#8211; incluindo a apar\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O paralelo entre os dois \u00e9 muito presente, essencialmente, em suas vis\u00f5es de mundo e como a viol\u00eancia \u00e9 introduzida na vida de cada um. Inclusive, Ortega refor\u00e7a ainda mais a vis\u00e3o de Kubrick com cenas paralelas, como a inicial, de uma invas\u00e3o a uma casa, o toque da m\u00fasica cl\u00e1ssica e dan\u00e7a exc\u00eantrica e perturbadora do personagem principal, al\u00e9m de uma refer\u00eancia clara a cl\u00e1ssica cena do t\u00e9cnica Ludovico. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lorenzo \u00e9 o verdadeiro encanto do longa e leva o nome do filme ao extremo. A produ\u00e7\u00e3o &#8211; mais uma vez ela &#8211; demonstra o cuidado com a hist\u00f3ria em escolher cuidadosamente com quem trabalhar. A escolha do diretor \u00e9 s\u00f3 um resqu\u00edcio de \u00f3timas escolhas realizadas, e uma delas \u00e9 refletida diretamente no jovem ator, que consegue entregar uma caracteriza\u00e7\u00e3o juntamente impec\u00e1vel, conseguindo, s\u00f3 visualmente, provocar diferentes sensa\u00e7\u00f5es nos espectadores. Mesmo cruel em suas decis\u00f5es, seu perfil doce e inocente &#8211; e a beleza angelical &#8211; \u00a0trazem a ess\u00eancia que <strong>O Anjo<\/strong> precisava para seu protagonista. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, Ortega n\u00e3o procura amenizar as crueldades de Carlos &#8211; ou Carlitos, como era conhecido. O texto foge da romantiza\u00e7\u00e3o do assassino e n\u00e3o deixa brechas para admira\u00e7\u00e3o ou encanto por suas atrocidades, isso porque Ortega tamb\u00e9m n\u00e3o estabelece um motivo principal. Esse ponto \u00e9 crucial para o personagem n\u00e3o ser baseado em uma justificativa, afinal, Carlos \u00e9 mau porque \u00e9 mau. E pronto. Tanto que o roteiro nem se preocupa em contextualizar de forma convencional o regime pol\u00edtico da \u00e9poca. H\u00e1 sim resqu\u00edcios da ditadura, por\u00e9m, ela n\u00e3o \u00e9 o destaque para o esp\u00edrito violento do personagem. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Chino, por mais ofuscado que acaba se tornando por Lorenzo, brilha os olhos de quem assiste. A prova est\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 no amadurecimento art\u00edstico, mas tamb\u00e9m em sua presen\u00e7a de tela. H\u00e1 momentos que o tamb\u00e9m jovem ator consegue ganhar a aten\u00e7\u00e3o de seu companheiro, superando o holofote angelical de Lorenzo. Muito disso se deve n\u00e3o s\u00f3 ao fato da c\u00e2mera de Ortega gostar de trabalhar os dois de maneira equilibrada, mas tamb\u00e9m como sua atua\u00e7\u00e3o traz n\u00edveis gratificantes, conseguindo transportar a vis\u00e3o para ele. O elenco ainda consegue ser brilhantemente completado por <strong>Mercedes Mor\u00e1n<\/strong>, <strong>Daniel Fanego<\/strong> e <strong>Cecilia Roth<\/strong>, que refor\u00e7am suas capacidades art\u00edsticas de varia\u00e7\u00f5es de personagens. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>O Anjo<\/strong> atrai tamb\u00e9m com sua trilha sonora. Apesar de produ\u00e7\u00f5es com um perfil biogr\u00e1fico\/hist\u00f3rico trazerem boas utiliza\u00e7\u00f5es musicais, o longa eleva no aproveitamento. As can\u00e7\u00f5es escolhidas n\u00e3o s\u00f3 trabalham perfeitamente com a ambienta\u00e7\u00e3o e o acontecimento em si, como tamb\u00e9m se torna conflitante em momentos espec\u00edficos, caracter\u00edstica essa tamb\u00e9m muito bem trabalhada por Kubrick no j\u00e1 citado <strong>Laranja Mec\u00e2nica<\/strong>. As can\u00e7\u00f5es, apesar de prazerosas por si s\u00f3, fazem um contraponto com a a\u00e7\u00e3o ocorrida, como tamb\u00e9m no pr\u00f3prio in\u00edcio, quando vemos Carlitos invadindo uma propriedade ao som de um jazz dan\u00e7ante. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todas essas qualidades fazem de <strong>O Anjo<\/strong> uma obra chamativa e que, futuramente, ganhar\u00e1 o merecido destaque ainda muito ofuscado por agora. As escolhas t\u00e9cnicas do longa n\u00e3o s\u00f3 fazem dele uma das melhores cinebiografias dos \u00faltimos anos, como tamb\u00e9m uma fa\u00edsca para manter a chama do cinema argentino ainda acesa. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Futuramente, \u00e9 bem poss\u00edvel que O Anjo sirva como um material de estudo para futuros cineastas. N\u00e3o s\u00f3 pela forma perfeita em trabalhar a hist\u00f3ria do assassino argentino Carlos Robledo Puch, mas principalmente sobre a produ\u00e7\u00e3o. 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