{"id":74044,"date":"2019-05-08T22:27:42","date_gmt":"2019-05-09T01:27:42","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74044"},"modified":"2019-06-05T10:58:28","modified_gmt":"2019-06-05T13:58:28","slug":"uso-de-cliches-nao-impede-que-cemiterio-maldito-renove-pontos-de-sua-classica-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/uso-de-cliches-nao-impede-que-cemiterio-maldito-renove-pontos-de-sua-classica-historia\/","title":{"rendered":"Uso de clich\u00eas n\u00e3o impede que \u201cCemit\u00e9rio Maldito\u201d renove pontos de sua cl\u00e1ssica hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma discuss\u00e3o interessante sobre a vida envolve, curiosamente, o fim dela. Nascer sabendo sobre a certeza de que tudo, um dia acaba, al\u00e9m de ser algo doloroso, tamb\u00e9m funciona como um guia para a vida. \u00c9 assim que tomamos determinadas atitudes ou escolhemos determinados caminhos. Por\u00e9m, algo que n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel \u00e9 a morte. Em 1983, o j\u00e1 conhecido autor de <strong>O Iluminado<\/strong> e <strong>Carrie<\/strong> lan\u00e7ou aquele que foi considerado uma das melhores obras de <strong>Stephen King<\/strong>: <strong>O Cemit\u00e9rio<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Internacionalmente conhecido como <strong>Pet Sematary<\/strong>, o livro de King trabalha justamente a dor da perda e a dificuldade de aceitar o inevit\u00e1vel. Curiosamente, <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/vingadores-ultimato-estraga-os-21-filmes-anteriores-com-um-roteiro-preguicoso\/\"><strong>Vingadores: Ultimato<\/strong><\/a> trabalha a mesma tem\u00e1tica no tom dram\u00e1tico, e, por isso, mais compara\u00e7\u00f5es entre os dois acontecer\u00e3o conforme o caminhar do texto. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A obra foi t\u00e3o significativa que, seis anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento do livro, <strong>Mary Lambert<\/strong> o adaptou aos cinemas, deixando uma marca no g\u00eanero na \u00e9poca. No entanto, <strong>Cemit\u00e9rio Maldito<\/strong> envelheceu mal e n\u00e3o consegue trazer o mesmo peso de antes para os dias atuais, sendo, claramente, uma obra de \u00e9poca. Esta nova vers\u00e3o, agora adaptada por <strong>Matthew Greenberg<\/strong> e <strong>Jeff Buhler<\/strong> no roteiro, e <strong>Dennis Widmyer<\/strong> e <strong>Kevin Kolsch<\/strong> na dire\u00e7\u00e3o, parece que vai passar pela mesma coisa. Do mesmo que o cinema em si, \u00e9 c\u00edclico, seus g\u00eaneros tamb\u00e9m s\u00e3o, ainda mais o terror. Por mais que <strong>Cemit\u00e9rio Maldito<\/strong> toque em um assunto atemporal, a t\u00e9cnica para sua produ\u00e7\u00e3o dificilmente segue o mesmo caminho, o que traz o ponto decepcionante do longa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por n\u00e3o terem uma vasta experi\u00eancia, Widmyer e Kolsch apresentam o cl\u00e1ssico amadorismo com a dire\u00e7\u00e3o. Grande parte do longa trabalha com conceitos clich\u00eas do g\u00eanero e com pouca inova\u00e7\u00e3o na parte t\u00e9cnica da hist\u00f3ria. O texto de Buhler \u00e9 o que mais reflete isso. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto suas escolhas textuais \u201cbebem\u201d de situa\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas de outras hist\u00f3rias &#8211; incluindo di\u00e1logos &#8211; a dire\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o fica muito longe, com planos trabalhados de maneira previs\u00edvel ou com constru\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o nada natural, exigindo muito de uma trilha sonora que poderia ser muito mais comedida. Por sua vez, ainda \u00e9 um trabalho honesto. Seguir a linha mais \u201ccl\u00e1ssica\u201d traz momentos desagrad\u00e1veis com o sentimento de \u201cpoderia ser mais\u201d, mas consegue entregar o esperado e faz sua &#8220;li\u00e7\u00e3o de casa\u201d. Os dois diretores, no fim, conseguem entregar um filme de terror com saldo positivo, apesar de escolhas contest\u00e1veis. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso se deve muito tamb\u00e9m pelas escolhas de Buhler, mas principalmente uma espec\u00edfica. Enquanto no livro, King desenvolveu uma hist\u00f3ria envolta do jovem Gage &#8211; incluindo a vers\u00e3o de 89 &#8211; aqui, o roteiro escolheu construir uma rela\u00e7\u00e3o diferente, dessa vez, envolvendo Ellie. Ao todo, a ideia \u00e9 poderosa e totalmente cr\u00edvel dentro de seu vi\u00e9s narrativo, dando uma aten\u00e7\u00e3o maior para a rela\u00e7\u00e3o com a jovem, o que acaba prejudicando um pouco a presen\u00e7a de <strong>Hugo Lavoie<\/strong> &#8211; provavelmente pela sua falta de experi\u00eancia com atua\u00e7\u00e3o &#8211; mas que funciona como uma justificativa para a conclus\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, a grande cena do atropelamento acaba ganhando um tratamento exagerado, o que prejudica o choque que deveria transmitir. A quest\u00e3o aqui est\u00e1 na escolha de fazer algo maior e ir al\u00e9m do simples &#8211; mas fatal &#8211; atropelamento. A computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica utilizada para a dramatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 mau feita, o que afasta o espectador da situa\u00e7\u00e3o e tira o peso necess\u00e1rio para o acidente. H\u00e1 tamb\u00e9m uma constru\u00e7\u00e3o mau feita em rela\u00e7\u00e3o ao personagem de Victor Pascow (<strong>Obssa Ahmed<\/strong>), que acaba sendo muito jogado pelo roteiro e n\u00e3o tendo o trabalho que o personagem pedia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dentro desses quesitos, \u00e9 quase imposs\u00edvel n\u00e3o comparar com a obra de 89, at\u00e9 por ser uma an\u00e1lise de dois conte\u00fados visuais. Widmyer e Kolsch conseguem realizar um grande feito ao respeitar tanto o livro quanto o longa &#8211; trazendo at\u00e9 planos iguais &#8211; mas supera em se diferenciar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como filme, os dois se diferenciam muito na qualidade, dando uma longa vantagem na obra recente, mas existe a quest\u00e3o do tempo e, pela linguagem escolhida pelos dois, essa qualidade pode acabar n\u00e3o existindo futuramente. Entretanto, Widmyer e Kolsch chamam a aten\u00e7\u00e3o pela vis\u00e3o que deram \u00e0 obra. Claro que a presen\u00e7a do texto de Buhler nesse ponto \u00e9 crucial, mas todo o tratamento visual dado pelos dois faz de <strong>Cemit\u00e9rio Maldito<\/strong> sair com o saldo positivo. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro ponto nesse quesito \u00e9 o pr\u00f3prio gato. A escolha de um Siberiano conversou facilmente com a proposta do mist\u00e9rio &#8211; que aqui trabalha pelo menos o conceito do <strong>Wendigo<\/strong> &#8211; e consegue se aproveitar do terror que a narrativa exigia. O mesmo acontece com a maquiagem de <strong>Jet\u00e9 Laurence<\/strong>. Toda a crueldade \u00e9 aparente s\u00f3 no visual da personagem e convence o espectador a refletir sobre a escolha de Louis Creed (<strong>Jason Clarke<\/strong>) e gerar o questionamento proposto por King no livro. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o nesses pontos espec\u00edficos que fazem esta nova vers\u00e3o superar a adapta\u00e7\u00e3o de 89. O controle narrativo da dire\u00e7\u00e3o \u00e9 mantido e a estrutura do longa n\u00e3o se transforma. Os dois trabalham de forma segura do come\u00e7o ao fim, mas se aproveitamento muito de clich\u00eas, como j\u00e1 comentado. O cerne, por sua vez, \u00e9 o que mant\u00e9m a for\u00e7a do terror. Como comparado anteriormente, <strong>Ultimato<\/strong> trata da tem\u00e1tica da supera\u00e7\u00e3o no mesmo n\u00edvel de <strong>Cemit\u00e9rio Maldito<\/strong>. Enquanto um explora uma aventura envolvendo os personagens da <strong>Marvel<\/strong>, o outro \u00e9 mais humano, com um toque de fantasia. Por\u00e9m ambos discutem a dificuldade de superar a despedida de algu\u00e9m e coloca o questionamento sobre o que far\u00edamos no lugar dos personagens. \u00c9 aqui que o terror do longa ganha for\u00e7a e onde a dire\u00e7\u00e3o acertou em explorar, apesar de t\u00e9cnicas antiquadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por isso, mesmo que exista as mudan\u00e7as positivas na hist\u00f3ria, <strong>Cemit\u00e9rio Maldito<\/strong> ainda n\u00e3o conseguiu ganhar um longa definitivo para deixar sua marca. Ambos os filmes conseguem agradar em suas devidas \u00e9pocas, mas longe de manterem a credibilidade por muito tempo. Como para seres vivos, para as obras, \u00e0s vezes, tamb\u00e9m estar morto \u00e9 melhor.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Uma discuss\u00e3o interessante sobre a vida envolve, curiosamente, o fim dela. Nascer sabendo sobre a certeza de que tudo, um dia acaba, al\u00e9m de ser algo doloroso, tamb\u00e9m funciona como um guia para a vida. \u00c9 assim que tomamos determinadas atitudes ou escolhemos determinados caminhos. 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