{"id":74052,"date":"2019-05-14T19:25:53","date_gmt":"2019-05-14T22:25:53","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74052"},"modified":"2019-06-05T10:58:15","modified_gmt":"2019-06-05T13:58:15","slug":"uma-viagem-para-o-inferno-hellboy-surpreende-e-consegue-ser-pior-do-que-o-imaginado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/uma-viagem-para-o-inferno-hellboy-surpreende-e-consegue-ser-pior-do-que-o-imaginado\/","title":{"rendered":"Uma viagem para o inferno: \u201cHellboy\u201d surpreende e consegue ser pior do que o imaginado"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Particularmente, nunca compreendi a cr\u00edtica de f\u00e3s sobre a adapta\u00e7\u00e3o do personagem <strong>Hellboy<\/strong> realizada aos cinemas pelo mexicano <strong>Guillermo Del Toro<\/strong>. Por mais que n\u00e3o costumo tratar meus textos em primeira pessoa, para esse in\u00edcio de escrita, ser\u00e1 necess\u00e1rio. Isso porque sempre enxerguei tanto <strong>Hellboy<\/strong> (2004) quanto <strong>Hellboy II: O Ex\u00e9rcito Dourado<\/strong> (2008) duas obras consistentes, com personagens bem constru\u00eddos e uma hist\u00f3ria interessante envolta daquele bizarro universo, o que combinou perfeitamente com o cineasta. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Minha admira\u00e7\u00e3o era tanta que acompanhei todas as reviravoltas na grande novela que foi a produ\u00e7\u00e3o do terceiro filme at\u00e9 a ent\u00e3o confirma\u00e7\u00e3o do <em>remake<\/em>. No fundo, achei v\u00e1lido, ainda com aquela decep\u00e7\u00e3o por saber que nunca viria a conclus\u00e3o de Del Toro para um personagem que traz, na bagagem, um universo perfeito para ele. E s\u00f3 com o desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o desta nova vers\u00e3o do \u201cher\u00f3i\u201d que fui entender as cr\u00edticas, e claro, elas envolviam a adapta\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Colocado em uma hist\u00f3ria solo em 1993, <strong>Anung un Rama<\/strong> &#8211; nome verdadeiro de <strong>Hellboy<\/strong> &#8211; se desenvolveu e ganhou a aten\u00e7\u00e3o de leitores pela vis\u00e3o &#8211; ou melhor, pela ponta do l\u00e1pis &#8211; de <strong>Mike Mignola<\/strong>. Muito inspirado na literatura pulp e expressionismo alem\u00e3o, o americano se aproveitou muito de mitos folcl\u00f3ricos do leste europeu, al\u00e9m de narrativas g\u00f3ticas e vitorianas para construir um universo \u00fanico, envolvendo muitos ensinamentos sobre mitologias sombrias e sobrenaturais. E \u00e9 justamente nesse quesito que a adapta\u00e7\u00e3o de Del Toro n\u00e3o agradou, j\u00e1 que muitos elementos essenciais dos quadrinhos n\u00e3o foram colocados no filme. Por\u00e9m, agora, a vers\u00e3o <strong>Neil Marshall<\/strong> consegue desfrutar e explorar os principais elementos que as p\u00e1ginas de Mignola oferecem. Entretanto, o cineasta s\u00f3 esqueceu de fazer o essencial: cinema. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pode parecer exagero, mas bastam apenas tr\u00eas minutos para compreender a nova vers\u00e3o escrita por <strong>Christopher Golden<\/strong>, <strong>Andrew Cosby<\/strong> e com participa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Mignola. N\u00e3o porque o roteiro j\u00e1 apresenta toda a trama futura &#8211; o que j\u00e1 causa previsibilidade &#8211; mas tamb\u00e9m pela mediocridade que o texto entrega. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A tentativa dos tr\u00eas foi iniciar o longa tal qual <strong>O Senhor dos An\u00e9is: A Sociedade do Anel<\/strong> (2001), com uma cl\u00e1ssica narra\u00e7\u00e3o para explicar um acontecimento passado, que servir\u00e1 de <em>plot<\/em> para o tempo presente. Apesar de uma escolha narrativa justa para introdu\u00e7\u00e3o &#8211; mesmo n\u00e3o sendo nada original &#8211; os tr\u00eas n\u00e3o estabelecem uma comunica\u00e7\u00e3o entre eles mesmos e entregam n\u00e3o s\u00f3 um texto mal escrito como lotado de pleonasmo e exposi\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias, ao ponto da narra\u00e7\u00e3o apresentar algo e a fala de um personagem trazer a mesma informa\u00e7\u00e3o &#8211; isso sem falar que o longa sente a necessidade de explicar quem \u00e9 o <strong>Rei Arthur<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 nesse mesmo tempo que \u00e9 f\u00e1cil compreender o tom do humor do longa: mal escrito e sem gra\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em estudos de roteiro, \u00e9 comum encontrar declara\u00e7\u00f5es sobre a import\u00e2ncia de determinar o tom e a hist\u00f3ria nos primeiros minutos. Nesse quesito, os quatro &#8211; incluindo Marshall nessa &#8211; fazem um trabalho perfeito. J\u00e1 que, ap\u00f3s os cr\u00e9ditos de abertura, <strong>Hellboy<\/strong> segue o caminho para o inferno: ladeira abaixo. <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_image _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243; src=&#8221;http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Hellboy2.jpg&#8221; \/][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na \u00e9poca de pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, muito se discutia sobre quem substituiria <strong>Ron Perlman<\/strong> no papel do personagem e <strong>David Harbour<\/strong> se mostrou \u00e0 altura na \u00e9poca, ainda mais ap\u00f3s o sucesso de seu personagem em <strong>Stranger Things<\/strong> (2016-). E no longa se comprovou. N\u00e3o que Harbour tenha uma \u00f3tima atua\u00e7\u00e3o &#8211; at\u00e9 porque ele acaba sendo muito impedido pela p\u00e9ssima maquiagem &#8211; mas por ter se entregado ao papel. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Visualmente, <strong>Hellboy<\/strong> consegue agradar, por\u00e9m n\u00e3o totalmente. Isso porque o novo visual consegue trazer mais elementos demon\u00edacos e menos <strong>Ron Perlman<\/strong> pintado de vermelho. No entanto, a maquiagem envolta de Harbour \u00e9 mal estabelecida visualmente n\u00e3o funcionando por grande parte do longa, principalmente em planos mais fechados. Outro problema s\u00e9rio est\u00e1 no texto do personagem. Por mais que o ator demonstre interesse em querer agradar com sua interpreta\u00e7\u00e3o, nenhuma fala \u00e9 bem encaixada, al\u00e9m de muitas parecerem ter sido escritas por uma crian\u00e7a de dois anos, com falas gratuitas ou muito expositivas, principalmente quando envolve o humor do personagem. <strong>Hellboy<\/strong> tem seus tons c\u00f4micos, por\u00e9m, muitos envolvem o sarcasmo ou dependem da situa\u00e7\u00e3o. Aqui, o roteiro escolhe insistir em um humor bobo, que poderia combinar com um p\u00fablico mais novo, mas fica longe de conquistar o espectador maduro que o longa tenta atingir. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mesmo ocorre com a hist\u00f3ria. Golden, Cosby e Mignola conseguem sim trazer a verdadeira ess\u00eancia dos quadrinhos, com mitologias cl\u00e1ssicas tratadas nas hist\u00f3rias, como a origem arthuriana de <strong>Hellboy<\/strong>, sua uni\u00e3o com cavaleiros em busca de gigantes (HQ <strong>The Wild Hunt<\/strong>), Osiris Club, o drag\u00e3o da saga <strong>The Fury<\/strong>, Lady Hatton, personagens de sua jornada no M\u00e9xico, Gruagach, Baba Yaga, Lobster Johnson e, claro, Nimue. \u00c9 inevit\u00e1vel dizer que agora entenderam a necessidade do f\u00e3, tanto que todas as vontades foram realizadas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, nada \u00e9 bem desenvolvido. Por trabalhar milhares de conceitos dentro de duas horas, o roteiro n\u00e3o consegue deixar sua narrativa e seus personagens de maneira genu\u00edna e toda a constru\u00e7\u00e3o \u00e9 for\u00e7ada e estraga ainda mais a experi\u00eancia do espectador, que n\u00e3o s\u00f3 precisa refletir sobre todas as informa\u00e7\u00f5es jogadas em tela, como tamb\u00e9m precisa aguentar a baboseira apresentada. Toda a narrativa \u00e9 inconsistente, com apresenta\u00e7\u00e3o de subtramas que for\u00e7am a conversa com a trama principal, mas que servem s\u00f3 para comprovar ainda mais a defici\u00eancia visual que o longa sofre. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse ponto, est\u00e1 longe do <strong>Hellboy<\/strong> ser o \u00fanico personagem visualmente decepcionante. O filme \u00e9 inteiro composto por bons conceitos visuais de criaturas, por\u00e9m, todas s\u00e3o mal executadas. A computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica relembra o auge do <strong>Playstation 2<\/strong>, no qual possu\u00eda criaturas mais convincentes quanto no longa de Marshall. Inclusive, a baixa qualidade atrapalha o que o longa mais aposta: a viol\u00eancia. Por mais brutais que sejam as lutas, com combates e mortes grotescas, tudo \u00e9 realizado com um CGI pobre, deixando absolutamente nenhum embate ou tens\u00e3o cr\u00edvel o suficiente para convencer o espectador. O que s\u00f3 serve como mais um gatilho para <strong>Hellboy<\/strong> ser, at\u00e9 ent\u00e3o, a pior produ\u00e7\u00e3o do ano. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o caracter\u00edsticas assim que fazem a saudade por Del Toro s\u00f3 aumentar. Por mais que o cineasta mexicano n\u00e3o tenha explorado a ess\u00eancia dos quadrinhos a fundo como esta nova vers\u00e3o, seu universo \u00e9 muito melhor estabelecido e mais cr\u00edvel &#8211; at\u00e9 pelo uso de efeitos pr\u00e1ticos. Ponto crucial para provar que nem sempre o <em>fan service<\/em> supera um bom roteiro e dire\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.12.2&#8243;] Particularmente, nunca compreendi a cr\u00edtica de f\u00e3s sobre a adapta\u00e7\u00e3o do personagem Hellboy realizada aos cinemas pelo mexicano Guillermo Del Toro. Por mais que n\u00e3o costumo tratar meus textos em primeira pessoa, para esse in\u00edcio de escrita, ser\u00e1 necess\u00e1rio. 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