{"id":74065,"date":"2019-05-15T20:42:54","date_gmt":"2019-05-15T23:42:54","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74065"},"modified":"2021-02-07T15:46:00","modified_gmt":"2021-02-07T18:46:00","slug":"john-wick-3-parabellum-expande-universo-com-belissima-violencia-artistica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/john-wick-3-parabellum-expande-universo-com-belissima-violencia-artistica\/","title":{"rendered":"\u201cJohn Wick 3: Parabellum\u201d expande universo com bel\u00edssima viol\u00eancia art\u00edstica"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Honrar com a palavra \u00e9 uma atitude que muito conversa com o cinema. Ainda mais quando o mesmo trata de uma franquia t\u00e3o encantadora quanto <strong>John Wick<\/strong>. Apesar de seu roteiro simpl\u00f3rio, <strong>De Volta ao Jogo<\/strong> (2014) surpreende positivamente seus espectadores com cenas de a\u00e7\u00e3o \u00fanicas dentro de uma trama fechada em seu n\u00facleo centrado e misterioso. <strong>Um Novo Dia Para Matar<\/strong> (2017), ent\u00e3o, sobe mais um degrau de qualidade, conseguindo expandir um pouco mais de seu universo, estabelecendo um roteiro mais consistente &#8211; mas ainda muito simples &#8211; e com cenas de a\u00e7\u00e3o tecnicamente superiores. <strong>Parabellum<\/strong>, enfim, honra com sua palavra ao entregar mais um degrau acima em todos os sentidos. Entretanto, consegue ir al\u00e9m. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Devido a conclus\u00e3o do segundo longa, era de se esperar que a dire\u00e7\u00e3o de <strong>Chad Stahelski<\/strong> evolu\u00edsse com ambientes mais abertos e fosse al\u00e9m do centro de todo o n\u00facleo do <strong>Continental<\/strong>. Assim, o longa consegue estabelecer esse avan\u00e7o da melhor maneira poss\u00edvel ao construir n\u00e3o s\u00f3 uma viol\u00eancia art\u00edstica que s\u00f3 <strong>John Wick<\/strong> consegue demonstrar, como expandir um pouco mais do universo, entregando mais informa\u00e7\u00f5es sobre o pr\u00f3prio protagonista e tamb\u00e9m do grande cerne de toda a ambienta\u00e7\u00e3o que \u00e9 a <strong>Alta C\u00fapula<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo que haja a persegui\u00e7\u00e3o escolhida atr\u00e1s do personagem, o roteiro de Stahelski e <strong>Derek Kolstad<\/strong> n\u00e3o esquece de toda a ess\u00eancia estabelecida e desenvolve a hist\u00f3ria no contexto da palavra. Assim, os dois conseguem trabalhar o respeito que existe entre todos aqueles que foram apresentados, tornando suas brilhantes cenas de a\u00e7\u00e3o ainda mais justific\u00e1veis, n\u00e3o transformando-as em escolhas gratuitas para engrandecer o visual. \u00c9 neste principal quesito que <strong>Parabellum<\/strong> abrilhanta a franquia. Ainda mais com a escolha do roteiro em introduzir o n\u00facleo asi\u00e1tico do universo, que conversa perfeitamente com todo o conceito do longa, j\u00e1 que a cultura envolve o respeito e o cumprimento da palavra. Al\u00e9m de resultar nos melhores combates, envolvendo katanas ao inv\u00e9s de M17s. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia que enchem os olhos do espectador de uma maneira \u00fanica. Stahelski n\u00e3o economiza em criatividade para estabelecer lutas corpo a corpo lindamente coreografadas e muito claras em tela, dando ainda mais m\u00e9rito para a dire\u00e7\u00e3o do americano, que trabalha com constantes planos longos e sequenciais para colocar o espectador ainda mais pr\u00f3ximo daquilo, e o melhor, conseguir desfrutar de tudo sem perder nada com cortes secos e r\u00e1pidos como ficou marcada a franquia <strong>Bourne<\/strong> (2002-2016), por exemplo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois de <strong>Um Novo Dia Para Matar<\/strong> era dif\u00edcil de imaginar como <strong>John Wick<\/strong> poderia se renovar em suas cenas de a\u00e7\u00e3o, mas Stahelski constr\u00f3i situa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m do esperado e melhora tudo o que foi constru\u00eddo anteriormente. Apesar de aqui n\u00e3o haver a \u201ccena do espelho\u201d, como no anterior, <strong>Parabellum<\/strong> entrega outros grandes momentos que compensam, como um combate em plena persegui\u00e7\u00e3o de moto e cavalo, al\u00e9m de uma din\u00e2mica luta com cachorros. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste ponto, \u00e9 curioso ver como Stahelski e Kolstad abra\u00e7aram o conceito de seu universo para brincar com isso, como ao criar situa\u00e7\u00f5es com a personagem de <strong>Halle Berry<\/strong> e seus dois pastores alem\u00e3o. E \u00e9 justamente com os dois que este terceiro filme abrilhanta ainda mais, j\u00e1 que Stahelski aperfei\u00e7oa todo o seu plano de combate para criar uma parceria entre humanos e animais, e que mant\u00e9m seu sentido. Desde o primeiro longa, vemos Wick com estrat\u00e9gia de combate, e aqui, a c\u00e2mera de Stahelski dan\u00e7a durante suas cenas para colocar o espectador em conhecimento de tudo. No ent\u00e3o combate com a presen\u00e7a dos c\u00e3es e Halle, o cineasta entrega com maestria a demonstra\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gia ao fazer a personagem focar em um alvo, enquanto seus animais agem contra outros. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, o cineasta n\u00e3o endeusa os bichos e os fazem matarem logo com uma mordida. Os mesmos funcionam como atordoamento, para a ent\u00e3o conclus\u00e3o de Halle. S\u00e3o justamente esses pequenos detalhes que tornam tudo em tela ainda mais cr\u00edvel. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>George Miller<\/strong> \u00e9 outro que realizou isso de uma forma brilhante em <strong>Mad Max &#8211; Estrada da F\u00faria<\/strong> (2015). Inclusive, \u00e9 poss\u00edvel enxergar semelhan\u00e7as no filme de Miller com a trilogia Wick, j\u00e1 que os dois apresentam roteiros simples e fechados em seu pequeno universo, enquanto as cenas de a\u00e7\u00e3o s\u00e3o o verdadeiro foco da narrativa, por\u00e9m dentro do sentido. A principal diferen\u00e7a nessa compara\u00e7\u00e3o est\u00e1 na expans\u00e3o, j\u00e1 que Miller conseguiu fazer isso em um \u00fanico filme, enquanto <strong>John Wick<\/strong> chegou perto do mesmo n\u00edvel em tr\u00eas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por sua vez, o longa oferece momentos m\u00ednimos, por\u00e9m, decepcionantes. N\u00e3o h\u00e1 nada que estrague a experi\u00eancia t\u00e9cnica que \u00e9 <strong>Parabellum<\/strong>, tanto de dire\u00e7\u00e3o quanto na parte sonora, entretanto, gera um pequeno inc\u00f4modo. A quest\u00e3o aqui \u00e9 o uso de efeitos visuais. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Lembrando bastante o primeiro <strong>Deadpool<\/strong> (2016), <strong>Parabellum<\/strong> oferece curtos momentos claros de uma computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica mais limitada e menos encantadora quanto as cenas mais pr\u00e1ticas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outra escolha question\u00e1vel est\u00e1 no humor. Os dois anteriores traziam tons c\u00f4micos por consequ\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o, e que, algumas vezes, nem aparentava ser proposital. Por outro lado, aqui o humor \u00e9 constru\u00eddo de maneira volunt\u00e1ria, tanto em di\u00e1logos quanto na dire\u00e7\u00e3o. Por mais que o humor traga leveza para momentos pesados, n\u00e3o houve um equil\u00edbrio na escolha de Stahelski e Kolstad e ela mai quebra os momentos do que os complementa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda assim, pequenos detalhes n\u00e3o estragam a experi\u00eancia que \u00e9 <strong>John Wick 3: Parabellum<\/strong>. Apesar de n\u00e3o ser uma conclus\u00e3o de jornada &#8211; dando uma abertura para um j\u00e1 confirmado quarto filme &#8211; \u00e9 f\u00e1cil se preparar para mais horas da viol\u00eancia art\u00edstica dirigida por Stahelski. Afinal, se vis pacem, parabellum (\u201cse voc\u00ea quer paz, prepare-se para a guerra\u201d).<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Honrar com a palavra \u00e9 uma atitude que muito conversa com o cinema. Ainda mais quando o mesmo trata de uma franquia t\u00e3o encantadora quanto John Wick. 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