{"id":74090,"date":"2019-05-22T13:05:52","date_gmt":"2019-05-22T16:05:52","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74090"},"modified":"2021-02-07T15:45:22","modified_gmt":"2021-02-07T18:45:22","slug":"aladdin-fica-longe-de-superar-animacao-mas-estabelece-encanto-proprio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/aladdin-fica-longe-de-superar-animacao-mas-estabelece-encanto-proprio\/","title":{"rendered":"\u201cAladdin\u201d fica longe de superar anima\u00e7\u00e3o, mas estabelece encanto pr\u00f3prio"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 nove anos, a <strong>Disney<\/strong> iniciou uma longa jornada com vers\u00f5es live action de seus longas animados. Apesar da recente fama, a empresa j\u00e1 havia realizado isso 25 anos atr\u00e1s com a primeira vers\u00e3o de <strong>O Livro da Selva <\/strong>(1994) e depois com os dois filmes de <strong>101 D\u00e1lmatas <\/strong>(1996\/2000). Por\u00e9m, de 2010 para c\u00e1, a companhia vem se mostrando cada vez mais dedicada a trazer novas produ\u00e7\u00f5es, tanto que, neste ano s\u00e3o quatro e mais dez j\u00e1 foram confirmadas. S\u00e3o nessas situa\u00e7\u00f5es que se discute a qualidade das vers\u00f5es e at\u00e9 que ponto elas valem a nostalgia. Ap\u00f3s lan\u00e7amentos de <strong>Cinderela<\/strong> (2015), <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/chore-e-reviva-a-infancia-com-christopher-robin-um-reencontro-inesquecivel\/\"><strong>Christopher Robin<\/strong><\/a> (2018) e <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/dumbo-versao-de-tim-burton-e-mais-sombria-e-menos-magica\/\"><strong>Dumbo<\/strong><\/a> (2019), \u00e9 a vez de\u00a0<strong>Aladdin<\/strong>, com sua vers\u00e3o adaptada por <strong>Guy Ritchie<\/strong> e <strong>John August<\/strong>, entrar na mesma situa\u00e7\u00e3o de an\u00e1lise, ainda mais por tudo o que cercou a produ\u00e7\u00e3o desde o an\u00fancio do longa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso porque muito se questionou sobre como seria poss\u00edvel adaptar os pontos cruciais da hist\u00f3ria original e, principalmente, o personagem <strong>G\u00eanio<\/strong>. Neste ponto, quem acompanhou a internet, sabe como <strong>Aladdin<\/strong> foi pauta de centenas de an\u00e1lises, cr\u00edticas e suposi\u00e7\u00f5es. No fim, nenhuma realmente valeu a pena, j\u00e1 que o longa est\u00e1 longe da polaridade, consertando diversos pontos da anima\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, errando em muitos outros. E assim, a vers\u00e3o live action de <strong>Aladdin<\/strong> entra no limbo de qualidade que a maioria das adapta\u00e7\u00f5es da <strong>Disney<\/strong> andam sofrendo, estabelecendo cr\u00edticas equilibradas sobre suas hist\u00f3rias. No entanto, algumas conseguem fugir desse meio termo, trazendo baixa qualidade, como <strong>Alice no Pa\u00eds das Maravilhas<\/strong> (2010), enquanto outros, como <strong>Mogli &#8211; O Menino Lobo<\/strong> (2016), trazem in\u00fameros elogios. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui, Ritchie tinha uma dif\u00edcil miss\u00e3o, j\u00e1 que a anima\u00e7\u00e3o oferece diversos momentos espalhafatosos e coloridos, principalmente gra\u00e7as ao <strong>G\u00eanio<\/strong>. Surpreendentemente, o cineasta entrega uma produ\u00e7\u00e3o honesta nesse quesito, trazendo os momentos de loucura do personagem, mas conseguindo ser p\u00e9 no ch\u00e3o o suficiente para n\u00e3o ter um alto custo na p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo que \u00e9 compreens\u00edvel a mudan\u00e7a, tamb\u00e9m decepciona, j\u00e1 que o personagem dublado originalmente por <strong>Robin Williams<\/strong> se torna a verdadeira alma da hist\u00f3ria. A escolha de <strong>Will Smith<\/strong> tamb\u00e9m \u00e9 outro ponto question\u00e1vel sobre o personagem. Isso logo se provou quando a internet discutiu sobre seu visual e que, infelizmente, consegue tamb\u00e9m decepcionar na grande tela, at\u00e9 pela escolha de design em colocar o rosto do ator direto na computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, n\u00e3o dando uma personalidade pr\u00f3pria a ele, tornando-o muito mais <strong>Will Smith<\/strong> do que <strong>G\u00eanio<\/strong> em si. Isso sem contar a falta de qualidade do CGI em determinados pontos, dando n\u00edtidas impress\u00f5es de m\u00e1 coloca\u00e7\u00e3o de rosto. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto ao tom do personagem, h\u00e1 uma mistura daquilo criado por Williams, por\u00e9m, adaptado para Smith, tornando-o em uma ess\u00eancia nada natural, j\u00e1 que h\u00e1 muitas caracter\u00edsticas do ator dentro de algo criado por outro. A presen\u00e7a de Smith no personagem \u00e9 t\u00e3o forte que \u00e9 n\u00edtida a coloca\u00e7\u00e3o de outras caracteriza\u00e7\u00f5es do ator nas performances, com pontos de <strong>Um Maluco no Peda\u00e7o <\/strong>(1990-1996)e at\u00e9 <strong>Hitch &#8211; Conselheiro Amoroso <\/strong>(2005). Por mais que o pr\u00f3prio Williams tenha servido de inspira\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do personagem, \u00e9 f\u00e1cil de separ\u00e1-lo, algo que aqui torna-se mais dif\u00edcil. Em seu tratamento narrativo, o personagem sofre mudan\u00e7as esperadas, por\u00e9m, funcionais em parte. Isso porque ele ganha uma humaniza\u00e7\u00e3o significativa,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">mas que, comparada com a ideia original, consegue ser fraca diante todo o conceito do personagem. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto a hist\u00f3ria, foi comentado sobre o equil\u00edbrio trazido por Ritchie e August em consertar, ao mesmo tempo que estraga. E \u00e9 nesse quesito que <strong>Aladdin<\/strong> fica distante de conquistar a mesma for\u00e7a da anima\u00e7\u00e3o. Apesar do longa conseguir se estabelecer sozinho, fica dif\u00edcil n\u00e3o comparar com a obra original de <strong>John Musker<\/strong> e <strong>Ron Clements<\/strong>. Isso porque pontos espec\u00edficos da anima\u00e7\u00e3o, tanto de ess\u00eancia dos personagens quanto de costura da hist\u00f3ria s\u00e3o transformados, o que j\u00e1 era esperado. Alguns, como a falta do uso da sensualidade da <strong>Jasmine<\/strong> &#8211; e at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica pr\u00f3pria para ela &#8211;\u00a0ou a cria\u00e7\u00e3o de uma justificativa plaus\u00edvel para <strong>Jafar<\/strong>, realmente funcionam. Mas, paralelamente aos acertos, falhas, como a constru\u00e7\u00e3o do romance entre os dois principais e extens\u00f5es de n\u00facleos, atrapalham a narrativa. Isso quando n\u00e3o ocorre invers\u00f5es, como no caso da pr\u00f3pria sensualidade da <strong>Jasmine<\/strong>, que, felizmente, \u00e9 retirada no live action, entretanto, a independ\u00eancia e for\u00e7a da personagem s\u00e3o constru\u00eddas com mais esmero na vers\u00e3o de 94.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Situa\u00e7\u00f5es como essa aconteceram com <strong>A Bela e a Fera<\/strong> (2017). Por sua vez, o longa dirigido por <strong>Bill Condon<\/strong> fica longe de trazer a ess\u00eancia m\u00e1gica e encantadora da anima\u00e7\u00e3o, distanciando-se da qualidade. Por sorte, <strong>Aladdin<\/strong> consegue trazer essa ess\u00eancia, j\u00e1 que toda a colora\u00e7\u00e3o e a alegria presente no original \u00e9 trazida de volta. Nisso, os n\u00fameros musicais acertam ao trazer a divers\u00e3o presente nas can\u00e7\u00f5es originais em clipes lindamente dirigidos por Ritchie, que explora toda a ambienta\u00e7\u00e3o e a bel\u00edssima dire\u00e7\u00e3o de arte do longa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar disso, as duas novas can\u00e7\u00f5es introduzidas se provaram dispens\u00e1veis diante a jornada da hist\u00f3ria. Desenvolvidas justamente para <strong>Aladdin<\/strong> e <strong>Jasmine<\/strong> &#8211; separadamente &#8211; as letras trabalham conceitos que o pr\u00f3prio roteiro entrega, deixando-as apenas como uma necessidade desperdi\u00e7ada, caracter\u00edstica essa presente em grande parte de alguns desenvolvimentos e di\u00e1logos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mesmo, inclusive, acontece com a pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o de arte. A utiliza\u00e7\u00e3o de lindas paisagens des\u00e9rticas embeleza toda a ambienta\u00e7\u00e3o, mas a cidade fict\u00edcia de <strong>Agrabah<\/strong> fica longe de entregar a mesma beleza provocada na obra original, tornando-se um ambiente comum comparado com o lugar m\u00e1gico da anima\u00e7\u00e3o. Em partes, n\u00e3o haveria problemas, j\u00e1 que mudan\u00e7as s\u00e3o necess\u00e1rias. Entretanto, a mudan\u00e7a feita com a cidade n\u00e3o \u00e9 a mesma realizada com a admira\u00e7\u00e3o dos personagens pelo local, gerando, ent\u00e3o, a decep\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ritchie, em grande parte, acerta o tom da dire\u00e7\u00e3o, conseguindo um equil\u00edbrio saud\u00e1vel nas cenas dram\u00e1ticas e c\u00f4micas, mas ainda n\u00e3o conquistando em sequ\u00eancias com mais a\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o mesmo explora suas caracter\u00edsticas narrativas como o uso da c\u00e2mera lenta e cortes mais secos. A segunda t\u00e9cnica, especificamente, \u00e9 utilizada de maneira fr\u00e1gil no longa, n\u00e3o tendo uma justificativa narrativa para seu uso, provocando apenas um bom momento visual, por\u00e9m, gratuito, diferente, por exemplo, do que ele realiza em <strong>Sherlock Holmes<\/strong> (2009). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro problema envolvendo sua dire\u00e7\u00e3o est\u00e1 no elenco. Apesar da culpa n\u00e3o cair s\u00f3 em cima do cineasta, todos seus atores deixam a desejar em determinados momentos. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ao todo, <strong>Naomi Scott<\/strong> \u00e9 a \u00fanica que possui um equil\u00edbrio na pele de <strong>Jasmine<\/strong>, j\u00e1 que <strong>Mena Massoud<\/strong> ficou longe de possuir o carisma do protagonista e <strong>Marwan Kenzari<\/strong>, mesmo que maduro na pele de Jafar, transmite momentos exagerados fora do tom apresentado pelo personagem durante o caminhar da hist\u00f3ria. O que melhor funciona \u00e9 a intera\u00e7\u00e3o do universo real com o computadorizado. No caso, a intera\u00e7\u00e3o do elenco com <strong>Abu<\/strong>, <strong>Tapete<\/strong>, <strong>Rajah<\/strong>, <strong>Iago<\/strong> e, na maioria das vezes, com o pr\u00f3prio <strong>G\u00eanio<\/strong>. A computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica consegue estabelecer bem o design de todos e os tornam t\u00e3o vivos quanto os pr\u00f3prios atores, e, por quase todo o tempo, conseguindo conquistar mais os espectadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que longe da obra original, <strong>Aladdin<\/strong> entrega o necess\u00e1rio para conseguir divertir e tocar na nostalgia, principalmente por balancear o trabalho individual com momentos espelhados do desenho. Por sua vez, isso n\u00e3o basta para deixar a mesma marca na gera\u00e7\u00e3o atual que a anima\u00e7\u00e3o deixou na passada. <\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 nove anos, a Disney iniciou uma longa jornada com vers\u00f5es live action de seus longas animados. Apesar da recente fama, a empresa j\u00e1 havia realizado isso 25 anos atr\u00e1s com a primeira vers\u00e3o de O Livro da Selva (1994) e depois com os dois filmes de 101 D\u00e1lmatas (1996\/2000). 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