{"id":74137,"date":"2019-05-28T22:29:17","date_gmt":"2019-05-29T01:29:17","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74137"},"modified":"2021-02-07T15:42:12","modified_gmt":"2021-02-07T18:42:12","slug":"o-homem-que-matou-dom-quixote-deixa-a-desejar-e-nao-vale-o-tempo-de-espera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/o-homem-que-matou-dom-quixote-deixa-a-desejar-e-nao-vale-o-tempo-de-espera\/","title":{"rendered":"\u201cO Homem que Matou Dom Quixote\u201d deixa a desejar e n\u00e3o vale o tempo de espera"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo com as interessantes vit\u00f3rias de <strong>Assunto de Fam\u00edlia<\/strong> (2018) e <strong>Cafarnaum<\/strong> (2018) no <strong>Festival de Cannes<\/strong> do ano passado, o verdadeiro foco &#8211; e surpresa &#8211; \u00a0estava no inc\u00f3gnito e misterioso longa <strong>O Homem que Matou Dom Quixote<\/strong>. Apesar do proveito do cl\u00e1ssico personagem de <strong>Miguel de Cervantes<\/strong>, o filme j\u00e1 era interessante e comentado entre cr\u00edticos e amantes do cinema antes mesmo de ser assistido. Muito da curiosidade se deve pela complexa produ\u00e7\u00e3o, que provocou um atraso de exatos 29 anos desde o momento em que <strong>Terry Gilliam<\/strong> teve a ideia para a adapta\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nessa complicada jornada, o cineasta americano enfrentou de tudo, desde ter o set inundado na primeira semana de grava\u00e7\u00f5es, ter seu ator principal da \u00e9poca (<strong>Jean Rochefort<\/strong>) diagnosticado com dupla h\u00e9rnia de disco at\u00e9 perder o licenciamento para a produ\u00e7\u00e3o do filme. Isso sem contar da troca de elencos, que, inicialmente &#8211; em 1999, para ser exato &#8211; contava com <strong>Johnny Depp<\/strong> e <strong>Rochefort<\/strong> at\u00e9 passar para <strong>Ewan McGregor<\/strong> e <strong>Robert Duvall<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fim, com todo o azar, <strong>John Hurt<\/strong> foi escalado para viver Quixote, por\u00e9m, um ano depois da escolha, o ator \u00e9 diagnosticado com c\u00e2ncer, que o matou em 2017. E n\u00e3o foi s\u00f3 isso, j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o consegue estabelecer seu elenco em 2016, mas sofre com o descumprimento de pagamento do produtor <strong>Paulo Branco<\/strong>, al\u00e9m do fato que, durante as filmagens, em 2017, a equipe foi acusada de danificar um convento &#8211; considerado patrim\u00f4nio hist\u00f3rico pela Unesco &#8211; em Portugal. Em 2018, finalmente, a estreia do filme \u00e9 anunciada em Cannes, mas Branco ainda entrou na justi\u00e7a tentando impedir a exibi\u00e7\u00e3o, &#8211; por considerar dono do projeto. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste ponto, o longa vende uma curiosidade s\u00f3 por toda a jornada, algo parecido com que aconteceu com <strong>Boyhood: Da Inf\u00e2ncia \u00e0 Juventude<\/strong> (2014), apesar das claras diferen\u00e7as. No entanto, h\u00e1 uma determinada semelhan\u00e7a entre as duas produ\u00e7\u00f5es que \u00e9 o fato do resultado ser inferior \u00e0 curiosidade do projeto, ainda que haja uma superioridade na obra de <strong>Richard Linklater<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui, os 29 anos de curiosidade s\u00e3o entregues atrav\u00e9s de uma obra pobre de esp\u00edrito, mas que se esfor\u00e7a dentro de seu limite. Inclusive, esfor\u00e7o \u00e9 o que n\u00e3o falta em <strong>O Homem que Matou Dom Quixote<\/strong>, tanto da pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m do elenco. Gilliam &#8211; que tamb\u00e9m assume o roteiro &#8211; demonstrou boas inten\u00e7\u00f5es com sua vers\u00e3o, criando situa\u00e7\u00f5es que remetem \u00e0s dificuldades da produ\u00e7\u00e3o &#8211; incluindo uma narrativa que retoma momentos tratados no document\u00e1rio <strong>Perdidos em La Mancha<\/strong> (2002) &#8211; e uma bela hist\u00f3ria sobre o ciclo cultural da jornada de Quixote.Entretanto, nada chega a ser marcante. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nem \u00e9 poss\u00edvel dizer que a expectativa criada a partir da curiosidade \u00e9 o principal motivo da falta de qualidade do longa. Muito porque Gilliam, com todos os embates durante os 29 anos, perdeu-se em sua pr\u00f3pria narrativa. O filme at\u00e9 trata, em seus primeiros atos, tem\u00e1ticas interessantes, que exibem, de maneira c\u00f4mica, os del\u00edrios de uma produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de grande or\u00e7amento, fazendo um pr\u00f3prio paralelo com a situa\u00e7\u00e3o passada por Gilliam. No entanto, o roteiro vai se perdendo, n\u00e3o conseguindo um bom desenvolvimento narrativo e o pr\u00f3prio humor n\u00e3o embala, sendo, em diversos di\u00e1logos, vergonhoso. O que torna curioso, vindo da mente por tr\u00e1s dos cl\u00e1ssicos <strong>Monty Python em Busca do C\u00e1lice Sagrado<\/strong> (1975) e <strong>Monty Python &#8211; O Sentido da Vida<\/strong> (1983).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"> A inten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de Gilliam \u00e9 realmente boa ao trabalhar uma metalinguagem envolvendo a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 um certo exagero inc\u00f4modo em seus personagens, que acabam perdendo o brilho, principalmente <strong>Jonathan Pryce<\/strong>. Na pele de Quixote, ele \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o clara de uma an\u00e1lise c\u00f4mica de Gilliam sobre atores que vivem seus personagens mesmo fora das grava\u00e7\u00f5es. At\u00e9 mesmo <strong>Adam Driver<\/strong> n\u00e3o foge disso na pele de um exc\u00eantrico diretor que se transforma ao retomar sua ess\u00eancia art\u00edstica. Por mais que acha uma qualidade na inten\u00e7\u00e3o, Gilliam n\u00e3o soube como control\u00e1-los em sua hist\u00f3ria. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Por sua vez, tanto Pryce quanto Driver entregam interpreta\u00e7\u00f5es respeit\u00e1veis, por mais ruim que sejam seus textos. Sobre a entrega, os dois s\u00e3o os que mais chamam a aten\u00e7\u00e3o diante todos os personagens, com interpreta\u00e7\u00f5es maduras, mas que, infelizmente, s\u00e3o diminu\u00eddas diante um texto fragilizado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esses pontos fazem da espera de <strong>O Homem que Matou Dom Quixote<\/strong> uma decep\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da percep\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcio e de confus\u00e3o na pr\u00f3pria narrativa. Apesar da curiosa hist\u00f3ria e de pontos positivos na proposta, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 uma longa e triste consequ\u00eancia do caos. <\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com as interessantes vit\u00f3rias de Assunto de Fam\u00edlia (2018) e Cafarnaum (2018) no Festival de Cannes do ano passado, o verdadeiro foco &#8211; e surpresa &#8211; \u00a0estava no inc\u00f3gnito e misterioso longa O Homem que Matou Dom Quixote. 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