{"id":74143,"date":"2019-05-29T16:02:59","date_gmt":"2019-05-29T19:02:59","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74143"},"modified":"2021-02-07T15:39:22","modified_gmt":"2021-02-07T18:39:22","slug":"roteiro-abominavel-atrapalha-a-grandiosidade-de-godzilla-ii-o-rei-dos-monstros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/roteiro-abominavel-atrapalha-a-grandiosidade-de-godzilla-ii-o-rei-dos-monstros\/","title":{"rendered":"Roteiro abomin\u00e1vel atrapalha a grandiosidade de \u201cGodzilla II: O Rei dos Monstros\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nascida das consequ\u00eancias aterrorizantes da Segunda Guerra Mundial, a criatura conhecida como <strong>Godzilla<\/strong> \u00e9 grandiosa por si s\u00f3, mas que conseguiu deixar sua marca na hist\u00f3ria do Jap\u00e3o e tamb\u00e9m do cinema. Em 65 anos, desde sua cria\u00e7\u00e3o, <strong>Gojira<\/strong> (seu nome original) \u00e9 a verdadeira marca do medo pelas consequ\u00eancias nucleares, al\u00e9m de discutir temas lovecraftianos, sobre o inimagin\u00e1vel e at\u00e9 sobre o nosso papel no mundo. Toda a grandiosidade do personagem n\u00e3o s\u00f3 rendeu dezenas de filmes, como uma mitologia pr\u00f3pria, com seu universo fechado e outras criaturas t\u00e3o interessantes quanto o pr\u00f3prio <strong>Godzilla<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo com seu esp\u00edrito nacionalista, era previs\u00edvel sua presen\u00e7a em produ\u00e7\u00f5es ocidentais, j\u00e1 tendo uma em 1956 e outras quatro at\u00e9 a vers\u00e3o atualizada feita por <strong>Gareth Edwards<\/strong>, em 2014. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Altamente criticado, o longa de Edwards sofreu por apostar em uma proposta mais humana, n\u00e3o sendo, na verdade, um filme do <strong>Godzilla<\/strong> em si, mas sim um drama pessoal em que o monstro estava inserido. No entanto, apesar de uma inten\u00e7\u00e3o interessante de se trabalhar, n\u00e3o houve o cuidado de construir personagens interessantes ao ponto de roubar a cena da gigante criatura. Algo que acontece tamb\u00e9m com a sequ\u00eancia, agora dirigida por <strong>Michael Dougherty<\/strong>. Por mais que a proposta agora siga um caminho diferente, com um foco maior na criatura, o roteiro sofre em tentar um equil\u00edbrio saud\u00e1vel entre os monstros e humanos, j\u00e1 que esses ainda n\u00e3o conseguem ser t\u00e3o interessantes quanto. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse caso, Dougherty evolui a trama apresentada por Edwards, trazendo um roteiro simples &#8211; junto com <strong>Zach Shields<\/strong> e <strong>Max Borenstein<\/strong> &#8211; que funciona bem para introduzir outros grandes monstros cl\u00e1ssicos da mitologia, como <strong>Ghidorah<\/strong>, <strong>Mothra<\/strong> e <strong>Rodan<\/strong>. Esses, que deveriam ser o verdadeiro foco para a eleva\u00e7\u00e3o do Rei dos Monstros, s\u00e3o ofuscados por tramas mal desenvolvidas do n\u00facleo humano. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inclusive, a constru\u00e7\u00e3o realizada por Dougherty \u00e9 grandiosa quando se trata das criaturas, que possuem designs fi\u00e9is aos cl\u00e1ssicos longas japoneses, e que s\u00e3o bem estruturadas atrav\u00e9s da sua c\u00e2mera, apesar do americano n\u00e3o trazer conceitos visuais t\u00e3o marcantes quanto Edwards. No entanto, elas funcionam e recompensam o espectador ansioso pelo conflito entre os quatro monstros principais, mas ficam longe do destaque. Isso porque \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o focar na mediocridade do roteiro escrito pelos tr\u00eas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A trama em si, de maneira geral, n\u00e3o \u00e9 o verdadeiro problema, j\u00e1 que conseguem desenvolver <em>plots<\/em> simples e que ajudam a caminhar a jornada. Por\u00e9m, \u00e9 vergonhoso o desenvolver dos di\u00e1logos e o encaixe deles na trama.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Dougherty, Shields e Borenstein perderam a m\u00e3o ao tentar construir din\u00e2micas construtivas e momentos de humor, tornando tudo muito brega em diversos momentos, dentro de um roteiro extremamente &#8211; e desnecessariamente &#8211; expositivo. O longa entrega momentos de vergonha alheia em uma quantidade absurda. Um exemplo disso est\u00e1 em um momento espec\u00edfico de um discurso de \u00f3dio ao <strong>Godzilla<\/strong>, para, no final, um outro personagem dialogar com outro refor\u00e7ando o discurso sem ao menos precisar. Inclusive, o filme \u00e9 recheado de refor\u00e7os gratuitos. Dougherty n\u00e3o conseguiu ter uma conversa saud\u00e1vel entre sua dire\u00e7\u00e3o e roteiro, j\u00e1 que, muitas vezes ele apresenta o conceito visualmente e, em seguida, traz o mesmo conceito atrav\u00e9s da fala. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Podem parecer detalhes insignificantes, mas s\u00e3o esses tempos de tela que ofuscam aquilo que realmente importa: os monstros. Por mais que a presen\u00e7a de personagens humanos seja importante, at\u00e9 para gerar o conflito e discuss\u00f5es existenciais &#8211; como o pr\u00f3prio fator da exist\u00eancia humana diante os Tit\u00e3s &#8211; faltou coragem, tanto aqui, quanto nos filmes anteriores &#8211; no caso, <strong>Godzilla<\/strong> (2014) e <strong>Kong: A Ilha da Caveira<\/strong> (2017) &#8211; de dar o protagonismo \u00e0s criaturas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pr\u00f3pria trama criada \u00e9 simples justamente para isso, de s\u00f3 gerar o conflito inicial e deixar a hist\u00f3ria se desenvolver por si s\u00f3. No entanto Dougherty insiste em estabelecer diversos momentos focados no drama humano, o que resulta em trocas muito longas de di\u00e1logos e que n\u00e3o desenvolvem a trama naturalmente. O verdadeiro problema \u00e9 que o n\u00facleo humano n\u00e3o \u00e9 bem constru\u00eddo, dando a impress\u00e3o ao espectador de tempo desperdi\u00e7ado, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 empatia pelos personagens, gerando um sentimento de \u00f3dio ao inv\u00e9s de compaix\u00e3o. A mesma situa\u00e7\u00e3o acontece nos outros dois longas, e \u00e9 justamente nesse segmento que nasce a d\u00favida sobre o desenvolvimento do futuro <strong>Godzilla vs Kong<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar do triste roteiro, as interpreta\u00e7\u00f5es s\u00e3o coniventes diante seus personagens, principalmente com <strong>Vera Farmiga<\/strong>, <strong>Millie Bobby Brown<\/strong>, <strong>Kyle Chandler<\/strong>, <strong>Charles Dance<\/strong> e <strong>Ken Watanabe<\/strong>. Este, especificamente, sofre com um mal do primeiro filme que o prejudica. No longa de 2014, o personagem de Watanabe tem seu momento de gl\u00f3ria ao, enfim, se referir ao monstro como \u201cGojira\u201d, conseguindo, atrav\u00e9s da sua interpreta\u00e7\u00e3o passar a grandiosidade da criatura. Pelo funcionamento da fala no filme anterior, o roteiro insistiu em colocar a palavra em grande quantidade nas falas do ator. A a\u00e7\u00e3o, por mais justa que seja, prejudica, n\u00e3o s\u00f3 o poder da interpreta\u00e7\u00e3o do veterano ator, como tamb\u00e9m enfraquece o pr\u00f3prio <strong>Godzilla<\/strong>, j\u00e1 que o termo, que tem uma inten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de remeter a algo aterrorizante, passa a ser algo comum, fugindo da proposta. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que <strong>Godzilla II: Rei dos Monstros<\/strong> melhore conceitos do filme de 2014 e at\u00e9 expande sua mitologia com a apresenta\u00e7\u00e3o dos novos monstros, n\u00e3o foi transmitida a verdadeira experi\u00eancia, e consequentemente, o verdadeiro sentimento de poderio do personagem, que deixa d\u00favidas sobre um futuro promissor do universo compartilhado dos monstros da <strong>Warner<\/strong>. <\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascida das consequ\u00eancias aterrorizantes da Segunda Guerra Mundial, a criatura conhecida como Godzilla \u00e9 grandiosa por si s\u00f3, mas que conseguiu deixar sua marca na hist\u00f3ria do Jap\u00e3o e tamb\u00e9m do cinema. 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