{"id":74158,"date":"2019-06-05T09:37:06","date_gmt":"2019-06-05T12:37:06","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74158"},"modified":"2021-02-07T15:35:27","modified_gmt":"2021-02-07T18:35:27","slug":"apesar-de-fofo-juntos-para-sempre-exagera-na-manipulacao-emocional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/apesar-de-fofo-juntos-para-sempre-exagera-na-manipulacao-emocional\/","title":{"rendered":"Apesar de fofo, \u201cJuntos Para Sempre\u201d exagera na manipula\u00e7\u00e3o emocional"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 constantes momentos de reflex\u00e3o sobre o motivo da exist\u00eancia do ser humano e sobre sua fun\u00e7\u00e3o durante a vida. Ainda que a resposta esteja cada vez mais distante da clareza, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel perceber a fun\u00e7\u00e3o de outros seres vivos. Mais do que simples animais de estima\u00e7\u00e3o, cachorros se provaram presentes em vida para transmitirem amor e serem retribu\u00eddos por isso. A simplicidade exigida pelo animal demonstra o carinho e a necessidade de uma paix\u00e3o, que, aos poucos, mostra-se incondicional. E o cinema foi (e ainda \u00e9) um lugar que adora retratar essa demonstra\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar da s\u00e9tima arte ser bastante c\u00edclica, trabalhar com cachorros nunca se provou algo enjoativo &#8211; pelo menos, n\u00e3o por enquanto. Com dezenas de produ\u00e7\u00f5es, principalmente durante os anos 80 e 90, que renderam cl\u00e1ssicos como <strong>K-9 &#8211; Um Policial Bom Pra Cachorro <\/strong>(1989), <strong>Uma Dupla Quase Perfeita<\/strong> (1989) e <strong>Bud &#8211; O C\u00e3o Amigo<\/strong> (1997), o retorno de uma sequ\u00eancia constante de produ\u00e7\u00f5es caninas se deve ao escritor <strong>W. Bruce Cameron<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de, na pr\u00e1tica, o autor ter uma fun\u00e7\u00e3o menos chamativa como roteirista, h\u00e1 uma insist\u00eancia em jogar os holofotes para o texto em conjunto com <strong>Maya Forbes<\/strong>, <strong>Cathryn Michon<\/strong> e <strong>Wallace Wolodarsky<\/strong>. Seguindo os mesmos passos de <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/quatro-vidas-de-um-cachorro\/\"><strong>Quatro Vidas de um Cachorro<\/strong><\/a> (2017) e <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/a-caminho-de-casa-e-iti-malia-mas-com-narrativa-debilitada\/\"><strong>A Caminho de Casa<\/strong><\/a> (2019), o roteiro acompanha tamb\u00e9m os erros. O principal est\u00e1 em n\u00e3o deixar o espectador ter controle consciente ou deix\u00e1-lo simplesmente interpretar as rea\u00e7\u00f5es caninas. Muito disso se deve, ent\u00e3o, \u00e0 presen\u00e7a exagerada de um texto desnecess\u00e1rio para o retrato dos pensamentos dos personagens de quatro patas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que haja um uso interessante de humor e at\u00e9 de dinamismo, sua utiliza\u00e7\u00e3o, depois de dois filmes, ainda n\u00e3o se justifica, j\u00e1 que a presen\u00e7a de <strong>Josh Gad<\/strong> como narrador se prova uma pura exposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 uma liberdade para dar a interpreta\u00e7\u00e3o aos animais, deixando-os escravos de um texto para criar sentido nas rea\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 decepcionante do ponto de vista que<strong> Gail Mancuso<\/strong> faz um belo trabalho de dire\u00e7\u00e3o nesse quesito, conseguindo extrair as express\u00f5es dos c\u00e3es, mesmo que limitadas. Mancuso segue tamb\u00e9m a mesma linha do texto e repete a estrutura estabelecida por <strong>Lasse Hallstrom<\/strong> no primeiro longa, inclusive na manipula\u00e7\u00e3o emocional. Ainda que os seres humanos n\u00e3o saibam sua verdadeira fun\u00e7\u00e3o em vida, Mancuso tinha uma bem estabelecida aqui: a de fazer todos os espectadores se esbanjarem em l\u00e1grimas. E essa ele cumpre com louvor. Mas n\u00e3o por estabelecer uma narrativa emocionante ou pelo carisma dos personagens &#8211; at\u00e9 porque a constante presen\u00e7a de Gad provoca sentimentos contr\u00e1rios &#8211; mas sim pela insist\u00eancia e for\u00e7a\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas cinematogr\u00e1ficas bregas para criar momentos dram\u00e1ticos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O uso vai desde uma trilha sonora f\u00fanebre at\u00e9 planos detalhe no olhar triste dos filhotes. \u00c9 nesse ponto que se torna percept\u00edvel a aten\u00e7\u00e3o sendo voltada mais para o que se v\u00ea ao inv\u00e9s da hist\u00f3ria em si, tornando-se mais percept\u00edvel ainda a tentativa de for\u00e7ar\u00a0<strong>Juntos Para Sempre<\/strong>\u00a0como algo marcante. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 um pensamento v\u00e1lido ao lembrar do boicote causado na \u00e9poca de <strong>Quatro Vidas de um Cachorro<\/strong> pelo pol\u00eamico v\u00eddeo de maus tratos durante as grava\u00e7\u00f5es. Tanto que a pr\u00f3pria venda da sequ\u00eancia &#8211; e at\u00e9 mesmo o roteiro &#8211; foca em desviar do detalhe. Inclusive, <strong>Juntos Para Sempre<\/strong> funciona muito bem sozinho, aproveitando-se apenas de pequenas refer\u00eancias do primeiro longa, mas sem se apoiar muito em sua hist\u00f3ria passada. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por sua vez, o longa \u00e9 recheado de repeti\u00e7\u00f5es visuais e at\u00e9 narrativos, como a primeira volta de Bailey ser em um corpo de uma f\u00eamea &#8211; e fazer a mesma \u201cpiada\u201d &#8211; e seu terceiro dono ser uma pessoa negra, sem qualquer signific\u00e2ncia na hist\u00f3ria. Ainda assim, o roteiro consegue estabelecer pontos positivos, mesmo que m\u00ednimos. No roteiro, o quarteto encaixa boas brincadeiras do \u201cuniverso canino\u201d, como o entendimento do animal por palavras como \u201cpasseio\u201d e \u201ccomida\u201d, mas n\u00e3o o conceito da frase ou at\u00e9 mesmo na rela\u00e7\u00e3o com os outros animais. No entanto, est\u00e1 longe de sustentar os momentos bregas e gen\u00e9ricos que o longa apresenta. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste quesito, n\u00e3o h\u00e1 nem muito o que se tratar do elenco humano, j\u00e1 que todos s\u00e3o mal trabalhados textualmente e n\u00e3o se sustentam em suas interpreta\u00e7\u00f5es. Resultado de um roteiro que se preocupa em estabelecer dramas constantemente, caracter\u00edstica que, ao misturada com a dire\u00e7\u00e3o, torna-se uma bagun\u00e7a narrativa, n\u00e3o dando uma liberdade de escolha ao espectador para aquilo ao qual ele deseja se emocionar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo funcionando isoladamente, <strong>Juntos Para Sempre<\/strong> emociona, mas da maneira errada. Ao n\u00e3o deixar a emocionante rela\u00e7\u00e3o entre Bailey e Ethan (<strong>Dennis Quaid<\/strong>) funcionar sozinha, a obra assume uma perigosa responsabilidade que resulta em algo gen\u00e9rico e brega, mesmo que derrube dram\u00e1ticas l\u00e1grimas dos espectadores. <\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 constantes momentos de reflex\u00e3o sobre o motivo da exist\u00eancia do ser humano e sobre sua fun\u00e7\u00e3o durante a vida. 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