{"id":74189,"date":"2019-06-17T14:06:33","date_gmt":"2019-06-17T17:06:33","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74189"},"modified":"2021-02-07T15:30:38","modified_gmt":"2021-02-07T18:30:38","slug":"casal-improvavel-recupera-espirito-da-comedia-romantica-com-roteiro-provocativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/casal-improvavel-recupera-espirito-da-comedia-romantica-com-roteiro-provocativo\/","title":{"rendered":"\u201cCasal Improv\u00e1vel\u201d recupera esp\u00edrito da com\u00e9dia rom\u00e2ntica com roteiro provocativo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de seguir muito uma linha de ser \u201cespelho da realidade\u201d, o cinema desfruta de suas joias atemporais, muito admiradas e classificadas como \u201ccl\u00e1ssicas\u201d. No entanto, ser um reflexo da situa\u00e7\u00e3o atual do mundo, faz o cinema demonstrar a for\u00e7a que tem, dentro de seus g\u00eaneros e constru\u00e7\u00f5es narrativas. A com\u00e9dia rom\u00e2ntica, por mais que n\u00e3o tenha esse vi\u00e9s mais direto &#8211; como o terror trabalha muitas vezes, por exemplo &#8211; traz, indiretamente, uma reflex\u00e3o sobre atuais convic\u00e7\u00f5es amorosas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, o g\u00eanero vem sofrendo com quedas, desde seu auge &#8211; durante os anos 90 e 2000 &#8211; com narrativas que n\u00e3o encontram equil\u00edbrio nem na parte da com\u00e9dia, e muito menos na parte rom\u00e2ntica. Nisso, <strong>Casal Improv\u00e1vel<\/strong> demonstra uma agrad\u00e1vel surpresa para a recupera\u00e7\u00e3o desse frescor, h\u00e1 tempos perdido. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com <strong>Meu Namorado \u00c9 um Zumbi<\/strong> (2013), <strong>Jonathan Levine<\/strong> ingressou na tentativa de entregar uma obra \u00e0 altura do g\u00eanero, n\u00e3o acertando muito. Seis anos depois, por sua vez, Levine n\u00e3o s\u00f3 atingiu o objetivo, como passou a ter <strong>Casal Improv\u00e1vel<\/strong> como seu melhor longa desde sua estreia, em 2006. Muito da qualidade n\u00e3o se deve s\u00f3 ao texto provocativo com a pol\u00edtica americana e com a situa\u00e7\u00e3o da mulher na sociedade, mas tamb\u00e9m pela incr\u00edvel &#8211; e, claro, improv\u00e1vel &#8211; qu\u00edmica entre <strong>Charlize Theron<\/strong> e <strong>Seth Rogen<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diferente de seu perfil comum em suas suas obras, Rogen oferece uma atua\u00e7\u00e3o mais comedida e at\u00e9 sens\u00edvel, muito lembrando de seu personagem em <strong>50\/50<\/strong> (2011) &#8211; tamb\u00e9m de Levine. Charlize \u00e9 outra que foge do perfil costumeiro, demonstrando uma for\u00e7a c\u00f4mica t\u00e3o boa quanto a do pr\u00f3prio parceiro de tela. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A for\u00e7a c\u00f4mica da atriz existe muito devido ao roteiro \u00e1cido de <strong>Dan Sterling<\/strong> e <strong>Liz Hannah<\/strong>, que encaixa perfeitamente n\u00e3o s\u00f3 com a personagem de Charlize, mas tamb\u00e9m com seu estilo de interpreta\u00e7\u00e3o. O tom mais provocativo &#8211; caracter\u00edstica bem presente em <strong>Vice<\/strong> (2018), por exemplo &#8211; lembra bastante <strong>A Entrevista<\/strong> (2014), texto passado de Sterling, e que tamb\u00e9m conta a presen\u00e7a de Rogen. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, o longa de 2014 adota muito uma linguagem mais pr\u00f3xima de Rogen e <strong>James Franco<\/strong> do que aqui. Isso porque <strong>Casal Improv\u00e1vel<\/strong> tem a prim\u00e1ria inten\u00e7\u00e3o de provocar, do que, necessariamente, fazer humor. Tanto que muito do que \u00e9 engra\u00e7ado depende do conhecimento do espectador em rela\u00e7\u00e3o a pol\u00edtica americana e tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00e3o na qual estamos vivendo com mulheres assumindo cada vez mais posi\u00e7\u00e3o de poder, mas ainda sofrendo o nojento preconceito. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E Sterling e Liz sabem muito bem brincar com isso e discutir assuntos poderosos em meio a uma narrativa leve e bem pr\u00f3xima de grandes cl\u00e1ssicos do g\u00eanero. Esse tom sustenta o longa \u00e0queles que n\u00e3o necessariamente tem o conhecimento exigido, mantendo, ainda assim, a divers\u00e3o que a trama constr\u00f3i. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao mesmo tempo, a falta de originalidade na narrativa em si \u00e9 o principal defeito de <strong>Casal Improv\u00e1vel<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o do seu potencial ou muito menos prejudica a qualidade do longa, muito pelo discurso adotado pelos dois roteiristas. Na depend\u00eancia de hist\u00f3ria, o filme sofre por se aproveitar muito de uma constru\u00e7\u00e3o comum e muito pr\u00f3xima de outras grandes com\u00e9dias rom\u00e2nticas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em partes, isso ajuda o g\u00eanero a respirar, como j\u00e1 citado, por\u00e9m prejudica por n\u00e3o se tornar algo totalmente marcante quanto <strong>Um Lugar Chamado Nothing Hill<\/strong> (1999) e <strong>Uma Linda Mulher<\/strong> (1990), &#8211; inspira\u00e7\u00f5es claras &#8211; por exemplo. Ainda assim, Levine entrega uma deliciosa divers\u00e3o reflexiva sobre a sociedade atual, &#8211; tratando da posi\u00e7\u00e3o e for\u00e7a da mulher &#8211; pol\u00edtica e rela\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas, misturada com uma brincadeira com o pr\u00f3prio g\u00eanero, apesar de adotar tons repetitivos. <\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de seguir muito uma linha de ser \u201cespelho da realidade\u201d, o cinema desfruta de suas joias atemporais, muito admiradas e classificadas como \u201ccl\u00e1ssicas\u201d. No entanto, ser um reflexo da situa\u00e7\u00e3o atual do mundo, faz o cinema demonstrar a for\u00e7a que tem, dentro de seus g\u00eaneros e constru\u00e7\u00f5es narrativas. 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