{"id":74197,"date":"2019-06-18T22:12:17","date_gmt":"2019-06-19T01:12:17","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74197"},"modified":"2021-08-05T18:53:45","modified_gmt":"2021-08-05T21:53:45","slug":"estritamente-comercial-toy-story-4-perde-os-valores-para-vender-mais-brinquedos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/estritamente-comercial-toy-story-4-perde-os-valores-para-vender-mais-brinquedos\/","title":{"rendered":"Estritamente comercial &#8220;Toy Story 4&#8221; perde os valores para vender mais brinquedos"},"content":{"rendered":"<p>Em 1995, \u201cToy Story\u201d entrou para a hist\u00f3ria do cinema pelo uso exclusivo da anima\u00e7\u00e3o computadorizada na produ\u00e7\u00e3o de um longa-metragem. Com uma hist\u00f3ria original e criativa de <strong>John Lasseter<\/strong>, fomos apresentados a Woody, Buzz Lightyear e a uma s\u00e9rie de brinquedos com personalidades distintas em filme para crian\u00e7as, mas sem subjugar a intelig\u00eancia das mesmas. Em 1999, \u201cToy Story 2\u201d continuou a hist\u00f3ria dos carism\u00e1ticos brinquedos, agora com o claro objetivo de passar um recado para adultos, em especial aqueles colecionadores, mas sempre com uma do\u00e7ura nas rela\u00e7\u00f5es entre os personagens, tornando o longa igualmente atrativo para os menores.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a produ\u00e7\u00e3o do segundo filme, os executivos da Pixar, at\u00e9 ent\u00e3o independente, diziam que \u201cToy Story 2\u201d seria a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o a regra do est\u00fadio em n\u00e3o produzir continua\u00e7\u00f5es de suas hist\u00f3rias. Em 2006, por\u00e9m, o cen\u00e1rio mudou bastante visto que o est\u00fadio foi comprado pela The Walt Disney Company, que at\u00e9 ent\u00e3o apenas distribu\u00eda os filmes da Pixar. Assim, em 2010, foi lan\u00e7ado \u201cToy Story 3\u201d, um filme que pegou muitos marmanjos de surpresa, os quais n\u00e3o esperavam chorar o quanto choraram em um suposto filme \u201cde crian\u00e7a\u201d. A quest\u00e3o \u00e9 que o terceiro filme da saga dos brinquedos, praticamente, n\u00e3o tem defeitos e al\u00e9m de trabalhar muito bem com a nostalgia para o p\u00fablico que cresceu assistindo e reassistindo os longas anteriores, deu uma bel\u00edssima conclus\u00e3o para a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nesses quase 10 anos que nos separam do terceiro filme da franquia \u201cToy Story\u201d, a Pixar quebrou a sua antiga pol\u00edtica mais de uma vez, e infelizmente os resultados n\u00e3o foram majoritariamente satisfat\u00f3rios. \u201cToy Story 4\u201d n\u00e3o \u00e9 o pior, mas definitivamente est\u00e1 bem longe dos melhores filmes da Pixar. Dar continuidade a um ciclo t\u00e3o bem fechado na trilogia n\u00e3o seria uma tarefa f\u00e1cil, de fato, mas a decis\u00e3o de incluir 8 escritores para o filme n\u00e3o ajudou em nada, resultando em uma colcha de retalhos disformes.<\/p>\n<p>Quando o filme foi anunciado, cerca de 6 anos atr\u00e1s, <strong>John Lasseter<\/strong> havia dito que o filme seria uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica entre Woody e Beth, uma grande novidade que poderia ter dado muito certo se tivessem seguido essa premissa at\u00e9 o fim, mas neste intervalo o filme passou por diversos problemas em sua produ\u00e7\u00e3o, incluindo o afastamento do pr\u00f3prio criador, Lasseter. A hist\u00f3ria, ent\u00e3o escrita a 8 m\u00e3os, traz os fragmentos do que poderia ter sido uma boa com\u00e9dia rom\u00e2ntica, outros fragmentos de uma boa com\u00e9dia \u201cpastel\u00e3o\u201d e ainda pequenos fragmentos, muito mal aproveitados, de um \u00f3timo filme de terror. Mas juntos, esses fragmentos n\u00e3o conseguiram entregar o m\u00ednimo de uniformidade e fluidez para uma digna continua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro sinal de desbalan\u00e7o do filme \u00e9 a quase insignificante participa\u00e7\u00e3o de personagens como Rex, Slink, Sr. E Sra. Cabe\u00e7a de Batata, Jessie e Bala no Alvo. Mesmo que tais personagens tivessem uma import\u00e2ncia menor nos filmes anteriores, existia um motivo para cada um deles estar ali e eles participavam como pequenas engrenagens de uma hist\u00f3ria maior. Agora, transparece a \u00e2nsia em apresentar novos personagens, com os visuais mais esdr\u00faxulos, para acumular mais brinquedos nas lojas em todo mundo. Inclusive, chega a ser pat\u00e9tica a quantidade de varia\u00e7\u00f5es do personagem Garfinho (um brinquedo originalmente de sucata) que se pode encontrar nas lojas desde o m\u00eas passado.<\/p>\n<p>Buzz Lightyear, em compara\u00e7\u00e3o aos outros, perdeu menos espa\u00e7o no quarto filme, entretanto sofreu um golpe muito pior dos roteiristas: uma gigantesca involu\u00e7\u00e3o de seu intelecto. Nos tr\u00eas filmes anteriores, Buzz tinha um papel chave influenciado por alguma intercorr\u00eancia (o fato de pensar ser um astronauta no primeiro, a sua substitui\u00e7\u00e3o por uma nova vers\u00e3o do boneco no segundo, e as ocasi\u00f5es em que teve o seu bot\u00e3o reset apertado no terceiro longa), mas neste longa nada do tipo acontece com ele. Dessa vez, o personagem tem \u00fanica piada, que subestima e muito o potencial do personagem apresentado anteriormente, e se repete in\u00fameras vezes, como um quadro sem gra\u00e7a da \u201cPra\u00e7a \u00e9 Nossa\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, se para Buzz n\u00e3o teve espa\u00e7o para um desenvolvimento elaborado, para o Woody a tentativa de criar-se um arco de evolu\u00e7\u00e3o tomou a maior parte do filme. Mas isso n\u00e3o significa que foi criado um arco elaborado, pois o diretor <strong>Josh Cooley<\/strong>, em sua estreia na dire\u00e7\u00e3o de um longa, se preocupou em apresentar um desenvolvimento \u201cdo zero\u201d, dando muita import\u00e2ncia em apresentar o que j\u00e1 era de conhecimento de todos. Claro que se precisa considerar que existem gera\u00e7\u00f5es entre os filmes, e apresentar os personagens para um novo p\u00fablico \u00e9 necess\u00e1rio. Mas o tamanho da carga emocional sobre Woody \u00e9 tanta, que chega a ser incoerente com o desenvolvimento do personagem nos longas anteriores. Em poucas palavras, em 140 minutos o personagem vai do altru\u00edsmo extremo para o ego\u00edsmo extremo. A ic\u00f4nica m\u00fasica tema do filme \u201cAmigo estou aqui\u201d perdeu a sua ess\u00eancia, e faz com que o filme se afirme como um apelo comercial sem sentido e muito menos valor.<\/p>\n<p>Essa aus\u00eancia de valor n\u00e3o impede o filme de ser visualmente belo, com uma fotografia deslumbrante, mesmo que totalmente criada digitalmente. Est\u00e1 cada vez mais claro o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico nas anima\u00e7\u00f5es, e comparar o primeiro filme (de 1995) com este de 2019 \u00e9 um excelente term\u00f4metro, visto que s\u00e3o os mesmos personagens, sem altera\u00e7\u00f5es nos visuais.<\/p>\n<p>Desde modo, \u201cToy Story 4\u201d n\u00e3o honra a hist\u00f3ria da franquia e, por mais que apresente um visual deslumbrante, mostra que n\u00e3o s\u00e3o horas perdidas na frente do computador para criar um feixe de luz que entra em um ambiente empoeirado que fazem um bom filme, mas sim horas perdidas (e talvez menos cabe\u00e7as) pensando em um roteiro que traga conte\u00fado e valor. Longa estreia nessa quinta-feira, dia 20.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1995, \u201cToy Story\u201d entrou para a hist\u00f3ria do cinema pelo uso exclusivo da anima\u00e7\u00e3o computadorizada na produ\u00e7\u00e3o de um longa-metragem. Com uma hist\u00f3ria original e criativa de John Lasseter, fomos apresentados a Woody, Buzz Lightyear e a uma s\u00e9rie de brinquedos com personalidades distintas em filme para crian\u00e7as, mas sem subjugar a intelig\u00eancia das [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":65,"featured_media":74198,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[9831,2415,2423],"tags":[14986,69,7947,14983,14984,2472,14985,2329,469,10200,7949,5814,5601,10201],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74197"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/65"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74197"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74197\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76168,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74197\/revisions\/76168"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74198"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}