{"id":74230,"date":"2019-06-25T19:28:48","date_gmt":"2019-06-25T22:28:48","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74230"},"modified":"2021-02-07T15:28:56","modified_gmt":"2021-02-07T18:28:56","slug":"pets-2-melhora-a-narrativa-mas-mantem-falta-de-originalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/pets-2-melhora-a-narrativa-mas-mantem-falta-de-originalidade\/","title":{"rendered":"\u201cPets 2\u201d melhora a narrativa, mas mant\u00e9m falta de originalidade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante de um cen\u00e1rio dominado por <strong>Disney<\/strong>, <strong>Pixar<\/strong> e <strong>Ghibli<\/strong> nas produ\u00e7\u00f5es animadas, a <strong>Illumination<\/strong> chegou em 2010 &#8211; tr\u00eas anos ap\u00f3s sua funda\u00e7\u00e3o &#8211; com a inten\u00e7\u00e3o clara de divers\u00e3o atrav\u00e9s de &#8211; podemos chamar assim &#8211; a obra mais significativa da produtora at\u00e9 agora: <strong>Meu Malvado Favorito<\/strong>. O brilhantismo envolta da narrativa demonstrou poderio \u00fanico n\u00e3o s\u00f3 pela hist\u00f3ria isolada, mas pelos personagens cativantes, que atingiram o \u00e1pice de virarem a marca da empresa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ssa estrat\u00e9gia da <strong>Illumination<\/strong> remete muito ao in\u00edcio da <strong>Dreamworks<\/strong>, com seus longas menos emotivos e simb\u00f3licos comparado aos rivais (mas n\u00e3o que n\u00e3o exista esses tons), com um foco farto na jornada divertida envolvendo bons coadjuvantes &#8211; algo que acontece com <strong>Shrek<\/strong> (2001) e <strong>Caminho Para ElDorado<\/strong> (2000), por exemplo. Por\u00e9m, do mesmo modo que a <strong>Dreamworks<\/strong> n\u00e3o se sustentou com s\u00f3 uma franquia, a <strong>Illumination<\/strong> precisou se arriscar com novas (ou nem tanto assim) hist\u00f3rias, e como <strong>O Lorax: Em Busca da Tr\u00fafula Perdida<\/strong> (2012), <strong>Sing &#8211; Quem Canta Seus Males Espanta<\/strong> (2016) e <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/mesmo-generico-o-grinch-reforca-uma-linda-mensagem-natalina\/\"><strong>O Grinch<\/strong><\/a> (2018) n\u00e3o resultaram como o esperado, o peso ficou com os bichos de estima\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto em 2016, <strong>Pets &#8211; A Vida Secreta dos Bichos<\/strong> fez seu sucesso se aproveitando muito (exageradamente, no caso) da narrativa j\u00e1 muito bem trabalhada em <strong>Toy Story<\/strong> &#8211; e tamb\u00e9m um pouco da sequ\u00eancia &#8211; tr\u00eas anos depois da estreia, <strong>Chris Renaud<\/strong> (encabe\u00e7ado pelas principais obras da empresa) assume a responsabilidade de estender a hist\u00f3ria de <strong>Max<\/strong> e <strong>Duke<\/strong> para repetir a mesma divers\u00e3o que o primeiro oferece &#8211; pelo menos, para grande parte do p\u00fablico. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O principal problema da produ\u00e7\u00e3o de 2016 est\u00e1 em seu deleite por obras j\u00e1 muito queridas, sem acrescentar algo totalmente inovador, tanto na narrativa quanto na tem\u00e1tica, o que torna sua jornada algo exaustivo. <strong>Pets 2<\/strong>, por sua vez, supera esse segundo problema com uma narrativa bem mais divertida e c\u00f4mica ao primeiro filme. <strong>Brian Lynch<\/strong> (que teve a coopera\u00e7\u00e3o de outros dois roteiristas no longa anterior) se demonstrou mais solto para a constru\u00e7\u00e3o da jornada dos personagens, mas ainda desorientado diante suas divis\u00f5es de n\u00facleos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O aproveitamento de <strong>Toy Story<\/strong> diante a primeira hist\u00f3ria faz com que <strong>Pets<\/strong> divide seus personagens em duas estruturas narrativas, uma de <strong>Max<\/strong> e <strong>Duke<\/strong> perdidos pela cidade em busca do caminho de volta para casa &#8211; em paralelo da necessidade de um relacionamento saud\u00e1vel entre os dois &#8211; e seus amigos buscando meios de ajuda-los. Ainda que a divers\u00e3o n\u00e3o esteja t\u00e3o presente, a estabilidade do texto \u00e9 bem maior, j\u00e1 que as duas estruturas s\u00e3o org\u00e2nicas e encontram uma converg\u00eancia natural. Em <strong>Pets 2<\/strong>, mesmo que Lynch entregue um tom c\u00f4mico bem mais poderoso, o roteiro se perde em seus &#8211; agora &#8211;\u00a0 tr\u00eas n\u00facleos. Inicialmente, n\u00e3o h\u00e1 um problema narrativo t\u00e3o grave, mas que foi se provando inconsistente at\u00e9 uma uni\u00e3o de hist\u00f3rias nada natural, mas ainda assim, previs\u00edvel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tanto Lynch quanto Renaud se aproveitaram de seus personagens mais queridos do primeiro longa para a constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, o que faz todo o protagonismo de <strong>Max<\/strong> e <strong>Duke<\/strong> se perder completamente. <strong>Pets 2<\/strong>, ent\u00e3o, deixa de assumir o manto de \u201cvida secreta dos bichos\u201d para uma divertida aventura com bichos de estima\u00e7\u00e3o, e nela, est\u00e3o presentes diferentes conceitos em cada n\u00facleo, sendo um distante do outro. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No caso, o texto trabalha Max e Duke em uma jornada de conhecimento fora da cidade grande para com a vida no campo. Nele, Lynch se apoia de um discurso anal\u00edtico envolvendo crian\u00e7as (mas conseguindo conversar paralelamente com os pr\u00f3prios animais) sobre os diferentes modos de vida, incluindo, assim, discuss\u00f5es sobre o exagero da prote\u00e7\u00e3o e o modo de enfrentar seus medos. Por mais que sejam temas indispens\u00e1veis, \u00e9 algo recorrente em jornadas de personagens com diferentes mundos, como <strong>Maur\u00edcio de Sousa<\/strong> trabalhou com <strong>Chico Bento<\/strong> e seu primo <strong>Zeca<\/strong>, ou at\u00e9 mesmo <strong>Banz\u00e9<\/strong> em <strong>A Dama e o Vagabundo 2<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse ponto, \u00e9 percept\u00edvel a falta de coragem em querer construir a mesma originalidade presente em <strong>Meu Malvado Favorito<\/strong>. Por\u00e9m, o n\u00facleo em si \u00e9 divertido e bem explorado, muito pela presen\u00e7a do personagem <strong>Rooster<\/strong>, respons\u00e1vel pela li\u00e7\u00e3o da vida \u201craiz\u201d. Imponente, \u00e9 funcional como o contraponto da vis\u00e3o de <strong>Max<\/strong> e importante para elevar o c\u00e3ozinho do primeiro filme, dando a sua, ent\u00e3o esperada, evolu\u00e7\u00e3o. A frustra\u00e7\u00e3o, no caso, existe pela narrativa mudar o foco constantemente para os outros dois n\u00facleos, mesmo que esse apresente for\u00e7a suficiente para segurar o longa inteiro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A necessidade de eleva\u00e7\u00e3o em sequ\u00eancias provoca resultados decepcionantes no ponto de vista da obrigatoriedade de aumentar trechos ou estruturas. No afastamento de <strong>Max<\/strong> e <strong>Duke<\/strong> do protagonismo, os outros dois focos ficaram com a cachorrinha <strong>Gigi<\/strong> e o coelhinho <strong>Bola de Neve<\/strong> em suas pr\u00f3prias aventuras. Como comentado, o surgimento dessa divis\u00e3o \u00e9 introduzida de maneira artificial. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O texto de Lynch entrega pontos \u00fanicos para justificar a converg\u00eancia no in\u00edcio, mas nada coeso o suficiente para manter a for\u00e7a estrutural. Isso porque o ponto de <strong>Gigi<\/strong> conversa indiretamente com a parte dos outros dois personagens, ainda que seja dentro de uma realidade extremamente agrad\u00e1vel, realizando compara\u00e7\u00f5es c\u00f4micas entre cachorros e gatos. O resultado \u00e9 uma jornada recreativa ao p\u00fablico, mas nada empolgante comparado com o n\u00facleo dos dois c\u00e3es principais. <strong>Bola de Neve<\/strong> passa pelo mesmo problema em sua trajet\u00f3ria \u00e9pica e brincalhona (com tons ir\u00f4nicos sobre o cen\u00e1rio de \u201cfilmes de her\u00f3i\u201d). No entanto, a disfun\u00e7\u00e3o de seu n\u00facleo \u00e9 ainda mais gritante, j\u00e1 que existe um exagero narrativo desnecess\u00e1rio e nada empolgante. A uni\u00e3o do coelhinho com a cachorrinha <strong>Chloe<\/strong> n\u00e3o \u00e9 o maior dos problemas, por\u00e9m Lynch escolheu construir uma estrutura tamb\u00e9m digna de um longa, com uma introdu\u00e7\u00e3o de realidade torturadora, um grande vil\u00e3o e seus \u201csoldados\u201d para impedir o grande feito do her\u00f3i. O resultado disso \u00e9 uma hist\u00f3ria corrida e longe de ser bem trabalhada, ainda que haja um aproveitamento do tema central de <strong>Madagascar 3: Os Procurados<\/strong> (2012) e um discurso clich\u00ea envolta da realidade circense.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como pontuado, h\u00e1 uma boa constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o entre os dois personagens. No entanto, ambos residem em um n\u00facleo mal estabelecido, al\u00e9m de serem encaixados em momentos inoportunos. A montagem do longa n\u00e3o encontra um encaixe saud\u00e1vel das hist\u00f3rias, j\u00e1 que, as mudan\u00e7as de jornadas s\u00e3o realizadas nos momentos mais agrad\u00e1veis das mesmas. E ent\u00e3o, h\u00e1 a aguardada &#8211; e decepcionante &#8211; uni\u00e3o dos tr\u00eas. Enquanto <strong>Toy Story<\/strong> consegue demonstrar uma costura saud\u00e1vel entre suas estruturas, <strong>Pets 2<\/strong> falha em querer fazer muito quando se \u00e9 exigido pouco. Os tr\u00eas funcionam bem separadamente, com suas pr\u00f3prias influ\u00eancias e tem\u00e1ticas, mas n\u00e3o conseguem encontrar o equil\u00edbrio para a uni\u00e3o conclusiva, dando um tom desnecessariamente exagerado, chegando a repetir a f\u00f3rmula do primeiro ao colocar animais na dire\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis &#8211; escolha tamb\u00e9m nada original.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com essas observa\u00e7\u00f5es, a divers\u00e3o de <strong>Pets 2<\/strong> n\u00e3o sustenta a problem\u00e1tica narrativa estruturada de Lynch e Renaud e mant\u00e9m &#8211; ainda &#8211; os <strong>Minions<\/strong> como os principais pets da <strong>Illumination<\/strong>.\u00a0<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante de um cen\u00e1rio dominado por Disney, Pixar e Ghibli nas produ\u00e7\u00f5es animadas, a Illumination chegou em 2010 &#8211; tr\u00eas anos ap\u00f3s sua funda\u00e7\u00e3o &#8211; com a inten\u00e7\u00e3o clara de divers\u00e3o atrav\u00e9s de &#8211; podemos chamar assim &#8211; a obra mais significativa da produtora at\u00e9 agora: Meu Malvado Favorito. 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