{"id":74333,"date":"2019-08-01T09:18:50","date_gmt":"2019-08-01T12:18:50","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74333"},"modified":"2021-02-07T15:18:16","modified_gmt":"2021-02-07T18:18:16","slug":"hobbs-shaw-abraca-a-galhofa-para-entregar-narrativa-veloz-e-precisamente-furiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/hobbs-shaw-abraca-a-galhofa-para-entregar-narrativa-veloz-e-precisamente-furiosa\/","title":{"rendered":"\u201cHobbs &#038; Shaw\u201d abra\u00e7a a galhofa para entregar narrativa veloz e precisamente furiosa"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">No mercado cinematogr\u00e1fico, muito se fala sobre franquias. De <strong>Harry Potter<\/strong> ao <strong>Universo Cinematogr\u00e1fico da Marvel<\/strong> &#8211; e a tentativa frustrada da <strong>DC<\/strong> &#8211; o p\u00fablico se demonstrou interessado em acompanhar jornadas \u00fanicas dentro de diferentes filmes. O que foi \u00f3timo para produtores e est\u00fadios, j\u00e1 que, pouco se precisa inovar para manter a fidelidade dos espectadores. Enquanto as duas franquias citadas demonstram claramente suas f\u00f3rmulas, torna-se question\u00e1vel do que faz <strong>Velozes &amp; Furiosos<\/strong> uma franquia sustent\u00e1vel desde 2001. Poderia haver uma reflex\u00e3o de que o motivo \u00e9 o tema familiar proposto, ou as cenas de a\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo os carros, os personagens, as hist\u00f3rias. No fim, \u00e9 exatamente tudo isso, mas com um detalhe fundamental: a galhofa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que nos primeiros filmes as hist\u00f3rias tinham um teor mais s\u00e9rio em sua narrativa, com suas propostas mais humanas e at\u00e9 mais coesas com a realidade, as produ\u00e7\u00f5es foram cada vez mais adotando o exagero. E isso se tornou caracter\u00edstica principal de seus filmes, o que torna tudo mais divertido. Ao adotar o objetivo de algo centrado, s\u00e3o estabelecidos limites. No entanto, ao fazer o contr\u00e1rio, o c\u00e9u \u00e9 o limite &#8211; ou at\u00e9 al\u00e9m dele. <strong>Hobbs &amp; Shaw<\/strong> n\u00e3o s\u00f3 mant\u00e9m essa ess\u00eancia, como eleva o conceito, algo que, n\u00e3o \u00e9 necessariamente bom, mas consegue ser funcional dentro de sua inten\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo sem seus principais personagens, esse primeiro<em> spin off<\/em> n\u00e3o serve apenas como o resultado do conflito entre <strong>Dwayne Johnson<\/strong> e <strong>Vin Diesel<\/strong>, mas como um teste para um futuro segmento da franquia, e que adotou dois personagens aclamados em <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/como-esperado-as-grandes-sequencias-de-acao-fazem-velozes-e-furiosos-8-valer-a-pena\/\"><strong>Velozes &amp; Furiosos 8<\/strong><\/a> (2017). Al\u00e9m de dois brucutus, <strong>The Rock<\/strong> e <strong>Jason Statham<\/strong> estabelecem contrastes que funcionam narrativamente. N\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 na quest\u00e3o bondade <em>versus<\/em> maldade, como tamb\u00e9m no tamanho dos dois e no estilo de vida, sendo Hobbs mais \u201csujo\u201d, enquanto Shaw \u00e9 mais classudo, muito justificado tamb\u00e9m por suas origens, que, de ambos, s\u00e3o exploradas mais na produ\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa diferen\u00e7a foi muito bem trabalhada pela dire\u00e7\u00e3o de <strong>David Leitch<\/strong> e pela dire\u00e7\u00e3o de fotografia de <strong>Jonathan Sela<\/strong>. Leitch consegue muito bem deixar claro, visualmente, as caracter\u00edsticas de cada um &#8211; principalmente na introdu\u00e7\u00e3o dos personagens, onde a tela \u00e9 literalmente dividida &#8211; enquanto Sela refor\u00e7a ainda mais a vis\u00e3o do cineasta. Enquanto as cores no n\u00facleo de Hobbs s\u00e3o mais secas, com Shaw tudo \u00e9 muito na base do neon, por\u00e9m, com cores que d\u00e3o seu tom de fineza. A vantagem dessa caracter\u00edstica \u00e9 que a presen\u00e7a de Sela \u00e9 realizada da maneira correta, j\u00e1 que sua fotografia chama mais aten\u00e7\u00e3o em momentos espec\u00edficos, sem se manter constantemente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, ao mesmo tempo que as duas vertentes fazem seu papel de maneira honrosa, o roteiro se transforma em material expositivo, apesar de acrescentar. A exposi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, diferente do trabalho de Lesa, mant\u00e9m-se presente durante grande parte do longa, com di\u00e1logos que ultrapassam o conceito do clich\u00ea e que se demonstram pleon\u00e1sticos. Por sua vez, a hist\u00f3ria desenvolvida por <strong>Chris Morgan<\/strong> e <strong>Drew Pearce<\/strong> seguem a linha bastante presente na narrativa de todos os filmes da franquia. Isso significa uma estrutura previs\u00edvel e sem qualquer complexidade, mas que faz a fun\u00e7\u00e3o de divertir. E isso faz muito bem. Inclusive, o texto dos dois at\u00e9 tenta dar tons complexos ao personagem de <strong>Idris Elba<\/strong>, mas o mesmo acaba caindo na mesmice de todos as outras tramas. O que s\u00f3 refor\u00e7a o entendimento da produ\u00e7\u00e3o sobre o que funciona com o grande p\u00fablico e o que realmente importa: com\u00e9dia e a\u00e7\u00e3o. Por isso, Leitch se mostrou o nome perfeito.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, o cineasta n\u00e3o demonstrou presen\u00e7a no longa, diferente do que acontece com <strong>James Wan<\/strong> no s\u00e9timo filme. Marcado por bel\u00edssimas cenas de a\u00e7\u00e3o em <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/de-volta-ao-jogo\/\"><strong>John Wick<\/strong><\/a> (2014) e <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/direcao-de-david-leitch-encanta-diante-uma-historia-padrao-de-atomica\/\"><strong>At\u00f4mica<\/strong><\/a> (2017), Leitch n\u00e3o tem o mesmo feito em <strong>Hobbs &amp; Shaw<\/strong>. Muitas das cenas s\u00e3o quase indecifr\u00e1veis, recheadas de cortes secos e uma montagem que, apesar de manter o ritmo fren\u00e9tico, n\u00e3o empolga. O roteiro tamb\u00e9m acaba por manter uma estrutura muito repetitiva, que, misturada com a falta de criatividade &#8211; ou liberdade &#8211; de Leitch, torna tudo muito enjoativo. N\u00e3o s\u00f3 as cenas de a\u00e7\u00e3o provocam esse sentimento, como o texto dos protagonistas v\u00e3o, aos poucos, perdendo o impacto. H\u00e1 o sentido de dar aos dois textos banais, at\u00e9 para servir como cr\u00edtica a homens brutos que focam apenas em porrada e em se provar superiores &#8211; o que \u00e9 at\u00e9 refor\u00e7ado com algumas rea\u00e7\u00f5es das personagens femininas &#8211; mas, ainda assim, \u00e9 preciso certo equil\u00edbrio. No entanto, tudo isso se torna um tanto banal pela divers\u00e3o envolta do carisma dos personagens e das loucuras envolvidas serem bastantes presente em tela.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muito disso se deve pela qu\u00edmica entre Johnson e Statham. A frase \u201cos opostos se atraem\u201d ganha certo destaque ao observar a rela\u00e7\u00e3o entre os dois personagens, tanto nas cenas de a\u00e7\u00e3o, como as de humor. <strong>The Rock<\/strong> equilibra seu tamanho com seu carisma e se prova, novamente, ser um personagem cada vez mais ador\u00e1vel, enquanto Statham, mesmo com seu ar mais sisudo, entrega delicadezas sutis que fazem o personagem ganhar certa admira\u00e7\u00e3o. A personagem de <strong>Vanessa Kirby<\/strong> \u00e9 outro grande acerto do longa, n\u00e3o s\u00f3 para servir como mais um ponto de equil\u00edbrio entre o conflito dos protagonistas, como tamb\u00e9m se demonstra extremamente potente para as cenas de a\u00e7\u00e3o, conseguindo se equiparar a outros nomes da franquia, como <strong>Michelle Rodriguez<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Elba, ainda que sofra com os detalhes do roteiro, demonstra uma presen\u00e7a descomunal em tela. Seu personagem possui entrelinhas interessantes quanto \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es, e sua participa\u00e7\u00e3o nas cenas de a\u00e7\u00e3o acrescentam ainda mais na narrativa imposta. E \u00e9 justamente com ele que Leitch mais brilha na dire\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o nas cenas de combate, e sim as que envolvem pirotecnias dentro da realidade de sua caracteriza\u00e7\u00e3o, lembrando in\u00fameras cenas de Deadpool 2 (2018).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E \u00e9 justamente com o personagem de Elba que o roteiro explora complexidade na narrativa &#8211; apesar de rasa. N\u00e3o h\u00e1 originalidade, por\u00e9m, o conceito escolhido funciona perfeitamente como uma evolu\u00e7\u00e3o \u00e0 franquia, como o mesmo ocorre no oitavo filme, tendo <strong>Charlize Theron<\/strong> como a vil\u00e3 tecnol\u00f3gica. No entanto, o personagem de Elba consegue ir al\u00e9m ao trabalhar a concep\u00e7\u00e3o de seres superiores e o poder da tecnologia sobre a humanidade. Ainda que os conceitos dentro da hist\u00f3ria n\u00e3o funcionam como gatilhos para reflex\u00e3o &#8211; at\u00e9 porque o filme nem pede isso &#8211; eles est\u00e3o l\u00e1 e isso \u00e9 importante para uma certa reciclagem para n\u00e3o se manter na superf\u00edcie do discurso da fam\u00edlia. Aqui, apesar de ser o mesmo discurso presente em obras como <strong>Robocop &#8211; O Policial do Futuro<\/strong> (1987) e at\u00e9 <strong>O M\u00e1gico de Oz<\/strong> (1939), sobre o humano superar a m\u00e1quina, encaixa perfeitamente na narrativa proposta em <strong>Velozes &amp; Furiosos<\/strong>, o que deixa tudo mais interessante para futuros personagens &#8211; apesar de ser esperado a obviedade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A divers\u00e3o, como acontece com toda a franquia, supera qualquer falha absurda, j\u00e1 que o pr\u00f3prio roteiro se aceita como algo imposs\u00edvel, e isso faz a suspens\u00e3o de descren\u00e7a agir no mais mais veloz e furioso poss\u00edvel. Sendo esse um primeiro passo para o futuro, talvez coisas mais lucrativas venham por a\u00ed, apesar da mesmice dominar a tela, o que torna esse o melhor filme ruim do ano, at\u00e9 ent\u00e3o. E que, no fim, <strong>Hobbs &amp; Shaw<\/strong>\u00a0se prova ser aquele primo revoltado que sai do grupo da fam\u00edlia, mas ainda \u00e9 considerado um parente ador\u00e1vel. <\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mercado cinematogr\u00e1fico, muito se fala sobre franquias. De Harry Potter ao Universo Cinematogr\u00e1fico da Marvel &#8211; e a tentativa frustrada da DC &#8211; o p\u00fablico se demonstrou interessado em acompanhar jornadas \u00fanicas dentro de diferentes filmes. 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