{"id":74404,"date":"2019-08-19T09:45:37","date_gmt":"2019-08-19T12:45:37","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74404"},"modified":"2021-02-07T15:13:59","modified_gmt":"2021-02-07T18:13:59","slug":"mesmo-atualizado-tecnologicamente-brinquedo-assassino-possui-narrativa-obsoleta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/mesmo-atualizado-tecnologicamente-brinquedo-assassino-possui-narrativa-obsoleta\/","title":{"rendered":"Mesmo atualizado tecnologicamente, \u201cBrinquedo Assassino\u201d possui narrativa obsoleta"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que o cinema de terror esteja passando por uma fase, digamos, diferente (apesar do termo n\u00e3o fazer jus), a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica anda pelo caminho contr\u00e1rio. Diante grandes conquistas de bilheteria, remakes e continua\u00e7\u00f5es de franquias vem se mostrando funcionais quando o assunto \u00e9 monetiza\u00e7\u00e3o. Com o intuito de atingir o sentimento saudosista dos espectadores, dar uma cara limpa para obras antigas n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia nova de Hollywood, por\u00e9m, com a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e com um p\u00fablico ainda mais consumidor, tornou-se uma onda popular e ainda sem previs\u00e3o de fim. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo que o uso da estrat\u00e9gia seja cada vez mais clara em outros g\u00eaneros, com o terror n\u00e3o seria diferente, como citado no texto de <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/historias-assustadoras-para-contar-no-escuro-desaponta-por-desperdicar-bom-potencial\/\"><strong>Hist\u00f3rias Assustadoras Para Contar no Escuro<\/strong><\/a>. E esta nova vers\u00e3o de <strong>Brinquedo Assassino<\/strong> passa pela mesma coisa, mas acerta onde o longa de <strong>Andr\u00e9 Ovredal<\/strong> errou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conhecido por roteiros de curtas e games, <strong>Tyler Burton Smith<\/strong> contava com a custosa tarefa de dar uma nova roupagem ao personagem de <strong>Don Mancini <\/strong>&#8211; apresentado em 1988 &#8211; para uma nova gera\u00e7\u00e3o. O plano que comp\u00f5e a primeira camada do longa, tornando <strong>Chucky<\/strong> &#8211; brilhantemente dublado por <strong>Mark Hamill<\/strong> &#8211; um assistente de voz, tal como Alexa e Google Home, provou-se de uma farta perspic\u00e1cia para tornar o p\u00fablico atual muito mais conectado com seus personagens e na realidade dos mesmos. No entanto, a segunda camada, composta n\u00e3o s\u00f3 pelas ideias prim\u00e1rias, mas tamb\u00e9m pela narrativa, faz de <strong>Brinquedo Assassino<\/strong> algo distante, tornando-se um paradoxo em suas pr\u00f3prias escolhas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Burton Smith, no intuito de respeitar a obra original ou de simplesmente seguir a tend\u00eancia mercadol\u00f3gica, adota uma linguagem muito oitentista dentro da realidade atual. E isso \u00e9 mais refor\u00e7ado pela dire\u00e7\u00e3o <strong>Lars Klevberg<\/strong>. Ainda que o espectador se sinta conectado com a narrativa diante dos recursos tecnol\u00f3gicos e intelig\u00eancia artificial, tudo no visual &#8211; e at\u00e9 na rela\u00e7\u00e3o dos personagens &#8211; \u00e9 antigo. Seja atrav\u00e9s do uso da tecnologia de modo geral &#8211; sem envolver o boneco &#8211; ou at\u00e9 mesmo o figurino. Mas na narrativa, isso se torna ainda mais n\u00edtido.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tanto Burton Smith quanto Klevberg realizaram uma repagina\u00e7\u00e3o fiel ao longa de 88, acrescentando novos tons. No caso, o <em>gore<\/em> e o c\u00f4mico &#8211; muito mais explorados nas sequ\u00eancias, do que, necessariamente, no primeiro filme &#8211; s\u00e3o a principal fonte para esta repagina\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a que Mancini adotou no universo do personagem, principalmente a partir de 1998, com <strong>A Noiva de Chucky<\/strong>, ajudou ainda mais na populariza\u00e7\u00e3o do personagem, que adota um clima mais s\u00e1dico, por\u00e9m, engra\u00e7ado. Aqui, por sua vez, h\u00e1 uma tentativa de equil\u00edbrio disfuncional, j\u00e1 que Klevberg tenta trazer momentos de terror, trabalhando planos e trilhas, por\u00e9m, o que se sobressalta \u00e9 o c\u00f4mico, transformando <strong>Brinquedo Assassino<\/strong> mais em um terrir <em>trash<\/em>, do que terror. A vantagem \u00e9 que o texto realiza a fun\u00e7\u00e3o muito bem, entregando <em>timing<\/em> de com\u00e9dia de qualidade e dando um ritmo saud\u00e1vel \u00e0 narrativa, o contr\u00e1rio de Hist\u00f3rias Assustadoras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com divers\u00e3o e viol\u00eancia, <strong>Brinquedo Assassino<\/strong> consegue conquistar o p\u00fablico, mas, mantendo-se um filme mediano diante sua narrativa previs\u00edvel. Apesar do esp\u00edrito saudosista ser importante para uma conex\u00e3o, faltou coragem em arriscar para trazer algo mais complexo e tamb\u00e9m mais pr\u00f3ximo do terror. Para n\u00e3o falar que o roteiro n\u00e3o acerta, h\u00e1 sim boas escolhas de adapta\u00e7\u00e3o, principalmente a j\u00e1 citada sobre o uso de recursos tecnol\u00f3gicos atuais. Ainda que o uso do nome de Chucky tenha sido introduzido de uma maneira vergonhosa no n\u00edvel de <a href=\"http:\/\/supercinemaup.com\/han-solo-agrada-mas-entrega-uma-historia-nem-tao-star-wars\/\">Han Solo<\/a> (2018), \u00e9 ineg\u00e1vel que faz\u00ea-lo uma I.A. faz das entrelinhas de <strong>Brinquedo Assassino<\/strong> algo significativo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como \u00e9 constantemente falado em textos do g\u00eanero, terror funciona como uma maneira de cr\u00edtica a determinado segmento do mundo atual, e se torna clara a inten\u00e7\u00e3o de Burton Smith em realizar algumas a grandes conglomerados de tecnologia, como Apple, Amazon, mas principalmente Google e at\u00e9 a Tesla, de <strong>Elon Musk<\/strong>. O que torna a obra um bom epis\u00f3dio de <strong>Black Mirror<\/strong> (2011 -). Outro acerto est\u00e1 em sua narrativa com ambienta\u00e7\u00e3o mais comedida, que n\u00e3o s\u00f3 relembra o filme de 88, mas como tamb\u00e9m grandes cl\u00e1ssicos do terror com seus filmes \u201cpequenos\u201d. Isso n\u00e3o s\u00f3 limita a a\u00e7\u00e3o do personagem principal, como tamb\u00e9m d\u00e1 uma liberdade ao diretor para explorar diferentes maneiras a sua estrutura e uso de c\u00e2meras. Apesar de Klevberg n\u00e3o explorar tanto assim, como <strong>James Wan<\/strong> realiza na franquia <strong>Invoca\u00e7\u00e3o do Mal<\/strong>, por exemplo, h\u00e1 um trabalho honesto diante da proposta estabelecida, conseguindo um equil\u00edbrio entre o humor e o <em>gore<\/em>, mesmo com um terror mais ameno.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Ainda que o longa adote o perfil das vers\u00f5es mais &#8220;modernas&#8221; do personagem, seu visual se afasta do rosto coberto de cicatrizes, mas mant\u00e9m o mist\u00e9rio envolta do olhar. Mesmo assim, h\u00e1 um certo estranhamento prim\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 suas novas fei\u00e7\u00f5es, contudo, torna-se aceit\u00e1vel com o caminhar narrativo. O agrado deste ponto est\u00e1 no aproveitamento de efeitos pr\u00e1ticos para a a\u00e7\u00e3o do personagem, o que torna tudo mais palat\u00e1vel e mais realista.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto Hamill brilha dando os tons corretos ao brinquedo &#8211; relembrando suas entona\u00e7\u00f5es mal\u00e9ficas como Coringa &#8211; o elenco de apoio n\u00e3o chama tanta aten\u00e7\u00e3o. Ainda que <strong>Brian Tyree Henry<\/strong> e <strong>Gabriel Bateman<\/strong> realizem suas fun\u00e7\u00f5es de maneira concisa, <strong>Aubrey Plaza<\/strong> decepciona por n\u00e3o demonstrar for\u00e7a de interpreta\u00e7\u00e3o o suficiente para se sustentar como protagonista. Mesmo que o foco esteja direcionado para a rela\u00e7\u00e3o entre o Andy (Bateman) e Chucky, Karen (Aubrey) tem uma import\u00e2ncia significativa como uma esp\u00e9cie de fio condutor com alguns personagens, mas, dentro do trabalho proposto por Klevberg, n\u00e3o h\u00e1 um sustento nem no drama da narrativa, e muito menos na com\u00e9dia e no terror. Al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o estrategicamente for\u00e7ada entre sua personagem e o do Tyree Henry para futuros filmes, que s\u00e3o cogitados logo nos primeiros minutos da hist\u00f3ria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fim, este se torna o principal objetivo do est\u00fadio. Principalmente ap\u00f3s <strong>A Maldi\u00e7\u00e3o de Chucky<\/strong> (2013) n\u00e3o ter atingido o sucesso esperado, torna-se estrat\u00e9gico se aproveitar de estruturas narrativas que funcionaram no passado para, dessa vez, olhar para o futuro. <\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda que o cinema de terror esteja passando por uma fase, digamos, diferente (apesar do termo n\u00e3o fazer jus), a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica anda pelo caminho contr\u00e1rio. Diante grandes conquistas de bilheteria, remakes e continua\u00e7\u00f5es de franquias vem se mostrando funcionais quando o assunto \u00e9 monetiza\u00e7\u00e3o. Com o intuito de atingir o sentimento saudosista dos espectadores, [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":33,"featured_media":74405,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415,2423],"tags":[928,15113,4972,364,15111,366,209,87,15110,13932,15112,5090,12,15109],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74404"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74404"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74404\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76142,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74404\/revisions\/76142"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74405"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}