{"id":74437,"date":"2019-08-27T22:39:07","date_gmt":"2019-08-28T01:39:07","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74437"},"modified":"2021-02-07T15:11:13","modified_gmt":"2021-02-07T18:11:13","slug":"luc-besson-se-mantem-mediano-com-poderoso-grito-de-liberdade-em-anna-o-perigo-tem-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/luc-besson-se-mantem-mediano-com-poderoso-grito-de-liberdade-em-anna-o-perigo-tem-nome\/","title":{"rendered":"Luc Besson se mant\u00e9m mediano com poderoso grito de liberdade em \u201cAnna &#8211; O Perigo Tem Nome\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPor um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres\u201d. A frase em quest\u00e3o aparenta um desejo atual diante as desigualdades pol\u00edticas e econ\u00f4micas crescidas de uma ideologia atrasada. No entanto, a ora\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o faz parte do significativo repert\u00f3rio de <strong>Rosa Luxemburgo<\/strong> (1871-1919), uma importante fil\u00f3sofa, mas que fez sua fama por travar uma milit\u00e2ncia revolucion\u00e1ria pela Social-Democracia da Pol\u00f4nia, Partido Social-Democrata da Alemanha e Partido Social-Democrata Independente da Alemanha. Desafiou grandes l\u00edderes de maneira militante, revolucion\u00e1ria e internacionalista. Em 2019, Rosa ganha cabelos louros, nacionalidade russa e o nome <strong>Anna Poliatova<\/strong>.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar da biografia de Rosa n\u00e3o envolver espionagem, KGB e CIA (pelo menos n\u00e3o consta em sua hist\u00f3ria), h\u00e1 uma enorme familiaridade com a nova personagem constru\u00edda por <strong>Luc Besson<\/strong>, conhecido por trabalhar personagens femininas significativas, justamente com intuito de fazer seus filmes funcionarem a uma gama maior de p\u00fablico. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo construindo contradi\u00e7\u00f5es propositais para subverter o papel \u201ccl\u00e1ssico\u201d das mulheres em filmes de a\u00e7\u00e3o, o cineasta franc\u00eas demonstra prazer em trabalhar suas tramas mirabolantes envolvendo bons personagens. Com <strong>Anna &#8211; O Perigo Tem Nome<\/strong> n\u00e3o \u00e9 diferente, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 nada original. Seguindo bons caminhos de seu sucesso passado, <strong>Nikita &#8211; Criada Para Matar<\/strong> (1990), Besson procura construir uma narrativa \u00fanica, empolgante e memor\u00e1vel. No entanto, o cineasta se mant\u00e9m limitado a refer\u00eancias de filmes dos anos 80 e 90 que trabalharam a mesma trama de espi\u00f5es in\u00fameras vezes, com o mesmo estilo de <em>plot twist<\/em>.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Que aqui, demonstra-se exagerado diante o n\u00famero constante de chocantes viradas, com a inten\u00e7\u00e3o de fazer o p\u00fablico se interessar cada vez mais com a jornada de seus personagens. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que as constru\u00e7\u00f5es sejam bem feitas e encaixadas, suas frequentes apari\u00e7\u00f5es transformam o imprevis\u00edvel em previs\u00edvel, perdendo toda a ess\u00eancia desejada em um n\u00facleo que clama por essas e outras caracter\u00edsticas. A a\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m faz parte desse n\u00facleo de exig\u00eancias no g\u00eanero, fica em um meio termo no quesito \u201cexpectativa\u201d. Diante o aproveitamento da ess\u00eancia de Nikita &#8211; dentro de um cen\u00e1rio mercadol\u00f3gico que conta com <strong>At\u00f4mica<\/strong> (2017) e <strong>A Vil\u00e3<\/strong> (2017) &#8211; <strong>Anna &#8211; O Perigo Tem Nome<\/strong> n\u00e3o se aproveita das in\u00fameras possibilidades criadas para desenvolver cenas de a\u00e7\u00e3o marcantes como as de <strong>David Leitch<\/strong>, por exemplo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo com boas cenas, elas se demonstram limitadas a exclusivos <em>show offs<\/em>, n\u00e3o conseguindo estabelecer se a obra \u00e9 um suspense tenso de espionagem ou um filme de a\u00e7\u00e3o. H\u00e1 aqueles que conseguem um equil\u00edbrio saud\u00e1vel entre os dois, o que, aqui, n\u00e3o \u00e9 caso, tornando <strong>Anna &#8211; O Perigo Tem Nome<\/strong> no meio termo entre <strong>At\u00f4mica<\/strong> e <strong>Opera\u00e7\u00e3o Red Sparrow<\/strong> (2018).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Filme esse tamb\u00e9m presente na constru\u00e7\u00e3o do roteiro da trama, j\u00e1 que Besson estabelece &#8211; como tamb\u00e9m em outras obras &#8211; uma justificativa para a sensualidade feminina e sua objetifica\u00e7\u00e3o. <strong>At\u00f4mica<\/strong> tamb\u00e9m \u00e9 essencialmente utilizado em sua trama. Ainda que a qualidade t\u00e9cnica de Besson n\u00e3o supere a de Leitch, os dois longas se aproveitam de fortes personagens femininas em simples tramas. Mas, mesmo simpl\u00f3rias, trazem um poderoso discurso em suas entrelinhas. <strong>Anna &#8211; O Perigo Tem Nome<\/strong> acaba se tornando uma obra mais expl\u00edcita nesse quesito por deixar claro em seu roteiro a luta por liberdade feminina. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, o discurso \u00e9 bem encaixado na trama, por servir como um gatilho \u00e0 narrativa. Ainda que as personagens procuram liberdade de determinado n\u00facleo, \u00e9 clara a mensagem de uma liberdade muito maior. E nisso, Besson acerta satisfatoriamente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aproveitando do cl\u00e1ssico embate da Guerra Fria, com confrontos entre o n\u00facleo americano e sovi\u00e9tico, a jornada de <strong>Anna &#8211; O Perigo Tem Nome<\/strong> aparentava seguir a cl\u00e1ssica narrativa do bem contra o mal, mas o franc\u00eas consegue decentemente subverter isso para algo a mais, dando, como citado, uma import\u00e2ncia maior para uma jornada em busca da liberdade. E se torna mais convincente pelas personagens de <strong>Sasha Luss<\/strong> e <strong>Helen Mirren<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto a renomada atriz brit\u00e2nica mant\u00e9m sua honesta atua\u00e7\u00e3o, presente em seus \u00faltimos trabalhos, Sasha se esfor\u00e7a para entregar um bom servi\u00e7o que, no fim das contas, compensa, apesar de n\u00e3o surpreender, mantendo-se ainda muito distante da personagem de <strong>Anne Parillaud<\/strong>. Por essa superioridade feminina, os pap\u00e9is de <strong>Luke Evans<\/strong> e <strong>Cillian Murphy<\/strong> seguem o caminho que muitas personagens femininas tomaram diante muitos e muitos anos no cinema.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que <strong>Rosa Luxemburgo<\/strong> seja um nome diretamente ligado ao novo filme de <strong>Luc Besson<\/strong>, h\u00e1 uma outra frase, essa, do ativista\u00a0<strong>Martin Luther King<\/strong>, que n\u00e3o s\u00f3 conversa com a personagem, mas tamb\u00e9m com toda a mensagem envolvendo a busca pela liberdade feminina: \u201cA liberdade jamais \u00e9 dada pelo opressor; ela tem que ser conquistada pelo oprimido\u201d.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPor um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres\u201d. 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