{"id":74689,"date":"2019-10-31T23:52:52","date_gmt":"2019-11-01T02:52:52","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74689"},"modified":"2019-10-31T23:58:19","modified_gmt":"2019-11-01T02:58:19","slug":"insano-feroz-o-farol-uma-visao-imersiva-mente-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/insano-feroz-o-farol-uma-visao-imersiva-mente-humana\/","title":{"rendered":"Insano e feroz, &#8220;O Farol&#8221; \u00e9 uma vis\u00e3o imersiva da mente humana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">&#8220;<em>Keeping secrets, are you?<\/em>&#8220;, uma senten\u00e7a que vai al\u00e9m do universo narrativo, dita pelo personagem de <strong>Willem Dafoe<\/strong>, Thomas Wake, e se desdobra para a pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o emp\u00edrica de <strong>O Farol<\/strong>, um filme de <strong>Robert Eggers,<\/strong> diretor de &#8220;A Bruxa&#8221;. Uma imensid\u00e3o de significados se esconde na composi\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica e estrutural do longa-metragem, que traz ao p\u00fablico uma genu\u00edna obra que demonstra o poder do p\u00f3s terror ante mentes perturbadas de amantes do audiovisual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto uma grande quantidade de filmes convida o p\u00fablico a entrar no universo narrativo e compartilhar de sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es, <strong>O Farol<\/strong> vai al\u00e9m: arrasta-o, \u00e0 for\u00e7a, para uma desconfortante imers\u00e3o em uma conturbada realidade ins\u00f3lita e destrutiva, onde o sentido por si s\u00f3 se mant\u00e9m inst\u00e1vel e gradual. A obra se utiliza de uma desesperadora ang\u00fastia para afastar quaisquer no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de entendimento tanto dos personagens quanto do espectador, sem a promessa de, sequer, traz\u00ea-las de volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O terror apresentado, felizmente, vai muito al\u00e9m do uso de jump-scares, estes sendo deixados de lado em uma composi\u00e7\u00e3o mais significativa do que simples sustos pontuais. O diretor do longa, Robert Eggers, deixa claro que um conjunto de sustos n\u00e3o comp\u00f5em o medo, muito menos o horror. Em <strong>O Farol<\/strong>, os acontecimentos seguem de tal forma em que a pr\u00f3pria narrativa, de forma eficiente, j\u00e1 \u00e9 o bastante para aterrorizar aqueles envoltos psicologicamente com a trama. Atua\u00e7\u00f5es, trilha sonora, est\u00e9tica e ritmo se unem, com toques de mitologia e de forma deslumbrante, para criar uma no\u00e7\u00e3o que vai muito al\u00e9m do amedrontador: a obra traz uma insanidade crua e p\u00fatrida, onde a confus\u00e3o mental se desvai em uma p\u00f3s-moderna vers\u00e3o do horror.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que \u00e9 apresentado, portanto, \u00e9 uma obra extremamente poderosa e agressiva, a qual mexe com as percep\u00e7\u00f5es do p\u00fablico de forma gradual, tornando uma obra com uma imensidade de significados, ora escondidos, ora real\u00e7ados. Enquanto as expl\u00edcitas vis\u00f5es de fezes, v\u00f4mito e urina marcam o desconforto corp\u00f3reo e o isolamento nas cenas de forma simb\u00f3lica, a pr\u00f3pria figura do farol, por exemplo, \u00e9 fortemente relacionada a um falo \u2013 em outras palavras, um p\u00eanis ereto \u2013, guiando uma narrativa forte sobre a masculinidade de dois homens que, de forma brutal, vivem isolados dentro desta figura t\u00e3o representativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diferente de \u201cA Bruxa\u201d, que foca no corpo feminino e em sua liberdade, <strong>O Farol<\/strong> apresenta seu enfoque na figura dos homens. Com uma feroz vis\u00e3o do corpo masculino, o filme ressalta um limite corp\u00f3reo onde, a partir do isolamento, se v\u00eam obrigados a ter uma rela\u00e7\u00e3o carnal, seja com uma figura m\u00edstica ou com o pr\u00f3prio farol, referenciado pelo personagem de <strong>Dafoe<\/strong> como \u201cela\u201d.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-74691 size-large\" src=\"http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/farol2-1024x580.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"580\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/farol2-1024x580.jpg 1024w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/farol2-150x85.jpg 150w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/farol2-320x181.jpg 320w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/farol2-1080x612.jpg 1080w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/farol2-24x14.jpg 24w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/farol2-36x20.jpg 36w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/farol2-48x27.jpg 48w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/farol2.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 ineg\u00e1vel que, entre os dois personagens, h\u00e1 uma certa qu\u00edmica que antagoniza com a guerra constantemente travada por ambos: a domina\u00e7\u00e3o e a submiss\u00e3o se tornam armas para se provar, diante de ineg\u00e1veis vis\u00f5es de masculinidade t\u00f3xica, o lugar de cada um dentro daquele falo ereto. Thomas Wake se mant\u00e9m o elemento superior naquela loca\u00e7\u00e3o, sendo o \u00fanico a poder subir at\u00e9 o topo do farol, obrigando Winslow, personagem de <strong>Pattinson<\/strong>, a fazer todos os afazeres considerados femininos naquele local, a fim de provar seu poder e domin\u00e2ncia. Wake o prova com tamanha const\u00e2ncia que, para o p\u00fablico, fica claro que Winslow, a qualquer momento, ir\u00e1 perder o controle e se revoltar contra o companheiro \u2013 e este \u00e9 um dos momentos mais aguardados pelo espectador, que em determinado ponto est\u00e1 t\u00e3o farto quanto o personagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O Farol<\/strong>, por seu terror devastador e sua ang\u00fastia irreal, claramente se prova uma obra \u00fanica para os amantes de audiovisual, e sua composi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica antiga, apresentada em PB com tela 1:19:1, certamente agrega no produto final. Seria poss\u00edvel discorrer, sobre a obra, durante incont\u00e1veis p\u00e1ginas de pensamentos, coment\u00e1rios e reflex\u00f5es, por\u00e9m acaba se tornando um filme que vai muito al\u00e9m de palavras e descri\u00e7\u00f5es: \u00e9 preciso presenci\u00e1-lo, em sua total experi\u00eancia, para entender sua magnitude mental e psicol\u00f3gica, preferencialmente em uma grande sala escura de cinema \u2013 pois assisti-lo em um celular durante uma viagem de metr\u00f4, por exemplo, seria abandonar toda a imers\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 trama, arruinando uma fascinante experi\u00eancia audiovisual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por fim, a obra dirigida por <strong>Robert Eggers<\/strong> \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o marcante de terror p\u00f3s-moderno, fazendo com que um conjunto de queixos ca\u00eddos do p\u00fablico marque a total desorienta\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria guiada a partir da ang\u00fastia, solid\u00e3o e desespero de seus personagens. <strong>O Farol<\/strong>, assim, \u00e9 grandioso em sua proposta e certamente n\u00e3o \u00e9 um filme para todo mundo, mas para aqueles que decidirem se imergir nesta obra, lhes aguarda uma no\u00e7\u00e3o de desespero f\u00edlmico n\u00e3o t\u00e3o comum no audiovisual \u2013 muito al\u00e9m de meros sustos, a agonia presente leva o espectador para um abatimento mental e psicol\u00f3gico que desmorona sua percep\u00e7\u00e3o de tudo o que lhe \u00e9 apresentado.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Keeping secrets, are you?&#8220;, uma senten\u00e7a que vai al\u00e9m do universo narrativo, dita pelo personagem de Willem Dafoe, Thomas Wake, e se desdobra para a pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o emp\u00edrica de O Farol, um filme de Robert Eggers, diretor de &#8220;A Bruxa&#8221;. 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