{"id":74772,"date":"2019-11-14T17:55:40","date_gmt":"2019-11-14T20:55:40","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=74772"},"modified":"2021-02-07T14:44:50","modified_gmt":"2021-02-07T17:44:50","slug":"invasao-ao-servico-secreto-e-uma-aula-de-mediocridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/invasao-ao-servico-secreto-e-uma-aula-de-mediocridade\/","title":{"rendered":"&#8220;Invas\u00e3o ao Servi\u00e7o Secreto&#8221; \u00e9 uma aula de mediocridade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\nNo dia 04\/11, Martin Scorsese, em um artigo publicado no The New York Times em resposta \u00e0s diversas cr\u00edticas recebidas por inquestion\u00e1veis f\u00e3s dos filmes do Marvel Studios, ap\u00f3s dizer em entrevista que filmes da Marvel n\u00e3o s\u00e3o cinema, diz: \u201c<em>Nos \u00faltimos 20 anos, como sabemos, a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica mudou de v\u00e1rias formas. Mas a mudan\u00e7a mais assustadora aconteceu na calada da noite: a elimina\u00e7\u00e3o gradual, mas constante do risco. Hoje, muitos filmes s\u00e3o perfeitos produtos manufaturados para consumo imediato. Muitos deles s\u00e3o bem feitos por equipes com indiv\u00edduos talentosos. Ainda assim, eles carecem de algo essencial para o cinema: a vis\u00e3o unificadora de um artista. Porque, \u00e9 claro, o artista \u00e9 o fator com mais risco.<\/em> \u201d (Tradu\u00e7\u00e3o livre). <strong>Invas\u00e3o ao Servi\u00e7o Secreto<\/strong>, terceiro da s\u00e9rie de filmes <strong>Fallen<\/strong> (\u201c<strong>Invas\u00e3o \u00e0 Casa Branca<\/strong>\u201d, de 2013, e \u201c<strong>Invas\u00e3o \u00e0 Londres<\/strong>\u201d, de 2016), \u00e9 uma grande express\u00e3o da mediocridade do cinema hollywoodiano de produ\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 necessidade de ter visto os dois filmes anteriores para entender o terceiro cap\u00edtulo desta franquia. Todos os tr\u00eas s\u00e3o id\u00eanticos e sequer se esfor\u00e7am para construir ou manter uma continuidade entre si. O roteiro dos tr\u00eas filmes segue, veja bem, um roteiro: entre uma trag\u00e9dia no in\u00edcio que amea\u00e7a a exist\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental causada, obviamente, por na\u00e7\u00f5es n\u00e3o-ocidentais e um final exaltando a coragem e a supera\u00e7\u00e3o dos americanos, representados pelo super-her\u00f3i\/super-soldado\/homem-branco-m\u00e9dio-fiel-que-ama-sua-fam\u00edlia\/agente secreto Mike Banning (<strong>Gerard Butler<\/strong>), h\u00e1 muita a\u00e7\u00e3o desinteressante, di\u00e1logos toscos, inimigos infiltrados no governo e tentativas falhas de humanizar os personagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <strong>Invas\u00e3o \u00e0 Casa Branca<\/strong> h\u00e1 um ataque norte-coreano em Washington cujo objetivo \u00e9 obter acesso aos c\u00f3digos do sistema de defesa de ataques nucleares dos EUA para dizimar milh\u00f5es de americanos. Em <strong>Invas\u00e3o \u00e0 Londres<\/strong> um traficante de armas paquistan\u00eas quer vingar a morte de sua filha pelo ex\u00e9rcito americano assassinando os l\u00edderes das principais pot\u00eancias do mundo (o \u00fanico que escapa, que surpresa, \u00e9 o presidente dos EUA, Benjamin Asher (<strong>Aaron Eckhart<\/strong>). Por fim, em <strong>Invas\u00e3o ao Servi\u00e7o Secreto<\/strong>, o mesmo super-her\u00f3i Mike Banning \u00e9 acusado de assassinar o presidente Allan Trumbull (<strong>Morgan Freeman<\/strong>), supostamente aliado com russos e com 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares escondidos na <em>deep web<\/em>. Todas essas premissas, apesar de sutilmente diferentes, s\u00e3o carregadas da necessidade de criar um inimigo externo, mesmo que suas a\u00e7\u00f5es sequer estejam pautadas na realidade, de uma forma tosca, pregui\u00e7osa e at\u00e9 irrespons\u00e1vel. Geopoliticamente e narrativamente, os antagonistas dos tr\u00eas filmes s\u00e3o falsos e for\u00e7ados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da acusa\u00e7\u00e3o, Mike foge de Washington e, num dado momento, encontra com seu pai numa floresta. Clay Banning (<strong>Nick Nolte<\/strong>), o \u00fanico personagem suficientemente interessante do filme, o \u00e9 por motivos errados. H\u00e1 a tentativa de sensibilizar o espectador com uma hist\u00f3ria de abandono e de traumas de guerra, mas tudo \u00e9 t\u00e3o mal feito que chega a ser c\u00f4mico. Seu pai, um conspiracionista que, na verdade, dialoga com o espectador sobre quest\u00f5es pol\u00edticas atuais, \u00e9 o \u00fanico personagem que \u00e9 autoconsciente dessa narrativa. E talvez esse seja o problema central do filme: ele se leva a s\u00e9rio. E por se levar a s\u00e9rio ele apresenta diversos problemas.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-74779 aligncenter\" src=\"http:\/\/supercinemaup.com\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Angel-Has-Fallen-Nolte-1-thumb-700xauto-215316.png\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Angel-Has-Fallen-Nolte-1-thumb-700xauto-215316.png 700w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Angel-Has-Fallen-Nolte-1-thumb-700xauto-215316-150x83.png 150w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Angel-Has-Fallen-Nolte-1-thumb-700xauto-215316-320x177.png 320w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Angel-Has-Fallen-Nolte-1-thumb-700xauto-215316-24x13.png 24w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Angel-Has-Fallen-Nolte-1-thumb-700xauto-215316-36x20.png 36w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Angel-Has-Fallen-Nolte-1-thumb-700xauto-215316-48x27.png 48w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se a premissa n\u00e3o bastasse, outros aspectos s\u00e3o igualmente ruins. No geral, \u00e9 um filme feio. A c\u00e2mera \u00e9 indecisa sobre o que, por que e como filmar, gerando uma mistura de planos e \u00e2ngulos que mais confundem que d\u00e3o sentido \u00e0 narrativa. Para ajudar, nas cenas de a\u00e7\u00e3o os efeitos especiais s\u00e3o mal utilizados e as coreografias s\u00e3o repetitivas e chatas, colaborando para uma confus\u00e3o est\u00e9tica nessas cenas. As atua\u00e7\u00f5es funcionam no universo do filme, <strong>Butler<\/strong> entende seu papel como personagem raso e n\u00e3o faz nada mais para melhor\u00e1-lo e <strong>Freeman<\/strong> e <strong>Nick Nolte<\/strong> fazem um bom trabalho com o que t\u00eam em m\u00e3os, o primeiro mantendo uma serenidade t\u00edpica de presidentes americanos no cinema e o segundo caracterizando muito bem um velho estranho que busca o perd\u00e3o de seu filho. Uma pena que este n\u00e3o \u00e9 um filme autoconsciente de sua mediocridade e comicidade n\u00e3o intencional, poderia ter sido mais divertido, mas \u00e9 apenas entediante e est\u00fapido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 triste pensar que toda essa trilogia rendeu milh\u00f5es de d\u00f3lares simplesmente fazendo o mesmo filme tr\u00eas vezes. O risco, que Scorsese defende em seu texto, \u00e9 essencial para trazer novas narrativas, perspectivas, personagens, emo\u00e7\u00f5es. Isso n\u00e3o significa que filmes como esse n\u00e3o sejam cinema, mas que sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 simplesmente cumprir tabela, fornecer um produto para um mercado que aceita cada vez menos inova\u00e7\u00f5es e cinema autoral, substitu\u00eddos por franquias padronizadas que, mais uma vez, podem conter filmes bons e criativos, mas que seguem uma l\u00f3gica dominada por corpora\u00e7\u00f5es bilion\u00e1rias que dominam o mercado, marginalizando cada vez mais o cinema plural, tornando os cinemas e o pr\u00f3prio cinema como arte cada vez menos democr\u00e1ticos.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 04\/11, Martin Scorsese, em um artigo publicado no The New York Times em resposta \u00e0s diversas cr\u00edticas recebidas por inquestion\u00e1veis f\u00e3s dos filmes do Marvel Studios, ap\u00f3s dizer em entrevista que filmes da Marvel n\u00e3o s\u00e3o cinema, diz: \u201cNos \u00faltimos 20 anos, como sabemos, a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica mudou de v\u00e1rias formas. 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