{"id":75462,"date":"2020-03-04T22:02:36","date_gmt":"2020-03-05T01:02:36","guid":{"rendered":"http:\/\/supercinemaup.com\/?p=75462"},"modified":"2020-03-04T22:21:36","modified_gmt":"2020-03-05T01:21:36","slug":"jexi-um-celular-sem-filtro-cambaleia-entre-o-ridiculo-e-o-comico-em-uma-quase-parodia-de-her","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/jexi-um-celular-sem-filtro-cambaleia-entre-o-ridiculo-e-o-comico-em-uma-quase-parodia-de-her\/","title":{"rendered":"\u201cJexi &#8211; Um Celular Sem Filtro\u201d cambaleia entre o rid\u00edculo e o c\u00f4mico em um besteirol par\u00f3dico de &#8220;Her&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o mais \u00e9 uma surpresa a rela\u00e7\u00e3o obsessiva que as pessoas mant\u00e9m, atualmente, com seus celulares. Seja no sof\u00e1, na cama ou no vaso sanit\u00e1rio, uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o mant\u00e9m, diariamente, seus olhos em meio \u00e0s pequenas letras destes dispositivos. Quando n\u00e3o o celular, a televis\u00e3o ou o notebook, se tornando factual: poucas pessoas, hoje, conseguem se virar sem as tecnologias digitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 2013, o ic\u00f4nico ator <strong>Joaquin Phoenix<\/strong> deu vida ao personagem <em>Theodoro<\/em>, um solit\u00e1rio homem que acabou desenvolvendo uma rela\u00e7\u00e3o um tanto quanto perturbada com seu sistema operacional, trama marcante do filme <strong>Her <\/strong>(ou &#8220;Ela&#8221;), vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original. Em 2020, chega aos cinemas um filme de com\u00e9dia com a mesma premissa\u00a0\u2013 a qual gera inevit\u00e1veis compara\u00e7\u00f5es\u00a0\u2013, se esfor\u00e7ando at\u00e9 demais para parodiar seu semelhante lan\u00e7ado sete anos antes. <strong>Jexi &#8211; Um Celular Sem Filtro\u00a0<\/strong>mostra uma realidade onde um sistema operacional conquista autonomia e uma mente pr\u00f3pria, desenvolvendo uma rela\u00e7\u00e3o ainda mais perturbada com seu dono, mas o que demarca a mudan\u00e7a c\u00f4mica, aqui, \u00e9 que o celular, Jexi, tem um car\u00e1ter um tanto question\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Seja por meio de palavr\u00f5es, ignorando as ordens do protagonista interpretado por <strong>Adam Devine<\/strong>, ou at\u00e9 mesmo colocando-o em situa\u00e7\u00f5es embara\u00e7osas propositalmente, o sistema operacional Jexi tem somente um objetivo: melhorar a vida de Phil. S\u00f3 que, infelizmente \u2013 ou felizmente, para o espectador \u2013 a intelig\u00eancia artificial que d\u00e1 nome ao filme n\u00e3o tem muitas no\u00e7\u00f5es da vida humana, o que torna suas tentativas um tanto desastrosas. A partir do segundo ato, o\u00a0besteirol pega a brilhante premissa de\u00a0<strong>Spike Jonze<\/strong>, muito bem executada em <strong>Her<\/strong>,\u00a0e a inverte de forma bizarra, com o questionamento: &#8220;<em>E se fosse a tecnologia se apaixonasse pelo homem?<\/em>&#8220;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Jexi &#8211; Um Celular Sem Filtro<\/strong>, claramente, n\u00e3o \u00e9 um filme a ser levado a s\u00e9rio: \u00e9 uma com\u00e9dia inteligente, beirando o besteirol, com piadas capazes de trazer diversas gargalhadas de seu p\u00fablico \u2013 mas n\u00e3o de todos, at\u00e9 porque nem todos apreciam a arte da com\u00e9dia escrachada, que se aproxima <em>do tosco<\/em> assim como <em>do nonsense<\/em>. \u00a0Mas, n\u00e3o bastasse ser um g\u00eanero desvalorizado e muito deixado de lado, o filme dirigido por<strong> Jon Lucas <\/strong>e<strong> Scott Moore <\/strong>se esfor\u00e7a desenfreadamente para ser, de certa forma, relevante \u2013 mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde o come\u00e7o do longa, tenta trazer uma cr\u00edtica social ao uso descontrolado da internet \u2013 mais especificamente do celular \u2013, indagando a extrema depend\u00eancia que o ser humano adquiriu destes pequenos aparelhos. Com tamanhas piadas t\u00e3o ruins que acabam por se tornar engra\u00e7adas, entretanto, a m\u00ednima relev\u00e2ncia dada ao roteiro se esvai. N\u00e3o s\u00f3 tenta ser um filme cr\u00edtico, mas se esfor\u00e7a demais nessa tentativa, e tal exagero bate de frente com todos os absurdos c\u00f4micos presentes na obra, desbalanceando o que poderia, muito bem, ter sido mais um desmedido besteirol americano de sucesso, como <strong>Se Beber N\u00e3o Case<\/strong>, filme do mesmo diretor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Jexi &#8211; Um Celular Sem Filtro<\/strong>, ainda assim, consegue ser o tipo de com\u00e9dia que far\u00e1 chover cr\u00edticas negativas ao redor da internet, mas a tamanha quantidade de <em>besteiras e tosquices<\/em> apresentadas em tela, certamente, conseguem compor um besteirol que mira no rid\u00edculo e alcan\u00e7a as risadas de seus espectadores, assim como qualquer besteirol por a\u00ed. Comediantes natos como <strong>Adam Devine<\/strong>, <strong>Wanda Sykes<\/strong>, <strong>Michael Pe\u00f1a<\/strong>, e <strong>Ron Funches<\/strong> \u2013 uns mais conhecidos que outros, mas ainda assim bastante talentosos \u2013 trazem ao filme o tom essencial para seu universo narrativo: um deboche natural que torna as situa\u00e7\u00f5es cotidianas hil\u00e1rias e sem sentido. Se n\u00e3o pelo seu elenco e por parte de sua proposta, a par\u00f3dia proposta seria um grande fracasso, mas, por causa disso, ser\u00e1 apenas um fracasso mediano, proposital, que se reconhece como tal e compra essa ideia, o que faz com que a maioria dos besteir\u00f3is por a\u00ed traga dez gigabytes de cr\u00edticas negativas, mas, ao mesmo tempo, completa seu espa\u00e7o de armazenamento com risadas e gargalhadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O filme, portanto, se mant\u00e9m pelos seus atores, pelo exagero de sua narrativa e, a cima de tudo, por se reconhecer como beirando o rid\u00edculo. Em alguns momentos, entretanto, se leva a s\u00e9rio demais, clamando por um produto final reflexivo e relevante, e se esfor\u00e7ando exageradamente para ser uma obra cr\u00edtica, enquanto tais pontos seriam muito mais aproveitados se tivessem sido mantidos nas entrelinhas, apresentados de formas mais suaves e n\u00e3o t\u00e3o diretas. <strong>Jexi &#8211; Um Celular Sem Filtro<\/strong>, portanto, est\u00e1 destinado a trazer resmungos e olhares tortos de diversos espectadores, o que \u00e9 esperado de qualquer besteirol norte-americano, de \u201c<em>Super-Her\u00f3i: O Filme<\/em>\u201d at\u00e9 \u201c<em>Todo Mundo em P\u00e2nico<\/em>\u201d, principalmente por ser um g\u00eanero que n\u00e3o agrada a todos. Mas, ainda assim, <strong>Jon Lucas <\/strong>e<strong> Scott Moore <\/strong>trazem uma obra divertida, que certamente consegue gerar gargalhadas daqueles com poucas expectativa e que, ao fim, buscam apenas um entretenimento raso, mas confort\u00e1vel.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o mais \u00e9 uma surpresa a rela\u00e7\u00e3o obsessiva que as pessoas mant\u00e9m, atualmente, com seus celulares. Seja no sof\u00e1, na cama ou no vaso sanit\u00e1rio, uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o mant\u00e9m, diariamente, seus olhos em meio \u00e0s pequenas letras destes dispositivos. 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