{"id":7620,"date":"2015-03-20T03:09:51","date_gmt":"2015-03-20T03:09:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pipocadepimenta.com\/?p=7620"},"modified":"2015-12-22T04:53:25","modified_gmt":"2015-12-22T04:53:25","slug":"118-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/118-dias\/","title":{"rendered":"118 Dias"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7700\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/SINOPSE3.png\" alt=\"SINOPSE\" width=\"800\" height=\"1814\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/SINOPSE3.png 800w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/SINOPSE3-452x1024.png 452w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Baseado no livro do jornalista iraniano Maziar Bahari, 118 Dias \/ Rosewater (2014) relata os dias que ele passou em cativeiro, quando foi cobrir as elei\u00e7\u00f5es de 2009, em sua cidade natal Teer\u00e3, para a revista Newsweek. Preso sobre a alega\u00e7\u00e3o de espionagem, ap\u00f3s gravar atos de viol\u00eancia contra manifestantes e enviar para o canal BBC, ele passou por diversas torturas em sua maioria psicol\u00f3gicas. Apesar de ter nascido no Ir\u00e3, Bahari possui cidadania canadense e vivia na Inglaterra, o que para seus algozes, o transformava em um agente do ocidente. Esta vis\u00e3o foi refor\u00e7ada pelo fato de o jornalista ter se relacionado com algumas pessoas que se opunham ao governo de Mahmoud Ahmadinejad, mesmo que por alguns poucos dias e por seu pai e sua irm\u00e3 terem sido presos por serem comunistas no passado.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7729\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-1.jpg\" alt=\"118 DIAS - Rosewater (2014) 1\" width=\"1500\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-1.jpg 1500w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-1-1024x512.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Dirigido pelo apresentador Jon Stewart, ancora do programa The Daily Show, que tamb\u00e9m assina a adapta\u00e7\u00e3o do roteiro. Seu longa-metragem de estreia n\u00e3o poderia ser mais interligado com sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria. Conhecido por misturar jornalismo, com\u00e9dia, pol\u00edtica e entretenimento ele consegue traduzir-se em tela e discutir o papel do comunicador nas mudan\u00e7as sociais. Stewart se tornou um dos principais apresentadores americanos, principalmente por satirizar os governos Bush e Obama. Entretanto em 118 Dias, n\u00e3o \u00e9 a com\u00e9dia o foco do seu discurso e sim o tragic\u00f4mico dos conflitos culturais. E \u00e9 pelo rid\u00edculo de situa\u00e7\u00f5es como estas que o longa se interessa. Seja a libera\u00e7\u00e3o, principalmente sexual, do ocidente que aterroriza os regimes isl\u00e2micos mais conservadores ou o preconceito que auto rotula qualquer oriental que siga o Isl\u00e3, como terrorista.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7730\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-2.jpg\" alt=\"Film Review Rosewater\" width=\"3000\" height=\"2000\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-2.jpg 3000w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-2-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 3000px) 100vw, 3000px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>A escolha pelo ator mexicano Gael Garc\u00eda Bernal, protagonista de filmes, tamb\u00e9m com um conte\u00fado pol\u00edtico, como Di\u00e1rios de Motocicleta (2004) e No (2012) \u00e9 acertada. O ator sempre lida bem com o peso da trajet\u00f3ria de seus personagens, expressando de forma convincente os sentimentos e as rea\u00e7\u00f5es nas diferentes situa\u00e7\u00f5es, indo do choro ao riso sem parecer artificial, at\u00e9 mesmo durante uma dancinha para desopilar o t\u00e9dio do c\u00e1rcere. Seu contraste com o ator dinamarqu\u00eas Kim Bodnia (super bronzeado para se passar por um descendente Persa) atribui um ar de realidade, pelo fato de os dois apresentarem um desconforto em tela cada vez que interagiam, ao reviverem a viol\u00eancia encenada.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7731\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-3.jpg\" alt=\"118 DIAS - Rosewater (2014) 3\" width=\"1306\" height=\"702\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-3.jpg 1306w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-3-1024x550.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1306px) 100vw, 1306px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>As gera\u00e7\u00f5es de conflitos sociais iranianos tamb\u00e9m est\u00e3o representadas no enredo. Maziar reencontra as mem\u00f3rias da irm\u00e3 na pris\u00e3o e a sua pr\u00f3pria consci\u00eancia representada na persona do pai, ainda que em alucina\u00e7\u00f5es. Se antes ele julgava seu genitor por ter crescido sem a figura paterna, agora ele se identifica com ele, seja pelo fato de ter deixado a esposa gr\u00e1vida na Inglaterra, ainda que pensasse ser diferente, por n\u00e3o ter previsto ou provocado sua pris\u00e3o, mas tamb\u00e9m por querer mais liberdade para sua terra natal. E \u00e9 nos di\u00e1logos de Bernal com o pai imagin\u00e1rio interpretado por Haluk Bilginer, a m\u00e3e (Shohreh Aghdashloo) ou a esposa (Claire Foy), que vamos nos espelhando no personagem, nos identificando com suas rela\u00e7\u00f5es pessoais e reconhecendo as semelhan\u00e7as com os cativos e torturados de ditaduras de outros pa\u00edses.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7732\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-4.jpg\" alt=\"118 DIAS - Rosewater (2014) 4\" width=\"956\" height=\"500\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>A fotografia cinzenta com uma c\u00e2mera quase documental remete aos recentes document\u00e1rios sobre a primavera \u00e1rabe, como o \u201cA Pra\u00e7a Tahrir \/ El Midan\u201d (2013), produzido pelo Netflix. Apesar de n\u00e3o ser um filme com dire\u00e7\u00e3o inovadora, no m\u00ednimo ele reabre discuss\u00f5es sobre choques culturais e de ponto de vista, principalmente no que tange nossos pr\u00e9-julgamentos sobre as culturas mu\u00e7ulmanas, orientais e os deles pelas ocidentais e judaico-crist\u00e3s, entre outras. Apesar de ser um erro tentar comparar escalas de t\u00e9cnicas de tortura, a sofrida pelo jornalista iraniano, n\u00e3o \u00e9 mais chocante, do que aquelas adotadas pelos EUA nas pris\u00f5es de Guant\u00e1namo e Abu Ghraib, ou mesmo pelo ex\u00e9rcito brasileiro durante os anos de chumbo. Vide document\u00e1rios como \u201cProcedimento Operacional Padr\u00e3o \/ Standard Operating Procedure\u201d (2008) ou filmes como \u201cBatismo de Sangue\u201d de 2006.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7733\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-5.jpg\" alt=\"118 DIAS - Rosewater (2014) 5\" width=\"1306\" height=\"702\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-5.jpg 1306w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-5-1024x550.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1306px) 100vw, 1306px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Em tempos em que as pessoas se manifestam nas redes sociais, contra ou a favor da ditadura, Rosewater \u00e9 um filme que deveria ter mais evid\u00eancia nos cinemas mundiais e brasileiros e estar sendo discutido nestes debates. Nele encontramos vis\u00f5es culturais e conflituosas, sobre regimes governamentais fechados, sem direitos e liberdades, onde a tortura \u00e9 uma pr\u00e1tica institucionalizada. Certamente que o Brasil \u00e9 muito diferente do Ir\u00e3, que os conflitos religiosos, por aqui, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o acirrados, mas provavelmente as compara\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o nem de longe absurdas. \u00c9 uma pena que ele n\u00e3o esteja sendo exibido em muitas salas e provavelmente n\u00e3o chegue ao alcance do grande p\u00fablico.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7734\" src=\"http:\/\/pipocadepimenta.com\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-6.jpg\" alt=\"118 DIAS - Rosewater (2014) 6\" width=\"1200\" height=\"520\" srcset=\"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-6.jpg 1200w, https:\/\/www.cinemaup.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/118-DIAS-Rosewater-2014-6-1024x444.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Talvez algu\u00e9m questione o que \u00e9 que 118 Dias tem a apresentar de diferente dos in\u00fameros filmes e document\u00e1rios brasileiros e internacionais sobre ditadura e tortura. Mas ningu\u00e9m pode negar que qualquer hist\u00f3ria destas merece ser contada, como uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica para a v\u00edtima e como uma lembran\u00e7a, para que n\u00e3o se repita. Mas o mais relevante para nossos dias atuais \u00e9 que os fatos n\u00e3o ocorreram h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas atr\u00e1s como no Brasil, mas em 2009, pouco mais de cinco anos. E isto refor\u00e7a a ideia de que governos totalit\u00e1rios, ainda utilizam muito esta pr\u00e1tica, n\u00e3o que os democr\u00e1ticos as tenham abolido, mas certamente elas ocorrem por motivos diferentes, ainda que igualmente conden\u00e1veis e mais raramente contra jornalistas que est\u00e3o cobrindo os conflitos sociais.<\/p>\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>Trailer do filme:<br \/>\n<iframe title=\"Trailer legendado do filme &quot;118 Dias&quot; - estreia nos cinemas no dia 5\/3\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vesDA45ewUM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"height: 20px;\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Baseado no livro do jornalista iraniano Maziar Bahari, 118 Dias \/ Rosewater (2014) relata os dias que ele passou em cativeiro, quando foi cobrir as elei\u00e7\u00f5es de 2009, em sua cidade natal Teer\u00e3, para a revista Newsweek. 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